Apoio é fundamental

A trajetória do bancário Fernando Barroso, 34 anos, é também uma sucessão de frustrações. Aos 25 anos ele já era gerente regional do Banco Nacional, em Niterói, no Rio de Janeiro, comandando uma equipe de 12 gerentes. Mas, por causa de uma reformulação interna, perdeu poderes e, embora não tenha sofrido redução salarial, voltou para o cargo que ocupava anteriormente — gerente de uma única agência. Em 1995, quando o Unibanco comprou o Nacional, novas frustrações. Perdeu status e benefícios como carro e cartão empresarial. Barroso recomeçou então uma nova escalada. Dois anos depois o banco reconheceu seu esforço e o promoveu. Em março de 1998 ele recebeu um convite para montar a estrutura da seguradora do banco na cidade de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

Barroso mudou-se para Rio Preto com a mulher e os três filhos pequenos, de 11, 7 e 2 anos de idade. Mas, aí, começaram novos problemas: sua esposa não se adaptou à cidade, não conseguiu emprego e acabou entrando em depressão. Barroso tentou a transferência para Niterói, mas, como não obteve sucesso, a mulher e os filhos acabaram voltando sozinhos para o Rio de Janeiro. Ele vinha todos os fins de semana para visitá-los. Nesse meio tempo, perdeu quatro promoções seguidas, pois as vagas eram em outras cidades que não o Rio. “Eu era a pessoa mais indicada, mas não podia aceitar a promoção para outra cidade porque minha mulher também não se adaptaria”, diz ele. Cansado das viagens constantes, decidiu que era hora de mudar. Em janeiro deste ano, colocou um ponto final em 16 anos de trabalho no Unibanco, mesmo não tendo nenhum outro emprego em vista. Sem perder tempo, entrou em contato com amigos e pessoas que poderiam ajudá-lo numa recolocação. Menos de um mês depois recebeu e aceitou um convite do Banco Bandeirantes para ser o novo gerente-geral em Niterói. “Só não sucumbi diante de tantas frustrações porque recebi apoio total de minha mulher e de meus filhos”, diz ele.

Tanto Fernando Barroso quanto Fábio Steinberg tiveram momentos delicados na carreira por causa de situações frustrantes. Mesmo assim, conseguiram reagir e dar a volta por cima. Se você estivesse no lugar deles, talvez encarasse esses problemas de outra maneira e agisse de forma completamente diferente. Mas o importante, em qualquer caso, é ter presente que frustrações vão acontecer em sua vida profissional, em algum grau. O que vai definir o rumo das coisas é a maneira de lidar com essas frustrações.

   
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