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O Chão
07, November 2004 - 07:10 am
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?Nunca o chão me pareceu tão confortável.?
Quando me disseram ?Vamos, Vika, levante-se? eu respondi quase que instantaneamente ?mas o chão ta tão confortável?. Sim, eu, Vika, o senhor do ?Anda, levanta do chão! Sacode a poeira e vamos em frente!? Estou aqui no chão, caído, e sem nenhuma vontade de levantar. Sim, porque quando a Angústia veio e me derrubou no chão e eu caí de cara com ele, não o achei confortável, nem tive forças para me levantar. Mas depois, quando ela não me atacou mais, mas ficou em volta, me assombrando, eu não tentei levantar. Não tentei usar o chão como um apoio para me levantar, simplesmente joguei o corpo para trás e me deitei. Acomodei-me. Deixei que a angústia fizesse seu trabalho, e cuidasse de mim como ela queria. E para piorar, a alimentei ao invés de tentar lutar. Fiz do chão um lugar confortável, apesar de ser duro e frio, um cantinho conformado de minha consciência achava desculpas para a minha fraqueza.
Ontem, depois de dizer tudo o que tinha de dizer sobre ela, o que tinha trazido a minha maior inimiga para perto de mim, e me disposto a enfrentá-la, eu fiquei melhor. Não 100%, lógico. Seria querer demais também que de repente ela cansasse de se divertir comigo e fosse atormentar outra pessoa, mas ela ao menos foi para mais longe. Nada que uma banana split e uma andança pelas ruas dos jardins com a Luiza não resolva. Mas ainda assim, de volta a casa, eu ainda estava no chão. O chão se tornou confortável até mesmo para dormir. Como eu já disse, estava confortável no chão. Mesmo sem angústia, levantar-me ainda me parece uma tarefa muito difícil. Ficar aqui, deitadinho, sem cor e sem muita vida ativa, por hora, me parece o melhor.
Hoje de manha eu já estava bem melhor. Apesar de ter dormido mal como dormi nas noites anteriores, desde que a angústia resolveu dar as caras, eu acordei melhor. Mesmo tendo sonhado pela vigésima vez coisas estranhas e com pouquíssimo sentido para os outros, mas que para mim faziam quase que sentido completo, eu estava melhor. Eu consegui estudar pra prova de Física, apesar de ter ligado o rádio várias vezes para ouvir Yellowcard, até me tocar que ouvir Yellowcard estava acabando com o meu emocional. Sim, eu estava melhor, bem melhor. Senti até vontade de sair para EPs, catei o telefone para ligar para amigos, fiz até palavra cruzada. Aquele estado deplorável em que eu estava de só conseguir fingir que estava na Internet e ouvir Yellowcard o dia inteiro, pelo visto, ao menos aparentemente, acabou, graças a Deus.
É estranho, mas eu nunca tinha acreditado que realmente existia um estado de espírito no qual você só conseguia tentar dormir e fazer poucas coisas, até acontecer comigo. Mas sim, hoje eu consegui comer direito, e sem ser em frente ao PC, hoje eu conversei com a minha mãe sobre a Guerra Fria e a União Soviética, hoje eu estudei física (e por mais estranho que isso pareça, estudar física me fez um bem anormal), hoje eu fiz palavras cruzadas, hoje eu escutei música eletrônica no rádio, hoje eu assisti um pedaço da novela, coisas tão corriqueiras, mas que nos últimos dias me eram quase impossíveis. Hoje eu vi que eu simplesmente esqueci todos os meus amigos nesses últimos dias. A Pichi, para quem eu sempre liguei no mínimo três vezes no dia, eu não liguei nenhuma vez! Eu tinha perdido todo o interesse em sair de casa. Nesses últimos dias o mais longe que eu fui foi na padaria porque ou ia ou morria de fome em casa.
Sim, eu melhorei, e muito.
Mas continuo achando o chão muito confortável. Deixem-me ficar aqui deitadinho, até a poeira baixar por completo, e a angústia, minha inimiga número 1, ir embora.
"How it feels to be alone and not believe anything?"
Ps.: visitem o meu mais novo photoblog poser!
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