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Aconselhamento: relação interpessoal estabelecida com a finalidade de auxiliar os indivíduos na tomada de decisões. É uma área da psicologia fundamentada na aprendizagem, no desenvolvimento da personalidade e no autoconhecimento, processos que concorreram para que a pessoa tome consciência do papel que desempenha na sociedade e adquira padrões adequados de comportamento.
Adolescência: fase compreendida entre a infância e a idade adulta, durante a qual se definem os caracteres sexuais secundários e se evidenciam as qualidades específicas do indivíduo. Nas sociedades simples e homogêneas, como as comunidades rurais, o período de preparação do adolescente para a vida adulta é mais curto e menos conflitivo do que nas sociedades complexas. A longa fase de dependência, que na civilização contemporânea se estende por aproximadamente dez anos, entra em choque com o desenvolvimento parcial alcançado pelo adolescente e determina uma etapa crítica e repleta de contradições.
Afetividade: conjunto de fenômenos psíquicos que compreendem sobretudo o prazer, a dor e as emoções - fenômenos ditos afetivos. É também a capacidade de experimentar estados afetivos e de produzir reações de caráter afetivo, confundindo-se, nesse sentido, com o conceito de sensibilidade. A afetividade é a base do psiquismo e o elemento mais fundamental na estruturação da conduta e das reações de cada indivíduo. Num sentido mais amplo, engloba as tendências afetivas (inclinações, paixões) e os estados passivos (prazer, dor, emoções). Seria errôneo identificar os sentimentos e as paixões, duas formas de afetividade, com o lado "irracional" da psicologia humana. Toda a conduta do homem, até mesmo seus aspectos mais racionais e intelectuais, está marcada por esses elementos.
Agressividade: característica daquele ou daquilo que é capaz de agredir, atacar, a agressividade se apresenta em muitas formas e, às vezes, em duas ou mais ao mesmo tempo. Assim, deve-se analisá-la conforme suas manifestações biológicas, psicológicas, éticas, sociais, jurídicas, políticas, estratégicas.
A agressividade faz parte da própria vida, relacionando-se desde o início com a luta pela sobrevivência. Varia muito, por isso, a extensão ou o significado que assume nos vários planos em que se verifica, dependendo das causas e dos efeitos, na intensidade, da freqüência, das circunstâncias.
Alcoolismo: intoxicação, aguda ou crônica, provocada pelo consumo abusivo de bebidas alcoólicas e constitui um problema médico quando altera ou põe em risco a saúde física ou mental do indivíduo.
Alma: entidade a que se atribuem, por necessidade de um princípio de unificação, as características essenciais à vida (do nível orgânico às manifestações mais diferenciadas da sensibilidade) e ao pensamento, e que se define em oposição a corpo (embora não necessariamente a matéria) e, às vezes, a espírito, estando associadas à consideração da idéia de alma as questões da imortalidade, da personalidade, da individualidade, da consciência, etc, com todas as implicações morais, religiosas e metafísicas que elas suscitam.
Alucinação: percepção falsa sem estímulos externos que a provoquem, estado em que se percebem objetos e/ou seres inexistentes. Tornam-se possíveis num estado intermediário entre a vigília e o sono, durante um delírio psicótico ou na hipnose.
Amnésia: perda ou incapacidade de memória cuja origem podem ser distúrbios orgânicos ou mentais. É considerado sintoma e seu tratamento tenta determinar e eliminar as causas básicas originais.
Angústia: segundo o criador da teoria psicanalítica, Sigmund Freud, a angústia é um estado afetivo próprio da condição humana, resultante de uma consciência de desamparo que provoca tensões dolorosas e intensas. Em sua fase mais primitiva, essas tensões constituem a raiz dos diferentes afetos e também da angústia. Para Freud, a angústia do nascimento, provocada pela separação do novo ser do corpo da mãe, é a manifestação mais primitiva desse sentimento.
De maneira genérica, pode-se dizer que a psicologia contemporânea aborda o problema da angústia sob duas perspectivas: (1) estabelecer se ela constitui um estado transitório ou se, ao contrário, é uma predisposição, um elemento da personalidade; (2) determinar se de fato a angústia tem uma causa definida ou se pode resultar de motivos e situações muito diversos.
Animismo: crença em seres espirituais. No século XVIII, o médico alemão Georg Ernst Stahl recorreu a essa palavra para descrever sua teoria, segundo a qual a alma é o princípio vital responsável pelo desenvolvimento orgânico. Desde fins do século XIX, o conceito passou a ser associado à antropologia; o britânico Sir Edward Burnett Tylor descreveu as origens da religião e das crenças primitivas em termos de animismo. Em sua obra Cultura animista (1871), considerou-o como “uma definição mínima de religião”. Ao formular sua teoria, afirmou que a filosofia animista se desenvolvia como uma tentativa de explicar as causas dos sonhos, os transes e a morte.
Anorexia nervosa: doença que se caracteriza pelo medo intenso de ganhar peso e por uma imagem distorcida do próprio corpo. Leva a um emagrecimento grave, aumento do risco de infecções e, em alguns casos, à morte. Os pacientes também sofrem, com freqüência, de bulimia.
Ansiedade: temor antecipado de um perigo futuro cuja origem é desconhecida ou não reconhecida. Os sintomas físicos são tensão muscular, suor nas palmas das mãos, doenças estomacais, respiração entrecortada, sensação de desmaio iminente e taquicardia. Os distúrbios de ansiedade são os distúrbios mentais mais comuns nos países ocidentais.
Antipsiquiatria: movimento que se opõe ao psicodiagnóstico e à psicoterapia, que são as escolas predominantes. Surgiu na década de 1960 e levou ao aparecimento de novas teorias sobre as causas e o tratamento das doenças mentais, como a esquizofrenia. Os defensores da antipsiquiatria, como Ronald D Laing, se opõem às teorias que limitam a origem da psicose a causas somáticas. Eles acreditam que é necessário prestar mais atenção às influências nocivas que a sociedade e a família exercem sobre o doente. Laing afirmou em sua obra Saúde mental, loucura e família (1964) que as causas da esquizofrenia se encontram nas relações familiares deterioradas. Muitos representantes da antipsiquiatria se opõem, de modo geral, à existência dos hospitais psiquiátricos, já que, segundo eles, o doente mental deve ficar em contato com a sociedade.
Apatia: estado de ânimo caracterizado pela falta de vigor ou energia, pela inércia e pela falta de sensibilidade aos estímulos afetivos. Na psicologia, o indivíduo apático possui uma personalidade caracterizada pela ausência quase total de emotividade, pela inatividade e pela lentidão nas reações. Ao contrário do tipo colérico, o apático é conformista, introvertido e frio afetivamente. Alguns psicólogos afirmam que a apatia pode estar relacionada à constituição física do indivíduo, a uma disfunção do sistema endócrino, a transtornos como a depressão ou a demência e a circunstâncias negativas duradouras, entre elas, o desemprego ou de falta de liberdade.
Aprendizagem: processo de modificação da conduta por treinamento e experiência. Varia da simples aquisição de hábitos à de técnicas mais complexas. Como característica essencial do psiquismo humano, o ato de aprender difere do adestramento animal pelo seu caráter criador, dinâmico e intencional. A motivação, a inteligência e a hereditariedade influenciam a aprendizagem, cujos elementos básicos são o estímulo, a resposta, o impulso e o reforço. A psicologia vem emprestando ao assunto singular importância, mesmo em relação a problemas como a neurose, considerada uma aprendizagem defeituosa, cujo tratamento consistiria em um verdadeiro reaprendizado.
Aptidão: tendência natural que diferencia um psiquismo - conjunto dos caracteres psíquicos de um indivíduo - de outro. As aptidões, que podem ser de tipos muito diversos, aparecem em diferentes etapas do amadurecimento do indivíduo. A musical, por exemplo, embora possa manifestar-se antes dos dez anos, normalmente só se estabiliza a partir dessa idade, o que também ocorre com a aptidão para tarefas mecânicas. A aptidão matemática, por sua vez, aparece por volta dos 14 e a científica, aos 17.
Associação: princípio geral da psicologia, estreitamente ligado à memória, segundo o qual a lembrança de um acontecimento pode evocar outros fatos, experiências ou situações a ele relacionados. O associacionismo, aplicado a diferentes fenômenos mentais, tornou-se uma concepção teórica presente em todas as escolas psicológicas.
Associacionismo: teoria segundo a qual a mente humana funciona (percebe, aprende) combinando elementos simples, irredutíveis. Os associacionistas partem do princípio de que todos os processos psicológicos são reduzidos a cadeias de associações estímulo-resposta, ainda que outras escolas o tenham negado porque consideram insuficiente para explicar os fenômenos internos complexos, como o pensamento criativo ou o comportamento verbal. A associação de idéias, imagens e objetos emprega-se no ensino moderno, sobretudo nas disciplinas relacionadas com a linguagem e o ensino de idiomas estrangeiros; é, também, uma ferramenta básica da psicoterapia.
Associações livres, método das: técnica clássica da psicanálise freudiana para a identificação das perturbações emocionais oriundas dos mais diversos tipos de complexos. Consiste essencialmente em um processo de evocação espontânea de idéias, em estado consciente e sem a interferência direta do terapeuta. Além de permitir a localização de idéias e desejos reprimidos, que se encontram na raiz dos sintomas mórbidos apresentados pelo paciente, produz uma descarga geral da tensão psíquica, sendo este o seu efeito terapêutico mais simples e imediato.
Atenção: capacidade de concentração na observação e conhecimento de um objeto, processo, tarefa, idéia, entre outros, com exclusão de tudo aquilo que não se relacione com o observado.
Atitude: disposição nervosa e mental, fruto da experiência e que exerce uma influência dinâmica e orientadora sobre todos os objetos e situações com os quais guarda alguma relação. Nesse sentido, pode-se considerar a atitude como uma forma de motivação social (portanto, de caráter secundário em relação à motivação biológica, de tipo primário), que impulsiona e orienta a ação para determinados objetivos ou metas.
Autismo: problema neurobiológico que se manifesta normalmente em crianças antes dos dois anos e meio de idade. As crianças autistas se mostram aparentemente indiferentes ou, até mesmo, avessas a demonstrações de afeto e ao contato físico, embora às vezes surja mais tarde uma ligação mais estreita com os pais ou certos adultos. O desenvolvimento da fala nessas crianças é lento e anormal, senão ausente, caracterizando-se pela repetição daquilo que é dito por terceiros ou pela substituição das palavras por sons mecânicos.
Ainda não totalmente compreendida, a ocorrência do autismo estaria relacionada à deficiência de um tipo específico de células nervosas e ao excesso de serotonina, uma substância neurotransmissora.

Behaviorismo: corrente da psicologia que defende o emprego de procedimentos estritamente experimentais para estudar o comportamento (conduta), considerando o ambiente como um conjunto de estímulos. No começo do século XX, John B Watson propôs estudar a psicologia empregando somente procedimentos objetivos para estabelecer resultados estatisticamente válidos. Este enfoque levou-o a formular a teoria psicológica do estímulo-resposta: todas as formas de comportamento podem ser analisadas como cadeias de respostas simples que podem ser observadas e medidas.
Biogênese: princípio segundo o qual todo ser vivo se origina de outros seres vivos semelhantes. Formulado por Francesco Redi e demonstrado por Pasteur, refuta a tese da geração espontânea a partir de matéria inorgânica.
Biotipologia: estudo dos caracteres físicos e psicológicos que diferenciam os indivíduos entre si. É por isso chamada também de antropologia diferencial, antropologia constitucional, constitucionalística e caracterologia. A biotipologia busca estabelecer correlações entre a morfologia externa do corpo e os múltiplos e complexos componentes da personalidade individual, tais como os psicológicos (temperamento) e éticos (caráter), as aptidões intelectuais, físicas e fisiológicas, as formas de expressão artística e de comportamento social e até as tendências patológicas do organismo.

Casamento: união voluntária entre duas pessoas, na maior parte das vezes sob um mesmo teto, com o fim de partilhar a vida em todos os seus aspectos. Do ponto de vista jurídico, é o contrato livremente firmado por um homem e uma mulher, pelo qual se assegura a opção por uma vida em comum e pela repartição recíproca de determinados bens. Nesse sentido, é a legitimação, perante a ordem social e as autoridades civis ou religiosas, da aliança natural entre dois seres humanos. Quando nessa experiência se concebem ou se adotam filhos, a instituição lhes garante o reconhecimento como descendentes legítimos do casal.
Catalepsia: síndrome neurológica em que o paciente mergulha na perda da vontade motora por paralisia. Presente na esquizofrenia, na histeria e em outras psicoses.
Catarse: liberação terapêutica das emoções que causam tensão ou ansiedade. A exteriorização dos conflitos reprimidos durante a hipnose foi denominada por Freud "terapia catártica".
Catatonia: síndrome psíquica de esquizofrenia caracterizada por afecção do aparelho locomotor que deixa o paciente em completa imobilidade por vários minutos.
Cérebro: do ponto de vista fisiológico, constituído pela concentração de tecido nervoso que ocupa o extremo anterior do corpo de um animal, compete-lhe o controle consciente e inconsciente de todas as funções vitais, em relação ao ambiente e a todos os outros órgãos. O cérebro é uma das estruturas de mais rápido crescimento do organismo humano. Situado no vértice do sistema nervoso central, o cérebro centraliza a atividade fisiológica e a interpretação dos impulsos externos. Experimentou, ao longo da evolução, desenvolvimento desigual: em certos invertebrados consiste apenas em umas poucas células de tecido nervoso, enquanto no homem apresenta estrutura complexa e grande diferenciação de órgãos, lobos e setores.
Cinestesia: conjunto de percepções que viabilizam a identificação da sensação de movimento, tensão, peso e posição do corpo.
Cleptomania, atitude decorrente de não resistir ao impulso de furtar objetos, os quais não necessita.
Cognição, ato ou processo de conhecimento que engloba a atenção, percepção, memória, razão, imaginação, pensamento ou linguagem. A psicologia cognitiva estuda este processo desde o ponto de vista do manuseio da informação, estabelecendo paralelismos entre as funções do cérebro humano e as de um computador.
Compensação: mecanismo de defesa inconsciente, que leva uma pessoa a tentar suprir deficiências reais ou imaginárias, com o objetivo de diminuir sentimentos de culpa ou frustração.
Complexo: conjunto de conteúdos psíquicos ligados entre si e de forte carga emocional, total ou parcialmente inconscientes.Esse termo foi introduzido na psiquiatria por Jung, que o define como um agrupamento de elementos psíquicos que envolvem conteúdos de tonalidade emocional. Nem todos os complexos decorrem somente de problemas relacionados com o sexo. Muitos são provocados por situações econômicas, sociais, culturais, podendo-se, deste modo, distinguir complexos de superioridade, inferioridade e familiar. Conseqüentemente, embora a infância seja a fase mais própria à germinação de complexos, eles podem ser provocados e manifestarem-se em qualquer fase da vida.
Complexo de Édipo: conjunto sistemático de desejos amorosos e hostis que a criança desenvolve em relação aos pais, sobretudo dos três aos cinco anos. Caracteriza-se sobretudo pelo desejo da morte do genitor de mesmo sexo e atração pelo de sexo oposto. Conceito formulado pelo psicanalista austríaco Sigmund Freud.
Complexo de Electra, na teoria psicanalítica, nome do desejo sexual que a filha sente pelo pai, acompanhado por um sentimento de rivalidade com a mãe e o desejo da sua morte. O termo "complexo de Electra" foi cunhado por Carl Jung, como réplica do "complexo de Édipo" postulado por Sigmund Freud, que o considerava uma etapa fundamental no desenvolvimento psicossexual do menino quando ele começa a experimentar sentimentos de amor, ódio, medo e ciúmes, resolvidos quando o menino se identifica com o pai e reprime seus instintos sexuais.
Complexo de inferioridade: sentimento consciente de inferioridade baseado na percepção real ou ilusória de deficiências orgânicas e psicológicas. Formulado pelo psicanalista austríaco Alfred Adler.
Comportamento, mudança de: conjunto de métodos psicológicos para o tratamento de distúrbios de adaptação e modificação dos estilos de comportamento observáveis.
Dois tipos de investigação ajudaram a determinar o campo de modificações de comportamento: a generalização dos princípios do condicionamento de Pavlov aos problemas clínicos (como a enurese noturna e o alcoolismo) e a aplicação do condicionamento instrumental de Skinner à educação e tratamento das crianças deficientes e doentes psiquiátricos.
No início da década de 1960, a mudança de comportamento passou a ser uma especialidade aplicada da psicologia em seus dois ramos: terapia do comportamento e análise aplicada.
Comportamento, técnicas de modificação de: as técnicas mais utilizadas em mudança de comportamento adquiriram nomes específicos: dessensibilização sistemática, terapia aversiva e bio-feedback ("realimentação"). A dessensibilização sistemática trata dos distúrbios com origem conhecida, como as fobias. A terapia aversiva é empregada para eliminar hábitos perniciosos. Por último, o bio-feedback é usado no tratamento de alterações comportamentais que têm uma base física.
A terapia do comportamento interessa-se, exclusivamente, pelas alterações comportamentais propriamente ditas, sem procurar conhecer suas causas. Por esta razão, no campo da psicologia, são muitos os que a repelem.
Comportamento animal: modo de atuação dos diferentes tipos de animais, tema que fascinou os pensadores desde os tempos de Platão e Aristóteles. É particularmente enigmática a habilidade de algumas criaturas simples para desenvolver tarefas complexas: tecer uma teia (aranha), construir um ninho ou cantar (pássaro), encontrar abrigo ou conseguir comida; tudo isso no momento certo e com escassa ou nenhuma aprendizagem prévia. Tais comportamentos foram estudados partindo de duas perspectivas diferentes, opostas em suas afirmativas: enfoque comportamental (aprendizagem) e o enfoque etológico (que subtrai o papel da herança).
Compulsão: ato de natureza ritual, determinado por um impulso patológico, com a finalidade de liberar a angústia. Constitui a síndrome básica das neuroses obsessivo-compulsivas.
Comunicação: processo de troca de significados entre indivíduos por meio de um código comum (signos, sinais, símbolos, linguagem falada ou escrita). Envolve a transmissão de mensagem entre uma fonte e um destinatário. Implica, portanto, dois pólos: um transmissor ou emissor (fonte) e um receptor (destinatário), em um processo que ocorre através de um meio denominado canal. Este pode ser natural, como o aparelho fonador, ou industrialmente concebido, como a imprensa, o rádio, a televisão etc. Mesmo entre os animais existe um sistema rudimentar de comunicação, embora limitado a sinais e sons intimamente ligados ao instinto de conservação da espécie. Na comunicação existe uma infinita escala de valores. Abarca desde o gesto mais elementar até a transmissão por satélite artificial.
Condicionamento: processo destinado a induzir determinado padrão de comportamento, por meio de estímulos psicofisiológicos intencionalmente programados. As pesquisas sobre condicionamento permitiram a formulação de técnicas para o tratamento de problemas de adaptação. Diversamente do que ocorre com as psicoterapias, voltadas para o desenraizamento de conflitos de base, o objetivo das terapias do comportamento é a extinção do sintoma.
Condicionamento operante de Skinner: teoria introduzida pelo psicólogo americano B F Skinner como uma alternativa ao condicionamento clássico aplicado pelo psicólogo russo Ivan Petrovich Pavlov. Através da experimentação, Skinner concluiu que o comportamento pode ser condicionado com o emprego de estímulos positivos e negativos e as recompensas mais simples podem condicionar formas complexas de comportamento.
Conflito: antagonismo psicológico que perturba a ação e a tomada de decisões pelo indivíduo. É subjetivo e em geral inconsciente. Sempre que se deve escolher entre duas situações incompatíveis, sejam elas de prazer ou de perigo, instala-se um conflito. Trata-se de um fenômeno subjetivo, muitas vezes inconsciente ou de difícil percepção. De modo geral, o indivíduo tem consciência apenas do sofrimento ou da perturbação de comportamento, originados do conflito reprimido.
Consciência: designa os processos internos que determinam níveis complexos do comportamento. Sobre sua natureza, distinguem-se duas perspectivas: a animista e a fisiológica ou mecanicista. A primeira insiste no sentido não-físico desses processos, e a segunda identifica-os com atividades cerebrais. Tais processos, presentes nos animais superiores, alcançam seus níveis mais elevados no ser humano. Em função dessa segunda perspectiva, é possível caracterizá-los por três propriedades: pela memória imediata, que permite a coordenação das ações e experiências passadas com as futuras; pela conduta intencional, isto é, organizada em função de metas a serem atingidas; e pela capacidade de resposta. Todo ser humano percebe que existe como um ser singular em relação aos demais objetos e seres do universo. Sob esse aspecto, a consciência constitui a própria essência do ser humano.
Consciente: conjunto dos processos e fatos psíquicos de que temos consciência, isto é, conhecimento (por oposição a inconsciente).
Convulsão: contração muscular violenta e involuntária provocada por distúrbio ou anomalia do sistema nervoso. Pode estar associada a elevação excessiva de temperatura, epilepsia e tumores cerebrais, entre outros problemas.

Delinqüência juvenil: comportamento criminoso de adolescentes, responsável, em muitos países por cerca de oitenta por cento dos crimes. A massa de delinqüentes jovens é em geral originária de classes sociais de baixa renda. Suas condições de vida entram em conflito com os valores das classes privilegiadas, inalcançáveis para quem não tem acesso à educação de alto nível e a boas perspectivas no mercado de trabalho.
Delírio: perturbação das faculdades mentais, caracterizada por desorientação e confusão do pensamento. Surge geralmente em conseqüência de distúrbios físicos que afetam o cérebro, como intoxicação, febre, problemas cardíacos e pancadas na cabeça. A recuperação depende da extensão dos danos sofridos pelo cérebro.
Delirium tremens: delírio com tremores e intensa excitação, acompanhado de transtornos mentais, alucinações e ansiedade. Afeta alcoólatras crônicos após certo período de abstinência e é conseqüência de um estado de debilidade geral, caracterizado por desnutrição, cansaço e desidratação.
Demência: debilitamento psíquico profundo, global e progressivo, que altera as funções intelectuais básicas e desintegra as condutas sociais. Considerado durante muito tempo como sinônimo de loucura, este termo designa hoje um enfraquecimento mais ou menos acentuado das faculdades mentais, decorrente de lesões do cérebro. A demência afeta a personalidade do indivíduo deteriorando seu sistema de valores lógicos, de conhecimento, de juízo e de adaptação ao meio social.
Demência senil: deterioração crônica e progressiva das funções intelectuais. Em geral, decorre de alterações cerebrais patológicas. É mais freqüente em idosos, embora possa afetar indivíduos de qualquer idade. Manifesta-se inicialmente por perda da memória recente, confusão, irritabilidade e distúrbios de personalidade.
Depressão: designação genérica dos estados de baixo tono psíquico, em geral relacionados com a afetividade, e que se caracteriza pela baixa do humor, o abatimento e a melancolia profunda, muitas vezes acompanhados de sensações de mal-estar físico e de sentimentos como falta de coragem, desânimo, falta de autoconfiança, inércia, sentimento de pesar e pessimismo sistemático. Nas formas mais graves, a depressão pode tomar aspectos delirantes, como hipocondria, delírio auto-acusatório etc.
A depressão distingue-se da simples tristeza, sensação de perda ou estado de luto, que são respostas legítimas e normais à perda de pessoas ou objetos amados. Se uma pessoa tem claras razões para sentir-se infeliz, só se pode falar em depressão se existe uma desproporção muito grande ou longa em relação ao fato que causou tal estado de ânimo.
Depressão analítica: a reação de uma criança à uma repentina perda da mãe se caracteriza por falta de interesse no ambiente que a rodeia, retraimento, perda de apetite, insônia, apreensão e outros sintomas que observados num adulto seriam considerados como depressão normal. Numa criança, porém, é chamada depressão analítica. Esta mesma reação pode ser observada simplesmente suprimindo-se a atenção materna para a criança, e sua origem é mais psicogênica que orgânica.
Depressão pós-parto: este tipo de depressão se apresenta geralmente entre três semanas e três meses depois do parto. Tem como características principais o pânico, o temor de uma sensação de incapacidade para cuidar do recém-nascido. Embora tenha sido considerada em princípio como uma alteração orgânica, a depressão pós-parto vem sendo reconhecida cada vez mais como uma enfermidade funcional que se produz em resposta aos problemas da maternidade.
Desejo: um impulso não satisfeito em tempo leva ao surgimento de uma tensão, que caracteriza o desejo. Portanto, quando o indivíduo pensa na coisa desejada. está criando ou aumentando tensão psíquica, e ficando assim como alvo de motivação que o levará a agir no sentido de satisfazer o desejo surgido.
Convém notar a diferença entre desejo e vontade: esta é resultado de uma escolha, uma resolução pensada refletida; mas o desejo às vezes pode ser irrefletido, dominado por impulso, e até pode fazer com que a pessoa fique fora de si, quando se trata de um desejo muito violento. Pela ação da vontade, porém, um desejo pode ser reprimido, havendo um conflito entre ambos.
Desvio social: qualquer tipo de comportamento que se afaste das normas geralmente aceitas em uma sociedade. Não constitui uma transgressão da lei, mas sim uma não observância das normas, sendo estas legais ou ilegais.
Émile Durkheim foi o pioneiro da teoria de desvio social, ao formular o conceito de irregularidade ou enfraquecimento das normas que asseguram a ordem social e que surge devido às mudanças produzidas pela divisão de trabalho na sociedade.
Dinâmica de grupos: do ponto de vista teórico, área das ciências sociais, em particular da sociologia e da psicologia, que procura aplicar métodos científicos ao estudo dos fenômenos grupais. Do ponto de vista aplicado ou técnico, a dinâmica de grupos é o método de trabalho baseado nessa teoria. Os grupos humanos têm vida própria e peculiar, que ultrapassa as características dos indivíduos que os compõem e se manifesta não só na relação de um grupo com outro, mas também, e principalmente, nas relações que os membros de um grupo mantêm entre si.
Distúrbios mentais: distúrbios ou síndromes psíquicas e de comportamento. Geram angústia e causam danos em importantes áreas do funcionamento psíquico, afetando o equilíbrio emocional, o rendimento intelectual e o comportamento social adaptativo.
A maioria dos sistemas de classificação reconhece os distúrbios infantis como categorias separadas dos distúrbios adultos. Também distinguem entre distúrbios orgânicos, provocados por uma causa fisiológica clara, e distúrbios não orgânicos ou funcionais, considerados mais leves. Em função da gravidade e da base orgânica, os distúrbios se dividem em psicóticos (perda da realidade) e neuróticos (mal-estar e ansiedade sem perder o contato com a realidade).
As psicoses mais comuns são a esquizofrenia, a maior parte dos transtornos neurológicos e cerebrais (demências) e as formas extremas de depressão. Entre as neuroses, as mais típicas são as fobias, a histeria, a hipocondria e todas que geram uma alta dose de ansiedade sem que haja desconexão com a realidade.
Divórcio: dissolução absoluta da sociedade conjugal, que anula seus efeitos civis e permite aos cônjuges casar novamente. Na maioria das culturas se permitiu e se permite o divórcio, mas existem países onde a autoridade religiosa tradicional encara o casamento como indissolúvel.
Doença: estado de alteração da saúde física ou mental sob efeito de agentes perniciosos originados dentro ou fora do organismo. De uma dor de dente a um estado de coma, a doença pode assumir os mais diversos graus de intensidade e apresentar-se em qualquer época da vida.
Além de crônicas ou agudas, as doenças também podem ser, segundo sua causa ou etiologia: (1) carenciais, quando resultantes da falta de condições normais para o desenvolvimento orgânico (subnutrição, avitaminose e correlatas); (2) traumáticas, se provocadas por impacto físico ou emocional, inclusive do calor, do frio etc.; (3) tóxicas, se provindas da agressão de agentes químicos; (4) parasitárias, se suscitadas por vermes, fungos etc.; (5) infecciosas, quando desencadeadas por vírus, bacilos, bactérias; e (6) degenerativas, quando decorrem de processo inerente ao organismo, como a tendência ao envelhecimento dos tecidos (arteriosclerose, por exemplo) ou sua auto-agressão destruidora (cânceres em geral).
Doenças psicossomáticas: processos orgânicos patológicos de origem psicológica, causados por estresse, ansiedade, depressão etc. Esses fatores determinam uma ativação inadequada do sistema neurovegetativo e das glândulas endócrinas. Sua repetição pode levar a alterações crônicas, tanto funcionais como anatômicas, dos sistemas orgânicos.
Diversos tipos de problemas gastrointestinais, afecções dermatológicas e alterações neurovegetativas são alguns dos transtornos orgânicos que têm origem em desequilíbrios dos processos mentais.
Dor: sensação desagradável produzida pela ação de um estímulo potencialmente lesivo ao organismo. O estímulo que desencadeia dor pode ser elétrico, mecânico, térmico ou químico. A sensação dolorosa tem função protetora para o organismo, pois o sofrimento que provoca desencadeia sempre reações orgânicas, somáticas e viscerais, reflexas e voluntárias, destinadas a livrar o organismo do estímulo prejudicial.
Grande parte dos remédios e terapias têm como objetivo a remissão ou alívio da sensação dolorosa. Para esse fim se empregam analgésicos, anestésicos e narcóticos, bem como procedimentos menos convencionais, como hipnose e acupuntura.

Ego: termo que designa, na teoria da psicanálise, a parte central da estrutura da personalidade. É o mediador entre os desejos instintivos e as pressões morais.
Emoção: termo empregado como sinônimo de sentimento. Em psicologia, denomina uma reação que implica em mudanças fisiológicas, tais como a aceleração ou a diminuição do ritmo do pulso e atividade de certas glândulas, ou uma mudança na temperatura corporal.
Emoção primária: é a que aparece bastante cedo, não dependendo portanto de aprendizagem: alegria, cólera, medo, pesar, etc. As situações que provocam essas emoções são na essência muito simples, estando ligadas a atividades que implicam num objetivo, o que leva a graus variáveis de tensão. Quando há uma causa que provoca sensação positiva, temos por exemplo a alegria (que corresponde a um alivio de tensão que ocorre com a realização de determinado objetivo); mas no exemplo de uma causa desagradável, indesejável, ameaçadora e provocadora de susto e fuga, temos o medo. Entretanto, conforme provou J B Watson através de experiências com crianças, há tipos de medo que se podem dizer serem básicos, ao passo que outros - aliás a maior parte - são aprendidos.
Empatia: aptidão intelectual e emocional de um indivíduo para se situar no lugar do outro, compreender seu estado de espírito e compartilhar seus sentimentos, baseando-se no conhecimento de seu próprio estado e nas suas próprias vivências anteriores.
Ensino: processo pedagógico por meio do qual se transmitem informações sobre um assunto determinado. Etimologicamente, ensinar (em latim insignare) significa "assinalar", "mostrar algo a alguém", o que supõe uma ação por parte de quem ensina, o docente, sem que exista necessariamente uma relação com o discente, ou seja, o que recebe o ensino. Do ponto de vista didático, no entanto, o ensino moderno busca também o aperfeiçoamento do indivíduo pela aprendizagem.
Epilepsia: distúrbio paroxístico e transitório das funções cerebrais, que se manifesta de forma repentina e apresenta tendência à repetição, a epilepsia é uma síndrome - conjunto de manifestações clínicas - decorrentes de processos mórbidos cerebrais diversos e não propriamente uma doença. Sua manifestação decorre da excitação espontânea dos neurônios cerebrais, delimitada a uma pequena área ou generalizada por todo o córtex cerebral.
Escola: instituição que tem por finalidade ministrar educação de maneira regular, sistemática e intencional, em contraste com outras instituições, como a família e a igreja, que educam de forma assistemática e acidental. A existência de uma escola está vinculada basicamente às atividades associadas das pessoas que a integram, ou seja, professores e alunos. Qualquer que seja sua forma, bem como sua função específica dentro do grupo social, no que se refere à educação, ela sofre pressões para ajustar-se às exigências e à estrutura da sociedade. Esta elabora a concepção de vida que a educação escolar, um dos principais mecanismos de socialização, deve pôr em prática.
Esquizofrenia: grave distúrbio psíquico, caracterizado pela dissociação mental, que provoca a perda de contato com a realidade. O psiquiatra alemão Emil Kraepelin foi quem primeiro reuniu sob a classificação inicial de "demência precoce" o conjunto de sintomas de uma perturbação mental profunda. Kraepelin também realizou um grande esforço de análise e classificação desses sintomas. Seu trabalho permitiu diferenciar a síndrome esquizofrênica de outras alterações psicopatológicas.
Alteração associativa, dissolução dos laços afetivos e autismo - rompimento profundo das ligações com o mundo exterior - e sensação subjetiva de irrealidade são sintomas básicos da esquizofrenia.
Sob a classificação de esquizofrenia são agrupados vários distúrbios hoje claramente distintos: a esquizofrenia simples, a hebefrênica, a catatônica e a paranóide. Suas causas não estão bem identificadas. Ainda que o fator hereditário seja relevante, fatores psicológicos e sociais influem em sua manifestação.
Estereótipo: modelo conceitual rígido que se aplica de modo uniforme a todos os indivíduos de uma sociedade ou grupo, a despeito de seus matizes e divergências.
Estímulo: agentes, atos ou influências que têm a propriedade de produzir um aumento temporário da atividade fisiológica de um organismo ou de qualquer de suas partes ou órgãos.
Estresse: estado que se caracteriza por um conjunto de reações psicofisiológicas do organismo a situações que desencadeiam tensão. São fatores estressantes os acontecimentos que provocam ansiedade, agitação ou tristeza. A vida nas grandes cidades propicia inúmeras situações favoráveis ao estresse, fenômeno especialmente freqüente nas modernas sociedades industriais.
Submetido a estresse, o corpo humano libera uma substância química denominada adrenalina, que aumenta os batimentos cardíacos, acelera a respiração e provoca tensão muscular. Descontrolado e acumulado, esse fenômeno cria ou agrava problemas de saúde, mas dentro de certos limites funciona como estímulo à realização.
Eu: conjunto de pensamentos, sentimentos e ações - tudo integrado - que faz com que o indivíduo tome conhecimento de si próprio. Pode-se dizer que o eu (ou self) é a entidade mais complexa e importante de cada um de nós, como conjunto.
Eu ideal: noção que o indivíduo tem sobre o que ele gostaria de ser ou ter, de como ele gostaria de ser, do que ele deveria fazer. Resulta do desenvolvimento psicológico e é em geral influenciado por fatores sociais. Em alguns indivíduos, é algo bem remoto, portanto de certa forma secundária na sua vida, enquanto para outros indivíduos é mais próximo, atuante, influente. Comparando a realidade de si próprio com o eu ideal, o indivíduo é levado a ter motivações e emoções importantes.
Eu objetivo: segundo Lundholm, aquilo que as outras pessoas pensam do indivíduo, diferenciando-se portanto do eu subjetivo. Esse comportamento de outras pessoas com referência ao eu indivíduo é muito importante para a auto-identificação. De fato, atitudes contrárias, ou de desprezo, etc, podem influir muito, e negativamente, no eu do indivíduo, ao mesmo tempo que, de outra forma, enaltecimentos, exaltações etc, podem contribuir positivamente para a estrutura do eu.
Eu subjetivo: de acordo com H Ludholm, o eu é formado de dois aspectos: o eu subjetivo e o eu objetivo. O eu subjetivo resume-se no que o indivíduo pensa de si próprio; é o conjunto de símbolos (fisionomia, palavras, etc) através dos quais o indivíduo pode tomar consciência de si próprio. Conforme o mesmo autor ressalta, a noção do eu subjetivo é variável, dependendo de fatores internos e externos, como conflitos com outras pessoas, o esforço necessário para realizar um trabalho etc.
Euforia: sentimento de confiança, perfeito bem-estar e intensa alegria que pode se manifestar de modo natural ou por efeito de narcóticos, como ópio, morfina, cocaína, éter e haxixe.

Fadiga: do ponto de vista da experiência subjetiva, fadiga é uma sensação de desconforto, aversão e incapacidade de terminar uma tarefa, que se experimenta em todo o organismo e não apenas numa parte dele. Não existe uma grandeza para medir a fadiga, de modo que determinar sua magnitude e formular conceitos científicos sobre ela é tão difícil quanto medir ansiedade, depressão, angústia ou medo.
A fadiga, tomada geralmente apenas como cansaço físico, constitui, na verdade, um problema psíquico crucial para a sociedade contemporânea.
Família: proveniente do latim famulus, "criado" ou "servidor", inicialmente a palavra designava o conjunto de empregados de um senhor e só mais tarde passou a ser empregada para denominar o grupo de pessoas que, unidas por laços de sangue, viviam na mesma casa e estavam submetidas à autoridade de um chefe comum. Aristóteles dizia ser a família uma comunidade de todos os dias, "com a incumbência de atender às necessidades primárias e permanentes do lar", e Cícero cunhou a expressão, consagrada pelo tempo, segundo a qual a família é "princípio da cidade e origem ou semente do estado".
Na maior parte das culturas, as pessoas vivem em unidades domésticas familiares integradas por um ou vários casais e pelos filhos destes. A freqüência com que se encontram relacionamentos desse tipo permite afirmar que a origem da família é tão remota quanto a própria humanidade. Deve-se também assinalar que, na maioria dos povos que alcançaram certo grau de civilização, a família é monogâmica e o princípio de autoridade é geralmente prerrogativa do pai, com a colaboração da mãe.
Fantasia: mecanismo de defesa que proporciona uma satisfação ilusória para os desejos que não se podem realizar - o inconsciente cria uma satisfação-substituta que fica em lugar da realidade. É um mecanismo defensivo que alivia a tensão, permitindo uma liberação ilusória da realidade não-satisfeita, ou uma satisfação imaginária dos desejos, cuja satisfação real tenha sido proibida pela repressão. A fantasia é uma síntese integrada de idéias, sentimentos, interpretações e memória, predominando elementos instintivos e afetivos. Através da satisfação-substituta e omitindo a realidade, a fantasia pode ajudar a resolver os conflitos e prevenir a progressão da angústia. Freud demonstrou que os sonhos e a fantasia são processos que visam a avaliar a angústia.
Fetichismo: atribuição simbólica, a pessoas, partes do corpo ou coisas, de propriedades ou características que emanam de outros objetos ou indivíduos. O conceito de fetichismo ficou inicialmente restrito ao campo da antropologia, mas foi depois utilizado pela psicologia, principalmente por Freud, e pela sociologia, sobretudo por Marx.
Fixação: mecanismo de defesa que consiste numa parada no processo de desenvolvimento da personalidade, em uma etapa sem independência completa, madura e uniforme. É um mecanismo que foi primeiramente estudado por Freud, explicando que certas situações infantis (de frustração ou de satisfação intensa, especialmente em algumas partes do corpo) podem continuar provocando e proporcionando experiências de alívio ou então de ansiedades exageradas.
Fobia: temor irracional e incontrolável que alguém experimenta diante de determinado objeto ou situação. Quando os enfrenta, a pessoa que tem a fobia experimenta um pânico ou uma repugnância insuperáveis, com profundas modificações em seu comportamento. As fobias costumam surgir quando o medo produzido por uma situação ameaçadora original se transfere para outras situações semelhantes, ficando o medo original reprimido ou esquecido.
Frustração: estado afetivo ou emocional provocado pela impossibilidade de satisfazer um desejo, impulso ou necessidade psicológica. Desencadeia-se uma experiência frustradora quando se conjugam as seguintes condições básicas: presença de motivação intensa e impossibilidade de seu atendimento. Os estados de frustração enquadram-se em dois grupos básicos: o das frustrações primárias, produzidas pela ausência de incentivos adequados à satisfação das necessidades, e o grupo das secundárias, que se caracterizam pela presença de obstáculos entre o sujeito e o objeto do desejo.
A idéia de frustração tem conotação negativa para o senso comum, mas esse sentimento pode também provocar uma reação positiva no indivíduo, pois estimula a necessidade de superação e desperta a capacidade criativa.
Funcionalismo: escola de psicologia que subtrai o estudo da mente como parte funcional, essencialmente útil, do organismo humano. Conseqüência lógica da propagação das idéias de Darwin, o funcionalismo psicológico insistia na importância dos testes de inteligência e das experiências controladas para medir a capacidade de aprendizagem dos animais.

Geriatria: disciplina médica voltada para o estudo, tratamento e prevenção dos processos patológicos específicos da velhice. Abrange, além dos aspectos orgânicos, as questões psicológicas e emocionais relativas ao idoso, nas diversas fases da senectude, e distingue-se da gerontologia, disciplina de alcance mais geral, que trata das condições dos anciãos, sãos ou enfermos.
Gestaltismo: escola de psicologia que se dedicou principalmente ao estudo da percepção. Diante do associacionismo imperante, afirmava que as imagens são percebidas de forma global, como uma configuração (em alemão Gestalt), e não como mera soma de suas partes constitutivas.
Os psicólogos da Gestalt descobriram que a percepção era influenciada pelo contexto e pela configuração dos elementos percebidos. Este enfoque estendeu-se a outras áreas como o pensamento, memória ou estética.
Grafologia: arte ou ciência da análise da personalidade de um indivíduo pelo estudo de sua escrita. O termo foi criado no século XIX pelo padre francês Jean-Hippolyte Michon, mas a idéia de que a letra revela o caráter - uma vez que o gesto exprime o temperamento e a escrita é gesto fixado - já ocorrera aos antigos e esteve muito em voga nos séculos XVIII e XIX. Até conseguir o reconhecimento dos meios científicos, a grafologia, popularizada em muitos países graças à divulgação pela imprensa e à existência de consultórios especializados, precisou superar grandes desconfianças.

Hábito: qualquer ato adquirido pela experiência e realizado de forma regular e automática. Os psicólogos estudam o hábito como uma das funções básicas do aprendizado e o consideram um problema quando impede ou altera o bem-estar de uma pessoa.
Os hábitos são adquiridos, inicialmente, como reação diante de algum êxito importante e depois se generalizam para as situações que apresentam estímulos parecidos.
Os hábitos auto-destrutivos podem ser eliminados através da terapia de mudança de comportamento ou com técnicas de recondicionamento, que consistem em reforçar um hábito positivo.
Hereditariedade: conjunto de processos biológicos por meio do qual determinadas características são transmitidas geneticamente por uma geração às seguintes.
Hipnose: estado psicológico especial, para o qual concorrem alguns atributos fisiológicos, semelhante apenas superficialmente ao sono e marcado por um nível de percepção diferente do estado consciente. Esse estado se caracteriza por um grau de sensibilidade e reação aumentado, no qual as percepções internas adquirem a mesma importância que a realidade externa.
Histeria: fenômeno que consiste no aparecimento de importantes alterações objetivas de comportamento - paralisias, afonias, crises de choro ou de riso, vômitos, dispepsias, convulsões - sem que haja lesões orgânicas que as justifiquem. O termo deriva do grego hystera, "útero", e reflete a antiga idéia de que a histeria era um distúrbio feminino, resultante de disfunções uterinas.
Fenômeno psicopatológico clássico, a histeria é conhecida desde a antiguidade e no século XIX foi intensamente estudada, entre outros, por Jean-Martin Charcot e Sigmund Freud, para quem há sempre na base do fenômeno histérico um processo de recalque.
Homossexualismo: comportamento que se caracteriza pelo interesse sexual exclusivo ou dominante por pessoa de mesmo sexo. Recebe essa denominação em contraposição a heterossexualismo, ou interesse sexual por pessoa de sexo oposto. Nas últimas décadas do século XX, tornou-se popular o termo gay para designar homens e mulheres homossexuais. O homossexualismo feminino costuma denominar-se lesbianismo, palavra derivada de Lesbos, ilha grega onde a poetisa Safo liderava um grupo de mulheres.

Id: termo que designa, em psicanálise, a área dos impulsos instintivos da personalidade, reservatório inicial da energia psíquica. Criado por Freud, constitui uma das três instâncias do aparelho psíquico, diferenciada do ego e do superego.
Identificação: processo pelo qual o indivíduo se liga a outra pessoa, ou a um grupo de pessoas ou a objetos. O indivíduo se assemelha a alguém, no pensamento ou no comportamento, através da integração de uma imagem exterior em seu próprio eu. Os membros de uma família têm, em geral. identificação forte e durável entre si, enquanto o espectador (ou a espectadora) pode também identificar-se com o herói (ou a heroína) de um filme ao qual está assistindo. Um menino aceita e adota padrões recebidos do pai, enquanto a menina se identifica mais com sua mãe.
Infância: período etário compreendido entre o nascimento e a puberdade. Cobre, portanto, todo o desenvolvimento da personalidade. A grande variação de conduta ao longo da infância motivou a distinção em fases. Classicamente, distinguem-se a primeira infância, que compreende os dois primeiros anos de vida; a segunda infância, do terceiro ao sexto ano; e a terceira, do sétimo ano ao início da puberdade.
Ilusão: aparência falsa, tomada como percepção exata. A ilusão também pode ser definida com um engano dos sentidos ou da mente, como uma interpretação errônea de um fato ou acontecimento, ou ainda como um engano que faz tomar uma coisa: por outra, a aparência pela realidade, o falso pelo verdadeiro. As ilusões dos sentidos constituem fenômeno bastante comum. Quanto mais apurado é um sentido, mais sujeito está ao erro.
Imaginação: processo mental consciente em que se evocam idéias ou imagens de objetos, êxitos, relações, atributos ou sentimentos nunca antes experimentados nem percebidos.
A imaginação, a percepção e a memória são processos mentais similares. Alguns psicólogos distinguem entre imaginação passiva (ou reprodutiva), quando a mente recupera imagens antes percebidas pelos sentidos, e imaginação ativa (construtiva ou criativa), em que a mente produz imagens de sucesso.
Impulso: estímulo que possui força para levar o indivíduo a fazer determinada ação. Qualquer estímulo pode vir a ser um impulso, desde que tenha uma intensidade que provoque a ação. O impulso leva o indivíduo a ter determinado comportamento ou a reagir de determinada maneira, até que o estímulo venha a ser reduzido ou eliminado, graças à ação provocada.
Inconsciente: termo que designa, em psicanálise, o conjunto dos processos e fatos psíquicos que atuam sobre a conduta de um indivíduo, mas escapam ao âmbito da consciência.
Inibição: suspensão total ou parcial de um processo ou de um comportamento, especialmente de impulsos ou desejos, a inibição atende a certas necessidades sociais, ao evitar a execução de certos impulsos, como o desejo de agredir alguém; ou quando permite adiar a sensação gratificante que decorre de uma atividade prazerosa. A inibição consciente ocorre constantemente na vida diária, toda vez que a pessoa enfrenta dois desejos conflitantes.
Instinto: resposta involuntária de um animal a um estímulo externo. Essa resposta pouco ou nada varia de um indivíduo para outro em uma mesma espécie, e tem como conseqüência um padrão de comportamento previsível e relativamente fixo. O comportamento instintivo é um mecanismo adaptativo, que tem a função de promover a sobrevivência de um animal ou de uma espécie. Esse comportamento é mais evidente em certas atividades, como a luta ou a interação sexual, mas pode mostrar-se em outras.
Inteligência: conjunto de aptidões em função das quais os indivíduos aprendem mais rapidamente novas informações e se revelam mais eficientes no manejo e aproveitamento adequado de conhecimentos já armazenados por meio de aprendizados anteriores. Essa definição, bastante genérica, é a adotada pela psicologia, embora algumas correntes de pensamento prefiram conceituar a inteligência de forma diferente. Este é o caso, por exemplo, do psicólogo suíço Jean Piaget, para quem a inteligência é uma qualidade que se expressa pela maneira como o indivíduo se adapta ao meio, implicando tal adaptação processos de assimilação e acomodação. Já o psicólogo inglês Charles Edward Spearman definiu a inteligência, no começo do século XX, como a capacidade de fazer deduções a partir de relações e correlações. O psicólogo americano David Wechsler, a quem se devem duas das escalas de inteligência mais comumente usadas, definiu inteligência como a capacidade global do indivíduo para atuar de acordo com as finalidades previstas, para pensar racionalmente e atuar de maneira eficaz em relação a seu ambiente.
Inteligência artificial: capacidade ou aptidão dos computadores para desempenhar tarefas comumente associadas a processos intelectuais, como solução de problemas, generalizações e aprendizado a partir de experiências passadas. O termo é também empregado para designar o ramo da informática que trata da programação de computadores para o desempenho de tais funções.
Ioga: sistema místico-filosófico da Índia antiga, a ioga tem como objetivo, mediante exercícios corporais, o domínio absoluto do espírito sobre a matéria e a união com a divindade. A palavra ioga, oriunda do sânscrito, significa "união". Seus registros mais antigos encontram-se em textos védicos para referir-se a indivíduos que entravam em êxtase e seriam os precursores dos modernos iogues (praticantes da ioga). Como filosofia existencial ou simples técnica de relaxamento e concentração, a ioga, nascida na Índia, propagou-se pelo mundo inteiro.

Jogos infantis: são todas as diversões e passatempos de crianças. Podem envolver atividades espontâneas, não organizadas, baseadas principalmente na imaginação, ou jogos com regras estabelecidas. Muitos deles se inspiram na vida cotidiana e reproduzem situações próprias da cultura em que tiveram origem. Alguns jogos infantis são muito antigos, como o balanço, de que há registros na ilha de Creta em 1600 a.C., e o jogo das cinco pedrinhas, praticado na Grécia antiga. A cabra-cega e o pique (esconde-esconde) existem há dois mil anos. Jogos de mesa, como o ludo e o gamão, populares no século XIX, se conservaram no gosto infantil ou renasceram depois de um período de esquecimento.

Libido: forma de energia vital que é a origem das manifestações do instinto sexual e, em sentido mais amplo, de toda conduta ativa e criativa do ser humano. Termo divulgado por Freud.
Livre-arbítrio: poder de agir de determinada forma, ou deixar de agir, sem nenhuma razão para tal escolha a não ser a própria vontade própria. Presume portanto a escolha dirigida pela vontade: o indivíduo age de certa maneira porque assim quer e sente-se responsável pelo ato praticado. A expressão liberum arbitrium foi muito usada pelos teólogos cristãos. Para alguns doutores da igreja, como santo Agostinho, distingue-se do conceito de libertas (liberdade), que é o estado de bem-aventurança eterna, no qual não é possível pecar. Por ser a capacidade de escolher entre o bem e o mal, o livre-arbítrio é "a faculdade da razão e da vontade, por meio da qual escolhe-se o bem, mediante o auxílio da graça, e o mal, pela ausência dela".
Loucura: toda alteração grave e duradoura da personalidade que leva a um comportamento dissociado da realidade ambiente, capaz de contrariar os padrões culturais do meio em que o indivíduo se insere. O termo loucura não define, em sentido estrito, um conceito psiquiátrico. Trata-se, antes, de expressão usada tradicionalmente para referir-se a qualquer conduta em que se denote, reiteradamente, a "perda da razão", a falta de sentido diante das normas adotadas em determinado contexto.
Ludopatia: distúrbio do comportamento que consiste na necessidade compulsiva de participar em jogos de azar. Afeta a uma porcentagem significativa da população, em sua maioria homens (90% desde a adolescência).

Magia: conjunto de representações ou atividades rituais supostamente capazes de influenciar os atos humanos ou o curso dos acontecimentos, por ação de forças místicas transcendentais. O animismo, ou seja, a convicção de que não existem diferenças essenciais entre seres animados e inanimados, costuma estar na base do pensamento mágico. As práticas mágicas incluem, assim, o uso de objetos especiais e a recitação de fórmulas mágicas. A natureza da magia, bem como sua função social e psicológica, é freqüentemente mal compreendida em virtude das múltiplas formas que ela assume e de sua relação com outros comportamentos religiosos. As incertezas decorrem em grande parte das idéias sobre evolução cultural e histórica do século XIX, que distinguem a magia de outros fenômenos religiosos e identificam-na com sociedades arcaicas e primitivas, ou como simples superstição sem significado cultural.
Mania: distúrbio mental com grande agitação e excitação física. Caracteriza-se por exaltação eufórica do humor (hipertimia), excitação psíquica com híperatividade, insônia etc. Às vezes evidencia-se por agitação motora mais ou menos acentuada (dança, gesticulação, mímica). A mania constitui uma síndrome perfeitamente definida, que pode apresentar vários graus de intensidade, desde os ligeiros estados de hipomania até ao furor maníaco. Na linguagem vulgar, este termo designa de forma imprecisa certas idéias supervalorizadas, idéias fixas e delirantes, ou ainda obsessões e fobias.
Manicômio: centro destinado ao tratamento das enfermidades mentais. Também conhecido como hospital psiquiátrico. Surgiram na época do Iluminismo (Século das Luzes) com duplo objetivo de controlar o desvio social e de exercer medidas de cura, educação e reabilitação dos enfermos.
Masoquismo: distúrbio psicossexual pelo qual o indivíduo obtém satisfação erótica quando lhe é infligida alguma dor. O termo é freqüentemente utilizado de forma menos rígida no contexto social, caso em que masoquismo se entende como comportamento de uma pessoa que busca situações humilhantes ou abusivas.
Maturidade: no sentido biológico, é o período situado entre a adolescência e a senilidade do ser humano. Do ponto de vista psicológico, porém, é preciso fazer distinção entre maturidade e personalidade madura, pois nem sempre a pessoa em idade adulta atingiu a maturidade. A não coincidência entre os conceitos biológico e psicológico de maturidade decorre do ritmo do desenvolvimento individual, cuja velocidade é variável e depende do potencial genético e do meio.
Mecanismos de defesa: atitudes tomadas pelo ego para evitar a realização de impulsos internos ou para proteger-se de estímulos externos que percebe como ameaça. A psicanálise e as escolas dinâmicas de psicologia estudam a estrutura psíquica como um sistema de forças equilibradas, em parte, pelos mecanismos de defesa.
As defesas dividem-se em: defesas "exitosas", que conseguem parar o impulso ou o efeito que se repele, e defesas "ineficazes", que obrigam uma repetição ou perpetuação do processo. As defesas exitosas recebem o nome genérico de sublimação. Ela adquire diversas formas, sob as quais o objetivo do impulso se modifica sem produzir um bloqueio da descarga impulsiva. Já nas defesas denominadas ineficazes ou patológicas, a libido do impulso originário só pode ser mantida mediante uma carga oposta. Entre tais mecanismos de defesa, destaca-se a negação, a projeção, a introspecção, a repressão, o isolamento e a regressão.
Megalomania: distúrbio mental em que um indivíduo valoriza excessivamente as próprias capacidades. Devido a um transtorno de personalidade, o megalômano acredita ter força física, intelectual, social ou sexual superior à dos outros.
A megalomania pode variar desde a simples supervalorização de um indivíduo em relação a si mesmo, até a mania de grandeza, uma condição mais grave em que o paciente sofre alucinações. Para o megalômano, o mundo exterior é povoado por inimigos que planejam sua destruição. Como conseqüência, o paciente passa a crer na existência de uma forte razão para as pessoas se preocuparem com ele. Quem sofre de mania de grandeza chega a adotar características externas de personagens históricos - pensa ser Napoleão ou Júlio César -, a se comportar como dono do mundo, a julgar-se Deus e a agir de acordo com estas convicções.
A megalomania está relacionada com a paranóia, com a mania (distúrbio mental oposto à depressão) e com a demência senil.
Memória: capacidade da mente humana de fixar, reter, evocar e reconhecer impressões ou fatos passados. A função de lembrar e sua oposta, esquecer, são normalmente adaptativas. O aprendizado, o pensamento e o raciocínio não seriam possíveis sem a memória, mas a capacidade de esquecer também tem muitas funções. Serve como referência de tempo (pois as lembranças tendem a se tornar mais difusas com o passar do tempo), como instrumento de adaptação a novos aprendizados (pela supressão de antigos padrões) e ainda como forma de aliviar a ansiedade decorrente de experiências dolorosas.
Minoria étnica ou grupo étnico: conjunto de pessoas que se sentem diferentes do resto da sociedade, e assim são consideradas por ela, pelo fato de pertencerem a certa raça ou nacionalidade minoritária. Traços característicos das minorias étnicas são geralmente a língua, a religião e os costumes.
Mito: narrativa tradicional de conteúdo religioso, que procura explicar os principais acontecimentos da vida por meio do sobrenatural. O conjunto de narrativas desse tipo e o estudo das concepções mitológicas encaradas como um dos elementos integrantes da vida social são denominados mitologia.
Motivação: conjunto de fatores que impulsionam o comportamento do ser humano ou de outros animais para a realização de um objetivo. Manifesta-se como resposta a estímulos internos e externos. Os motivos podem ser classificados em primários, ou básicos, que não são aprendidos e são comuns tanto aos animais quanto aos homens (fome, sede, impulso sexual etc.); e secundários, ou aprendidos, que diferem de animal para animal e de pessoa para pessoa (desejo de realização, de poder etc.).
Mudança de comportamento: conjunto de métodos psicológicos para o tratamento de distúrbios de adaptação e modificação dos estilos de comportamento observáveis.
Dois tipos de investigação ajudaram a determinar o campo de modificações de comportamento: a generalização dos princípios do condicionamento de Pavlov aos problemas clínicos (como a enurese noturna e o alcoolismo) e a aplicação do condicionamento instrumental de Skinner à educação e tratamento das crianças deficientes e doentes psiquiátricos.
No início da década de 1960, a mudança de comportamento passou a ser uma especialidade aplicada da psicologia em seus dois ramos: terapia do comportamento e análise aplicada.
As técnicas mais utilizadas em mudança de comportamento adquiriram nomes específicos: dessensibilização sistemática, terapia aversiva e bio-feedback ("realimentação"). A dessensibilização sistemática trata dos distúrbios com origem conhecida, como as fobias. A terapia aversiva é empregada para eliminar hábitos perniciosos. Por último, o bio-feedback é usado no tratamento de alterações comportamentais que têm uma base física.
A terapia do comportamento interessa-se, exclusivamente, pelas alterações comportamentais propriamente ditas, sem procurar conhecer suas causas. Por esta razão, no campo da psicologia, são muitos os que a repelem.

Narcisismo: termo originário de Narciso, personagem pelo qual todos se apaixonavam devido a sua grande beleza. Narcisimo significa o amor excessivo que um indivíduo sente por si mesmo.
Em sua Introdução ao narcisismo (1914), Sigmund Freud definiu este estado como “o estancamento de toda a energia da libido no eu” e destacou dois tipos de narcisismo: o primário e o secundário. O narcisismo primário, ou primitivo, é aquele que corresponde ao estado de ”onipotência infantil”, quando a criança ainda não diferencia seu ser dos objetos do mundo exterior, tornando-se, assim, seu próprio objeto de desejo. Seguindo esta linha de pensamento, as crianças narcisistas seriam as que se revoltam ante a escolha de objetos externos, tirando proveito desta situação, sentindo pena de si mesmas e exigindo mais atenção. O narcisismo secundário é um estado patológico, posterior e permanente, que pode ocorrer entre vários tipos de pessoas. Os adolescentes e artistas são especialmente vulneráveis a este tipo de desvio comportamental.
Freud introduziu o termo "neurosis narcisista" como o conjunto de patologias em que a libido é retirada dos objetos do mundo exterior e é dirigida completamente ao eu. Incluiu, neste conjunto, a paranóia, a esquizofrenia, os estados maníacos e a melancolia.
Neurastenia: neurose caracterizada por tonteiras, astenia, fadiga, irritabilidade, insônia, dor de cabeça e diminuição geral da vitalidade.
Neurolingüística: estudo dos mecanismos neurológicos envolvidos no armazenamento e processamento da linguagem. Embora seja certo que o centro da linguagem, em pessoas destras, encontra-se no hemisfério esquerdo do cérebro, ainda se discute se aspectos individuais da linguagem estão associados a diferentes áreas especializadas do cérebro.
Na busca pela excelência na atuação num mercado cada vez mais competitivo, as empresas utilizam técnicas baseadas em conhecimentos científicos ainda embrionários a fim de selecionar pessoal para admissão ou promoção. Algumas técnicas aplicadas nas últimas décadas do século XX se baseavam na neurolingüística para avaliar a forma como o candidato processa as informações no cérebro e as transmite por meio da linguagem.
Neurose: distúrbio funcional do sistema nervoso que se caracteriza por ansiedade, depressão e outros sentimentos de infelicidade demasiado profundos em relação aos fatores que os desencadeiam. Pode comprometer certas áreas da vida afetiva e das atividades do indivíduo, mas em geral não é grave a ponto de incapacitá-lo para a vida profissional, familiar etc. O neurótico, a diferença do que ocorre com o psicótico, não perde contato com a realidade. O que ocorre na neurose é uma elaboração psíquica anormal dos estímulos emocionais, do que resulta, habitualmente, uma reação desproporcionada. A angústia que uma situação inquietante ou de perigo provoca no indivíduo é uma reação psicofísica normal. Se tal situação ameaçadora não tiver apoio na realidade, no entanto, é provável que se esteja diante de um quadro de neurose.
Ninfomania: Apetite sexual desmedido na mulher ou na fêmea de certas espécies animais.

Obsessão: termo que designa, em psicanálise, o pensamento ou sentimento que domina a mente de forma constante e angustiante, até assumir um caráter mórbido.
Oligofrenia: qualquer estado caracterizado por níveis intelectuais abaixo do considerado normal e por um reduzido comportamento adaptativo, que se evidenciam na fase de desenvolvimento do indivíduo.
Opinião pública: conjunto de atitudes e modos de ver ou pensar partilhados por uma parcela representativa da comunidade. Embora a expressão só tenha aparecido no século XVIII, em todas as épocas observam-se fenômenos de interação social que correspondem ao que hoje se entende por opinião pública. Alguns historiadores e estudiosos de política atribuem à opinião pública influência decisiva nos programas e medidas dos governos. Outros consideram-na equivalente à vontade da nação. Muitos sociólogos, porém, classificam-na apenas como um produto da interação e comunicação social.
Orientação vocacional: processo por meio do qual o indivíduo é levado a descobrir suas aptidões profissionais, orientado pelo resultado de testes e entrevistas com psicólogos especialmente treinados. Voltada para a escolha, mas não para a formação, a orientação vocacional procura determinar também as características de personalidade e as limitações do indivíduo, além de informá-lo sobre as profissões existentes, os estudos necessários para exercê-las e as condições do mercado de trabalho.

Paranóia: doença mental que se caracteriza por um estado de delírio permanente, internamente bem estruturado, cuja aparente coerência externa resiste à argumentação lógica. Idéias delirantes são concepções falsas que o indivíduo toma repetidamente como verdadeiras e lentamente se transformam num sistema complexo, intrincado e logicamente elaborado, sem alucinações e sem desorganização da personalidade.
Parapsicologia: disciplina que se propõe estudar fenômenos alheios à normalidade conhecida, ou paranormais. Como seu objeto não pode ser submetido aos métodos científicos, a parapsicologia é ou tende a se constituir como um ramo da psicologia. Sua primeira tarefa consiste em demonstrar a existência de seu objeto e em delimitá-lo rigorosamente. Faz a crítica dos falsos fenômenos e comprova a autenticidade de outros que, apesar de apresentarem características perturbadoras, excepcionais ou aberrantes, são explicáveis por uma função psicológica conhecida. Esses fenômenos são, assim, incorporados ao âmbito da psicologia geral, como há muito sucedeu com a hipnose. Outros fenômenos há que se consideram suscetíveis de vir a ser integrados na psicologia clássica, enquanto relacionados com uma função psicológica nova ou ainda não conhecida. Num segundo momento, cabe à parapsicologia destacar as funções psíquicas ligadas a esses fenômenos e estudá-las experimentalmente, com o objetivo de integrá-las ao sistema da psicologia científica. Tende, assim, a unir-se à psicologia numa síntese que seria a futura psicologia completa.
Pensamento: conjunto de atividades que se incluem no estudo dos processos cognitivos superiores da formação de conceitos, do raciocínio e da solução de problemas. O pensamento se caracteriza por exigir períodos mais ou menos longos de latência, durante os quais as atividades internas são suspensas ou interrompidas. A latência ocorre quando o indivíduo se defronta com situações novas, mais ou menos complexas, para as quais não encontra esquemas de resposta já montados ou estruturados por aprendizagem prévia.
A manifestação máxima do pensamento é o raciocínio, pelo qual se chega a novas verdades a partir de outras anteriormente conhecidas. O raciocínio se desenvolve de duas formas: a indução, que parte dos dados particulares para alcançar uma lei geral; e a dedução, que de verdades gerais destaca afirmações particulares. A natureza das premissas no procedimento dedutivo, assim como os fatores emocionais, influem na aparição de erros lógicos nos raciocínios. A forma mais perfeita do raciocínio é o pensamento criativo, caracterizado por desenvolver-se em várias fases: preparação ou organização dos dados existentes; determinação da dificuldade do problema e elaboração de pensamentos sobre o assunto; aparição espontânea de pensamentos relacionados com o problema; e iluminação ou organização de uma idéia central ou esquema que proporciona a solução do problema.
Percepção: termo utilizado em psicologia para designar o processo pelo qual se conhecem situações e objetos próximos no tempo e no espaço. Objetos distantes no tempo não podem ser percebidos, mas apenas evocados, imaginados ou pensados. Também não podem ser percebidos objetos distantes no espaço, quando ultrapassados os limites operacionais dos órgãos receptores ou quando obstruídos por obstáculos.
Diferentemente dos demais animais superiores, que captam e retêm as imagens da realidade a partir de sensações, o homem tem também a faculdade da percepção, ou seja, é capaz de interpretar esses dados sensoriais e integrá-los à consciência.
Personalidade: termo utilizado para designar a organização dinâmica do conjunto de sistemas psicofísicos que determinam os ajustamentos do indivíduo ao meio em que vive. Tem, pois, várias características: (1) é única, própria a um só indivíduo, ainda que este tenha traços comuns a outros indivíduos; (2) é uma integração das diversas funções, e mesmo que esta integração ainda não esteja concretizada, existe uma tendência à integração que confere à personalidade o caráter de centro organizador; (3) é temporal, pois é sempre a de um indivíduo que vive historicamente; (4) não é estímulo nem resposta, mas uma variável intermediária que se afirma, portanto, como um estilo pela conduta.
Personalidade múltipla: organização anormal do psiquismo que se manifesta pela ocorrência de dois ou mais sistemas independentes e distintos de personalidade numa mesma pessoa, em momentos alternados ou em sucessão. Resulta de um processo de dissociação da consciência, do pensamento, dos sentimentos e de outros componentes da organização psíquica. Em geral, predomina uma personalidade primária que controla a vida consciente. Sob o domínio da personalidade primária, o indivíduo não recorda os acontecimentos vividos enquanto estava dominado por uma das personalidades secundárias, mas quando aflora uma personalidade secundária, ele é capaz de ter presente a personalidade primária ou predominante e criticá-la como se comentasse os atos de outra pessoa. As várias personalidades apresentam comportamentos e mesmo características físicas diferentes, como gestos, caligrafia, registro eletroencefalográfico e resposta a testes projetivos.
Pesquisa social: investigação que utiliza métodos lógicos e experimentais para identificar os termos inerentes a um determinado problema ou situação social. Seus objetivos fundamentais são definir os fenômenos observados e estabelecer os princípios gerais que os regem.
Teste de personalidade: teste psicológico que visa revelar as características pessoais do indivíduo, como sociabilidade, autodomínio, tolerância, criatividade e capacidade de liderança.
Pessoas e identidade pessoal: as palavras pessoa e humano são usadas em permuta: as pessoas são humanas e os humanos são pessoas. Entretanto, em certos contextos, o uso desses termos pode ser separado. Assim, os anjos são tradicionalmente considerados pessoas (sobre-humanas). O Pato Donald, mesmo não sendo tem uma personalidade - o que pode classificá-lo como humano. A controvérsia gerada por algumas fantasias sobre computadores serem, um dia, considerados pessoas parece impossível. Mas, se essas fantasias os imaginassem já humanos, a controvérsia não faria sentido. A palavra humano, abreviação da expressão ser humano, parece ser mais identificada com a espécie Homo sapiens do que com pessoa. Essa última tem características psicológicas, embora também sugira aspectos biológicos.
Nos contextos morais, a palavra pessoa é, freqüentemente, usada para sustentar um status moral especial. Sendo assim, os debates sobre a permissividade do aborto enfatizam a questão de um feto ser ou não uma pessoa. E é mais provável que uma pessoa reclame que não está sendo tratada como pessoa do que como ser humano. Talvez seja possível explicar o peso moral associado à palavra pessoa através do pensamento que faz com que a participação em uma dada espécie biológica seja menos importante que a posse de certas características psicológicas (por exemplo, a racionalidade, ou capacidade de escolha por si). Ainda assim, o fato de geralmente considerarmos as pessoas anormais, ou não totalmente desenvolvidas, merecedoras de ao menos algumas formas de tratamento especial, sugere que o peso do significado moral é grande.
Piromania: distúrbio mental que se caracteriza pela provocação de incêndios repetida e deliberadamente, movido por impulsos irrefreáveis. Do ponto de vista legal, o piromaníaco é considerado um delinqüente.
Projeção: mecanismo de defesa que consiste em projetar seus próprios impulsos, seus conflitos internos, ou seja, em considerá-los como provenientes de outrem e, mais generalizadamente, do mundo externo.
Prostituição: atividade que consiste em oferecer satisfação sexual em troca de remuneração, de maneira habitual e promíscua. A definição de prostituição baseia-se em valores culturais que diferem em várias sociedades e circunstâncias, mas geralmente se refere ao comércio sexual de mulheres para satisfação de clientes masculinos. Também há formas masculinas de prostituição homossexual e, em menor proporção, entre homens que alugam seus serviços para mulheres. Em sociedades muito permissivas, a prática da prostituição se torna desnecessária; em culturas demasiado rígidas, é perseguida e punida como delito.
Psicanálise: ciência dos processos mentais inconscientes. Constitui ao mesmo tempo um método para a investigação dos processos mentais, de outro modo inacessíveis; uma terapêutica, a psicoterapia, para tratamento das desordens neuróticas; e um arcabouço de concepções psicológicas estruturado a partir das duas práticas anteriormente citadas para constituir uma disciplina científica. A psicanálise pode ser entendida como uma técnica de interpretação. A doutrina psicanalítica foi criada no final do século XIX pelo médico austríaco Sigmund Freud, cuja preocupação inicial foi a de descobrir como minorar o sofrimento causado pelos distúrbios emocionais.
Psicastenia: perturbação psicológica caracterizada por hesitações e dúvidas, temores patológicos, ansiedade, sentimentos de auto-acusação e dificuldade de adaptação à realidade.
Psicobiologia: escola de psiquiatria baseada no conceito do homem como uma unidade biológica psicologicamente integrada. Enfatiza que as doenças mentais são o resultado de expectativas não realistas e maus hábitos, complicadas por fatores orgânicos e hereditários. Fundada pelo psiquiatra suíço Adolf Meyer. Também chamada biopsicologia.
Psicocinese: termo que designa, em parapsicologia, a coincidência entre o desejo e o pensamento de um indivíduo e um acontecimento objetivo, inexplicável pelo acaso ou por uma ação mecânica.
Psicocirurgia: método terapêutico das perturbações mentais que consiste em intervir cirurgicamente sobre o cérebro para modificar sua atividade. A primeira técnica deste tipo foi desenvolvida pelo neurologista português Antônio Egas Moniz e a primeira operação foi realizada por seu compatriota Almeida Lima, em 1935.
Psicodislépticos: categoria de medicamentos que apresentam efeitos perturbadores, utilizados no tratamento dos distúrbios psicofisiológicos. Incluem-se entre eles o LSD, a mescalina e outras substâncias alucinógenas. Também chamados psicodélicos.
Psicodrama: técnica de psicoterapia em grupo na qual os pacientes dramatizam voluntariamente seus problemas pessoais diante de um conjunto de pacientes e terapeutas, alguns dos quais podem participar da dramatização. O terapeuta principal atua como diretor, estimula os participantes a projetarem sua vivência na representação dos personagens e orienta os terapeutas auxiliares a atuarem de maneira a facilitar a interpretação dos conflitos subjacentes. Por mobilizar um grande número de terapeutas, essa técnica somente é indicada em casos de difícil tratamento pelas técnicas psicanalíticas clássicas.
O método psicodramático é aplicável tanto às doenças psiquiátricas graves quanto a corriqueiros problemas psicológicos mais banais. Embora fictícias, as situações simuladas no psicodrama podem produzir emoções reais e novas percepções sobre os conflitos, além de ajudar a estabelecer comportamentos mais eficazes
Psicofarmacologia: área da psicofisiologia que tem finalidade terapêutica pela aplicação de drogas capazes de influir sobre o cérebro.
Psicofísica: ciência que procura estabelecer relações quantitativas exatas entre os dados do mundo físico e os fenômenos psíquicos, em especial entre um estímulo físico e a sensação que ele produz. Seu método consiste em determinar a intensidade das sensações por meio da avaliação rigorosa dos estímulos. Dentro da evolução da psicofísica podem-se definir dois períodos: o clássico, dominado pelo médico alemão Gustav Theodor Fechner, que cunhou a expressão psicofísica, e o atual, em que surgiram teorias que visam a precisar os métodos utilizados na fase anterior e a ampliar os objetivos dessa ciência.
Psicofisiologia: ciência que estuda os fundamentos anatômicos e fisiológicos do comportamento. Tem por objeto estabelecer a correlação entre os fenômenos sensoriais de origem fisiológica e os fenômenos psicológicos correspondentes.
Psicoléptico: categoria de drogas que diminuem a atividade mental, utilizadas no tratamento de distúrbios psicofisiológicos.
Psicolingüística ou psicologia da linguagem: ciência que se propõe estudar as relações entre a estruturação lingüística e a atividade cognitiva. Pretende que as mensagens emitidas pelos seres humanos sejam estudadas como índices do comportamento, em suas características universais e particulares. Ocupa-se, também, do estudo dos processos de aquisição da linguagem e dos distúrbios da linguagem.
Psicologia: ciência dos fenômenos psíquicos e do comportamento. Entende-se por comportamento uma estrutura vivencial interna que se manifesta na conduta. O termo psicologia origina-se da junção de duas palavras gregas: psiché, "alma", e lógos, "tratado", "ciência".
Psicologia analítica: doutrina psicanalítica que se distingue da freudiana basicamente por valorizar, além do fator sexológico individual, as influências exteriores recebidas pelo homem, ao longo de séculos de experiência cultural coletiva. Criada pelo psiquiatra suíço Carl Jung.
Psicologia cognitiva: teoria psicológica que se empenha em oferecer uma visão unitária dos processos mentais. Recolheu elementos da psicologia gestáltica, da neurociência, da biologia e da cibernética.
Psicologia da educação: aplicação do método científico no estudo do comportamento dos indivíduos e grupos sociais nos ambientes educativos. Suas áreas de interesse estão relacionadas a outras da psicologia, incluindo psicologia do desenvolvimento, psicologia social, avaliação psicológica e orientação educativa.
Psicologia da Gestalt/da forma: escola psicológica que defende o estudo de fatos e comportamentos como totalidades organizadas, e não como elementos isolados. Formulada na Alemanha na primeira metade do século XX.
Psicologia das personalidades: teoria psicológica segundo a qual a personalidade é resultado de fatores dinâmicos de conduta, motivações e complexos centrais. Estabelecida por Henry Alexander Murray, opõe-se à teoria da caracterologia. Também denominada personologia.
Psicologia diferencial: ramo da psicologia que estuda as características psíquicas próprias de um indivíduo, ou de um grupo de indivíduos, em relação com as dos outros.
Psicologia do desenvolvimento: estudo das mudanças e da continuidade do comportamento desde a infância até a idade adulta. Interessa-se, em especial, pela psicologia infantil e pelo desvio da personalidade. O desenvolvimento humano e o comportamento ao longo da vida são resultado da interação entre fatores biologicamente determinados e influências ambientais (família, escola, religião e cultura).
Psicologia experimental: aplicação de técnicas de laboratório para estudar o comportamento e fenômenos psíquicos como a percepção, memória, pensamento e aprendizagem. O fisiólogo Wilhelm Wundt fundou o primeiro laboratório psicológico, para descobrir as sensações que provocavam nos indivíduos uma série de estímulos sistematicamente controlados. Wundt dominou neste campo até princípios do século XX, quando os métodos introspectivos em psicologia foram depreciados.
Psicologia humanista: prática psicológica que visa a permitir o estabelecimento das aptidões num ambiente de equilíbrio e de integração pessoal e favorecer o encontro com o outro. Formulada pelo americano Carl Rogers.
Psicologia industrial: aplicação de diversas técnicas psicológicas para a seleção e adestramento dos trabalhadores de uma organização empresarial, visando a promoção de técnicas de trabalho eficientes e satisfação profissional. A seleção de trabalhadores para uma determinada ocupação consiste em detectar as atitudes e traços da personalidade mais indicados para um posto e, partindo daí, eleger os candidatos que melhor se ajustem a este perfil. Determinar a jornada de trabalho que gere uma produtividade maior e melhorar a comunicação entre a direção e os trabalhadores são também funções dos psicólogos industriais.
Psicologia infantil: estuda o comportamento infantil que inclui características físicas, cognitivas, motoras, lingüísticas, perceptivas, sociais e emocionais, desde o nascimento até a adolescência. As duas questões básicas para os psicólogos infantis são: determinar como as variáveis ambientais (o comportamento dos pais, por exemplo) e as características biológicas (as predisposições genéticas) interagem no comportamento e estudar como essas mudanças se relacionam e influem mutuamente.
Psicologia social: ramo da psicologia que estuda a influência do ambiente social no comportamento dos indivíduos. Os psicólogos sociais se interessam pelo pensamento, emoções, desejos e juízos dos indivíduos, assim como pelo seu comportamento externo. As investigações comprovaram que o ser humano sofre influência dos estímulos sociais que o rodeiam e o condicionam, em maior ou menor grau de acordo com o contato social que mantém.
Psicometria: área da psicologia que trata do desenvolvimento e da aplicação de técnicas de mensuração aos fenômenos psíquicos. As medições se fazem mediante a atribuição de valores numéricos aos comportamentos, de maneira que as diferenças de comportamento sejam representadas por variações nesses valores numéricos.
Psiconeuroimunologia: especialidade médica encarregada de investigar as interações entre o sistema nervoso central e o sistema imunológico. Surgida no início da década de 1980.
Psicopatia: designação genérica de doença mental ou estado patológico da personalidade que impede o sujeito de se adaptar à vida social.
Psicopatologia: ciência que descreve as alterações da conduta provocadas por perturbações de índoles e níveis diversos. Visa à formulação de leis gerais mas não à aplicação de tratamento, procedimento que compete à psiquiatria e à psicoterapia, a partir dos dados fornecidos pela psicopatologia.
Psicose: designa genericamente os processos mórbidos de desintegração da personalidade, com grave desajustamento do indivíduo ao meio social. Corresponde, até certo ponto, ao conceito popular de loucura. O juízo - operação pela qual se afirma ou se nega a relação entre duas idéias, ou se aplicam os conceitos de falso e verdadeiro - é a função mental tipicamente alterada em todas as psicoses. Nos psicóticos, essa função está tão alterada que suas elaborações se tornam evidentemente absurdas, grosseiramente divergentes não só das experiências e idéias das demais pessoas, mas também daquelas que o paciente apresentava antes de adoecer.
Psicose maníaco-depressiva: psicose caracterizada por instabilidade emocional, oscilações notáveis do humor, com alternância de estados de euforia e depressão.
Psicose senil: estado psicótico caracterizado por confusão mental, perda de memória e, por vezes, pela aparição de sintomas paranóicos. Comum em pessoas idosas, costuma ser associada a fases avançadas de degeneração cerebral, provocada pela falta de irrigação sangüínea.
Psicotécnica: disciplina que estuda e rege a aplicação dos dados da psicofisiologia e da psicologia experimental a problemas humanos como orientação profissional e organização do trabalho.
Psicoterapia: qualquer método de tratamento de distúrbios psicológicos ou emocionais baseado numa relação deliberadamente estabelecida entre terapeuta e paciente, ou grupo de pacientes, com o objetivo de remover sintomas ou estimular o desenvolvimento da personalidade. Os recursos empregados são os mais diversos: hipnose, sugestão, reeducação psicológica, persuasão etc. É no contato humano entre terapeuta e paciente que reside a chave da ação psicoterápica, que não se limita apenas ao tratamento de estados psicopatológicos.
Psicotrópicos: designação genérica das substâncias medicamentosas que agem sobre o psiquismo, como calmante ou estimulante, ou por meio de perturbações nos processos de percepção.
Psique: conjunto dos fenômenos ou dos processos mentais conscientes ou inconscientes de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos.
Psiquiatria: do grego psyché, "mente", "alma", e iatréia, "cura", "tratamento" - é o ramo da medicina clínica que cuida do diagnóstico, prognóstico e tratamento das alterações mórbidas da vida psíquica. Realiza os mesmos objetivos de todos os outros aspectos da atividade clínica: o estudo das doenças para melhor assistir aos doentes. Situa-se, pois, plenamente dentro do campo da medicina, como ciência e arte médicas por excelência, com raízes na fisiologia e na patologia geral e sem fronteiras definidas com as outras áreas especializadas.
Puberdade: período em que a reprodução se torna possível, tanto para o sexo masculino como para o feminino, a partir de grande mudança no equilíbrio hormonal que provoca a maturação dos órgãos sexuais internos e externos. A partir de então, se desencadeiam transformações que afetam o corpo físico, o psiquismo e o comportamento social, e que caracterizam a fase de transição da infância para a vida adulta conhecida como adolescência.

Quociente de inteligência (QI): quantificação da inteligência e da capacidade de compreensão mediante a realização de testes. Os primeiros testes relacionados com este conceito foram os de Binet e Simon em 1905, cujo objetivo era identificar quais crianças necessitariam de uma educação especial devido a seu baixo nível intelectual.

Racismo: convicção de que existe uma relação entre as características físicas hereditárias, como a cor da pele, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais. A base, mal definida, do racismo é o conceito de raça pura aplicada aos homens, sendo praticamente impossível descobrir-lhe um objeto bem delimitado. Não se trata de uma teoria científica, mas de um conjunto de opiniões, além de tudo pouco coerentes, cuja principal função é alcançar a valorização, generalizada e definida, de diferenças biológicas entre os homens, reais ou imaginárias.
Reação: termo que designa basicamente a resposta a um estímulo manifestada por um ato ou uma mudança de comportamento.
Reflexo: resposta imediata, de natureza nervosa, que se registra nos animais superiores ante um estímulo interno ou externo e se exterioriza como movimento ou secreção glandular. A motricidade reflexa é a mais primitiva dos três tipos de motricidade - as outras são a motricidade automática e a voluntária. O ato reflexo, ou motricidade reflexa, é um processo involuntário que ocorre quando um receptor sensorial é estimulado. A base morfológica do reflexo é o arco reflexo, que consta basicamente de um neurônio sensorial que capta o estímulo; de um centro reflexo situado na medula espinhal, onde se recebe a informação transmitida pelo anterior; e um neurônio motor ou eferente, que provoca a resposta ao estímulo.
Reflexos condicionados: são os que exigem aprendizagem prévia para se reproduzirem. Criam-se por repetição de um determinado estímulo e, uma vez adquiridos, verificam-se sempre que ocorra o estímulo desencadeador. Caracterizam-se por sua instabilidade, pois desaparecem transitoriamente ou se perdem com facilidade.
Reforço: processo pelo qual a associação continuada de uma certa resposta é aumentada ante um determinado estímulo para que o indivíduo obtenha um prêmio ou recompensa (reforço positivo). B. F. Skinner definiu este fenômeno como a indução de um modelo de comportamento através da apresentação reiterada de conseqüências positivas ou negativas (prêmios e castigos).
Regressão: mecanismo de defesa que visa escapar da angústia, e pelo qual a personalidade pode perder uma parte do desenvolvimento já obtido. regredindo a um nível inferior de integração, ajuste e expressão.
Relaxamento: redução voluntária ou involuntária do tônus muscular do corpo, com o objetivo de pôr fim a estados de fadiga corporal ou de esgotamento psíquico. Os métodos de relaxamento constituem um valioso instrumento terapêutico no tratamento de neuroses, alterações psicossomáticas e lesões neurológicas.
Religião: conjunto de relações teóricas e práticas estabelecidas entre os homens e uma potência superior, à qual se rende culto, individual ou coletivo, por seu caráter divino e sagrado. Assim, religião constitui um corpo organizado de crenças que ultrapassam a realidade da ordem natural e que tem por objeto o sagrado ou sobrenatural, sobre o qual elabora sentimentos, pensamentos e ações.
Resposta: termo utilizado em psicologia para designar uma reação ante um estímulo determinado.
Rito: em sentido amplo, ato ou conjunto de comportamentos, individuais ou coletivos, que segue certas regras destinadas a serem repetidas segundo um esquema previamente determinado. Embora o termo possa designar todo ato profano com significação social - o cerimonial-, em sentido estrito pertence ao âmbito do sagrado e se refere às diversas formas de rituais com que o homem tentou dominar poderes sobrenaturais ou ocultos para alcançar seus propósitos.
Sadismo: associação do prazer sexual à dor física ou moral infligida a outros. Habitualmente, acontece em parceria com o masoquismo (sadomasoquismo). O termo deriva do nome do Marquês de Sade.

Saúde: capacidade física, emocional, mental e social que o indivíduo tem de interagir com seu ambiente. Pode ser determinada, em certas situações, por meio de alguns valores mensuráveis como temperatura, pulso, pressão sangüínea, altura, peso, acuidade visual e auditiva etc. Como esses critérios biológicos de normalidade baseiam-se em conceitos estatísticos, deve-se considerar a possibilidade de variação, porque uma característica anormal não necessariamente significa doença.
Saúde mental: estado que se caracteriza pelo bem estar psíquico e pela auto-aceitação. Vista sob uma perspectiva clínica, é a ausência de distúrbios mentais. Estima-se que uma alta porcentagem da população sofra de depressões leves ou moderadas, ansiedade ou outro tipo de distúrbio emocional. A esta porcentagem deve-se acrescentar o abuso do álcool, a dependência de drogas, a pobreza, o desemprego e a discriminação aos deficientes físicos e mentais. Esses fatores também causam danos à saúde mental.
Sensação: processo cognoscitivo que se origina da excitação de um receptor sensorial, com o qual a mente elabora o conhecimento das situações do mundo exterior e interior do ser vivo. Ao contrário do que se pensa vulgarmente, o homem não possui apenas cinco sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar. Incluem-se também nesse grupo os sentidos cinestésicos ou do movimento, o vestibular ou do equilíbrio e as diferentes sensações de contato, como a térmica, a dolorosa e a de pressão, que dispõem de órgãos receptores periféricos, nervos condutores e centros específicos.
Sexo: conjunto de caracteres estruturais e funcionais segundo os quais um ser vivo se classifica como macho ou fêmea e desempenha papel específico de uma dessas condições na reprodução da espécie. O sexo do indivíduo depende da combinação de vários fatores geralmente harmônicos, como a determinação cromossômica, a evolução intra-uterina das gônadas e demais órgãos sexuais, a ação dos hormônios e os efeitos do meio ambiente. O sexo não é essencial à reprodução em todos os seres vivos, pois muitos organismos primitivos, como a maioria dos protozoários, podem reproduzir-se sem relações sexuais. Na reprodução assexuada, cada novo organismo é idêntico a seu único genitor, exceto por diferenças provocadas por mutações no material genético. Na reprodução sexuada, cada organismo novo é geneticamente único e resulta da combinação de genes dos dois genitores.
Síndrome: estado mórbido caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas, e que pode ser produzido por mais de uma causa. Exemplos: síndrome de obstrução intestinal, síndrome de insuficiência respiratória.
Sistema nervoso: unidade fisiológica animal, formada por um conjunto de células especializadas denominadas neurônios, que se encarrega das funções de coordenação do organismo e de sua relação com o meio externo e com todos os elementos anatômicos que o integram.
À medida que a vida na Terra evoluiu e que o ambiente se tornou mais complexo, a sobrevivência dos animais passou a depender cada vez mais da forma como eles podiam responder às mudanças do meio ambiente. Uma vez que a comunicação entre as células por meios químicos era muito lenta, surgiu um sistema capaz de fornecer respostas mais rápidas: o sistema nervoso, que transmite impulsos elétricos quase instantaneamente, de uma região do corpo a outra, através de células nervosas especializadas.
Sistemas penitenciários: conjuntos de recursos e normas que regulam a execução das penas privativas de liberdade. O ramo do direito penal que estabelece os fundamentos e a razão de ser da pena e determina a atuação que devem ter aqueles que são incumbidos de aplicá-la é o direito penitenciário, que se fundamenta em uma de duas grandes correntes ideológicas: uma delas considera a pena como expiação e retribuição do crime, por imposição da justiça; a outra vê a pena como instrumento de defesa social e forma de pressão para que o criminoso se emende. As normas práticas do sistema penitenciário de cada país originam-se de posições que se orientam por uma dessas correntes ou pela mistura das duas.
Sociedade: agrupamento de indivíduos entre os quais se estabelecem relações econômicas, políticas e culturais. Numa sociedade existe unidade de língua e cultura e seus membros obedecem a leis, costumes e tradições comuns, unidos por objetivos que interessam ao conjunto, ou às classes que nele predominam. Em sentido estrito, confunde-se com a comunidade política que vive num estado nacional e seus limites são as fronteiras políticas e geográficas do estado. A idéia de sociedade pressupõe um contexto de relações humanas no qual ocorre a interdependência entre todos e cada um de seus componentes, que subsiste tanto pelo caráter unitário das funções que cada membro desempenha como pela interiorização das normas de comportamento e valores culturais dominantes em cada comunidade.
Sociometria: estudo quantitativo das características de uma população que, baseado em métodos matemáticos, procura atribuir dimensões às relações interpessoais observadas dentro de um grupo. Seus processos de análise se fundamentam nas forças de "atração" e "repulsão".
Sociodrama: método de investigação ativa e profunda das relações que se formam entre os grupos e as ideologias coletivas. Enquanto no psicodrama a análise está centralizada no indivíduo e em seus problemas, no sociodrama o verdadeiro protagonista é o grupo. Baseia-se na proposição básica segundo a qual todos os membros de uma comunidade desempenham uma variedade de papéis ou modelos, impostos pela sociedade, que determinam seu comportamento. Dessa forma, o grupo improvisa a encenação de vários papéis que representam as tensões existentes nas relações sociais.
Sonho: experiência alucinatória que ocorre durante certos estados do sono e consiste num encadeamento de imagens. Predominam nos sonhos as impressões visuais, mas eles podem conter componentes auditivos, olfativos etc. Quanto à temática, podem apresentar uma seqüência ordenada de fatos ou episódio fantástico, extravagante e inverossímil, com freqüentes distorções de espaço e tempo.
Afirma-se que na matéria dos sonhos se encontram as fontes do comportamento criativo, tanto na ciência quanto na arte e mesmo na vida prática. São comuns os casos de pessoas que dormem preocupadas com um problema e encontram a solução ao despertar. Esse fato sugere que durante o sonho se produz um tipo de síntese cognitiva não controlável pela consciência, mas cujo resultado chega a ela.
Sono: estado normal, espontâneo e facilmente reversível de decréscimo nas respostas a estímulos externos. Nesse estado, a consciência, a percepção e a fisiologia sofrem profundas alterações. As manifestações mais notórias do sono são a interrupção da atividade motora, dos estímulos sensoriais e dos processos de integração do córtex cerebral. Durante esse estado, as constantes vitais se tornam mais lentas, decrescem o ritmo respiratório, a freqüência cardíaca, o metabolismo e a concentração de oxigênio nos alvéolos pulmonares. O sono é precedido por um período de sonolência, no qual a atenção consciente diminui pouco a pouco e o relaxamento físico aumenta. Por fim, a consciência desaparece, assim como os reflexos.
Sublimação: mecanismo de defesa, segundo a teoria psicanalítica, que permite desviar as energias sexuais ou agressivas para objetivos socialmente superiores como o trabalho, a arte, o estudo, o patriotismo e outros.
Suicídio: ato pelo qual o indivíduo procura voluntariamente a morte. O direito moderno distingue, de acordo com os resultados concretos do ato, entre o suicídio consumado e a tentativa de suicídio, ou suicídio frustrado. Teorias psicológicas baseadas nas doutrinas de Freud atribuem as causas do suicídio a depressões derivadas de estados emocionais de agressividade, medo, culpa, frustração ou vingança. Teorias sociológicas buscam a explicação na influência das pressões sociais e culturais sobre o indivíduo.
Superego: na teoria psicanalítica, uma das três instâncias da mente humana, junto com o id e o ego. Modifica e inibe os impulsos instintivos do ego que tendem a produzir ações e pensamentos anti-sociais.
Superstição: atitude de espírito, crença ou prática mágico-religiosa para as quais não há explicação lógica e que se baseiam na convicção de que certos atos, palavras, números ou objetos trazem males, benefícios, azar ou sorte. As superstições, de modo geral, podem ser classificadas como religiosas, culturais e pessoais.

Tabu: palavra de origem polinésia que significa, ao mesmo tempo, sagrado e interdito. Expressa a proibição de uma ação ou do uso de um objeto, determinada por sua distinção ritualística como ato ou objeto sagrado e intocável ou, ao contrário, impuro e perigoso. Do ponto de vista mágico-religioso, simboliza o caráter maligno do sagrado e se fundamenta no temor reverente a uma força sobrenatural que impõe terríveis castigos ao infrator.
Terapia de grupos: após a segunda guerra mundial, o grande número de soldados que necessitavam de tratamento psicológico incentivou os psiquiatras a experimentarem a terapia de grupo. Até então, embora reconhecessem a influência dos grupos no comportamento das pessoas, os médicos defendiam a importância da privacidade da relação entre médico e paciente. Os novos métodos se revelaram eficazes e, nos anos do pós-guerra, a terapia de grupo se desenvolveu rapidamente e acabou se estendendo ao trabalho de psicologia clínica e de aconselhamento, bem como ao de assistentes sociais.
Teste de Rorschach: teste introduzido pelo psiquiatra alemão Zurich H. Rorschach em 1921. Também denominado "teste das manchas de tinta", consta de uma série de lâminas que o sujeito deve interpretar para conhecer e analisar os diversos aspectos de sua personalidade.
Totemismo: conjunto de idéias e práticas baseadas na crença da existência de um parentesco místico entre seres humanos e objetos naturais, como animais e plantas. O conceito refere-se a uma ampla variedade de relações de ordem ideológica, mística, emocional, genealógica e de veneração entre grupos sociais ou indivíduos específicos e animais ou outros objetos naturais, que constituem o totem.
Toxicomania: estado de intoxicação periódica ou crônica causada pelo consumo de uma ou mais drogas, naturais ou sintéticas, por parte de um indivíduo. A dependência das drogas é hoje a causa direta da degradação física, mental e moral de milhões de pessoas em todo o mundo.
Transexualismo: incompatibilidade entre a identidade sexual de uma pessoa e sua realidade anatômica e, conseqüentemente, social. Acredita-se que a origem do transexualismo esteja num distúrbio de interação dos hormônios liberados pelo hipotálamo, pela hipófise e pelas gônadas (testículos e ovários). Essa perturbação pode começar durante a fase pré-natal ou na infância do indivíduo. Não está comprovada a origem genética do transexualismo.
Transtornos infantis: mostram-se evidentes na infância, puberdade e adolescência. O retardo mental é a incapacidade para aprender com normalidade, ser independente e socialmente responsável como outras pessoas da mesma idade e cultura. A hiperatividade é uma desordem que parte de um déficit na atenção e na concentração devido a uma inquietude constante e patológica. Os distúrbios ansiosos compreendem o medo da separação (da casa dos pais) e o contato com estranhos, gerando um comportamento pusilânime e medroso. Os distúrbios mentais evasivos se caracterizam pela distorção simultânea de várias funções psíquicas, como a atenção, a percepção, a avaliação da realidade e a motricidade. Exemplo deste transtorno é o autismo infantil.
Outros transtornos infantis são a bulimia, a anorexia nervosa, os deficiências da fala e a enurese.
Transtornos orgânicos mentais: caracterizam-se pela anormalidade psíquica e do comportamento associados a deteriorações transitórias ou permanentes no funcionamento do cérebro. O dano cerebral procede de uma enfermidade orgânica ou de consumo de alguma droga lesiva. Apresentam, como característica principal, o delírio. A demência é outro sintoma freqüente dos transtornos orgânicos, como a doença de Alzheimer, e se caracteriza por perdas de memória, percepção, juízo e atenção. A demência senil acontece na terceira idade e produz alterações na expressão emocional.
Transtornos paranóicos: se caracterizam por idéias delirantes. As mais típicas são as de perseguição (o indivíduo se considera vítima de uma conspiração), de grandeza (ele acredita ser de natureza nobre, santa ou divina) e de ciúme desmedido. Em qualquer caso, a personalidade paranóide é defensiva, rígida, desconfiada, egocêntrica, ela se isola e pode ficar violentamente anti-social.

Velhice: último período da evolução natural da vida. Implica um conjunto de situações - biológicas e fisiológicas, mas também psicológicas, sociais, econômicas e políticas - que compõem o cotidiano das pessoas que vivem essa fase.
Vontade: faculdade individual de determinar mentalmente o próprio comportamento e decidir se empreende, ou não, qualquer ato movido por impulso ou pela razão.

Extraído das Enciclopédias Barsa e Encarta

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