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Balanço de final de ano
24, December 2004 - 05:04 am
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Dezembro é um mês que pede reflexões. É aquele mês em que você levanta da cama e pensa no que você fez de bom e de mau durante o ano. No que valeu a pena e o que não valeu. No que você apagaria ou não de seu ano. Aqueles passos errados que você deu. Admito que eu acabei de dar um passo errado, não porque não concordasse com ele, mas porque estava cheio de raiva quando fiz ele, não pensei no que estava para fazer. Repito que não foi errado porque não concordasse com ele, mas porque toda ação tem uma reação.
No entanto, eu não pensei em nada que fiz esse ano mesmo, 2004 foi passando pela minha vida atropelando tudo que tinha pela frente. Atropelando principalmente quem tinha que viver ele, e não viveu: eu. No post Conclusão eu fiz um balanço de 2003. Nesse eu faço um balanço de 2004. Porque o ano começou com Vika sem amigos, sem nenhum mesmo. Eu tinha descoberto que meus amigos da escola eram todos falsos, sem exceções, e eu ia pra aula dormir no fundo da sala. Aos poucos eu voltei pro Fandon, e vi que era muito mais do que eu imaginava. Okay, entrei 2004 com um balanço de zero amigos, no meio tive tantos que perdi a conta, e vou sair com poucos mais do que entrei. E desculpe se você se sentiu mal e excluído porque eu disse que vou sair com poucos amigos de 2004, porque eu realmente vou sair com pouquíssimos verdadeiros, daqueles que eu me jogaria do prédio e saberia que iriam estar lá embaixo pra segurar.
Eu nunca estou mal. Acho que pouquíssimas pessoas me viram mal, realmente mal. E quando eu estava mal, foi como se eu não estivesse. E você que está lendo isso, não notou, não é mesmo? 2004 foi o pior ano da minha vida. E você não notou. De junho em diante eu tive poucos dias felizes. E você não notou. Mas não hesitou em ficar contra mim. Porque desde sempre, desde que eu me entendo por gente, é assim. Ninguém nota o que acontece, mas nota o momento certo de me tacar pedra e saber que ela vai bater direto na minha cara.
Porque em junho eu estava mal, muito mal mesmo. E você não notou, ou se notou, fingiu não notar. Um dos poucos que notou, alguns dizem que não existe, mas eu sei que Ele notou. Porque quando eu tive que ir pra escola chorando porque minha mãe me disse que eu não acreditava Nele, Ele passou a mão na minha cabeça e me segurou pelo braço até que eu chegasse na escola. E se em abril eu não tivesse ido ao Retiro de Crisma e entendido quem é Deus, eu não estaria aqui. Estaria em qualquer lugar, menos aqui. Anywhere but home.
Ops, mais uma pedra veio aqui. Mais uma pedra porque eu acredito e vou à Igreja daqueles que queimaram as bruxas e fizeram as cruzadas, mais uma pedra porque eu rezo numa Igreja que condena os homossexuais. Mais uma pedra porque eu sou católico apostólico românico praticante. É difícil você escolher o caminho que os outros não apóiam. Mas me desculpem, meus amigos, quem eu não esperava que me segurasse me segurou, e vocês que se diziam meus amigos, viraram a cara e fingiram que não viram nada acontecer. Ou será que não viram nada acontecer mesmo? Duvido. Eu postei no meu phlog. Eu coloquei no nick. E vocês, meus amigos, não viram.
Eu sei, eu sempre soube que eu não era tão querido quanto eu queria ser, e por muito tempo isso me matou, mas quando eu tive nas mãos alguns poucos amigos que realmente gostavam de mim, eu me satisfiz, e lhes digo, dois amigos valem mais, muito mais do que 5120451481620, porque você sabe que eles não viram a cara pra você, porque você sabe que se eles acham algo errado, eles querem saber os dois lados da história. É fácil sair tacando pedras. Muito fácil. Dói, e não dá tempo do atingido revidar.
Eu não taquei pedras, não. Eu dei tapas na cara, porque a pessoa ta na minha frente, e tem tempo de se esquivar e mandar de volta se quiser. Eu não briguei com ninguém que eu não soubesse os dois lados da história. E aí escolhi de que lado eu ia ficar, pra quem eu ia dar a mão, quem eu ia ajudar a segurar. Quem ajudou a me segurar? Se você ajudou, você sabe disso. Eu garanto que você sabe, porque eu te disse. Eu te abracei e disse que te amava muito porque você foi meu amigo quando eu mais precisei. E vocês? Vocês não foram. Não mesmo. Ops, o que foi isso? Eu vi mais uma pedra voar? Tava demorando.
Eu não guardava mágoas de ninguém. Ninguém nunca me magoou a ponto de eu não querer ver. Ou magoou e eu perdoei. Eu sempre perdoei, eu sempre achei lindo o modo como eu perdoava, até eu perceber que eu era idiota assim. Eu deixava assim todo mundo me fazer de gato e sapato e ria. Eu deixava as pessoas me magoarem, e saia pulando feliz. Esse ano não deu pra ser assim. Tinha uma pessoa me magoando vinte quatro horas por dia, todo o tempo, todos os minutos da semana, todos os segundos, todo o tempo, e por mais que minha mãe tenha sido minha pior inimiga esse ano, eu continuo amando ela, porque eu sei que no fundo, no fundo, ela me ama, apesar de tudo o que ela me fez. Agora, outras pessoas me magoando eu não aturei, já bastava minha mãe. E, ops, pedra. Calma, calma, taquem tudo no final, eu não acabei de falar ainda, aí vocês tacam o resto de uma vez só. Afinal, se tacarem várias de uma vez eu realmente não vou ter chance de devolver, e, aliás, eu não vou tentar. Eu assisti as pessoas me tacarem pedras o ano todo e não fiz nada, porque eu faria agora?
Um ano cheio de nada. Um ano só cheio de mágoas, e muitas mágoas. Mas no meio do carvão, a gente acha diamantes. E no meio do carvão, eu achei dois grandes diamantes.
Ninguém mais do que vocês duas merece serem citadas como minhas melhores amigas no mundo. Pichi e Lu, eu realmente não sei o que teria sido de mim sem vocês esse ano.
Desculpem todos os outros que sabem que esse post não são pra eles, tem gente que sabe que não precisava ler tudo isso. Mas eu tava há muito tempo pra falar, e esse post que era pra sair dia 31, saiu hoje mesmo.
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