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Sentimentos
Vivenciados pelo Casal Após a Separação
VIII.
Considerações Finais
Em
algum lar, neste exato momento está se desfazendo mais uma união em nosso
país, aumentando ainda mais a estatística das separações, dados que vem
sendo comprovados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.
A dissolução do vínculo conjugal consiste em uma experiência emocional muito
significativa que provoca, como visto, os mais diversos sentimentos, quase
sempre bastante dolorosos.
Segundo grande parte dos autores referidos, no momento em que duas pessoas se
unem têm implícito que a união será para sempre, que foram verdadeiramente
feitas uma para outra. Desenvolvem planos a serem realizados conjuntamente,
criam expectativas, idealizam a relação. Quando esta por qualquer motivo
termina, a frustração costuma ser muito intensa. Pode até ser que algumas
pessoas levadas pela nova concepção do casamento moderno (leia-se aqui união
formal ou não) que não exige mais sua durabilidade não percebam a real
dimensão que é a perda provocada pela separação. Muitas são as pessoas que
utilizam o verso de Vinícius de Morais, "que seja eterno enquanto
dure", na possível tentativa de defesa quanto a uma possível ruptura do
vínculo conjugal. Se a união se consolidar e for para sempre ótimo. Se não
durar, paciência, imaginam elas. Cada um se sente no direito de seguir o seu
caminho tranqüilamente, "pronto" para tentar novamente. Desejo este
muitas vezes, como observado, fruto de uma forte influência social e propagado
pelos meios de comunicação. Tal decisão é muito salutar se as pessoas
elaborarem inicialmente a perda ocorrida do desenlace conjugal. Isto deve
acontecer, até mesmo, na opinião de Dirani (1986) para que as pessoas não
repitam em um novo relacionamento os mesmos erros de relações anteriores
causadores do rompimento.
Vale ressaltar neste momento, que esta "tarefa" não é uma das mais
fáceis. Na opinião de Giusti (1987) mesmo com toda a disseminação da
separação, ninguém ainda hoje sabe ao certo como se comportar diante dela e o
que se deve sentir. A realidade como compartilham alguns autores, entre eles
Giusti (1987) e Dirani (1986) é que pouco se tem falado sobre a separação. As
pessoas na maior parte das vezes "fantasiam" o que deve acontecer e
ficam se enganando (ou ao outro) que o melhor agora é partir logo para outra,
que está tudo bem.
Na verdade, existe um período inicial após a separação que deve ser
superado. Quais sentimentos e quanto tempo eles durarão é algo que é
impossível prever. Na maior parte dos casos o término da relação conjugal é
sentida antes mesmo de uma separação efetiva. E os sentimentos, sejam quais
forem, sempre estarão presentes. Na opinião de Matarazzo quem fica solteiro
novamente se vê diante de dois desafios: o primeiro de lidar com a perda e o
segundo de reconstruir a própria vida. Para este último, eles durarão.
Quebrei
o teu prato
Tranquei o meu quarto
Bebi teu licor
Arrumei a sala
Já fiz tua mala
Pus no corredor
Eu limpei minha vida
Te tirei do meu corpo
Te tirei das estranhas
Fiz um tipo de aborto
E por fim nosso caso
Acabou-se, está morto
Jogue a cópia da chave
Por debaixo da porta
Que é pra não ter motivo
De pensar numa volta
Fique junto dos teus
Boa sorte, adeus
(Ivan Lins e Victor Martins, Bilhete) |
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Começar
de novo
E contar comigo
Vai valer a pena
Ter amanhecido
Ter me rebelado
Ter me debatido
Ter me machucado
Ter sobrevivido
Ter virado a mesa
Ter me conhecido
Ter virado o barco
Ter me socorrido
Sem as tuas garras
Sempre tão seguras
Sem o teu fantasma
Sem tua moldura
Sem tuas escoras
Sem o teu domínio
Sem tuas esporas
Sem o teu fascínio
Começar de novo,
E contar comigo,
Vai valer a pena
Já ter te esquecido.
Começar de novo...
(Ivan
Lins e Victor Martins, Começar de Novo) |

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