| Sigmund Freud, o pai da psicanálise,
costumava dizer que nada do que diga respeito aos seres humanos
deveria nos causar estranheza. Seu recado, muito lógico, é que não
deveríamos nos surpreender, nem nos desesperar, com choques que
fazem parte da vida, como a morte de um parente querido, por exemplo.
Evidentemente, qualquer pessoa sensível continua sofrendo por causa
de fatos desse tipo. Mas será que, além da dor inevitável, também
temos de nos sentir frustrados por não conseguir mudar a realidade?
A questão se coloca com freqüência em nosso dia-a-dia no trabalho.
Quer a gente queira ou não, sempre existirão momentos de frustração
na vida profissional de todas as pessoas — e esses momentos não
serão poucos.
Não é preciso que sejam acontecimentos de grande impacto, como
uma demissão ou a falência da empresa na qual você depositava
os seus sonhos de uma carreira de sucesso. São os fatos corriqueiros,
na verdade, os que mais geram momentos de frustração. Você pode
discordar de uma ordem do seu chefe; descobrir que aquele aumento
prometido não veio; perceber que se apossaram de uma ótima idéia
que você teve; não conseguir fechar um contrato importante; perder
um bom cliente; ter seu projeto reprovado; atrasar-se para um
almoço de negócios e levar uma dura; ter de abaixar a cabeça por
alguma razão. Todas essas coisas, tão comuns na vida de qualquer
profissional, são capazes de dar uma senhora desanimada na pessoa.
“O sentimento predominante da frustração é o de impotência, de
incapacidade”, afirma o analista junguiano Luciano Colella, com
consultório em São Paulo. “O indivíduo sente aquele fato como
uma derrota pessoal e isso mexe com sua auto-estima. Ele pode
começar a achar que é menos do que imagina, que não tem tanta
capacidade quanto pensava.”
O impacto que esses acontecimentos negativos têm em nossa vida
depende da forma como os encaramos. A cada experiência ou estímulo
atribuímos um significado e, conseqüentemente, temos uma interpretação
mental. Uma demissão, por exemplo, é uma experiência chocante.
Se dermos a ela um significado catastrófico, nossa vivência desse
fato também será catastrófica. A interpretação dada a essa demissão
irá desencadear, é claro, uma reação emocional. Pode ser de ódio
em relação à empresa, desespero por não saber o que fazer, insegurança,
medo. “Isso definirá o nosso comportamento diante daquele fato”,
diz o psicoterapeuta João Figueiró, do Hospital das Clínicas de
São Paulo.
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