Aconselhamento:
relação interpessoal estabelecida com a finalidade de auxiliar os indivíduos
na tomada de decisões. É uma área da psicologia fundamentada na aprendizagem,
no desenvolvimento da personalidade e no autoconhecimento, processos que
concorreram para que a pessoa tome consciência do papel que desempenha na
sociedade e adquira padrões adequados de comportamento.
Adolescência: fase compreendida entre a infância e a idade adulta,
durante a qual se definem os caracteres sexuais secundários e se evidenciam as
qualidades específicas do indivíduo. Nas sociedades simples e homogêneas,
como as comunidades rurais, o período de preparação do adolescente para a
vida adulta é mais curto e menos conflitivo do que nas sociedades complexas. A
longa fase de dependência, que na civilização contemporânea se estende por
aproximadamente dez anos, entra em choque com o desenvolvimento parcial
alcançado pelo adolescente e determina uma etapa crítica e repleta de
contradições.
Afetividade: conjunto de fenômenos psíquicos que compreendem sobretudo
o prazer, a dor e as emoções - fenômenos ditos afetivos. É também a
capacidade de experimentar estados afetivos e de produzir reações de caráter
afetivo, confundindo-se, nesse sentido, com o conceito de sensibilidade. A
afetividade é a base do psiquismo e o elemento mais fundamental na
estruturação da conduta e das reações de cada indivíduo. Num sentido mais
amplo, engloba as tendências afetivas (inclinações, paixões) e os estados
passivos (prazer, dor, emoções). Seria errôneo identificar os sentimentos e
as paixões, duas formas de afetividade, com o lado "irracional" da
psicologia humana. Toda a conduta do homem, até mesmo seus aspectos mais
racionais e intelectuais, está marcada por esses elementos.
Agressividade: característica daquele ou daquilo que é capaz de
agredir, atacar, a agressividade se apresenta em muitas formas e, às vezes, em
duas ou mais ao mesmo tempo. Assim, deve-se analisá-la conforme suas
manifestações biológicas, psicológicas, éticas, sociais, jurídicas,
políticas, estratégicas.
A agressividade faz parte da própria vida, relacionando-se desde o início com
a luta pela sobrevivência. Varia muito, por isso, a extensão ou o significado
que assume nos vários planos em que se verifica, dependendo das causas e dos
efeitos, na intensidade, da freqüência, das circunstâncias.
Alcoolismo: intoxicação, aguda ou crônica, provocada pelo consumo
abusivo de bebidas alcoólicas e constitui um problema médico quando altera ou
põe em risco a saúde física ou mental do indivíduo.
Alma: entidade a que se atribuem, por necessidade de um princípio de
unificação, as características essenciais à vida (do nível orgânico às
manifestações mais diferenciadas da sensibilidade) e ao pensamento, e que se
define em oposição a corpo (embora não necessariamente a matéria) e, às
vezes, a espírito, estando associadas à consideração da idéia de alma as
questões da imortalidade, da personalidade, da individualidade, da
consciência, etc, com todas as implicações morais, religiosas e metafísicas
que elas suscitam.
Alucinação: percepção falsa sem estímulos externos que a provoquem,
estado em que se percebem objetos e/ou seres inexistentes. Tornam-se possíveis
num estado intermediário entre a vigília e o sono, durante um delírio
psicótico ou na hipnose.
Amnésia: perda ou incapacidade de memória cuja origem podem ser
distúrbios orgânicos ou mentais. É considerado sintoma e seu tratamento tenta
determinar e eliminar as causas básicas originais.
Angústia: segundo o criador da teoria psicanalítica, Sigmund Freud, a
angústia é um estado afetivo próprio da condição humana, resultante de uma
consciência de desamparo que provoca tensões dolorosas e intensas. Em sua fase
mais primitiva, essas tensões constituem a raiz dos diferentes afetos e também
da angústia. Para Freud, a angústia do nascimento, provocada pela separação
do novo ser do corpo da mãe, é a manifestação mais primitiva desse
sentimento.
De maneira genérica, pode-se dizer que a psicologia contemporânea aborda o
problema da angústia sob duas perspectivas: (1) estabelecer se ela constitui um
estado transitório ou se, ao contrário, é uma predisposição, um elemento da
personalidade; (2) determinar se de fato a angústia tem uma causa definida ou
se pode resultar de motivos e situações muito diversos.
Animismo: crença em seres espirituais. No século XVIII, o médico
alemão Georg Ernst Stahl recorreu a essa palavra para descrever sua teoria,
segundo a qual a alma é o princípio vital responsável pelo desenvolvimento
orgânico. Desde fins do século XIX, o conceito passou a ser associado à
antropologia; o britânico Sir Edward Burnett Tylor descreveu as origens da
religião e das crenças primitivas em termos de animismo. Em sua obra Cultura
animista (1871), considerou-o como “uma definição mínima de religião”.
Ao formular sua teoria, afirmou que a filosofia animista se desenvolvia como uma
tentativa de explicar as causas dos sonhos, os transes e a morte.
Anorexia nervosa: doença que se caracteriza pelo medo intenso de ganhar
peso e por uma imagem distorcida do próprio corpo. Leva a um emagrecimento
grave, aumento do risco de infecções e, em alguns casos, à morte. Os
pacientes também sofrem, com freqüência, de bulimia.
Ansiedade: temor antecipado de um perigo futuro cuja origem é
desconhecida ou não reconhecida. Os sintomas físicos são tensão muscular,
suor nas palmas das mãos, doenças estomacais, respiração entrecortada,
sensação de desmaio iminente e taquicardia. Os distúrbios de ansiedade são
os distúrbios mentais mais comuns nos países ocidentais.
Antipsiquiatria: movimento que se opõe ao psicodiagnóstico e à
psicoterapia, que são as escolas predominantes. Surgiu na década de 1960 e
levou ao aparecimento de novas teorias sobre as causas e o tratamento das
doenças mentais, como a esquizofrenia. Os defensores da antipsiquiatria, como
Ronald D Laing, se opõem às teorias que limitam a origem da psicose a causas
somáticas. Eles acreditam que é necessário prestar mais atenção às
influências nocivas que a sociedade e a família exercem sobre o doente. Laing
afirmou em sua obra Saúde mental, loucura e família (1964) que as
causas da esquizofrenia se encontram nas relações familiares deterioradas.
Muitos representantes da antipsiquiatria se opõem, de modo geral, à
existência dos hospitais psiquiátricos, já que, segundo eles, o doente mental
deve ficar em contato com a sociedade.
Apatia: estado de ânimo caracterizado pela falta de vigor ou energia,
pela inércia e pela falta de sensibilidade aos estímulos afetivos. Na
psicologia, o indivíduo apático possui uma personalidade caracterizada pela
ausência quase total de emotividade, pela inatividade e pela lentidão nas
reações. Ao contrário do tipo colérico, o apático é conformista,
introvertido e frio afetivamente. Alguns psicólogos afirmam que a apatia pode
estar relacionada à constituição física do indivíduo, a uma disfunção do
sistema endócrino, a transtornos como a depressão ou a demência e a
circunstâncias negativas duradouras, entre elas, o desemprego ou de falta de
liberdade.
Aprendizagem: processo de modificação da conduta por treinamento e
experiência. Varia da simples aquisição de hábitos à de técnicas mais
complexas. Como característica essencial do psiquismo humano, o ato de aprender
difere do adestramento animal pelo seu caráter criador, dinâmico e
intencional. A motivação, a inteligência e a hereditariedade influenciam a
aprendizagem, cujos elementos básicos são o estímulo, a resposta, o impulso e
o reforço. A psicologia vem emprestando ao assunto singular importância, mesmo
em relação a problemas como a neurose, considerada uma aprendizagem
defeituosa, cujo tratamento consistiria em um verdadeiro reaprendizado.
Aptidão: tendência natural que diferencia um psiquismo - conjunto dos
caracteres psíquicos de um indivíduo - de outro. As aptidões, que podem ser
de tipos muito diversos, aparecem em diferentes etapas do amadurecimento do
indivíduo. A musical, por exemplo, embora possa manifestar-se antes dos dez
anos, normalmente só se estabiliza a partir dessa idade, o que também ocorre
com a aptidão para tarefas mecânicas. A aptidão matemática, por sua vez,
aparece por volta dos 14 e a científica, aos 17.
Associação: princípio geral da psicologia, estreitamente ligado à
memória, segundo o qual a lembrança de um acontecimento pode evocar outros
fatos, experiências ou situações a ele relacionados. O associacionismo,
aplicado a diferentes fenômenos mentais, tornou-se uma concepção teórica
presente em todas as escolas psicológicas.
Associacionismo: teoria segundo a qual a mente humana funciona (percebe,
aprende) combinando elementos simples, irredutíveis. Os associacionistas partem
do princípio de que todos os processos psicológicos são reduzidos a cadeias
de associações estímulo-resposta, ainda que outras escolas o tenham negado
porque consideram insuficiente para explicar os fenômenos internos complexos,
como o pensamento criativo ou o comportamento verbal. A associação de idéias,
imagens e objetos emprega-se no ensino moderno, sobretudo nas disciplinas
relacionadas com a linguagem e o ensino de idiomas estrangeiros; é, também,
uma ferramenta básica da psicoterapia.
Associações
livres, método das:
técnica clássica da psicanálise freudiana para a identificação das
perturbações emocionais oriundas dos mais diversos tipos de complexos.
Consiste essencialmente em um processo de evocação espontânea de idéias, em
estado consciente e sem a interferência direta do terapeuta. Além de permitir
a localização de idéias e desejos reprimidos, que se encontram na raiz dos
sintomas mórbidos apresentados pelo paciente, produz uma descarga geral da
tensão psíquica, sendo este o seu efeito terapêutico mais simples e imediato.
Atenção: capacidade de concentração na observação e conhecimento de
um objeto, processo, tarefa, idéia, entre outros, com exclusão de tudo aquilo
que não se relacione com o observado.
Atitude: disposição nervosa e mental, fruto da experiência e que
exerce uma influência dinâmica e orientadora sobre todos os objetos e
situações com os quais guarda alguma relação. Nesse sentido, pode-se
considerar a atitude como uma forma de motivação social (portanto, de caráter
secundário em relação à motivação biológica, de tipo primário), que
impulsiona e orienta a ação para determinados objetivos ou metas.
Autismo:
problema neurobiológico que se manifesta normalmente em crianças antes dos
dois anos e meio de idade. As crianças autistas se mostram aparentemente
indiferentes ou, até mesmo, avessas a demonstrações de afeto e ao contato
físico, embora às vezes surja mais tarde uma ligação mais estreita com os
pais ou certos adultos. O desenvolvimento da fala nessas crianças é lento e
anormal, senão ausente, caracterizando-se pela repetição daquilo que é dito
por terceiros ou pela substituição das palavras por sons mecânicos.
Ainda não totalmente compreendida, a ocorrência do autismo estaria relacionada
à deficiência de um tipo específico de células nervosas e ao excesso de
serotonina, uma substância neurotransmissora.
Behaviorismo:
corrente da psicologia que defende o emprego de procedimentos estritamente
experimentais para estudar o comportamento (conduta), considerando o ambiente
como um conjunto de estímulos. No começo do século XX, John B Watson propôs
estudar a psicologia empregando somente procedimentos objetivos para estabelecer
resultados estatisticamente válidos. Este enfoque levou-o a formular a teoria
psicológica do estímulo-resposta: todas as formas de comportamento podem ser
analisadas como cadeias de respostas simples que podem ser observadas e medidas.
Biogênese:
princípio segundo o qual todo ser vivo se origina de outros seres vivos
semelhantes. Formulado por Francesco Redi e demonstrado por Pasteur, refuta a
tese da geração espontânea a partir de matéria inorgânica.
Biotipologia:
estudo dos caracteres físicos e psicológicos que diferenciam os indivíduos
entre si. É por isso chamada também de antropologia diferencial, antropologia
constitucional, constitucionalística e caracterologia. A biotipologia busca
estabelecer correlações entre a morfologia externa do corpo e os múltiplos e
complexos componentes da personalidade individual, tais como os psicológicos
(temperamento) e éticos (caráter), as aptidões intelectuais, físicas e
fisiológicas, as formas de expressão artística e de comportamento social e
até as tendências patológicas do organismo.
Casamento:
união voluntária entre duas pessoas, na maior parte das vezes sob um mesmo
teto, com o fim de partilhar a vida em todos os seus aspectos. Do ponto de vista
jurídico, é o contrato livremente firmado por um homem e uma mulher, pelo qual
se assegura a opção por uma vida em comum e pela repartição recíproca de
determinados bens. Nesse sentido, é a legitimação, perante a ordem social e
as autoridades civis ou religiosas, da aliança natural entre dois seres
humanos. Quando nessa experiência se concebem ou se adotam filhos, a
instituição lhes garante o reconhecimento como descendentes legítimos do
casal.
Catalepsia: síndrome neurológica em que o paciente mergulha na perda da
vontade motora por paralisia. Presente na esquizofrenia, na histeria e em outras
psicoses.
Catarse: liberação
terapêutica das emoções que causam tensão ou ansiedade. A exteriorização
dos conflitos reprimidos durante a hipnose foi denominada por Freud
"terapia catártica".
Catatonia: síndrome psíquica de esquizofrenia caracterizada por
afecção do aparelho locomotor que deixa o paciente em completa imobilidade por
vários minutos.
Cérebro:
do ponto de vista fisiológico, constituído pela concentração de tecido
nervoso que ocupa o extremo anterior do corpo de um animal, compete-lhe o
controle consciente e inconsciente de todas as funções vitais, em relação ao
ambiente e a todos os outros órgãos. O cérebro é uma das estruturas de mais
rápido crescimento do organismo humano. Situado no vértice do sistema nervoso
central, o cérebro centraliza a atividade fisiológica e a interpretação dos
impulsos externos. Experimentou, ao longo da evolução, desenvolvimento
desigual: em certos invertebrados consiste apenas em umas poucas células de
tecido nervoso, enquanto no homem apresenta estrutura complexa e grande
diferenciação de órgãos, lobos e setores.
Cinestesia: conjunto de percepções que viabilizam a identificação da
sensação de movimento, tensão, peso e posição do corpo.
Cleptomania,
atitude decorrente de não resistir ao impulso de furtar objetos, os quais não
necessita.
Cognição, ato ou processo de conhecimento que engloba a atenção,
percepção, memória, razão, imaginação, pensamento ou linguagem. A
psicologia cognitiva estuda este processo desde o ponto de vista do manuseio da
informação, estabelecendo paralelismos entre as funções do cérebro humano e
as de um computador.
Compensação:
mecanismo de defesa inconsciente, que leva uma pessoa a tentar suprir
deficiências reais ou imaginárias, com o objetivo de diminuir sentimentos de
culpa ou frustração.
Complexo:
conjunto de conteúdos psíquicos ligados entre si e de forte carga emocional,
total ou parcialmente inconscientes.Esse termo foi introduzido na psiquiatria
por Jung, que o define como um agrupamento de elementos psíquicos que envolvem
conteúdos de tonalidade emocional. Nem todos os complexos decorrem somente de
problemas relacionados com o sexo. Muitos são provocados por situações
econômicas, sociais, culturais, podendo-se, deste modo, distinguir complexos de
superioridade, inferioridade e familiar. Conseqüentemente, embora a infância
seja a fase mais própria à germinação de complexos, eles podem ser
provocados e manifestarem-se em qualquer fase da vida.
Complexo de Édipo: conjunto sistemático de desejos amorosos e hostis
que a criança desenvolve em relação aos pais, sobretudo dos três aos cinco
anos. Caracteriza-se sobretudo pelo desejo da morte do genitor de mesmo sexo e
atração pelo de sexo oposto. Conceito formulado pelo psicanalista austríaco
Sigmund Freud.
Complexo de Electra, na teoria psicanalítica, nome do desejo sexual que
a filha sente pelo pai, acompanhado por um sentimento de rivalidade com a mãe e
o desejo da sua morte. O termo "complexo de Electra" foi cunhado por
Carl Jung, como réplica do "complexo de Édipo" postulado por Sigmund
Freud, que o considerava uma etapa fundamental no desenvolvimento psicossexual
do menino quando ele começa a experimentar sentimentos de amor, ódio, medo e
ciúmes, resolvidos quando o menino se identifica com o pai e reprime seus
instintos sexuais.
Complexo de inferioridade: sentimento consciente de inferioridade baseado
na percepção real ou ilusória de deficiências orgânicas e psicológicas.
Formulado pelo psicanalista austríaco Alfred Adler.
Comportamento, mudança de: conjunto de métodos psicológicos para o
tratamento de distúrbios de adaptação e modificação dos estilos de
comportamento observáveis.
Dois tipos de investigação ajudaram a determinar o campo de modificações de
comportamento: a generalização dos princípios do condicionamento de Pavlov
aos problemas clínicos (como a enurese noturna e o alcoolismo) e a aplicação
do condicionamento instrumental de Skinner à educação e tratamento das
crianças deficientes e doentes psiquiátricos.
No início da década de 1960, a mudança de comportamento passou a ser uma
especialidade aplicada da psicologia em seus dois ramos: terapia do
comportamento e análise aplicada.
Comportamento, técnicas de modificação de: as técnicas mais
utilizadas em mudança de comportamento adquiriram nomes específicos:
dessensibilização sistemática, terapia aversiva e bio-feedback
("realimentação"). A dessensibilização sistemática trata dos
distúrbios com origem conhecida, como as fobias. A terapia aversiva é
empregada para eliminar hábitos perniciosos. Por último, o bio-feedback é
usado no tratamento de alterações comportamentais que têm uma base física.
A terapia do comportamento interessa-se, exclusivamente, pelas alterações
comportamentais propriamente ditas, sem procurar conhecer suas causas. Por esta
razão, no campo da psicologia, são muitos os que a repelem.
Comportamento animal: modo de atuação dos diferentes tipos de animais,
tema que fascinou os pensadores desde os tempos de Platão e Aristóteles. É
particularmente enigmática a habilidade de algumas criaturas simples para
desenvolver tarefas complexas: tecer uma teia (aranha), construir um ninho ou
cantar (pássaro), encontrar abrigo ou conseguir comida; tudo isso no momento
certo e com escassa ou nenhuma aprendizagem prévia. Tais comportamentos foram
estudados partindo de duas perspectivas diferentes, opostas em suas afirmativas:
enfoque comportamental (aprendizagem) e o enfoque etológico (que subtrai o
papel da herança).
Compulsão: ato de natureza ritual, determinado por um impulso
patológico, com a finalidade de liberar a angústia. Constitui a síndrome
básica das neuroses obsessivo-compulsivas.
Comunicação: processo de troca de significados entre indivíduos por
meio de um código comum (signos, sinais, símbolos, linguagem falada ou
escrita). Envolve a transmissão de mensagem entre uma fonte e um destinatário.
Implica, portanto, dois pólos: um transmissor ou emissor (fonte) e um receptor
(destinatário), em um processo que ocorre através de um meio denominado canal.
Este pode ser natural, como o aparelho fonador, ou industrialmente concebido,
como a imprensa, o rádio, a televisão etc. Mesmo entre os animais existe um
sistema rudimentar de comunicação, embora limitado a sinais e sons intimamente
ligados ao instinto de conservação da espécie. Na comunicação existe uma
infinita escala de valores. Abarca desde o gesto mais elementar até a
transmissão por satélite artificial.
Condicionamento: processo destinado a induzir determinado padrão de
comportamento, por meio de estímulos psicofisiológicos intencionalmente
programados. As pesquisas sobre condicionamento permitiram a formulação de
técnicas para o tratamento de problemas de adaptação. Diversamente do que
ocorre com as psicoterapias, voltadas para o desenraizamento de conflitos de
base, o objetivo das terapias do comportamento é a extinção do sintoma.
Condicionamento operante de Skinner: teoria introduzida pelo psicólogo
americano B F Skinner como uma alternativa ao condicionamento clássico aplicado
pelo psicólogo russo Ivan Petrovich Pavlov. Através da experimentação,
Skinner concluiu que o comportamento pode ser condicionado com o emprego de
estímulos positivos e negativos e as recompensas mais simples podem condicionar
formas complexas de comportamento.
Conflito:
antagonismo psicológico que perturba a ação e a tomada de decisões pelo
indivíduo. É subjetivo e em geral inconsciente. Sempre que se deve escolher
entre duas situações incompatíveis, sejam elas de prazer ou de perigo,
instala-se um conflito. Trata-se de um fenômeno subjetivo, muitas vezes
inconsciente ou de difícil percepção. De modo geral, o indivíduo tem
consciência apenas do sofrimento ou da perturbação de comportamento,
originados do conflito reprimido.
Consciência: designa os processos internos que determinam níveis
complexos do comportamento. Sobre sua natureza, distinguem-se duas perspectivas:
a animista e a fisiológica ou mecanicista. A primeira insiste no sentido
não-físico desses processos, e a segunda identifica-os com atividades
cerebrais. Tais processos, presentes nos animais superiores, alcançam seus
níveis mais elevados no ser humano. Em função dessa segunda perspectiva, é
possível caracterizá-los por três propriedades: pela memória imediata, que
permite a coordenação das ações e experiências passadas com as futuras;
pela conduta intencional, isto é, organizada em função de metas a serem
atingidas; e pela capacidade de resposta. Todo ser humano percebe que existe
como um ser singular em relação aos demais objetos e seres do universo. Sob
esse aspecto, a consciência constitui a própria essência do ser humano.
Consciente: conjunto dos processos e fatos psíquicos de que temos
consciência, isto é, conhecimento (por oposição a inconsciente).
Convulsão: contração muscular violenta e involuntária provocada por
distúrbio ou anomalia do sistema nervoso. Pode estar associada a elevação
excessiva de temperatura, epilepsia e tumores cerebrais, entre outros problemas.
Delinqüência
juvenil:
comportamento criminoso de adolescentes, responsável, em muitos países por
cerca de oitenta por cento dos crimes. A massa de delinqüentes jovens é em
geral originária de classes sociais de baixa renda. Suas condições de vida
entram em conflito com os valores das classes privilegiadas, inalcançáveis
para quem não tem acesso à educação de alto nível e a boas perspectivas no
mercado de trabalho.
Delírio: perturbação das faculdades mentais, caracterizada por
desorientação e confusão do pensamento. Surge geralmente em conseqüência de
distúrbios físicos que afetam o cérebro, como intoxicação, febre, problemas
cardíacos e pancadas na cabeça. A recuperação depende da extensão dos danos
sofridos pelo cérebro.
Delirium tremens: delírio com tremores e intensa excitação,
acompanhado de transtornos mentais, alucinações e ansiedade. Afeta
alcoólatras crônicos após certo período de abstinência e é conseqüência
de um estado de debilidade geral, caracterizado por desnutrição, cansaço e
desidratação.
Demência: debilitamento psíquico profundo, global e progressivo, que
altera as funções intelectuais básicas e desintegra as condutas sociais.
Considerado durante muito tempo como sinônimo de loucura, este termo designa
hoje um enfraquecimento mais ou menos acentuado das faculdades mentais,
decorrente de lesões do cérebro. A demência afeta a personalidade do
indivíduo deteriorando seu sistema de valores lógicos, de conhecimento, de
juízo e de adaptação ao meio social.
Demência senil: deterioração crônica e progressiva das funções
intelectuais. Em geral, decorre de alterações cerebrais patológicas. É mais
freqüente em idosos, embora possa afetar indivíduos de qualquer idade.
Manifesta-se inicialmente por perda da memória recente, confusão,
irritabilidade e distúrbios de personalidade.
Depressão:
designação genérica dos estados de baixo tono psíquico, em geral
relacionados com a afetividade, e que se caracteriza pela baixa do humor, o
abatimento e a melancolia profunda, muitas vezes acompanhados de sensações de
mal-estar físico e de sentimentos como falta de coragem, desânimo, falta de
autoconfiança, inércia, sentimento de pesar e pessimismo sistemático. Nas
formas mais graves, a depressão pode tomar aspectos delirantes, como
hipocondria, delírio auto-acusatório etc.
A depressão distingue-se da simples tristeza, sensação de perda ou estado de
luto, que são respostas legítimas e normais à perda de pessoas ou objetos
amados. Se uma pessoa tem claras razões para sentir-se infeliz, só se pode
falar em depressão se existe uma desproporção muito grande ou longa em
relação ao fato que causou tal estado de ânimo.
Depressão
analítica:
a reação de uma criança à uma repentina perda da mãe se caracteriza por
falta de interesse no ambiente que a rodeia, retraimento, perda de apetite,
insônia, apreensão e outros sintomas que observados num adulto seriam
considerados como depressão normal. Numa criança, porém, é chamada
depressão analítica. Esta mesma reação pode ser observada simplesmente
suprimindo-se a atenção materna para a criança, e sua origem é mais
psicogênica que orgânica.
Depressão pós-parto: este tipo de depressão se apresenta geralmente
entre três semanas e três meses depois do parto. Tem como características
principais o pânico, o temor de uma sensação de incapacidade para cuidar do
recém-nascido. Embora tenha sido considerada em princípio como uma alteração
orgânica, a depressão pós-parto vem sendo reconhecida cada vez mais como uma
enfermidade funcional que se produz em resposta aos problemas da maternidade.
Desejo: um impulso não satisfeito em tempo leva ao surgimento de uma
tensão, que caracteriza o desejo. Portanto, quando o indivíduo pensa na coisa
desejada. está criando ou aumentando tensão psíquica, e ficando assim como
alvo de motivação que o levará a agir no sentido de satisfazer o desejo
surgido.
Convém notar a diferença entre desejo e vontade: esta é resultado de uma
escolha, uma resolução pensada refletida; mas o desejo às vezes pode ser
irrefletido, dominado por impulso, e até pode fazer com que a pessoa fique fora
de si, quando se trata de um desejo muito violento. Pela ação da vontade,
porém, um desejo pode ser reprimido, havendo um conflito entre ambos.
Desvio social:
qualquer tipo de comportamento que se afaste das normas geralmente aceitas em
uma sociedade. Não constitui uma transgressão da lei, mas sim uma não
observância das normas, sendo estas legais ou ilegais.
Émile Durkheim foi o pioneiro da teoria de desvio social, ao formular o
conceito de irregularidade ou enfraquecimento das normas que asseguram a ordem
social e que surge devido às mudanças produzidas pela divisão de trabalho na
sociedade.
Dinâmica de grupos:
do ponto de vista teórico, área das ciências sociais, em particular da
sociologia e da psicologia, que procura aplicar métodos científicos ao estudo
dos fenômenos grupais. Do ponto de vista aplicado ou técnico, a dinâmica de
grupos é o método de trabalho baseado nessa teoria. Os grupos humanos têm
vida própria e peculiar, que ultrapassa as características dos indivíduos que
os compõem e se manifesta não só na relação de um grupo com outro, mas
também, e principalmente, nas relações que os membros de um grupo mantêm
entre si.
Distúrbios mentais: distúrbios ou síndromes psíquicas e de
comportamento. Geram angústia e causam danos em importantes áreas do
funcionamento psíquico, afetando o equilíbrio emocional, o rendimento
intelectual e o comportamento social adaptativo.
A maioria dos sistemas de classificação reconhece os distúrbios infantis como
categorias separadas dos distúrbios adultos. Também distinguem entre
distúrbios orgânicos, provocados por uma causa fisiológica clara, e
distúrbios não orgânicos ou funcionais, considerados mais leves. Em função
da gravidade e da base orgânica, os distúrbios se dividem em psicóticos
(perda da realidade) e neuróticos (mal-estar e ansiedade sem perder o contato
com a realidade).
As psicoses mais comuns são a esquizofrenia, a maior parte dos transtornos
neurológicos e cerebrais (demências) e as formas extremas de depressão. Entre
as neuroses, as mais típicas são as fobias, a histeria, a hipocondria e todas
que geram uma alta dose de ansiedade sem que haja desconexão com a realidade.
Divórcio:
dissolução absoluta da sociedade conjugal, que anula seus efeitos civis e
permite aos cônjuges casar novamente. Na maioria das culturas se permitiu e se
permite o divórcio, mas existem países onde a autoridade religiosa tradicional
encara o casamento como indissolúvel.
Doença: estado de alteração da saúde física ou mental sob efeito de
agentes perniciosos originados dentro ou fora do organismo. De uma dor de dente
a um estado de coma, a doença pode assumir os mais diversos graus de
intensidade e apresentar-se em qualquer época da vida.
Além de crônicas ou agudas, as doenças também podem ser, segundo sua causa
ou etiologia: (1) carenciais, quando resultantes da falta de condições normais
para o desenvolvimento orgânico (subnutrição, avitaminose e correlatas); (2)
traumáticas, se provocadas por impacto físico ou emocional, inclusive do
calor, do frio etc.; (3) tóxicas, se provindas da agressão de agentes
químicos; (4) parasitárias, se suscitadas por vermes, fungos etc.; (5)
infecciosas, quando desencadeadas por vírus, bacilos, bactérias; e (6)
degenerativas, quando decorrem de processo inerente ao organismo, como a
tendência ao envelhecimento dos tecidos (arteriosclerose, por exemplo) ou sua
auto-agressão destruidora (cânceres em geral).
Doenças psicossomáticas: processos orgânicos patológicos de origem
psicológica, causados por estresse, ansiedade, depressão etc. Esses fatores
determinam uma ativação inadequada do sistema neurovegetativo e das glândulas
endócrinas. Sua repetição pode levar a alterações crônicas, tanto
funcionais como anatômicas, dos sistemas orgânicos.
Diversos tipos de problemas gastrointestinais, afecções dermatológicas e
alterações neurovegetativas são alguns dos transtornos orgânicos que têm
origem em desequilíbrios dos processos mentais.
Dor: sensação desagradável produzida pela ação de um estímulo
potencialmente lesivo ao organismo. O estímulo que desencadeia dor pode ser
elétrico, mecânico, térmico ou químico. A sensação dolorosa tem função
protetora para o organismo, pois o sofrimento que provoca desencadeia sempre
reações orgânicas, somáticas e viscerais, reflexas e voluntárias,
destinadas a livrar o organismo do estímulo prejudicial.
Grande parte dos remédios e terapias têm como objetivo a remissão ou alívio
da sensação dolorosa. Para esse fim se empregam analgésicos, anestésicos e
narcóticos, bem como procedimentos menos convencionais, como hipnose e
acupuntura.
Ego:
termo que designa, na teoria da psicanálise, a parte central da estrutura da
personalidade. É o mediador entre os desejos instintivos e as pressões morais.
Emoção: termo empregado como sinônimo de sentimento. Em psicologia,
denomina uma reação que implica em mudanças fisiológicas, tais como a
aceleração ou a diminuição do ritmo do pulso e atividade de certas
glândulas, ou uma mudança na temperatura corporal.
Emoção
primária:
é a que aparece bastante cedo, não dependendo portanto de aprendizagem:
alegria, cólera, medo, pesar, etc. As situações que provocam essas emoções
são na essência muito simples, estando ligadas a atividades que implicam num
objetivo, o que leva a graus variáveis de tensão. Quando há uma causa que
provoca sensação positiva, temos por exemplo a alegria (que corresponde a um
alivio de tensão que ocorre com a realização de determinado objetivo); mas no
exemplo de uma causa desagradável, indesejável, ameaçadora e provocadora de
susto e fuga, temos o medo. Entretanto, conforme provou J B Watson através de
experiências com crianças, há tipos de medo que se podem dizer serem
básicos, ao passo que outros - aliás a maior parte - são aprendidos.
Empatia: aptidão intelectual e emocional de um indivíduo para se situar
no lugar do outro, compreender seu estado de espírito e compartilhar seus
sentimentos, baseando-se no conhecimento de seu próprio estado e nas suas
próprias vivências anteriores.
Ensino: processo pedagógico por meio do qual se transmitem informações
sobre um assunto determinado. Etimologicamente, ensinar (em latim insignare)
significa "assinalar", "mostrar algo a alguém", o que
supõe uma ação por parte de quem ensina, o docente, sem que exista
necessariamente uma relação com o discente, ou seja, o que recebe o ensino. Do
ponto de vista didático, no entanto, o ensino moderno busca também o
aperfeiçoamento do indivíduo pela aprendizagem.
Epilepsia: distúrbio paroxístico e transitório das funções
cerebrais, que se manifesta de forma repentina e apresenta tendência à
repetição, a epilepsia é uma síndrome - conjunto de manifestações
clínicas - decorrentes de processos mórbidos cerebrais diversos e não
propriamente uma doença. Sua manifestação decorre da excitação espontânea
dos neurônios cerebrais, delimitada a uma pequena área ou generalizada por
todo o córtex cerebral.
Escola: instituição que tem por finalidade ministrar educação de
maneira regular, sistemática e intencional, em contraste com outras
instituições, como a família e a igreja, que educam de forma assistemática e
acidental. A existência de uma escola está vinculada basicamente às
atividades associadas das pessoas que a integram, ou seja, professores e alunos.
Qualquer que seja sua forma, bem como sua função específica dentro do grupo
social, no que se refere à educação, ela sofre pressões para ajustar-se às
exigências e à estrutura da sociedade. Esta elabora a concepção de vida que
a educação escolar, um dos principais mecanismos de socialização, deve pôr
em prática.
Esquizofrenia: grave distúrbio psíquico, caracterizado pela
dissociação mental, que provoca a perda de contato com a realidade. O
psiquiatra alemão Emil Kraepelin foi quem primeiro reuniu sob a classificação
inicial de "demência precoce" o conjunto de sintomas de uma
perturbação mental profunda. Kraepelin também realizou um grande esforço de
análise e classificação desses sintomas. Seu trabalho permitiu diferenciar a
síndrome esquizofrênica de outras alterações psicopatológicas.
Alteração associativa, dissolução dos laços afetivos e autismo - rompimento
profundo das ligações com o mundo exterior - e sensação subjetiva de
irrealidade são sintomas básicos da esquizofrenia.
Sob a classificação de esquizofrenia são agrupados vários distúrbios hoje
claramente distintos: a esquizofrenia simples, a hebefrênica, a catatônica e a
paranóide. Suas causas não estão bem identificadas. Ainda que o fator
hereditário seja relevante, fatores psicológicos e sociais influem em sua
manifestação.
Estereótipo: modelo conceitual rígido que se aplica de modo uniforme a
todos os indivíduos de uma sociedade ou grupo, a despeito de seus matizes e
divergências.
Estímulo: agentes, atos ou influências que têm a propriedade de
produzir um aumento temporário da atividade fisiológica de um organismo ou de
qualquer de suas partes ou órgãos.
Estresse: estado que se caracteriza por um conjunto de reações
psicofisiológicas do organismo a situações que desencadeiam tensão. São
fatores estressantes os acontecimentos que provocam ansiedade, agitação ou
tristeza. A vida nas grandes cidades propicia inúmeras situações favoráveis
ao estresse, fenômeno especialmente freqüente nas modernas sociedades
industriais.
Submetido a estresse, o corpo humano libera uma substância química denominada
adrenalina, que aumenta os batimentos cardíacos, acelera a respiração e
provoca tensão muscular. Descontrolado e acumulado, esse fenômeno cria ou
agrava problemas de saúde, mas dentro de certos limites funciona como estímulo
à realização.
Eu: conjunto de pensamentos, sentimentos e ações - tudo integrado - que
faz com que o indivíduo tome conhecimento de si próprio. Pode-se dizer que o
eu (ou self) é a entidade mais complexa e importante de cada um de nós, como
conjunto.
Eu ideal: noção que o indivíduo tem sobre o que ele gostaria de ser ou
ter, de como ele gostaria de ser, do que ele deveria fazer. Resulta do
desenvolvimento psicológico e é em geral influenciado por fatores sociais. Em
alguns indivíduos, é algo bem remoto, portanto de certa forma secundária na
sua vida, enquanto para outros indivíduos é mais próximo, atuante, influente.
Comparando a realidade de si próprio com o eu ideal, o indivíduo é levado a
ter motivações e emoções importantes.
Eu objetivo: segundo Lundholm, aquilo que as outras pessoas pensam do
indivíduo, diferenciando-se portanto do eu subjetivo. Esse comportamento de
outras pessoas com referência ao eu indivíduo é muito importante para a
auto-identificação. De fato, atitudes contrárias, ou de desprezo, etc, podem
influir muito, e negativamente, no eu do indivíduo, ao mesmo tempo que, de
outra forma, enaltecimentos, exaltações etc, podem contribuir positivamente
para a estrutura do eu.
Eu subjetivo: de acordo com H Ludholm, o eu é formado de dois aspectos:
o eu subjetivo e o eu objetivo. O eu subjetivo resume-se no que o indivíduo
pensa de si próprio; é o conjunto de símbolos (fisionomia, palavras, etc)
através dos quais o indivíduo pode tomar consciência de si próprio. Conforme
o mesmo autor ressalta, a noção do eu subjetivo é variável, dependendo de
fatores internos e externos, como conflitos com outras pessoas, o esforço
necessário para realizar um trabalho etc.
Euforia: sentimento de confiança, perfeito bem-estar e intensa alegria
que pode se manifestar de modo natural ou por efeito de narcóticos, como ópio,
morfina, cocaína, éter e haxixe.
Fadiga:
do ponto de vista da experiência subjetiva, fadiga é uma sensação de
desconforto, aversão e incapacidade de terminar uma tarefa, que se experimenta
em todo o organismo e não apenas numa parte dele. Não existe uma grandeza para
medir a fadiga, de modo que determinar sua magnitude e formular conceitos
científicos sobre ela é tão difícil quanto medir ansiedade, depressão,
angústia ou medo.
A fadiga, tomada geralmente apenas como cansaço físico, constitui, na verdade,
um problema psíquico crucial para a sociedade contemporânea.
Família: proveniente do latim famulus, "criado" ou
"servidor", inicialmente a palavra designava o conjunto de empregados
de um senhor e só mais tarde passou a ser empregada para denominar o grupo de
pessoas que, unidas por laços de sangue, viviam na mesma casa e estavam
submetidas à autoridade de um chefe comum. Aristóteles dizia ser a família
uma comunidade de todos os dias, "com a incumbência de atender às
necessidades primárias e permanentes do lar", e Cícero cunhou a
expressão, consagrada pelo tempo, segundo a qual a família é "princípio
da cidade e origem ou semente do estado".
Na maior parte das culturas, as pessoas vivem em unidades domésticas familiares
integradas por um ou vários casais e pelos filhos destes. A freqüência com
que se encontram relacionamentos desse tipo permite afirmar que a origem da
família é tão remota quanto a própria humanidade. Deve-se também assinalar
que, na maioria dos povos que alcançaram certo grau de civilização, a
família é monogâmica e o princípio de autoridade é geralmente prerrogativa
do pai, com a colaboração da mãe.
Fantasia:
mecanismo de defesa que proporciona uma satisfação ilusória para os desejos
que não se podem realizar - o inconsciente cria uma satisfação-substituta que
fica em lugar da realidade. É um mecanismo defensivo que alivia a tensão,
permitindo uma liberação ilusória da realidade não-satisfeita, ou uma
satisfação imaginária dos desejos, cuja satisfação real tenha sido proibida
pela repressão. A fantasia é uma síntese integrada de idéias, sentimentos,
interpretações e memória, predominando elementos instintivos e afetivos.
Através da satisfação-substituta e omitindo a realidade, a fantasia pode
ajudar a resolver os conflitos e prevenir a progressão da angústia. Freud
demonstrou que os sonhos e a fantasia são processos que visam a avaliar a
angústia.
Fetichismo: atribuição simbólica, a pessoas, partes do corpo ou
coisas, de propriedades ou características que emanam de outros objetos ou
indivíduos. O conceito de fetichismo ficou inicialmente restrito ao campo da
antropologia, mas foi depois utilizado pela psicologia, principalmente por
Freud, e pela sociologia, sobretudo por Marx.
Fixação: mecanismo de defesa que consiste numa parada no processo de
desenvolvimento da personalidade, em uma etapa sem independência completa,
madura e uniforme. É um mecanismo que foi primeiramente estudado por Freud,
explicando que certas situações infantis (de frustração ou de satisfação
intensa, especialmente em algumas partes do corpo) podem continuar provocando e
proporcionando experiências de alívio ou então de ansiedades exageradas.
Fobia:
temor irracional e incontrolável que alguém experimenta diante de determinado
objeto ou situação. Quando os enfrenta, a pessoa que tem a fobia experimenta
um pânico ou uma repugnância insuperáveis, com profundas modificações em
seu comportamento. As fobias costumam surgir quando o medo produzido por uma
situação ameaçadora original se transfere para outras situações
semelhantes, ficando o medo original reprimido ou esquecido.
Frustração: estado afetivo ou emocional provocado pela impossibilidade
de satisfazer um desejo, impulso ou necessidade psicológica. Desencadeia-se uma
experiência frustradora quando se conjugam as seguintes condições básicas:
presença de motivação intensa e impossibilidade de seu atendimento. Os
estados de frustração enquadram-se em dois grupos básicos: o das
frustrações primárias, produzidas pela ausência de incentivos adequados à
satisfação das necessidades, e o grupo das secundárias, que se caracterizam
pela presença de obstáculos entre o sujeito e o objeto do desejo.
A idéia de frustração tem conotação negativa para o senso comum, mas esse
sentimento pode também provocar uma reação positiva no indivíduo, pois
estimula a necessidade de superação e desperta a capacidade criativa.
Funcionalismo: escola de psicologia que subtrai o estudo da mente como
parte funcional, essencialmente útil, do organismo humano. Conseqüência
lógica da propagação das idéias de Darwin, o funcionalismo psicológico
insistia na importância dos testes de inteligência e das experiências
controladas para medir a capacidade de aprendizagem dos animais.
Geriatria:
disciplina médica voltada para o estudo, tratamento e prevenção dos processos
patológicos específicos da velhice. Abrange, além dos aspectos orgânicos, as
questões psicológicas e emocionais relativas ao idoso, nas diversas fases da
senectude, e distingue-se da gerontologia, disciplina de alcance mais geral, que
trata das condições dos anciãos, sãos ou enfermos.
Gestaltismo: escola de psicologia que se dedicou principalmente ao estudo
da percepção. Diante do associacionismo imperante, afirmava que as imagens
são percebidas de forma global, como uma configuração (em alemão Gestalt), e
não como mera soma de suas partes constitutivas.
Os psicólogos da Gestalt descobriram que a percepção era influenciada pelo
contexto e pela configuração dos elementos percebidos. Este enfoque
estendeu-se a outras áreas como o pensamento, memória ou estética.
Grafologia: arte ou ciência da análise da personalidade de um
indivíduo pelo estudo de sua escrita. O termo foi criado no século XIX pelo
padre francês Jean-Hippolyte Michon, mas a idéia de que a letra revela o
caráter - uma vez que o gesto exprime o temperamento e a escrita é gesto
fixado - já ocorrera aos antigos e esteve muito em voga nos séculos XVIII e
XIX. Até conseguir o reconhecimento dos meios científicos, a grafologia,
popularizada em muitos países graças à divulgação pela imprensa e à
existência de consultórios especializados, precisou superar grandes
desconfianças.
Hábito:
qualquer ato adquirido pela experiência e realizado de forma regular e
automática. Os psicólogos estudam o hábito como uma das funções básicas do
aprendizado e o consideram um problema quando impede ou altera o bem-estar de
uma pessoa.
Os hábitos são adquiridos, inicialmente, como reação diante de algum êxito
importante e depois se generalizam para as situações que apresentam estímulos
parecidos.
Os hábitos auto-destrutivos podem ser eliminados através da terapia de
mudança de comportamento ou com técnicas de recondicionamento, que consistem
em reforçar um hábito positivo.
Hereditariedade: conjunto de processos biológicos por meio do qual
determinadas características são transmitidas geneticamente por uma geração
às seguintes.
Hipnose: estado psicológico especial, para o qual concorrem alguns
atributos fisiológicos, semelhante apenas superficialmente ao sono e marcado
por um nível de percepção diferente do estado consciente. Esse estado se
caracteriza por um grau de sensibilidade e reação aumentado, no qual as
percepções internas adquirem a mesma importância que a realidade externa.
Histeria: fenômeno que consiste no aparecimento de importantes
alterações objetivas de comportamento - paralisias, afonias, crises de choro
ou de riso, vômitos, dispepsias, convulsões - sem que haja lesões orgânicas
que as justifiquem. O termo deriva do grego hystera, "útero", e
reflete a antiga idéia de que a histeria era um distúrbio feminino, resultante
de disfunções uterinas.
Fenômeno psicopatológico clássico, a histeria é conhecida desde a
antiguidade e no século XIX foi intensamente estudada, entre outros, por
Jean-Martin Charcot e Sigmund Freud, para quem há sempre na base do fenômeno
histérico um processo de recalque.
Homossexualismo:
comportamento que se caracteriza pelo interesse sexual exclusivo ou dominante
por pessoa de mesmo sexo. Recebe essa denominação em contraposição a
heterossexualismo, ou interesse sexual por pessoa de sexo oposto. Nas últimas
décadas do século XX, tornou-se popular o termo gay para designar
homens e mulheres homossexuais. O homossexualismo feminino costuma denominar-se
lesbianismo, palavra derivada de Lesbos, ilha grega onde a poetisa Safo liderava
um grupo de mulheres.
Id:
termo que designa, em psicanálise, a área dos impulsos instintivos da
personalidade, reservatório inicial da energia psíquica. Criado por Freud,
constitui uma das três instâncias do aparelho psíquico, diferenciada do ego e
do superego.
Identificação: processo pelo qual o indivíduo se liga a outra pessoa,
ou a um grupo de pessoas ou a objetos. O indivíduo se assemelha a alguém, no
pensamento ou no comportamento, através da integração de uma imagem exterior
em seu próprio eu. Os membros de uma família têm, em geral. identificação
forte e durável entre si, enquanto o espectador (ou a espectadora) pode também
identificar-se com o herói (ou a heroína) de um filme ao qual está
assistindo. Um menino aceita e adota padrões recebidos do pai, enquanto a
menina se identifica mais com sua mãe.
Infância: período etário compreendido entre o nascimento e a
puberdade. Cobre, portanto, todo o desenvolvimento da personalidade. A grande
variação de conduta ao longo da infância motivou a distinção em fases.
Classicamente, distinguem-se a primeira infância, que compreende os dois
primeiros anos de vida; a segunda infância, do terceiro ao sexto ano; e a
terceira, do sétimo ano ao início da puberdade.
Ilusão: aparência falsa, tomada como percepção exata. A ilusão
também pode ser definida com um engano dos sentidos ou da mente, como uma
interpretação errônea de um fato ou acontecimento, ou ainda como um engano
que faz tomar uma coisa: por outra, a aparência pela realidade, o falso pelo
verdadeiro. As ilusões dos sentidos constituem fenômeno bastante comum. Quanto
mais apurado é um sentido, mais sujeito está ao erro.
Imaginação:
processo mental consciente em que se evocam idéias ou imagens de objetos,
êxitos, relações, atributos ou sentimentos nunca antes experimentados nem
percebidos.
A imaginação, a percepção e a memória são processos mentais similares.
Alguns psicólogos distinguem entre imaginação passiva (ou reprodutiva),
quando a mente recupera imagens antes percebidas pelos sentidos, e imaginação
ativa (construtiva ou criativa), em que a mente produz imagens de sucesso.
Impulso:
estímulo que possui força para levar o indivíduo a fazer determinada ação.
Qualquer estímulo pode vir a ser um impulso, desde que tenha uma intensidade
que provoque a ação. O impulso leva o indivíduo a ter determinado
comportamento ou a reagir de determinada maneira, até que o estímulo venha a
ser reduzido ou eliminado, graças à ação provocada.
Inconsciente: termo que designa, em psicanálise, o conjunto dos
processos e fatos psíquicos que atuam sobre a conduta de um indivíduo, mas
escapam ao âmbito da consciência.
Inibição: suspensão total ou parcial de um processo ou de um
comportamento, especialmente de impulsos ou desejos, a inibição atende a
certas necessidades sociais, ao evitar a execução de certos impulsos, como o
desejo de agredir alguém; ou quando permite adiar a sensação gratificante que
decorre de uma atividade prazerosa. A inibição consciente ocorre
constantemente na vida diária, toda vez que a pessoa enfrenta dois desejos
conflitantes.
Instinto: resposta involuntária de um animal a um estímulo externo.
Essa resposta pouco ou nada varia de um indivíduo para outro em uma mesma
espécie, e tem como conseqüência um padrão de comportamento previsível e
relativamente fixo. O comportamento instintivo é um mecanismo adaptativo, que
tem a função de promover a sobrevivência de um animal ou de uma espécie.
Esse comportamento é mais evidente em certas atividades, como a luta ou a
interação sexual, mas pode mostrar-se em outras.
Inteligência: conjunto de aptidões em função das quais os indivíduos
aprendem mais rapidamente novas informações e se revelam mais eficientes no
manejo e aproveitamento adequado de conhecimentos já armazenados por meio de
aprendizados anteriores. Essa definição, bastante genérica, é a adotada pela
psicologia, embora algumas correntes de pensamento prefiram conceituar a
inteligência de forma diferente. Este é o caso, por exemplo, do psicólogo
suíço Jean Piaget, para quem a inteligência é uma qualidade que se expressa
pela maneira como o indivíduo se adapta ao meio, implicando tal adaptação
processos de assimilação e acomodação. Já o psicólogo inglês Charles
Edward Spearman definiu a inteligência, no começo do século XX, como a
capacidade de fazer deduções a partir de relações e correlações. O
psicólogo americano David Wechsler, a quem se devem duas das escalas de
inteligência mais comumente usadas, definiu inteligência como a capacidade
global do indivíduo para atuar de acordo com as finalidades previstas, para
pensar racionalmente e atuar de maneira eficaz em relação a seu ambiente.
Inteligência artificial:
capacidade ou aptidão dos computadores para desempenhar tarefas comumente
associadas a processos intelectuais, como solução de problemas,
generalizações e aprendizado a partir de experiências passadas. O termo é
também empregado para designar o ramo da informática que trata da
programação de computadores para o desempenho de tais funções.
Ioga: sistema místico-filosófico da Índia antiga, a ioga tem como
objetivo, mediante exercícios corporais, o domínio absoluto do espírito sobre
a matéria e a união com a divindade. A palavra ioga, oriunda do sânscrito,
significa "união". Seus registros mais antigos encontram-se em textos
védicos para referir-se a indivíduos que entravam em êxtase e seriam os
precursores dos modernos iogues (praticantes da ioga). Como filosofia
existencial ou simples técnica de relaxamento e concentração, a ioga, nascida
na Índia, propagou-se pelo mundo inteiro.
Jogos
infantis: são todas as diversões e passatempos de crianças. Podem
envolver atividades espontâneas, não organizadas, baseadas principalmente na
imaginação, ou jogos com regras estabelecidas. Muitos deles se inspiram na
vida cotidiana e reproduzem situações próprias da cultura em que tiveram
origem. Alguns jogos infantis são muito antigos, como o balanço, de que há
registros na ilha de Creta em 1600 a.C., e o jogo das cinco pedrinhas, praticado
na Grécia antiga. A cabra-cega e o pique (esconde-esconde) existem há dois mil
anos. Jogos de mesa, como o ludo e o gamão, populares no século XIX, se
conservaram no gosto infantil ou renasceram depois de um período de
esquecimento.
Libido:
forma de energia vital que é a origem das manifestações do instinto sexual e,
em sentido mais amplo, de toda conduta ativa e criativa do ser humano. Termo
divulgado por Freud.
Livre-arbítrio: poder de agir de determinada forma, ou deixar de agir,
sem nenhuma razão para tal escolha a não ser a própria vontade própria.
Presume portanto a escolha dirigida pela vontade: o indivíduo age de certa
maneira porque assim quer e sente-se responsável pelo ato praticado. A
expressão liberum arbitrium foi muito usada pelos teólogos cristãos. Para
alguns doutores da igreja, como santo Agostinho, distingue-se do conceito de
libertas (liberdade), que é o estado de bem-aventurança eterna, no qual não
é possível pecar. Por ser a capacidade de escolher entre o bem e o mal, o
livre-arbítrio é "a faculdade da razão e da vontade, por meio da qual
escolhe-se o bem, mediante o auxílio da graça, e o mal, pela ausência
dela".
Loucura: toda alteração grave e duradoura da personalidade que leva a
um comportamento dissociado da realidade ambiente, capaz de contrariar os
padrões culturais do meio em que o indivíduo se insere. O termo loucura não
define, em sentido estrito, um conceito psiquiátrico. Trata-se, antes, de
expressão usada tradicionalmente para referir-se a qualquer conduta em que se
denote, reiteradamente, a "perda da razão", a falta de sentido diante
das normas adotadas em determinado contexto.
Ludopatia: distúrbio do comportamento que consiste na necessidade
compulsiva de participar em jogos de azar. Afeta a uma porcentagem significativa
da população, em sua maioria homens (90% desde a adolescência).
Magia:
conjunto de representações ou atividades rituais supostamente capazes de
influenciar os atos humanos ou o curso dos acontecimentos, por ação de forças
místicas transcendentais. O animismo, ou seja, a convicção de que não
existem diferenças essenciais entre seres animados e inanimados, costuma estar
na base do pensamento mágico. As práticas mágicas incluem, assim, o uso de
objetos especiais e a recitação de fórmulas mágicas. A natureza da magia,
bem como sua função social e psicológica, é freqüentemente mal compreendida
em virtude das múltiplas formas que ela assume e de sua relação com outros
comportamentos religiosos. As incertezas decorrem em grande parte das idéias
sobre evolução cultural e histórica do século XIX, que distinguem a magia de
outros fenômenos religiosos e identificam-na com sociedades arcaicas e
primitivas, ou como simples superstição sem significado cultural.
Mania:
distúrbio mental com grande agitação e excitação física. Caracteriza-se
por exaltação eufórica do humor (hipertimia), excitação psíquica com
híperatividade, insônia etc. Às vezes evidencia-se por agitação motora mais
ou menos acentuada (dança, gesticulação, mímica). A mania constitui uma
síndrome perfeitamente definida, que pode apresentar vários graus de
intensidade, desde os ligeiros estados de hipomania até ao furor maníaco. Na
linguagem vulgar, este termo designa de forma imprecisa certas idéias
supervalorizadas, idéias fixas e delirantes, ou ainda obsessões e fobias.
Manicômio:
centro destinado ao tratamento das enfermidades mentais. Também conhecido como
hospital psiquiátrico. Surgiram na época do Iluminismo (Século das Luzes) com
duplo objetivo de controlar o desvio social e de exercer medidas de cura,
educação e reabilitação dos enfermos.
Masoquismo: distúrbio psicossexual pelo qual o indivíduo obtém
satisfação erótica quando lhe é infligida alguma dor. O termo é
freqüentemente utilizado de forma menos rígida no contexto social, caso em que
masoquismo se entende como comportamento de uma pessoa que busca situações
humilhantes ou abusivas.
Maturidade: no sentido biológico, é o período situado entre a
adolescência e a senilidade do ser humano. Do ponto de vista psicológico,
porém, é preciso fazer distinção entre maturidade e personalidade madura,
pois nem sempre a pessoa em idade adulta atingiu a maturidade. A não
coincidência entre os conceitos biológico e psicológico de maturidade decorre
do ritmo do desenvolvimento individual, cuja velocidade é variável e depende
do potencial genético e do meio.
Mecanismos de defesa: atitudes tomadas pelo ego para evitar a
realização de impulsos internos ou para proteger-se de estímulos externos que
percebe como ameaça. A psicanálise e as escolas dinâmicas de psicologia
estudam a estrutura psíquica como um sistema de forças equilibradas, em parte,
pelos mecanismos de defesa.
As defesas dividem-se em: defesas "exitosas", que conseguem parar o
impulso ou o efeito que se repele, e defesas "ineficazes", que obrigam
uma repetição ou perpetuação do processo. As defesas exitosas recebem o nome
genérico de sublimação. Ela adquire diversas formas, sob as quais o objetivo
do impulso se modifica sem produzir um bloqueio da descarga impulsiva. Já nas
defesas denominadas ineficazes ou patológicas, a libido do impulso originário
só pode ser mantida mediante uma carga oposta. Entre tais mecanismos de defesa,
destaca-se a negação, a projeção, a introspecção, a repressão, o
isolamento e a regressão.
Megalomania: distúrbio mental em que um indivíduo valoriza
excessivamente as próprias capacidades. Devido a um transtorno de
personalidade, o megalômano acredita ter força física, intelectual, social ou
sexual superior à dos outros.
A megalomania pode variar desde a simples supervalorização de um indivíduo em
relação a si mesmo, até a mania de grandeza, uma condição mais grave em que
o paciente sofre alucinações. Para o megalômano, o mundo exterior é povoado
por inimigos que planejam sua destruição. Como conseqüência, o paciente
passa a crer na existência de uma forte razão para as pessoas se preocuparem
com ele. Quem sofre de mania de grandeza chega a adotar características
externas de personagens históricos - pensa ser Napoleão ou Júlio César -, a
se comportar como dono do mundo, a julgar-se Deus e a agir de acordo com estas
convicções.
A megalomania está relacionada com a paranóia, com a mania (distúrbio mental
oposto à depressão) e com a demência senil.
Memória:
capacidade da mente humana de fixar, reter, evocar e reconhecer impressões ou
fatos passados. A função de lembrar e sua oposta, esquecer, são normalmente
adaptativas. O aprendizado, o pensamento e o raciocínio não seriam possíveis
sem a memória, mas a capacidade de esquecer também tem muitas funções. Serve
como referência de tempo (pois as lembranças tendem a se tornar mais difusas
com o passar do tempo), como instrumento de adaptação a novos aprendizados
(pela supressão de antigos padrões) e ainda como forma de aliviar a ansiedade
decorrente de experiências dolorosas.
Minoria étnica ou grupo
étnico: conjunto de pessoas
que se sentem diferentes do resto da sociedade, e assim são consideradas por
ela, pelo fato de pertencerem a certa raça ou nacionalidade minoritária.
Traços característicos das minorias étnicas são geralmente a língua, a
religião e os costumes.
Mito: narrativa tradicional de conteúdo religioso, que procura explicar
os principais acontecimentos da vida por meio do sobrenatural. O conjunto de
narrativas desse tipo e o estudo das concepções mitológicas encaradas como um
dos elementos integrantes da vida social são denominados mitologia.
Motivação: conjunto de fatores que impulsionam o comportamento do ser
humano ou de outros animais para a realização de um objetivo. Manifesta-se
como resposta a estímulos internos e externos. Os motivos podem ser
classificados em primários, ou básicos, que não são aprendidos e são comuns
tanto aos animais quanto aos homens (fome, sede, impulso sexual etc.); e
secundários, ou aprendidos, que diferem de animal para animal e de pessoa para
pessoa (desejo de realização, de poder etc.).
Mudança de comportamento: conjunto de métodos psicológicos para o
tratamento de distúrbios de adaptação e modificação dos estilos de
comportamento observáveis.
Dois tipos de investigação ajudaram a determinar o campo de modificações de
comportamento: a generalização dos princípios do condicionamento de Pavlov
aos problemas clínicos (como a enurese noturna e o alcoolismo) e a aplicação
do condicionamento instrumental de Skinner à educação e tratamento das
crianças deficientes e doentes psiquiátricos.
No início da década de 1960, a mudança de comportamento passou a ser uma
especialidade aplicada da psicologia em seus dois ramos: terapia do
comportamento e análise aplicada.
As técnicas mais utilizadas em mudança de comportamento adquiriram nomes
específicos: dessensibilização sistemática, terapia aversiva e bio-feedback
("realimentação"). A dessensibilização sistemática trata dos
distúrbios com origem conhecida, como as fobias. A terapia aversiva é
empregada para eliminar hábitos perniciosos. Por último, o bio-feedback é
usado no tratamento de alterações comportamentais que têm uma base física.
A terapia do comportamento interessa-se, exclusivamente, pelas alterações
comportamentais propriamente ditas, sem procurar conhecer suas causas. Por esta
razão, no campo da psicologia, são muitos os que a repelem.
Narcisismo:
termo originário de Narciso, personagem pelo qual todos se apaixonavam devido a
sua grande beleza. Narcisimo significa o amor excessivo que um indivíduo sente
por si mesmo.
Em sua Introdução ao narcisismo (1914), Sigmund Freud definiu este estado como
“o estancamento de toda a energia da libido no eu” e destacou dois tipos de
narcisismo: o primário e o secundário. O narcisismo primário, ou primitivo,
é aquele que corresponde ao estado de ”onipotência infantil”, quando a
criança ainda não diferencia seu ser dos objetos do mundo exterior,
tornando-se, assim, seu próprio objeto de desejo. Seguindo esta linha de
pensamento, as crianças narcisistas seriam as que se revoltam ante a escolha de
objetos externos, tirando proveito desta situação, sentindo pena de si mesmas
e exigindo mais atenção. O narcisismo secundário é um estado patológico,
posterior e permanente, que pode ocorrer entre vários tipos de pessoas. Os
adolescentes e artistas são especialmente vulneráveis a este tipo de desvio
comportamental.
Freud introduziu o termo "neurosis narcisista" como o conjunto de
patologias em que a libido é retirada dos objetos do mundo exterior e é
dirigida completamente ao eu. Incluiu, neste conjunto, a paranóia, a
esquizofrenia, os estados maníacos e a melancolia.
Neurastenia: neurose caracterizada por tonteiras, astenia, fadiga,
irritabilidade, insônia, dor de cabeça e diminuição geral da vitalidade.
Neurolingüística: estudo dos mecanismos neurológicos envolvidos no
armazenamento e processamento da linguagem. Embora seja certo que o centro da
linguagem, em pessoas destras, encontra-se no hemisfério esquerdo do cérebro,
ainda se discute se aspectos individuais da linguagem estão associados a
diferentes áreas especializadas do cérebro.
Na busca pela excelência na atuação num mercado cada vez mais competitivo, as
empresas utilizam técnicas baseadas em conhecimentos científicos ainda
embrionários a fim de selecionar pessoal para admissão ou promoção. Algumas
técnicas aplicadas nas últimas décadas do século XX se baseavam na
neurolingüística para avaliar a forma como o candidato processa as
informações no cérebro e as transmite por meio da linguagem.
Neurose: distúrbio funcional do sistema nervoso que se caracteriza por
ansiedade, depressão e outros sentimentos de infelicidade demasiado profundos
em relação aos fatores que os desencadeiam. Pode comprometer certas áreas da
vida afetiva e das atividades do indivíduo, mas em geral não é grave a ponto
de incapacitá-lo para a vida profissional, familiar etc. O neurótico, a
diferença do que ocorre com o psicótico, não perde contato com a realidade. O
que ocorre na neurose é uma elaboração psíquica anormal dos estímulos
emocionais, do que resulta, habitualmente, uma reação desproporcionada. A
angústia que uma situação inquietante ou de perigo provoca no indivíduo é
uma reação psicofísica normal. Se tal situação ameaçadora não tiver apoio
na realidade, no entanto, é provável que se esteja diante de um quadro de
neurose.
Ninfomania: Apetite sexual desmedido na mulher ou na fêmea de certas
espécies animais.
Obsessão:
termo que designa, em psicanálise, o pensamento ou sentimento que domina a
mente de forma constante e angustiante, até assumir um caráter mórbido.
Oligofrenia: qualquer estado caracterizado por níveis intelectuais
abaixo do considerado normal e por um reduzido comportamento adaptativo, que se
evidenciam na fase de desenvolvimento do indivíduo.
Opinião pública: conjunto de atitudes e modos de ver ou pensar
partilhados por uma parcela representativa da comunidade. Embora a expressão
só tenha aparecido no século XVIII, em todas as épocas observam-se fenômenos
de interação social que correspondem ao que hoje se entende por opinião
pública. Alguns historiadores e estudiosos de política atribuem à opinião
pública influência decisiva nos programas e medidas dos governos. Outros
consideram-na equivalente à vontade da nação. Muitos sociólogos, porém,
classificam-na apenas como um produto da interação e comunicação social.
Orientação vocacional: processo por meio do qual o indivíduo é levado
a descobrir suas aptidões profissionais, orientado pelo resultado de testes e
entrevistas com psicólogos especialmente treinados. Voltada para a escolha, mas
não para a formação, a orientação vocacional procura determinar também as
características de personalidade e as limitações do indivíduo, além de
informá-lo sobre as profissões existentes, os estudos necessários para
exercê-las e as condições do mercado de trabalho.
Paranóia:
doença mental que se caracteriza por um estado de delírio permanente,
internamente bem estruturado, cuja aparente coerência externa resiste à
argumentação lógica. Idéias delirantes são concepções falsas que o
indivíduo toma repetidamente como verdadeiras e lentamente se transformam num
sistema complexo, intrincado e logicamente elaborado, sem alucinações e sem
desorganização da personalidade.
Parapsicologia: disciplina que se propõe estudar fenômenos alheios à
normalidade conhecida, ou paranormais. Como seu objeto não pode ser submetido
aos métodos científicos, a parapsicologia é ou tende a se constituir como um
ramo da psicologia. Sua primeira tarefa consiste em demonstrar a existência de
seu objeto e em delimitá-lo rigorosamente. Faz a crítica dos falsos fenômenos
e comprova a autenticidade de outros que, apesar de apresentarem
características perturbadoras, excepcionais ou aberrantes, são explicáveis
por uma função psicológica conhecida. Esses fenômenos são, assim,
incorporados ao âmbito da psicologia geral, como há muito sucedeu com a
hipnose. Outros fenômenos há que se consideram suscetíveis de vir a ser
integrados na psicologia clássica, enquanto relacionados com uma função
psicológica nova ou ainda não conhecida. Num segundo momento, cabe à
parapsicologia destacar as funções psíquicas ligadas a esses fenômenos e
estudá-las experimentalmente, com o objetivo de integrá-las ao sistema da
psicologia científica. Tende, assim, a unir-se à psicologia numa síntese que
seria a futura psicologia completa.
Pensamento:
conjunto de atividades que se incluem no estudo dos processos cognitivos
superiores da formação de conceitos, do raciocínio e da solução de
problemas. O pensamento se caracteriza por exigir períodos mais ou menos longos
de latência, durante os quais as atividades internas são suspensas ou
interrompidas. A latência ocorre quando o indivíduo se defronta com
situações novas, mais ou menos complexas, para as quais não encontra esquemas
de resposta já montados ou estruturados por aprendizagem prévia.
A manifestação máxima do pensamento é o raciocínio, pelo qual se chega a
novas verdades a partir de outras anteriormente conhecidas. O raciocínio se
desenvolve de duas formas: a indução, que parte dos dados particulares para
alcançar uma lei geral; e a dedução, que de verdades gerais destaca
afirmações particulares. A natureza das premissas no procedimento dedutivo,
assim como os fatores emocionais, influem na aparição de erros lógicos nos
raciocínios. A forma mais perfeita do raciocínio é o pensamento criativo,
caracterizado por desenvolver-se em várias fases: preparação ou organização
dos dados existentes; determinação da dificuldade do problema e elaboração
de pensamentos sobre o assunto; aparição espontânea de pensamentos
relacionados com o problema; e iluminação ou organização de uma idéia
central ou esquema que proporciona a solução do problema.
Percepção:
termo utilizado em psicologia para designar o processo pelo qual se conhecem
situações e objetos próximos no tempo e no espaço. Objetos distantes no
tempo não podem ser percebidos, mas apenas evocados, imaginados ou pensados.
Também não podem ser percebidos objetos distantes no espaço, quando
ultrapassados os limites operacionais dos órgãos receptores ou quando
obstruídos por obstáculos.
Diferentemente dos demais animais superiores, que captam e retêm as imagens da
realidade a partir de sensações, o homem tem também a faculdade da
percepção, ou seja, é capaz de interpretar esses dados sensoriais e
integrá-los à consciência.
Personalidade: termo utilizado para designar a organização dinâmica do
conjunto de sistemas psicofísicos que determinam os ajustamentos do indivíduo
ao meio em que vive. Tem, pois, várias características: (1) é única,
própria a um só indivíduo, ainda que este tenha traços comuns a outros
indivíduos; (2) é uma integração das diversas funções, e mesmo que esta
integração ainda não esteja concretizada, existe uma tendência à
integração que confere à personalidade o caráter de centro organizador; (3)
é temporal, pois é sempre a de um indivíduo que vive historicamente; (4) não
é estímulo nem resposta, mas uma variável intermediária que se afirma,
portanto, como um estilo pela conduta.
Personalidade múltipla: organização anormal do psiquismo que se
manifesta pela ocorrência de dois ou mais sistemas independentes e distintos de
personalidade numa mesma pessoa, em momentos alternados ou em sucessão. Resulta
de um processo de dissociação da consciência, do pensamento, dos sentimentos
e de outros componentes da organização psíquica. Em geral, predomina uma
personalidade primária que controla a vida consciente. Sob o domínio da
personalidade primária, o indivíduo não recorda os acontecimentos vividos
enquanto estava dominado por uma das personalidades secundárias, mas quando
aflora uma personalidade secundária, ele é capaz de ter presente a
personalidade primária ou predominante e criticá-la como se comentasse os atos
de outra pessoa. As várias personalidades apresentam comportamentos e mesmo
características físicas diferentes, como gestos, caligrafia, registro
eletroencefalográfico e resposta a testes projetivos.
Pesquisa social: investigação que utiliza métodos lógicos e
experimentais para identificar os termos inerentes a um determinado problema ou
situação social. Seus objetivos fundamentais são definir os fenômenos
observados e estabelecer os princípios gerais que os regem.
Teste de personalidade: teste psicológico que visa revelar as
características pessoais do indivíduo, como sociabilidade, autodomínio,
tolerância, criatividade e capacidade de liderança.
Pessoas e identidade pessoal:
as palavras pessoa e humano são usadas em permuta: as pessoas são humanas e os
humanos são pessoas. Entretanto, em certos contextos, o uso desses termos pode
ser separado. Assim, os anjos são tradicionalmente considerados pessoas
(sobre-humanas). O Pato Donald, mesmo não sendo tem uma personalidade - o que
pode classificá-lo como humano. A controvérsia gerada por algumas fantasias
sobre computadores serem, um dia, considerados pessoas parece impossível. Mas,
se essas fantasias os imaginassem já humanos, a controvérsia não faria
sentido. A palavra humano, abreviação da expressão ser humano, parece ser
mais identificada com a espécie Homo sapiens do que com pessoa. Essa última
tem características psicológicas, embora também sugira aspectos biológicos.
Nos contextos morais, a palavra pessoa é, freqüentemente, usada para sustentar
um status moral especial. Sendo assim, os debates sobre a permissividade do
aborto enfatizam a questão de um feto ser ou não uma pessoa. E é mais
provável que uma pessoa reclame que não está sendo tratada como pessoa do que
como ser humano. Talvez seja possível explicar o peso moral associado à
palavra pessoa através do pensamento que faz com que a participação em uma
dada espécie biológica seja menos importante que a posse de certas
características psicológicas (por exemplo, a racionalidade, ou capacidade de
escolha por si). Ainda assim, o fato de geralmente considerarmos as pessoas
anormais, ou não totalmente desenvolvidas, merecedoras de ao menos algumas
formas de tratamento especial, sugere que o peso do significado moral é grande.
Piromania: distúrbio mental que se caracteriza pela provocação de
incêndios repetida e deliberadamente, movido por impulsos irrefreáveis. Do
ponto de vista legal, o piromaníaco é considerado um delinqüente.
Projeção: mecanismo de defesa que consiste em projetar seus próprios
impulsos, seus conflitos internos, ou seja, em considerá-los como provenientes
de outrem e, mais generalizadamente, do mundo externo.
Prostituição: atividade que consiste em oferecer satisfação sexual em
troca de remuneração, de maneira habitual e promíscua. A definição de
prostituição baseia-se em valores culturais que diferem em várias sociedades
e circunstâncias, mas geralmente se refere ao comércio sexual de mulheres para
satisfação de clientes masculinos. Também há formas masculinas de
prostituição homossexual e, em menor proporção, entre homens que alugam seus
serviços para mulheres. Em sociedades muito permissivas, a prática da
prostituição se torna desnecessária; em culturas demasiado rígidas, é
perseguida e punida como delito.
Psicanálise: ciência dos processos mentais inconscientes. Constitui ao
mesmo tempo um método para a investigação dos processos mentais, de outro
modo inacessíveis; uma terapêutica, a psicoterapia, para tratamento das
desordens neuróticas; e um arcabouço de concepções psicológicas estruturado
a partir das duas práticas anteriormente citadas para constituir uma disciplina
científica. A psicanálise pode ser entendida como uma técnica de
interpretação. A doutrina psicanalítica foi criada no final do século XIX
pelo médico austríaco Sigmund Freud, cuja preocupação inicial foi a de
descobrir como minorar o sofrimento causado pelos distúrbios emocionais.
Psicastenia: perturbação psicológica caracterizada por hesitações e
dúvidas, temores patológicos, ansiedade, sentimentos de auto-acusação e
dificuldade de adaptação à realidade.
Psicobiologia: escola de psiquiatria baseada no conceito do homem como
uma unidade biológica psicologicamente integrada. Enfatiza que as doenças
mentais são o resultado de expectativas não realistas e maus hábitos,
complicadas por fatores orgânicos e hereditários. Fundada pelo psiquiatra
suíço Adolf Meyer. Também chamada biopsicologia.
Psicocinese: termo que designa, em parapsicologia, a coincidência entre
o desejo e o pensamento de um indivíduo e um acontecimento objetivo,
inexplicável pelo acaso ou por uma ação mecânica.
Psicocirurgia: método terapêutico das perturbações mentais que
consiste em intervir cirurgicamente sobre o cérebro para modificar sua
atividade. A primeira técnica deste tipo foi desenvolvida pelo neurologista
português Antônio Egas Moniz e a primeira operação foi realizada por seu
compatriota Almeida Lima, em 1935.
Psicodislépticos: categoria de medicamentos que apresentam efeitos
perturbadores, utilizados no tratamento dos distúrbios psicofisiológicos.
Incluem-se entre eles o LSD, a mescalina e outras substâncias alucinógenas.
Também chamados psicodélicos.
Psicodrama: técnica de psicoterapia em grupo na qual os pacientes
dramatizam voluntariamente seus problemas pessoais diante de um conjunto de
pacientes e terapeutas, alguns dos quais podem participar da dramatização. O
terapeuta principal atua como diretor, estimula os participantes a projetarem
sua vivência na representação dos personagens e orienta os terapeutas
auxiliares a atuarem de maneira a facilitar a interpretação dos conflitos
subjacentes. Por mobilizar um grande número de terapeutas, essa técnica
somente é indicada em casos de difícil tratamento pelas técnicas
psicanalíticas clássicas.
O método psicodramático é aplicável tanto às doenças psiquiátricas graves
quanto a corriqueiros problemas psicológicos mais banais. Embora fictícias, as
situações simuladas no psicodrama podem produzir emoções reais e novas
percepções sobre os conflitos, além de ajudar a estabelecer comportamentos
mais eficazes
Psicofarmacologia: área da psicofisiologia que tem finalidade
terapêutica pela aplicação de drogas capazes de influir sobre o cérebro.
Psicofísica: ciência que procura estabelecer relações quantitativas
exatas entre os dados do mundo físico e os fenômenos psíquicos, em especial
entre um estímulo físico e a sensação que ele produz. Seu método consiste
em determinar a intensidade das sensações por meio da avaliação rigorosa dos
estímulos. Dentro da evolução da psicofísica podem-se definir dois
períodos: o clássico, dominado pelo médico alemão Gustav Theodor Fechner,
que cunhou a expressão psicofísica, e o atual, em que surgiram teorias que
visam a precisar os métodos utilizados na fase anterior e a ampliar os
objetivos dessa ciência.
Psicofisiologia: ciência que estuda os fundamentos anatômicos e
fisiológicos do comportamento. Tem por objeto estabelecer a correlação entre
os fenômenos sensoriais de origem fisiológica e os fenômenos psicológicos
correspondentes.
Psicoléptico: categoria de drogas que diminuem a atividade mental,
utilizadas no tratamento de distúrbios psicofisiológicos.
Psicolingüística ou psicologia da linguagem: ciência que se propõe
estudar as relações entre a estruturação lingüística e a atividade
cognitiva. Pretende que as mensagens emitidas pelos seres humanos sejam
estudadas como índices do comportamento, em suas características universais e
particulares. Ocupa-se, também, do estudo dos processos de aquisição da
linguagem e dos distúrbios da linguagem.
Psicologia: ciência dos fenômenos psíquicos e do comportamento.
Entende-se por comportamento uma estrutura vivencial interna que se manifesta na
conduta. O termo psicologia origina-se da junção de duas palavras gregas:
psiché, "alma", e lógos, "tratado", "ciência".
Psicologia analítica: doutrina psicanalítica que se distingue da
freudiana basicamente por valorizar, além do fator sexológico individual, as
influências exteriores recebidas pelo homem, ao longo de séculos de
experiência cultural coletiva. Criada pelo psiquiatra suíço Carl Jung.
Psicologia cognitiva: teoria psicológica que se empenha em oferecer uma
visão unitária dos processos mentais. Recolheu elementos da psicologia
gestáltica, da neurociência, da biologia e da cibernética.
Psicologia da educação: aplicação do método científico no estudo do
comportamento dos indivíduos e grupos sociais nos ambientes educativos. Suas
áreas de interesse estão relacionadas a outras da psicologia, incluindo
psicologia do desenvolvimento, psicologia social, avaliação psicológica e
orientação educativa.
Psicologia da Gestalt/da forma: escola psicológica que defende o estudo
de fatos e comportamentos como totalidades organizadas, e não como elementos
isolados. Formulada na Alemanha na primeira metade do século XX.
Psicologia das personalidades: teoria psicológica segundo a qual a
personalidade é resultado de fatores dinâmicos de conduta, motivações e
complexos centrais. Estabelecida por Henry Alexander Murray, opõe-se à teoria
da caracterologia. Também denominada personologia.
Psicologia diferencial: ramo da psicologia que estuda as características
psíquicas próprias de um indivíduo, ou de um grupo de indivíduos, em
relação com as dos outros.
Psicologia do desenvolvimento: estudo das mudanças e da continuidade do
comportamento desde a infância até a idade adulta. Interessa-se, em especial,
pela psicologia infantil e pelo desvio da personalidade. O desenvolvimento
humano e o comportamento ao longo da vida são resultado da interação entre
fatores biologicamente determinados e influências ambientais (família, escola,
religião e cultura).
Psicologia experimental: aplicação de técnicas de laboratório para
estudar o comportamento e fenômenos psíquicos como a percepção, memória,
pensamento e aprendizagem. O fisiólogo Wilhelm Wundt fundou o primeiro
laboratório psicológico, para descobrir as sensações que provocavam nos
indivíduos uma série de estímulos sistematicamente controlados. Wundt dominou
neste campo até princípios do século XX, quando os métodos introspectivos em
psicologia foram depreciados.
Psicologia humanista: prática psicológica que visa a permitir o
estabelecimento das aptidões num ambiente de equilíbrio e de integração
pessoal e favorecer o encontro com o outro. Formulada pelo americano Carl Rogers.
Psicologia industrial: aplicação de diversas técnicas psicológicas
para a seleção e adestramento dos trabalhadores de uma organização
empresarial, visando a promoção de técnicas de trabalho eficientes e
satisfação profissional. A seleção de trabalhadores para uma determinada
ocupação consiste em detectar as atitudes e traços da personalidade mais
indicados para um posto e, partindo daí, eleger os candidatos que melhor se
ajustem a este perfil. Determinar a jornada de trabalho que gere uma
produtividade maior e melhorar a comunicação entre a direção e os
trabalhadores são também funções dos psicólogos industriais.
Psicologia infantil: estuda o comportamento infantil que inclui
características físicas, cognitivas, motoras, lingüísticas, perceptivas,
sociais e emocionais, desde o nascimento até a adolescência. As duas questões
básicas para os psicólogos infantis são: determinar como as variáveis
ambientais (o comportamento dos pais, por exemplo) e as características
biológicas (as predisposições genéticas) interagem no comportamento e
estudar como essas mudanças se relacionam e influem mutuamente.
Psicologia social: ramo da psicologia que estuda a influência do
ambiente social no comportamento dos indivíduos. Os psicólogos sociais se
interessam pelo pensamento, emoções, desejos e juízos dos indivíduos, assim
como pelo seu comportamento externo. As investigações comprovaram que o ser
humano sofre influência dos estímulos sociais que o rodeiam e o condicionam,
em maior ou menor grau de acordo com o contato social que mantém.
Psicometria:
área da psicologia que trata do desenvolvimento e da aplicação de técnicas
de mensuração aos fenômenos psíquicos. As medições se fazem mediante a
atribuição de valores numéricos aos comportamentos, de maneira que as
diferenças de comportamento sejam representadas por variações nesses valores
numéricos.
Psiconeuroimunologia: especialidade médica encarregada de investigar as
interações entre o sistema nervoso central e o sistema imunológico. Surgida
no início da década de 1980.
Psicopatia: designação genérica de doença mental ou estado
patológico da personalidade que impede o sujeito de se adaptar à vida social.
Psicopatologia: ciência que descreve as alterações da conduta
provocadas por perturbações de índoles e níveis diversos. Visa à
formulação de leis gerais mas não à aplicação de tratamento, procedimento
que compete à psiquiatria e à psicoterapia, a partir dos dados fornecidos pela
psicopatologia.
Psicose: designa genericamente os processos mórbidos de desintegração
da personalidade, com grave desajustamento do indivíduo ao meio social.
Corresponde, até certo ponto, ao conceito popular de loucura. O juízo -
operação pela qual se afirma ou se nega a relação entre duas idéias, ou se
aplicam os conceitos de falso e verdadeiro - é a função mental tipicamente
alterada em todas as psicoses. Nos psicóticos, essa função está tão
alterada que suas elaborações se tornam evidentemente absurdas, grosseiramente
divergentes não só das experiências e idéias das demais pessoas, mas também
daquelas que o paciente apresentava antes de adoecer.
Psicose maníaco-depressiva: psicose caracterizada por instabilidade
emocional, oscilações notáveis do humor, com alternância de estados de
euforia e depressão.
Psicose senil: estado psicótico caracterizado por confusão mental,
perda de memória e, por vezes, pela aparição de sintomas paranóicos. Comum
em pessoas idosas, costuma ser associada a fases avançadas de degeneração
cerebral, provocada pela falta de irrigação sangüínea.
Psicotécnica:
disciplina que estuda e rege a aplicação dos dados da psicofisiologia e da
psicologia experimental a problemas humanos como orientação profissional e
organização do trabalho.
Psicoterapia:
qualquer método de tratamento de distúrbios psicológicos ou emocionais
baseado numa relação deliberadamente estabelecida entre terapeuta e paciente,
ou grupo de pacientes, com o objetivo de remover sintomas ou estimular o
desenvolvimento da personalidade. Os recursos empregados são os mais diversos:
hipnose, sugestão, reeducação psicológica, persuasão etc. É no contato
humano entre terapeuta e paciente que reside a chave da ação psicoterápica,
que não se limita apenas ao tratamento de estados psicopatológicos.
Psicotrópicos:
designação genérica das substâncias medicamentosas que agem sobre o
psiquismo, como calmante ou estimulante, ou por meio de perturbações nos
processos de percepção.
Psique: conjunto dos fenômenos ou dos processos mentais conscientes ou
inconscientes de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos.
Psiquiatria: do grego psyché, "mente", "alma", e
iatréia, "cura", "tratamento" - é o ramo da medicina
clínica que cuida do diagnóstico, prognóstico e tratamento das alterações
mórbidas da vida psíquica. Realiza os mesmos objetivos de todos os outros
aspectos da atividade clínica: o estudo das doenças para melhor assistir aos
doentes. Situa-se, pois, plenamente dentro do campo da medicina, como ciência e
arte médicas por excelência, com raízes na fisiologia e na patologia geral e
sem fronteiras definidas com as outras áreas especializadas.
Puberdade: período em que a reprodução se torna possível, tanto para
o sexo masculino como para o feminino, a partir de grande mudança no
equilíbrio hormonal que provoca a maturação dos órgãos sexuais internos e
externos. A partir de então, se desencadeiam transformações que afetam o
corpo físico, o psiquismo e o comportamento social, e que caracterizam a fase
de transição da infância para a vida adulta conhecida como adolescência.
Quociente
de inteligência (QI): quantificação da inteligência e da capacidade de
compreensão mediante a realização de testes. Os primeiros testes relacionados
com este conceito foram os de Binet e Simon em 1905, cujo objetivo era
identificar quais crianças necessitariam de uma educação especial devido a
seu baixo nível intelectual.
Racismo:
convicção de que existe uma relação entre as características físicas
hereditárias, como a cor da pele, e determinados traços de caráter e
inteligência ou manifestações culturais. A base, mal definida, do racismo é
o conceito de raça pura aplicada aos homens, sendo praticamente impossível
descobrir-lhe um objeto bem delimitado. Não se trata de uma teoria científica,
mas de um conjunto de opiniões, além de tudo pouco coerentes, cuja principal
função é alcançar a valorização, generalizada e definida, de diferenças
biológicas entre os homens, reais ou imaginárias.
Reação: termo que designa basicamente a resposta a um estímulo
manifestada por um ato ou uma mudança de comportamento.
Reflexo: resposta imediata, de natureza nervosa, que se registra nos
animais superiores ante um estímulo interno ou externo e se exterioriza como
movimento ou secreção glandular. A motricidade reflexa é a mais primitiva dos
três tipos de motricidade - as outras são a motricidade automática e a
voluntária. O ato reflexo, ou motricidade reflexa, é um processo involuntário
que ocorre quando um receptor sensorial é estimulado. A base morfológica do
reflexo é o arco reflexo, que consta basicamente de um neurônio sensorial que
capta o estímulo; de um centro reflexo situado na medula espinhal, onde se
recebe a informação transmitida pelo anterior; e um neurônio motor ou
eferente, que provoca a resposta ao estímulo.
Reflexos condicionados: são os que exigem aprendizagem prévia para se
reproduzirem. Criam-se por repetição de um determinado estímulo e, uma vez
adquiridos, verificam-se sempre que ocorra o estímulo desencadeador.
Caracterizam-se por sua instabilidade, pois desaparecem transitoriamente ou se
perdem com facilidade.
Reforço:
processo pelo qual a associação continuada de uma certa resposta é aumentada
ante um determinado estímulo para que o indivíduo obtenha um prêmio ou
recompensa (reforço positivo). B. F. Skinner definiu este fenômeno como a
indução de um modelo de comportamento através da apresentação reiterada de
conseqüências positivas ou negativas (prêmios e castigos).
Regressão:
mecanismo de defesa que visa escapar da angústia, e pelo qual a personalidade
pode perder uma parte do desenvolvimento já obtido. regredindo a um nível
inferior de integração, ajuste e expressão.
Relaxamento: redução voluntária ou involuntária do tônus muscular do
corpo, com o objetivo de pôr fim a estados de fadiga corporal ou de esgotamento
psíquico. Os métodos de relaxamento constituem um valioso instrumento
terapêutico no tratamento de neuroses, alterações psicossomáticas e lesões
neurológicas.
Religião: conjunto de relações teóricas e práticas estabelecidas
entre os homens e uma potência superior, à qual se rende culto, individual ou
coletivo, por seu caráter divino e sagrado. Assim, religião constitui um corpo
organizado de crenças que ultrapassam a realidade da ordem natural e que tem
por objeto o sagrado ou sobrenatural, sobre o qual elabora sentimentos,
pensamentos e ações.
Resposta: termo utilizado em psicologia para designar uma reação ante um
estímulo determinado.
Rito:
em sentido amplo, ato ou conjunto de comportamentos, individuais ou coletivos,
que segue certas regras destinadas a serem repetidas segundo um esquema
previamente determinado. Embora o termo possa designar todo ato profano com
significação social - o cerimonial-, em sentido estrito pertence ao âmbito do
sagrado e se refere às diversas formas de rituais com que o homem tentou
dominar poderes sobrenaturais ou ocultos para alcançar seus propósitos.
Sadismo: associação do prazer sexual à dor física ou moral infligida a
outros. Habitualmente, acontece em parceria com o masoquismo (sadomasoquismo). O
termo deriva do nome do Marquês de Sade.
Saúde:
capacidade física, emocional, mental e social que o indivíduo tem de interagir
com seu ambiente. Pode ser determinada, em certas situações, por meio de
alguns valores mensuráveis como temperatura, pulso, pressão sangüínea,
altura, peso, acuidade visual e auditiva etc. Como esses critérios biológicos
de normalidade baseiam-se em conceitos estatísticos, deve-se considerar a
possibilidade de variação, porque uma característica anormal não
necessariamente significa doença.
Saúde mental: estado que se caracteriza pelo bem estar psíquico e pela
auto-aceitação. Vista sob uma perspectiva clínica, é a ausência de
distúrbios mentais. Estima-se que uma alta porcentagem da população sofra de
depressões leves ou moderadas, ansiedade ou outro tipo de distúrbio emocional.
A esta porcentagem deve-se acrescentar o abuso do álcool, a dependência de
drogas, a pobreza, o desemprego e a discriminação aos deficientes físicos e
mentais. Esses fatores também causam danos à saúde mental.
Sensação:
processo cognoscitivo que se origina da excitação de um receptor sensorial,
com o qual a mente elabora o conhecimento das situações do mundo exterior e
interior do ser vivo. Ao contrário do que se pensa vulgarmente, o homem não
possui apenas cinco sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar.
Incluem-se também nesse grupo os sentidos cinestésicos ou do movimento, o
vestibular ou do equilíbrio e as diferentes sensações de contato, como a
térmica, a dolorosa e a de pressão, que dispõem de órgãos receptores
periféricos, nervos condutores e centros específicos.
Sexo: conjunto de caracteres estruturais e funcionais segundo os quais um
ser vivo se classifica como macho ou fêmea e desempenha papel específico de
uma dessas condições na reprodução da espécie. O sexo do indivíduo depende
da combinação de vários fatores geralmente harmônicos, como a determinação
cromossômica, a evolução intra-uterina das gônadas e demais órgãos
sexuais, a ação dos hormônios e os efeitos do meio ambiente. O sexo não é
essencial à reprodução em todos os seres vivos, pois muitos organismos
primitivos, como a maioria dos protozoários, podem reproduzir-se sem relações
sexuais. Na reprodução assexuada, cada novo organismo é idêntico a seu
único genitor, exceto por diferenças provocadas por mutações no material
genético. Na reprodução sexuada, cada organismo novo é geneticamente único
e resulta da combinação de genes dos dois genitores.
Síndrome: estado mórbido caracterizado por um conjunto de sinais e
sintomas, e que pode ser produzido por mais de uma causa. Exemplos: síndrome de
obstrução intestinal, síndrome de insuficiência respiratória.
Sistema nervoso:
unidade fisiológica animal, formada por um conjunto de células especializadas
denominadas neurônios, que se encarrega das funções de coordenação do
organismo e de sua relação com o meio externo e com todos os elementos
anatômicos que o integram.
À medida que a vida na Terra evoluiu e que o ambiente se tornou mais complexo,
a sobrevivência dos animais passou a depender cada vez mais da forma como eles
podiam responder às mudanças do meio ambiente. Uma vez que a comunicação
entre as células por meios químicos era muito lenta, surgiu um sistema capaz
de fornecer respostas mais rápidas: o sistema nervoso, que transmite impulsos
elétricos quase instantaneamente, de uma região do corpo a outra, através de
células nervosas especializadas.
Sistemas penitenciários: conjuntos de recursos e normas que regulam a
execução das penas privativas de liberdade. O ramo do direito penal que
estabelece os fundamentos e a razão de ser da pena e determina a atuação que
devem ter aqueles que são incumbidos de aplicá-la é o direito penitenciário,
que se fundamenta em uma de duas grandes correntes ideológicas: uma delas
considera a pena como expiação e retribuição do crime, por imposição da
justiça; a outra vê a pena como instrumento de defesa social e forma de
pressão para que o criminoso se emende. As normas práticas do sistema
penitenciário de cada país originam-se de posições que se orientam por uma
dessas correntes ou pela mistura das duas.
Sociedade: agrupamento de indivíduos entre os quais se estabelecem
relações econômicas, políticas e culturais. Numa sociedade existe unidade de
língua e cultura e seus membros obedecem a leis, costumes e tradições comuns,
unidos por objetivos que interessam ao conjunto, ou às classes que nele
predominam. Em sentido estrito, confunde-se com a comunidade política que vive
num estado nacional e seus limites são as fronteiras políticas e geográficas
do estado. A idéia de sociedade pressupõe um contexto de relações humanas no
qual ocorre a interdependência entre todos e cada um de seus componentes, que
subsiste tanto pelo caráter unitário das funções que cada membro desempenha
como pela interiorização das normas de comportamento e valores culturais
dominantes em cada comunidade.
Sociometria: estudo quantitativo das características de uma população
que, baseado em métodos matemáticos, procura atribuir dimensões às
relações interpessoais observadas dentro de um grupo. Seus processos de
análise se fundamentam nas forças de "atração" e
"repulsão".
Sociodrama: método de investigação ativa e profunda das relações que
se formam entre os grupos e as ideologias coletivas. Enquanto no psicodrama a
análise está centralizada no indivíduo e em seus problemas, no sociodrama o
verdadeiro protagonista é o grupo. Baseia-se na proposição básica segundo a
qual todos os membros de uma comunidade desempenham uma variedade de papéis ou
modelos, impostos pela sociedade, que determinam seu comportamento. Dessa forma,
o grupo improvisa a encenação de vários papéis que representam as tensões
existentes nas relações sociais.
Sonho: experiência alucinatória que ocorre durante certos estados do
sono e consiste num encadeamento de imagens. Predominam nos sonhos as
impressões visuais, mas eles podem conter componentes auditivos, olfativos etc.
Quanto à temática, podem apresentar uma seqüência ordenada de fatos ou
episódio fantástico, extravagante e inverossímil, com freqüentes
distorções de espaço e tempo.
Afirma-se que na matéria dos sonhos se encontram as fontes do comportamento
criativo, tanto na ciência quanto na arte e mesmo na vida prática. São comuns
os casos de pessoas que dormem preocupadas com um problema e encontram a
solução ao despertar. Esse fato sugere que durante o sonho se produz um tipo
de síntese cognitiva não controlável pela consciência, mas cujo resultado
chega a ela.
Sono: estado normal, espontâneo e facilmente reversível de decréscimo
nas respostas a estímulos externos. Nesse estado, a consciência, a percepção
e a fisiologia sofrem profundas alterações. As manifestações mais notórias
do sono são a interrupção da atividade motora, dos estímulos sensoriais e
dos processos de integração do córtex cerebral. Durante esse estado, as
constantes vitais se tornam mais lentas, decrescem o ritmo respiratório, a
freqüência cardíaca, o metabolismo e a concentração de oxigênio nos
alvéolos pulmonares. O sono é precedido por um período de sonolência, no
qual a atenção consciente diminui pouco a pouco e o relaxamento físico
aumenta. Por fim, a consciência desaparece, assim como os reflexos.
Sublimação: mecanismo de defesa, segundo a teoria psicanalítica, que
permite desviar as energias sexuais ou agressivas para objetivos socialmente
superiores como o trabalho, a arte, o estudo, o patriotismo e outros.
Suicídio: ato pelo qual o indivíduo procura voluntariamente a morte. O
direito moderno distingue, de acordo com os resultados concretos do ato, entre o
suicídio consumado e a tentativa de suicídio, ou suicídio frustrado. Teorias
psicológicas baseadas nas doutrinas de Freud atribuem as causas do suicídio a
depressões derivadas de estados emocionais de agressividade, medo, culpa,
frustração ou vingança. Teorias sociológicas buscam a explicação na
influência das pressões sociais e culturais sobre o indivíduo.
Superego: na teoria psicanalítica, uma das três instâncias da mente
humana, junto com o id e o ego. Modifica e inibe os impulsos instintivos do ego
que tendem a produzir ações e pensamentos anti-sociais.
Superstição: atitude de espírito, crença ou prática
mágico-religiosa para as quais não há explicação lógica e que se baseiam
na convicção de que certos atos, palavras, números ou objetos trazem males,
benefícios, azar ou sorte. As superstições, de modo geral, podem ser
classificadas como religiosas, culturais e pessoais.
Tabu:
palavra de origem polinésia que significa, ao mesmo tempo, sagrado e interdito.
Expressa a proibição de uma ação ou do uso de um objeto, determinada por sua
distinção ritualística como ato ou objeto sagrado e intocável ou, ao
contrário, impuro e perigoso. Do ponto de vista mágico-religioso, simboliza o
caráter maligno do sagrado e se fundamenta no temor reverente a uma força
sobrenatural que impõe terríveis castigos ao infrator.
Terapia de grupos: após a segunda guerra mundial, o grande número de
soldados que necessitavam de tratamento psicológico incentivou os psiquiatras a
experimentarem a terapia de grupo. Até então, embora reconhecessem a
influência dos grupos no comportamento das pessoas, os médicos defendiam a
importância da privacidade da relação entre médico e paciente. Os novos
métodos se revelaram eficazes e, nos anos do pós-guerra, a terapia de grupo se
desenvolveu rapidamente e acabou se estendendo ao trabalho de psicologia
clínica e de aconselhamento, bem como ao de assistentes sociais.
Teste de Rorschach: teste introduzido pelo psiquiatra alemão Zurich H.
Rorschach em 1921. Também denominado "teste das manchas de tinta",
consta de uma série de lâminas que o sujeito deve interpretar para conhecer e
analisar os diversos aspectos de sua personalidade.
Totemismo: conjunto de idéias e práticas baseadas na crença da
existência de um parentesco místico entre seres humanos e objetos naturais,
como animais e plantas. O conceito refere-se a uma ampla variedade de relações
de ordem ideológica, mística, emocional, genealógica e de veneração entre
grupos sociais ou indivíduos específicos e animais ou outros objetos naturais,
que constituem o totem.
Toxicomania: estado de intoxicação periódica ou crônica causada pelo
consumo de uma ou mais drogas, naturais ou sintéticas, por parte de um
indivíduo. A dependência das drogas é hoje a causa direta da degradação
física, mental e moral de milhões de pessoas em todo o mundo.
Transexualismo: incompatibilidade entre a identidade sexual de uma pessoa
e sua realidade anatômica e, conseqüentemente, social. Acredita-se que a
origem do transexualismo esteja num distúrbio de interação dos hormônios
liberados pelo hipotálamo, pela hipófise e pelas gônadas (testículos e
ovários). Essa perturbação pode começar durante a fase pré-natal ou na
infância do indivíduo. Não está comprovada a origem genética do
transexualismo.
Transtornos infantis: mostram-se evidentes na infância, puberdade e
adolescência. O retardo mental é a incapacidade para aprender com normalidade,
ser independente e socialmente responsável como outras pessoas da mesma idade e
cultura. A hiperatividade é uma desordem que parte de um déficit na atenção
e na concentração devido a uma inquietude constante e patológica. Os
distúrbios ansiosos compreendem o medo da separação (da casa dos pais) e o
contato com estranhos, gerando um comportamento pusilânime e medroso. Os
distúrbios mentais evasivos se caracterizam pela distorção simultânea de
várias funções psíquicas, como a atenção, a percepção, a avaliação da
realidade e a motricidade. Exemplo deste transtorno é o autismo infantil.
Outros transtornos infantis são a bulimia, a anorexia nervosa, os deficiências
da fala e a enurese.
Transtornos orgânicos
mentais:
caracterizam-se pela anormalidade psíquica e do comportamento associados a
deteriorações transitórias ou permanentes no funcionamento do cérebro. O
dano cerebral procede de uma enfermidade orgânica ou de consumo de alguma droga
lesiva. Apresentam, como característica principal, o delírio. A demência é
outro sintoma freqüente dos transtornos orgânicos, como a doença de
Alzheimer, e se caracteriza por perdas de memória, percepção, juízo e
atenção. A demência senil acontece na terceira idade e produz alterações na
expressão emocional.
Transtornos paranóicos: se caracterizam por idéias delirantes. As mais
típicas são as de perseguição (o indivíduo se considera vítima de uma
conspiração), de grandeza (ele acredita ser de natureza nobre, santa ou
divina) e de ciúme desmedido. Em qualquer caso, a personalidade paranóide é
defensiva, rígida, desconfiada, egocêntrica, ela se isola e pode ficar
violentamente anti-social.
Velhice:
último período da evolução natural da vida. Implica um conjunto de
situações - biológicas e fisiológicas, mas também psicológicas, sociais,
econômicas e políticas - que compõem o cotidiano das pessoas que vivem essa
fase.
Vontade: faculdade individual de determinar mentalmente o próprio
comportamento e decidir se empreende, ou não, qualquer ato movido por impulso
ou pela razão.
Extraído
das Enciclopédias Barsa e Encarta
