O Traje Académico no Porto
O governo saído da Revolução de Setembro de 1836, através do seu Ministro do Reino, Manuel da Silva Passos (Passos Manuel), procedeu a uma das mais profundas reformas na história do ensino em Portugal. Deve-se a essas reformas a multiplicação das "academias" no nosso país na segunda metade do século XIX. De facto, foi Passos Manuel quem criou, em 1836/37, a Academia Politécnica do Porto, a Escola Politécnica de Lisboa, as Escolas Médico-Cirúrgicas do Porto e Lisboa, as Academias de Belas-Artes destas cidades e (pelo menos "no papel") os liceus, nas capitais de distrito. Estas escolas, à excepção dos liceus, baseavam-se em pequenas escolas já existentes. Mas foram estas reformas que, para além de ampliarem o âmbito dos seus estudos, permitiram o aumento do número dos seus alunos, o que levou ao aparecimento de comunidades académicas (i.e., academias) em Lisboa e Porto. Os liceus, por outro lado, foram sendo instituídos na prática muito lentamente, mas cada novo liceu, fora de Lisboa, Porto e Coimbra, trazia uma nova população estudantil numa nova cidade, i.e., uma nova academia.[1] Em diferentes momentos até à I República estas novas academias foram adoptando diversas tradições associadas à Universidade de Coimbra, nomeadamente a Capa e Batina. Já se tentou explicar isto pelo seguinte facto: até 1880 o Liceu de Coimbra esteve dependente da Universidade e consequentemente os seus alunos eram obrigados a usar Capa e Batina. Assim, o Liceu de Coimbra teria influenciado os outros liceus no traje.[2] Mas esta teoria não explica o caso do Porto, em que parecem ter sido as escolas superiores a começar a usar a Capa e Batina. É mais verosímil que a influência tenha vindo directamente da Universidade de Coimbra, da imagem romântica e algo mítica do estudante de Coimbra, que os estudantes do resto do país admirariam e na qual quereriam participar. No caso do Porto (e no de Lisboa) existiria possivelmente mais uma motivação: as escolas superiores de Lisboa e do Porto eram, à partida, inferiores à Universidade, pelo simples facto de não serem universitárias (principalmente as do Porto, longe do Terreiro do Paço). E isto apesar de o seu ensino não ser de tipo essencialmente diferente do universitário. As Escolas Médico-Cirúrgicas eram, aliás, concorrentes directas da Faculdade de Medicina de Coimbra. Resumindo, a Academia do Porto não quereria ser uma academia de segunda, quer nos aspectos de ensino, quer nos aspectos, digamos, extra-curriculares. (Ressalve-se, no entanto, que tudo isto é um pouco conjectural. Não sabemos ao certo as motivações que terão levado os académicos portuenses a decidir usar o Traje Académico. A Escola Médico-Cirúrgica desempenharia, aliás, um papel ambíguo nesse processo, como veremos.) Neste contexto, em Novembro de 1858, os estudantes da Academia Politécnica pedem ao governo para usar Capa e Batina, tal como os seus colegas da Universidade de Coimbra.[3] Será
talvez pertinente notar que por essa altura a Academia Politécnica
começava a sair dum período de intensos
ataques por parte do poder central, em que se chegou
a propôr a sua extinção, e ainda em
1863 se propunha uma reforma pela qual na prática se
tornaria uma escola de Engenharia de Minas (e nada mais!).[4] Não
consta, no entanto, que o Governo tenha aceite o pedido, ou
que algum estudante da Politécnica tenha usado a
Capa e Batina nesta altura. A primazia caberia a um grupo de estudantes da Escola Médico-Cirúrgica, 30 anos mais tarde. Uma outra geração. Mas que geração? Sem dúvida uma geração bastante activa a nível académico e a nível político. A geração do Ultimatum. "A Academia do meu tempo era convicta e entusiasticamente republicana, sob o impulso duma fé ardente nos destinos gloriosos da Pátria, mas a sua intervenção, mais teórica do que prática, mais de reacção do que de acção, era essencialmente doutrinária e evolutiva. [...] Embora isso mereça ser mais estudado, é defensável que foi nos anos 80 do século XIX que surgiu, de facto, a Academia do Porto. Já existiam antes nesta cidade estudantes do que pode chamar-se ensino superior, pelo menos desde a fundação da Real Academia de Marinha e Comércio em 1803. Há mesmo referências desde os meados do século a pensões de estudantes, a cafés ou outros locais frequentados por estudantes, o que indicia que eles já seriam, como seria de esperar, um (sub)grupo social. No entanto tudo isto é um pouco "visto de fora". Nos anos 80 os académicos portuenses têm iniciativas que mostram uma assunção ("interna") da ideia de Academia do Porto: o Hino Académico do Porto, com letra de José Leite de Vasconcelos e música de Aires Borges, que parece ter sido estreado em 1881; a Tuna Académica do Porto, de que há notíca certa só em 1891, mas da qual se sabe, como já vimos, que Reis Santos, finalista em 1890, foi regente; a própria Capa e Batina. Em 1888 um grupo de estudantes portuenses (da Academia Politécnica, Escola Médica e Liceu do Porto) envia uma felicitação aos colegas da Escola Politécnica do Rio de Janeiro saudando a abolição da escravatura no Brasil.[9] Paralelamente,
e coerentemente com estas actividades, surgiram nessa época
diversos jornais. Um em especial nos interessa agora:
A Mocidade de Hoje, publicado em 1883.
Este
jornal teve colaboração de nomes que seriam mais
tarde famosos, como António Nobre, Alexandre Braga
e José Leite de Vasconcelos.
Mas até que ponto se impôs a Capa e Batina no Porto, no período até aos primeiros anos da República? É difícil dizer. Não há grande informação escrita que caracterize o seu uso nesta altura. Há algumas indicações de uso: - A
capa da pauta do pasa-calle “Amor da Pátria”, “Brinde
aos Académicos do Porto” (referência ao movimento
do Ultimatum), de Eduardo da Fonseca, apresenta um desenho
com vários estudantes, de Capa e Batina. - Em
1891 a quintanista de Medicina Maria Paes Moreira aparece numa
fotografia de final de curso com um vestido (aparentemente
negro) e uma capa de estudante traçada "à tricana". - Em
1895 o Conselho Escolar da Academia Politécnica discute
o pedido dos alunos das Escolas Superiores para ser decretado
o uso obrigatório da capa e batina. O Conselho decide
considerar o vestuário dos alunos indiferente.[13] - Há
fotografias de turmas do Liceu em que todos os alunos aparecem
de Capa e Batina. - Há uma fotografia
de um aluno do Instituto Industrial e Comercial (Raul Dória)
de Capa e Batina. - As fotografias da
Tuna de 1897 e 1909 e um desenho de tunos (?) de 1902 mostram
os tunos de Capa e Batina. - O
Orfeão Académico do Porto, fundado em 1912, adoptou
imediatamente a Capa e Batina (com a excepção
dos alunos militares, que usavam farda). No
entanto, as fotografias de estudantes da Escola Médico-Cirúrgica,
nomeadamente as de grupos de finalistas, mostram-nos à
futrica[14], embora esses finalistas
apareçam sempre com as suas pastas com fitas. Uma
outra indicação de escasso uso da Capa e Batina é
o depoimento do dr. Artur Cunha Araújo (estudante de
medicina, provavelmente entre 1907 e 1913) sobre os estudantes
do seu tempo:
Cunha
Araújo, activo participante nas iniciativas académicas
do seu tempo, não via com muito bons olhos a Capa e Batina.
De facto, falando já da época em que escreve
(1937), e criticando os académicos que vê, diz:
O que
se pode concluir? Concerteza a adopção do simbolismo
da Capa e Batina, com consequente uso por parte de organismos
académicos como a Tuna; mas as fotografias dos
finalistas da Médica parecem indicar pouco uso efectivo.
De qualquer forma parece poder concluir-se sem grande perigo
que a Capa e Batina era muito mais usada no Liceu do que na Médica.
Quanto às outras escolas...?
Façamos
aqui um parêntese para notar que os estudantes que usavam
nesta época a Capa e Batina no Porto acompanhavam
as modificações que se faziam sentir em Coimbra
(descritas aqui ao lado). É
notória a diferença entre o traje académico
que se vê na pauta
do pasa-calle Amor da Pátria (em 1890) e aquele
que os orfeonistas adoptaram
(em 1912). Quanto às imagens destes últimos,
espelham bem a falta de "normalização" da Capa
e Batina no início da República. Voltanto
à questão do maior ou menor uso da Capa e Batina, já
vimos que no início da República se tinha
atingido um ponto muito baixo. No entanto as condições
iam-se modificando, de maneira a incentivar esse uso: em 1911
é fundada a Associação dos Estudantes
do Porto, em 1912 o Orfeão Académico do Porto. De
uma maneira geral, a vida académica ia-se enriquecendo. Em
Março de 1916: "Sem prévia consulta à Academia de Coimbra, os estudantes universitários do Porto resolveram, por maioria, usar capa e batina e uma fita na lapela, da cor da respectiva Faculdade."[17] Segundo
Saul A. Pereira, formado em Farmácia por volta de 1918, na
sua época "brotou o uso da capa e batina, até então
em desuso".[18] E referindo-se aos saraus
da Associação, com participação
da Tuna e do Orfeão: "Em todas as terras fomos gentilmente recebidos, [...] apresentando-nos todos rigorosamente trajados com a tradicional capa e batina, ostentando nas lapelas as fitas dos respectivos cursos."[19] Segundo
António Sarmento (infelizmente não é possível
precisar os anos em que terá andado na Universidade): “Era notório que, nessa altura, uma vaga e melancólica capa e batina se via, rara pelas ruas da cidade. Foram os nossos primeiros caloiros, em face a uma legislação muito bem inspirada, que, obrigados a vestir o seu uniforme, por força do decreto e com pena de ficarem sem um pelo, que inundaram de capas negras o velho burgo.”[20] Assim,
o aumento do uso da Capa e Batina parece ter sido desencadeado por
uma decisão da maioria dos estudantes da Universidade (em Assembleia
Magna?), conjugada com a imposição aos caloiros
do acatamento dessa decisão. Mas é claro que se
não houvesse condições propícias esse
aumento seria transitório e passado um ou dois anos (ou talvez
um ou dois meses...) a Capa e Batina estaria outra vez esquecida.
A verdade é que essas condições propícias
existiam, e nos anos 20 já não eram invocadas
nem a decisão de 1916 nem a "legislação
muito bem inspirada". A geração
dos anos 20 foi a vários títulos excepcional,
e essa década pode ser considerada a Idade de Ouro
da Academia do Porto. Os estudantes da altura tinham consciência
de um crescendo de actividade da Academia: "O uso da capa e batina que [...] tanto se tem vulgarizado entre nós é uma prova bem eloquente de que a nossa Academia procura ressurgir, elevar-se, e consegui-lo-á, disso estou plenamente convencido, exactamente porque para o conseguir emprega todo o entusiasmo, toda a vitalidade da sua alma moça. [Uma homenagem aos poveiros ...], a reorganização da Associação dos Estudantes [...], a criação deste jornal [Porto Académico...], a criação do Orfeon e Tuna [...], essa gloriosa jornada a Madrid [...], a realização do próximo festival e cortejo carnavalesco, a celeuma que produziu determinada ceia oferecida aos representantes das academias que ultimamente nos visitaram, o grande interesse e discussão que têm despertado as próximas eleições da Associação [são] tantas outras provas da vitalidade da nossa Mocidade académica [...]. A Academia do Porto ressurge hoje daquela apatia para a qual a lançou esse tremendo conflito europeu que não poupou classes nem ideais."[21] Este texto
era uma resposta a dois artigos de Augusto Farinas (sob o pseudónimo
de Vasco Gil) no jornal Porto Académico, com
o título "A Crise Moral da Academia", em que o autor
defendia que "A maior parte dos estudantes atravessam a sua vida académica ou numa doce paz d'alma, [...] ou então lançam-se numa vida turbulenta, num ridículo snobismo boémio, perdendo o melhor da sua vida numa inutilidade espantosa"[22] Respondendo
depois a Jacinto Andrade, Augusto Farinas diria que quem teve essas
iniciativas foi "um pequeno núcleo de rapazes, quase sempre o mesmo em todas as empresas, uma minoria reduzidíssima, que está muito longe de representar a Academia em número e que até agora não meteu ombros a nenhuma tarefa que não tivesse de lutar contra a má vontade de muitos, contra a inércia de quase todos."[23] De qualquer
forma, dois factos são certos: 1- fosse por iniciativa
de uns poucos ou não, a Academia "mexia-se". Noutras épocas,
ou esses poucos não existiram, ou a Academia não
esteve disposta a segui-los. 2- a generalidade dos estudantes
tinha a noção, certa ou errada, de viver um
momento alto na Academia. Muitos textos posteriores desses
estudantes, de recordações, nos dão conta
desse facto. Claro que essas recordações costumam
ser exageradas. Todos dizem "bons tempos, aqueles!". Mas as da
década de 20 são em maior quantidade e mais entusiastas
que as de qualquer outra época. Vejamos as do guitarrista
Amândio Marques: "Tempos melhores, mais tranquilos e despreocupados, quiçá mais felizes! Todos nós usávamos capa e batina, e a boa gente tripeira gostava de a ver e acarinhava-a, passando a ser um elemento decorativo da Cidade, e um cartão de visita onde quer que se apresentasse! A vida decorria tranquila, simples, leal, cheia de franqueza nas relações comuns. Tínhamos a Associação Académica - escola de convivência e de oradores - o Orfeão e a Tuna e, não podia faltar, a nossa Imprensa. A estima e a amizade eram construídas e alicerçadas na sinceridade, alheios de todo em todo, a qualquer concorrência descortês ou egoísta. Tínhamos atravessado a Grande Guerra - 1914-1918 - e esse movimento sacudiu-nos profundamente, e mais nos aproximou para melhor nos compreendermos. Era como se fossemos uma grande família! O estudante procurava manter e reforçar um costume, quer pela sua vida académica própria, quer e principalmente na realização das suas festividades - bem notáveis, vemo-lo agora mais do que nunca! - às quais fazia associar o povo portuense, a Cidade e até o Norte, e criar assim uma tradição estudantil. E conseguiu-o."[24] Como se vê,
o uso intensivo da Capa e batina está intimamente associado
a este apogeu da Academia do Porto. Assim, o dr. Amândio
Marques podia dizer "todos nós usávamos capa e batina"
ou (mais à frente no mesmo texto) "eu sempre de capa e batina
- nunca conheci outro traje", e o jornal Porto Académico
podia usar e abusar de expressões como "capas negras românticas",
referindo-se tão somente aos estudantes do Porto. Complementando
agora (pois já é possível) com testemunhos
orais de contemporâneos, podemos citar o dr. Serafim
Oliveira (estudante da Faculdade de Ciências entre 1927
e 1932, tio-avô do autor), segundo o qual no seu tempo
não "íamos a nenhum acto[25]
da Faculdade sem ser de Capa e Batina"; ou Fernando Lencart (aluno
do Liceu Alexandre Herculano por volta de 1930) que diz que nesse
liceu "havia poucos estudantes à futrica"; ou a família
do dr. António Correia de Melo (nascido em 1913, também
tio-avô do autor) segundo a qual este começou a usar Capa
e Batina aos 15 anos (no Liceu Alexandre Herculano), todos os dias, porque
os pais não tinham grandes possibilidades financeiras e a Capa
e Batina representava uma economia substancial, usando diariamente a
mesma roupa sem fazer má figura. Podemos imaginar
o académico do Porto desta época usando por norma
o Traje Académico. Ao simbolismo da Capa e Batina, que há
muito se tinha importado de Coimbra, vem juntar-se um uso efectivo,
quotidiano, o que torna a Capa e Batina identificativa também
do estudante portuense.
Não se
confunda, no entanto, uso generalizado com unanimidade. Em 1928,
Alberto Couto, nas páginas do Porto Académico[26], queixava-se de certos tratamentos dados à
Capa e Batina, nomeadamente o pouco uso por parte dos estudantes
dos anos mais adiantados, chegando a usar fitas à futrica.[27] E a única resposta que obteve foi um artigo[28] em que se criticava a Capa e Batina como símbolo
duma tradição boémia e preguiçosa,
inimiga do progresso. Apesar disto, saliente-se que este é
o único ataque à Capa e Batina que conheço
desta época, encontrando-se outros apelos à modernização,
avanço cultural e científico, etc. que não
associam como este a Capa e Batina ao "passado medievalesco". Quanto
às reclamações de Alberto Couto, e comparando
com os outros dados, talvez o mais relevante seja o nível
de exigência a que se tinha chegado, incluindo o escândalo
pelo uso de fitas sem Capa e Batina: lembremo-nos que na época
da Escola Médico-Cirúrgica isso era o normal, as pastas
de quintanista eram usadas à futrica com toda a naturalidade.
Depois desses
"gloriosos" anos 20, vieram uns anos 30 de nítido recuo na
vivência académica portuense. Diversas razões contribuíram
para isso: em 1928 a Faculdade de Letras (politicamente indesejável)
é extinta pelo governo da Ditadura (continuaria a funcionar
até 1932 só para permitir aos alunos inscritos que
terminassem os seus cursos); o Orfeão e a Tuna desaparecem
em 1930, no rescaldo de sérios confrontos entre estudantes
e a polícia, de que resultou a morte de um académico[29]; o Porto Académico deixa de
se publicar também nesse ano de 1930; a Associação
Académica é extinta por despacho ministerial de 24 de
Novembro de 1932. Os organismos que tinham sido os grande bastiões
da vida académica, e até uma das cinco faculdades da
Universidade, desapareciam. Em 1937, Artur
da Cunha Araújo dizia: "Não sei se ainda há
estudantes"; e quanto ao que nos interessa aqui, o vestuário: "Já não se distingue facilmente um estudante de um caixeiro do Chiado. Ambos rapam a cara, ambos usam o cabelo lambido e lustroso à força das brilhantinas, ambos exibem os fatos desportivos mais ou menos cintados (...)"[30]. [continua...]
|
|
[1] Em Lisboa, Porto e Coimbra os estudantes dos liceus seriam considerados por muito tempo parte integrante da Academia. [2] Esta explicação aparece em António Nunes, "Subsídio para o estudo genético-evolutivo do Hábito Talar na Universidade de Coimbra" (in Universidade(s) - História, Memória, Perspectivas, vol.3, Coimbra, 1991, págs. 399-419), pág. 411. [4] V. Artur de Magalhães
Basto, Memória Histórica da Academia
Politécnica do Porto, Porto, 1937, reimpresso
em 1987, cap. XV e págs. 348-352. [5] Referência à Liga Patriótica
do Norte, segundo Rui Ramos "uma mistura de estudantes das escolas
superiores do Porto, todos muito extremistas, de jornalistas republicanos
e de muitas notabilidades locais do Partido Progressista". A Liga era
uma das manifestações de revolta contra a cedência
do governo português ao célebre ultimato britânico
sobre o "Mapa Cor-de-rosa". Inicialmente dirigida por Reis Santos,
Antero de Quental foi rapidamente eleito seu presidente. Cf. Rui Ramos,
A Segunda Fundação (1890-1926) (6.º volume
de José Mattoso (dir.), História de Portugal), s.l.,
Círculo de Leitores, 1994, págs. 43, 182, 301. [6]
Refira-se que Reis Santos foi também
regente da Tuna Académica (Porto Académico,
n.º único de 1937, pág. 33). [7]
Enquanto outros nomes citados no original desta
passagem são aqui omitidos, o de Scipião de Carvalho,
"o endiabrado boémio cujas graciosas partidas mereciam
relato especial", é mantido, apenas porque aparecerá
também à frente como um dos introdutores da
Capa e Batina, o que mostra, com a dupla acção
de Reis Santos à frente da Tuna e deste movimento, a interligação
entre as movimentações políticas e
académicas. [8]
Alberto de Aguiar, "Os académicos
do meu tempo", Porto Académico, n.º único
de 1937, págs. 31-32. [9] Cândido dos Santos, "A Academia
do Porto e a abolição da escravatura no Brasil", UPorto,
n.º 1 (1 de Março de 2000), págs. 28-31. Uma das
assinaturas destacadas por Cândido dos Santos é a de Scipião
de Carvalho. [10]
José Pinto de Queiroz Magalhães, "A Mocidade
de Hoje - A introdução no Porto de capa e batina",
Capa e Batina, nº1 (20 de Fevereiro de 1930), págs.
1-2. [11]
A palavra acto era nessa época utilizada com
o significado de exame. Era a casaca obrigatória nos exames
da Escola Médico-Cirúrgica? [12] José Pinto
de Queiroz Magalhães, "A Mocidade de Hoje - A introdução
no Porto de capa e batina". [13] Artur de Magalhães
Basto, Memória Histórica da Academia
Politécnica do Porto, pág. 471 (nota (1)). [14] "À futrica" significa
sem capa e batina, isto é com um traje de futrica (termo
que por sua vez designa alguém que não é estudante,
na gíria académica de Coimbra, mas que chegou ao Porto
em época que não sei determinar, quase de certeza não
anterior aos anos 1920). [15] Artur da Cunha Araújo,
"Em outros tempos",
Porto Académico, n.º único
de 1937, pág. 25. [16] Artur da Cunha Araújo,
"Em outros tempos". [17] António José
Soares, Saudades de Coimbra 1901-1916, Coimbra, 1985. [18] Saul A. Pereira, "Retrospecto
Académico", Porto Académico, n.º
único de 1937, pág. 33. [19] Saul A. Pereira, "Retrospecto
Académico". [20] António Sarmento,
"O destino “daquela” geração...", Porto
Académico, n.º único de 1937, pág.
38. [21] Jacinto Andrade, "Ressurreição",
Porto Académico, nº6 (15 de Janeiro
de 1923). [22] Vasco Gil, "A Crise Moral
da Academia", Porto Académico, nº2 (20
de Novembro de 1922). [23] Augusto Farinas, "Modos
de Ver", Porto Académico, nº9 (26 de Fevereiro
de 1923). [24] Amândio Marques, "Carlos
Leal «o Rouxinol do Ave»", Porto Académico,
n.º único de 1962, págs. 44 e 46. [25] A palavra "acto" aqui já
sem o significado restrito de exame que foi referido na nota
[9]. [26] Alberto Couto, "Pobre Capa
de Estudante", Porto Académico, 12 e 20 de Janeiro
de 1928, págs 2 e 3 (respectivamente). [27] O maior interesse pela Capa
e Batina por parte dos caloiros e segundanistas e o seu abandono
progressivo ao longo dos anos é um fenómeno muito
comum, também noutras épocas e em Coimbra. [28] J. M. Ferreira do Amaral, "O
Verdadeiro Estudante", Porto Académico, 12 de Fevereiro
de 1928, pág. 5. [29] Cf. Rebelo Bonito, "Do Orfeão
Académico ao Orfeão Universitário (1912-1937)",
O Tripeiro, vol. 1962, pág. 114. [30] Artur da Cunha Araújo,
"Em outros tempos".
|