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Sentimentos Vivenciados pelo Casal Após a Separação

IV. Introdução

A desnutrição emocional, a carência de amor resultante do processo de separação, das muitas perdas que sofremos, é uma das queixas mais freqüentes nos consultórios e no mundo moderno (Matarazzo, 1996, p120).

Encontrar a alma gêmea, a cara-metade, alguém que lhe complete constitui o sonho da grande maioria das pessoas - homens e mulheres. Embora esse desejo pareça inerente a maior parte dos indivíduos, a verdade é que fatores sócio-culturais condicionam a sua existência, através da sempre presente valorização do casamento e a importância que se dá à constituição de uma família. Desde criança o indivíduo é levado a criar expectativas quanto a achar alguém que atenda a suas necessidades e anseios. E, na tentativa de se adequar a essas expectativas socialmente instituídas acaba por desenvolver (...) "os sonhos de casamento, de família, de príncipes, cada um calçando o seu ‘sapatinho de cristal’" (Taube, 1992, p37).
Nesse contexto os indivíduos buscam o par ideal, alguém com quem possam passar o resto dos dias. A "sensação" de ter encontrado essa pessoa leva ao desejo de permanecer junto do outro, desejo concretizado quase sempre através do próprio casamento institucional ou de uma união ainda que não formalizada.
Porém, nem sempre as coisas acontecem conforme planejadas. De repente a pessoa se apercebe que o que parecia ser para sempre chegou ao fim. A relação torna-se "insuportável", surge a solidão, o desamparo. O indivíduo se vê distante daquele que imaginava ser o seu companheiro para o resto da vida. Inicia-se aí um processo doloroso tanto para o homem quanto para a mulher. Como bem afirma Matarazzo (1996, p110): "Ficar descasado de repente leva um homem ou uma mulher a deparar com mudanças que eles não tinham planejado ou desejado. O plano inicial era ser feliz para sempre".
Na verdade, o ato de separar-se vem se tornando cada vez mais comum. Segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, a freqüência de uniões rompidas cresce a cada ano: em 1996, ano avaliado na última pesquisa, a quantidade de separações judiciais e divórcios foi 12% maior do que em 1991. Sem contar as separações que não chegaram aos tribunais ou mesmo aquelas ocorridas entre pessoas que não formalizaram sua união. Debruçando-se sobre essa realidade, Dirani (1986, p121) pondera: "Há muita coisa ainda pouco falada na separação das pessoas. É como se toda a sociedade compactuasse no sentido de negar a perda real que o fato significa (...). Mas há um período inicial a ser ultrapassado e que traz, pelo menos quase sempre, um sofrimento bastante grande".
Conforme Maldonado (1986, p9):

Os primeiros tempos após a separação costumam ser bastante tumultuados. Muitos se surpreendem com a intensidade do ódio, da euforia, do alívio, do desespero, da culpa, do rancor, do atordoamento, da falta e dos altos e baixos que a mistura de tudo isto acarreta. Há quem tente anestesiar-se na indiferença do 'não estou nem aí', há quem se recolha para reorganizar-se, há quem busque avidamente as experiências que faltavam.

Pode-se inferir daí quão diversos e variados sentimentos podem aflorar numa separação. Nessa perspectiva e considerando o crescimento "assustador" de rompimento das relações, esse trabalho visa estudar os principais sentimentos vivenciados pelo casal após a dissolução do vínculo conjugal. Espera-se com isso contribuir para uma melhor compreensão dos efeitos de uma separação sobre o casal e de que modo afeta cada parceiro nos seus sentimentos. Afinal, segundo Matarazzo (1996, p115): "Você pode ser a causa ou a vítima da sua separação, mas o fato é que não há separação sem dor, sem sofrimento".
Nesse intuito, a opção foi realizar um trabalho eminentemente teórico tendo por metodologia a pesquisa bibliográfica, a fim de verificar o que os diversos autores já disseram sobre o assunto de forma a organizar os conhecimentos a respeito do tema. Até chegar ao foco principal, qual seja o estudo dos sentimentos vivenciados pelo casal após a separação, foi feita uma retrospectiva do casamento e da sua evolução considerando expectativas do homem e da mulher, seguida de uma abordagem sobre a vivência humana da separação, considerando aspectos que pareceram ser mais relevantes relacionados à união do casal (existência ou não de filhos, independência financeira da mulher, tempo de casamento, etc) e às razões do desenlace. Dentro do tema principal, objeto desse estudo, foram considerados aqueles sentimentos mais comuns e inerentes a qualquer casal separado.

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