O Globo, Caderno Zona Sul, 27 de Fevereiro de 2003
Ponto turístico à espera de obras
William Helal Filho

Adoção da Praça São Judas Tadeu aguarda decisão da prefeitura
“Praça? Qual?”, perguntou o potiguar Lucas Bertino, de 43 anos, ao ser indagado sobre o estado de conservação da Praça São Judas Tadeu, no Cosme Velho. Bertino havia acabado de saltar de um ônibus de turismo e estava lá para tomar o bondinho para o Corcovado, cujo terminal de embarque e desembarque fica ao lado.
— Isso aqui, para mim, é um estacionamento. Praça é um lugar limpo, com brinquedos, banquinhos e crianças — afirmou o turista.
Ano passado, a Esfeco, empresa que opera o Trem do Corcovado, propôs à prefeitura adotar a praça, que fica ao lado de sua estação de bondinho. Elaborou um plano urbanístico, prevendo quiosques, brinquedos e jardins, e ganhou o apoio dos moradores do bairro. A companhia quer injetar R$ 1,3 milhão em obras. A planta com o projeto está sendo analisada por técnicos do município.
— A praça é o portão de entrada de nossa estação de trem. Não podemos receber nossos usuários dessa maneira — afirma o diretor do Trem do Corcovado, Sávio Neves.
Há mais de dez anos a associação de moradores do bairro pede reformas no local. A prefeitura prometeu, em 1995, remodelar a área, já que pretendia incluir o Cosme Velho no Rio Cidade, programa que revitalizou 12 bairros. O município até preparou um projeto para a São Judas Tadeu. Mas as obras no Cosme Velho acabaram saindo dos planos da prefeitura, o que na ocasião jogou por terra o desejo dos moradores de ter, de fato, uma praça no local.

Rotina de caos no trânsito
Além de conviver com camelôs e com sujeira na praça, os moradores do Cosme Velho são obrigados a enfrentar a rotina de confusões no trânsito gerada pela chegada e saída de ônibus de turismo na São Judas Tadeu. Um dos objetivos da Esfeco, com as reformas propostas, é criar baias de embarque e desembarque no local e estacionamentos alternativos, para que os veículos com turistas não precisem parar na praça.
O subprefeito da Zona Sul 2 (área que vai do Humaitá à Glória), Marcelo Maywald diz estar trabalhando para que o projeto da Esfeco seja aprovado pela prefeitura em breve. Enquanto isso não acontece, o município vai tomar providências para acabar com alguns dos problemas no local, promete Maywald.
— A prefeitura ainda está analisando o projeto, mas vou trabalhar para que a adoção saia o quanto antes. Por ora, vamos dar uma resposta de emergência aos problemas da praça. Vou discutir com a CET-Rio a criação de um estacionamento para ônibus de turistas embaixo do viaduto do Túnel Rebouças (no alto da Rua Cosme Velho) e outro num terminal de ônibus próximo — diz o subprefeito.
Maywald anuncia um choque de ordem na São Judas Tadeu assim que acabar o carnaval. Ele garante que vai reprimir o comércio ambulante e implantar o sistema Rio Rotativo no estacionamento, para afastar os flanelinhas que loteiam o local.
A presidente da Associação de Moradores do Cosme Velho, Marelise Guimarães Oliva, não agüenta mais tanta desordem na porta de casa.
— A bagunça que está não pode continuar. Há mais de dez anos pedimos uma reforma na praça, pois o lugar só serve para espantar os turistas. Se o poder público está enrolando a gente, deixando de fazer as reformas devidas, espero que ao menos aprove as obras propostas pela Esfeco — afirma.

Planos para a área de lazer
O projeto da Esfeco para a Praça São Judas Tadeu prevê a construção de uma laje sobre o estacionamento, que seria mantido. Sobre essa laje, a empresa quer instalar brinquedos, bancos e um quiosque. As árvores também seriam mantidas, já que a praça suspensa seria construída ao redor de seus troncos. A companhia quer ainda criar baias de embarque e desembarque no local e negociar estacionamentos alternativos para os ônibus que levam os turistas para embarcar no Trem do Corcovado.
 
 

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