LEMBRETES E CONSIDERAÇÕES A RESPEITO DA POLUIÇÃO SONORA
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Nossos ouvidos não piscam. Estão sempre abertos e desprotegidos. |
| 2 | OUVIR não é a mesma coisa que ESCUTAR. Ouvir é um ato natural; enquanto que o ato de ESCUTAR implica em ouvir com atenção. Portanto, não adianta fingir que não estamos ouvindo determinado som: nossos ouvidos estão. |
| 3 | Nossa cidade é uma das mais barulhentas
do mundo. É por isso que o carioca fala tão alto. Há
mais de 10 anos o Rio de Janeiro está nas lista das 10 mais barulhentas.
E as sucessivas administrações têm contribuído
para tanto.
Dois exemplos gritantes: a Linha Vermelha, que passa a 80 centímetros de centenas de janelas residenciais e a poucos metros dos berçários do Instituto de Puericultura da UFRJ; e o Aeroporto Santos Dummont , de onde decolam os Boeing da ponte Rio-São Paulo. Mas, além dos gritantes, há os exemplos alto-falantes, que, postos em cima de veículos, percorrem a cidade, na esteira do sub-emprego, vendendo, comprando ou anunciando coisas, e cruzando com as sirenes das ambulâncias, dos bombeiros e da polícia, em contraponto com os apitos de saída de garagem, alarmes de carros e buzinas nos sinais e nos engarrafamentos provocados pelas indefectíveis britadeiras das obras públicas. |
| 4 | Os ouvidos de qualquer pessoa, com audição
normal, ficam incomodados a partir de 80 decibéis. Decibel, lembrando,
é a medida de unidade sonora. 140 decibéis, por exemplo,
é o barulho que um avião Boeing faz, o que já é
o limite da dor auditiva.
80 decibéis é o barulho que o tráfico intenso de automóveis faz. Submetidos por muito tempo a esse volume de som, nossos ouvidos acabam perdendo a sensibilidade. |
| 5 | A surdez progressiva já atinge grande parte da população urbana com mais de 60 anos. As pessoas que moram no campo têm significativamene menos problemas auditivos. |
| 6 | Muitos veteranos do rock, como Peter Towsend, por exemplo – ficaram surdos, por causa do volume da própria música que produziam. |
| 7 | Não é só surdez que o barulho provoca. Submetido a ruídos acima dos 80 decibéis, nosso organismo começa a liberar mais quantidade de colesterol e de glicocorticóides no sangue – substâncias que provocam, respectivamente, entupimento das artérias e envelhecimento. |
| 8 | Nosso sono também fica comprometido. A partir de 60 decibéis - “Durma-se com um barulho desse!” - os ciclos do sono ficam mais curtos, impossibilitando o dormir profundo, aquele que realmente descansa o corpo. Ora, como se sabe, quem não dorme bem, geralmente tem mau-humor e dificuldade de concentração, é fácil deduzir os prejuízos provocados pela poluição sonora na qualidade de vida e na própria procutividade de cada um. |
| 9 | O barulho também provoca neuroses. Konrad Lorentz – Prêmio Nobel da Paz, em 1986 – deixou o aviso de que “há um grau de reunião urbana em que as pessoas passam a se odiar”. A poluição sonora, sem dúvida, está contribuindo para promover o esgotamento nervoso do Rio de Janeiro. |
| 10 | Estão lesando seu aparelho auditivo:
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Os piores surdos são os que não querem ouvir. |