Porto Académico

Os estudantes do 3.º ano da Faculdade de Ciências que em 1922 fundaram o jornal Porto Académico.


Apresentação

Um dos grandes defeitos das tradições académicas portuenses é a falta de memória.

É verdade que a característica principal de qualquer tradição é o facto de ser passada de geração em geração, sendo um pouco deturpada em cada passagem, que é o que lhe permite evoluir. Se tivermos um conhecimento rigoroso acerca dum hábito de há cem anos e se o reproduzirmos fielmente, estamos a fazer uma reconstituição histórica e não a viver uma tradição. Mas o desconhecimento total dos hábitos dos nossos "avós" (praxisticamente: daqueles que praxaram os que nos praxaram a nós) impede que tenhamos uma visão equilibrada das tradições, de quais as que representam uma longa evolução com significado(s) e de quais as que não passam de modas recentes. Eu, que tive dez inscrições, vi demasiadas vezes pessoas a defenderem acerrimamente costumes "sagrados" porque "antiquíssimos"... que eu tinha visto nascer!

A transmissão do que "se passava antigamente" (não me refiro a cinco, dez anos atrás, mas vinte, trinta, cinquenta, cem...) não pode ser confiada só ao meio oral: é que pouca gente tem um antigo estudante na família e a visão de um antigo estudante é quase sempre redutora ao seu tempo. É necessária então uma memória escrita. Mas enquanto que a bibliografia sobre Coimbra é abundante, sobre os hábitos dos estudantes do Porto o que existe é ou extremamente difícil de encontrar ou muito fraco (ou as duas coisas simultaneamente). Assim se explica que, quando em 1982 dois estudantes da Universidade Católica no Porto, Manuel Cabral e Rui Marrana, resolveram escrever um livro sobre as tradições académicas no Porto, a sua principal fonte de informação tenha sido o Museu Académico... de Coimbra. E o resultado, Quid Praxis, tem muito pouco sobre as tradições que tinham existido no Porto antes da interrupção dessas tradições nos anos 70 (da qual se estava ainda a sair quando o livro foi publicado) - o interesse do livro, hoje em dia, resume-se praticamente ao facto de ser um documento histórico sobre a época em que foi escrito.

Esta página pretende ser um contributo para contrariar esta falha. Tentarei reunir aqui fundamentalmente dois tipos de textos: por um lado, memórias de antigos estudantes do Porto que se encontram dispersas por diversas publicações (mas especialmente nos números únicos do jornal Porto Académico de 1937, 1938 e 1962 - daí o nome da página); por outro, textos da minha autoria em que tentarei fazer uma história de diversas tradições académicas: o traje académico; as tradições musicais (fados, tuna, orfeão); as festas (queima das fitas e afins); a praxe ao caloiro.

O projecto é concerteza demasiado ambicioso, pois em geral é necessário partir do zero. Para piorar as coisas, eu tenho um doutoramento para fazer (cujo tema não é este!), e estou a viver em Londres, de onde o acesso à documentação necessária é, para ser eufemístico, muito complicado. Este projecto é, portanto, um projecto a longo prazo... muito longo prazo. Mas se acharem que o que aqui já está tem algum interesse, vão aparecendo de vez em quando, e nunca se sabe: pode ter havido alguma actualização.

Saudações académicas!

João Caramalho Domingues

( Londres, 29 de Outubro de 2003)                                                                                        


Estórias
História
Um cábula de génio - Camilo estudante da Politécnica
O Traje Académico em Coimbra
D. Ana dos estudantes

O Traje Académico no Porto
Velhos tempos

A Academia Politécnica nos anos 80 (do séc. XIX)

O Café Lisbonense

A Homenagem

Os Académicos do Meu Tempo


Em Outros Tempos


Rapaziadas


A Douta Assembleia dos Capelos


Bons Tempos...


O Rapto da Macaca


Carlos Leal - o «rouxinol do Ave»


"Tempos da fadistação..."




Outros Textos

Decreto sobre a Capa e Batina

A Praxe - Um Contributo
(de Jorge Reis-Sá)

Texto incluído no CD Tempos de Saudade
do Grupo de Fados de Ciências


Capa e Batina: a roupa do estudante


Agradecimentos
Um grande abraço ao Zé Mário pela paciência tremenda que teve com a digitalização das imagens.

Muito obrigado à Prof. Doutora Corália Vicente, ex-presidente do CD do ICBAS-UP, actualmente na direcção da Associação dos Antigos Alunos da UP, pela cedência das imagens da colecção da AAAUP.

Muito obrigado também ao Jorge Reis-Sá (Bip-bip) pela cedência do seu texto, e por o ter escrito, demonstrando que há pessoas, mesmo que poucas, capazes de escrever sobre as tradições académicas a partir de um ponto de vista saudável.

Comentários são benvindos!
















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