As causas da frustração
”As próprias pessoas criam armadilhas que levam à frustração”, diz Moacir Carlos da Silva, especialista em comportamento organizacional e professor de pós-graduação em psicologia social e do trabalho do Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo. “Elas cultivam ambições idealizadas, omitem-se diante de obstáculos e dificuldades e responsabilizam outros indivíduos ou fatores externos pelos fracassos.”

O professor Moacir Silva baseia sua tese numa pesquisa da consultoria Portfolio Sedes (especializada na área de comportamento organizacional), feita sob sua coordenação. Durante os vários seminários dos quais participou, Silva procurou detectar as principais queixas de mais de 400 executivos de grandes empresas. O resultado revela dados curiosos sobre a frustração no ambiente de trabalho: a relação com a chefia foi apontada por 32% dos profissionais como o fator de maior aborrecimento. As queixas mais comuns: ter de conviver com chefes autoritários, prepotentes, muito exigentes, instáveis, insensíveis, ausentes, despreparados, incompetentes, tendenciosos e avessos a críticas. O segundo fator de maior aborrecimento (24% do total) foi o ambiente de trabalho. Os entrevistados criticaram o clima de competição, a relação com colegas pouco cooperativos e o ambiente de falsidade, inveja e ironia. Logo em seguida, com 23%, surgiu a relação com a atividade do trabalho: falta de realização e de perspectivas, rotina sufocante, atividades desgastantes e processos obsoletos. Por fim, com 21%, apareceu a relação com a empresa. Os fantasmas são o medo de perder o emprego, a falta de prioridade e de clareza, a preocupação com reestruturações, a comunicação deficiente, as instalações e equipamentos inadequados e a imagem ruim da empresa.

   
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