| Tocandira
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Existem filósofos hoje em dia? Concluir
os cursos de bacharelado, mestrado e doutorado não são
suficientes para que alguém seja considerado filósofo.
A maioria dos filósofos são assim reconhecidos apenas
após sua morte. Porque somente após estudos posteriores
de suas obras, realizados, geralmente, por discípulos ou
pessoas simpáticas às suas idéias, é que se pode
compreender pensamentos que na sua época eram ainda
incompreensíveis.
É o que acontece com os artistas que revolucionaram a
música ou a pintura, por exemplo, criando novas formas
de representação daquilo que sentiam ou que viam. O
exemplo mais clássico é o do pintor Vincent Van Gog, um
dos principais criadores do impressionismo, que em vida
não teve sua obra reconhecida. Por que não? Porque na
sua época as pessoas ainda pensavam que um bom quadro
era aquele que representasse a realidade exatamente como
ela é. Isto é, ainda pensavam que uma boa pintura seria
aquela que reproduzisse perfeitamente a realidade.
Van Gog irá representar a realidade como ele a vê. Com
suas grossas pinceladas irá fazer com que cada olhar
dirigido às suas telas componha as figuras da sua
própria maneira. Van Gog revoluciona a pintura porque
seus quadros passam a representar não a realidade, mas a
representação da representação da realidade. Deixando
claro, portanto, que toda forma de representação nunca
diz respeito às coisas mesmas. Toda forma de
representação diz respeito ao entendimento que temos
das coisas ou da realidade.
A compreensão dessa forma de ver e representar o mundo
só foi possível algum tempo após a morte de Van Gog.
Podemos dizer que, com os filósofos, ocorre algo
semelhante. Pois, apesar de boa parte deles sofrerem
algum tipo de perseguição durante sua vida, o conjunto
de suas idéias só pode ser inteiramente compreendido
após sua morte. Vem daí, portanto, a dificuldade de
se denominar este ou aquele como filósofo ainda em vida.
Porque, geralmente, suas idéias estão além de seu
tempo e são pouco compreendidas. Isto é, para serem
melhor compreendidas, dependem de um olhar mais atento,
dependem de uma leitura mais rigorosa, dependem de um
debruçar-se sob suas obras, dependem, enfim, de um
estudo pormenorizado de todo pensamento contido em suas
obras que muitas vezes em vida encontra-se ainda
inacabada. Alguns nomes, porém, começam a aparecer nos livros de história da filosofia. Considerados filósofos vivos por muitos historiadores têm seu pensamento ainda em processo. São eles: Jürgen Habermas (1929), Gilles Deleuze (1925), Jean-François Lyotard (1924), Jacques Derrida (1930) e Jean Baudrillard (1929).
O século XX produziu mais filósofos que qualquer outro
período da história. Alguns dos mais famosos foram: Jean Paul
Sartre (1905-1980), Claude Lévi-Strauss (1908- ), Michel
Foucault (1926-1984), Ludwig Wittgenstein
(1889-1951), Maurice Merleau-Ponty (1908-1961), Herbert
Marcuse (1898-1979), Max Harkheimer (1895-1973), Theodor
Adorno (1903-1969), Walter Benjamin (1892-1940), Eric
Fromm (1900-1980), Edmund Husserl (1859-1938),
José Ortega y Gasset (1883-1955), Paul Ricoeur
(1913- ), Martin Heidegger (1889-1976), Karl Jaspers
(1883-1969). Existem
Filósofos Brasileiros?
Quando ainda era estudante de filosofia, um professor,
recém chegado da Alemanha onde havia ido estudar, causou
revolta em seus alunos logo em sua aula inaugural.
Afirmou que daquela sala de aula não poderia surgir
filósofo algum. Nenhum aluno poderia admitir, naquele
instante, que alguém que ficara 4 anos em outro país
chegasse com uma afirmação bombástica logo em sua 1ª
aula, sem conhecer aluno algum. Um outro professor da USP
em palestra realizada na PUC disse que os cursos de
filosofia serviam apenas para formar leitores de livros
de filosofia.
Cruéis revelações para qualquer estudante de
filosofia. No Brasil a maioria dos cursos de filosofia
funcionam no período noturno, indício de que os
estudantes trabalham durante o dia. É certo que a
filosofia sempre se ocupou do ócio e todos filósofos,
provenientes de famílias abastadas, nunca precisaram
trabalhar. |