A Comissão de Vizinhos da Praça começou a ser espontânea e informalmente criada, no dia 24 de setembro de 2002, pelos moradores que ficaram duplamente alarmados com a reportagem publicada nO DIA, noticiando a iminente construção de um estacionamento disfarçado de "praça suspensa", o que, além de ilegal como já ficou provado , traria incomensuráveis perdas para os moradores, entre elas a desvalorização dos imóveis mais próximos.
O alarme foi duplo porque a reportagem ainda dizia que o projeto contava com o apoio da AMA-Cosme Velho.
Como não podíamos apelar para a Associação de Moradores, decidimos enviar uma carta coletiva ao Conselho Estadual de Tombamento expedida em 30 de agosto de 2002, com 24 assinaturas denunciando a tentativa de se efetivar tal absurdo urbanístico.
O resultado foi a abertura de um processo no Conselho de Tombamento, e o envio de uma carta interpelando a ESFECO a empresa que administra a Estrada de Ferro do Corcovado (do Grupo Safra) e que seria a beneficiária da tal "reforma" solicitando explicacões e vistas do projeto e apontando uma série de obras irregulares dentro da Estação Inicial do Corcovado, que é tombada pelo citado Conselho.
A carta-resposta da ESFECO, em 31 de outubro de 2002, foi suficiente para tranqüilizar os moradores. Assinada pelo administrador Sávio Neves, começava por afirmar, textualmente, que "Em primeiro lugar, nós da Estrada de Ferro do Corcovado não estamos pretendendo construir nenhum estacionamento e tampouco realizar obra na Praça São Judas Tadeu, que faz parte da área de ambiência do bem tombado pelo INEPAC"
Surpreendentemente, quatro meses depois (27 de fevereiro de 2003), o Caderno Zona Sul (dO Globo), sai com nova matéria de duas páginas sobre o mesmo estacionamento-praça, dizendo que a obra ainda com apoio da AMA-Cosme Velho "só aguarda a decisão da prefeitura".
Os moradores, então e
novamente, voltamos a nos reunir desta vez com regularidade semanal
para fazer face ao problema, naquele momento agravado por uma dupla quebra
de confiança:
1) na palavra da ESFECO, e
2) na atual diretoria da AMA-Cosme Velho, que,
reincidentemente, hipotecou seu apoio sem levar em conta as verdadeiras
aspirações dos moradores. Não custa lembrar que houve
um intervalo de 6 meses entre as duas notícias tempo suficiente
para uma consulta prévia a todos os interessados.
Mais: o próprio fato de termos sido informados da obra pela grande imprensa, e não pela AMA-Cosme Velho, é, em si, uma prova irrefutável da incompetência ou inapetência ou falta de independência comunicativa da nossa atual Associação de Moradores (que é um órgão da sociedade civil e, por natureza, necessariamente consultivo e transparente). Cadê o jornalzinho da AMA-Cosme Velho que deixou de sair há mais de um ano?
Por tudo isso, nós, moradores, sentimos a necessidade de nos estruturar como um grupo de trabalho informal, com funções mais ou menos distribuídas, aparelhado com um cadastro de telefones e e-mails, e agilidade para se reunir, sempre que necessário.
Seguindo uma ordem de prioridades, a pauta de trabalho da Comissão de Vizinhos (que ainda não tinha esse nome) previa cinco medidas iniciais:
1) Enviar nova carta (que seguiu em 12/03/2003, com 9 assinaturas), ao Conselho Estadual de Tombamento, reiterando nosso pedido de providências
2) Enviar carta coletiva ao Secretário de Urbanismo da Cidade do Rio de Janeiro (em 10/03/2003, com 41 assinaturas).
3) Enviar carta-coletiva para a Fundação Parques e Jardins, explicando o projeto e o perigo que representa para as árvores do local, o que aconteceu em 15 de março, com 11 assinaturas.
4) Solicitar a O GLOBO que publicasse matéria ouvindo a opinião do outro lado. O jornal concordou, a matéria saiu no dia 5 de abril de 2003 e, como veremos, surtiu efeito.
5) Enviar abaixo-assinado às pessoas que se manifestam como diretores da AMA-Cosme Velho, solicitando a convocação de uma reunião de moradores para que sejam apresentados os seguintes papéis:
O abaixo-assinado, com 60 assinaturas, foi entregue em 12 de abril, durante o evento Cosme Velho pela PAZ, realizado na praça S.J.Tadeu, pela ao que tudo indica auto-nomeada direção da AMA-Cosme Velho, em parceria com a prefeitura. Até agora, não houve nenhum tipo de resposta.
Foi esta conjugação de fatores que fez os representantes da atual AMA-Cosme Velho convocar os moradores para uma reunião em que, finalmente, o projeto da ESFECO pôde ser examinado e discutido, publicamente em nossa página vocé encontrará o resumo deste encontro, sob o título Informação aos moradores do Cosme Velho.
Nova reunião foi realizada na noite de 29 de abril, no auditório da Igreja S.J.Tadeu, para examinar o projeto do Instituto Pereira Passos leia resumo do encontro sob o título Novas do Cosme Velho, em nossa página. O slogan Praça é no chão, que aparece abaixo do título, é de autoria de um veterano ambulante e figura tradicional da praça.
Além de demonstrar a amplitude do insulto urbanístico que ia ser cometido contra o bairro, essas duas reuniões tornaram patente, também, o problema da poluição sonora provocada nos últimos meses pelos alto-falantes da E.F.Corcovado. Com isso, e em função do número de reclamações vindas de pessoas que moram perto e mesmo distantes da estação, como na rua Ererê ou na Filinto de Almeida, decidimos abrir, além do Praça é no chão, o movimento O silêncio é um bem.
Quem também estiver interessado em defender o silêncio do bairro, entre em contato conosco. Quem se sente incomodado pelo barulho provocado pela E.F.Corcovado poderá deixar consignado nesta página o seu protesto. Registre também sua queixa no Disk-barulho, telefone 2294 3096, para que possamos caracterizar judicialmente o reiterado desrespeito à Lei do Silêncio, cujo texto integral está reproduzido nesta página. Já observamos que os infratores, que geralmente não estão a par desta lei, frequentemente a "interpretam" em seu benefício.
Confira, também, o artigo
de Joaquim Ferreira dos Santos "Estação
Terminal"; a resposta
ao artigo, assinada pelo sr. Sávio Neves; e a tréplica "Barulho
no Corcovado carta-coletiva enviada ao JB (não foi publicada,
por que?) em que 32 moradores apoiam e aprofundam a reclamação
do ilustre jornalista vizinho.