Tocandira

Filosofia

Razão

Conhecimento

Linguagem

Política


Senso comum

Pré-socráticos

Heráclito

Parmênides

Sócrates

Platão

Aristóteles

Empirismo

Racionalismo

Kant

Fenomenologia

"Filosofar é reaprender a ver o mundo"

   

Existencialismo

              “A existência precede a essência”

              Há duas escolas existencialistas: os cristãos e os ateus. O que há de comum entre as duas escolas é o fato de admitirem que a existência precede a essência. Tentaremos expor aqui, o existencialismo ateu, conforme o livro “O Existencialismo é Um Humanismo” de Jean Paul Sartre.

              Conforme Sartre os filósofos ateus do século XVIII suprimiram a noção de Deus, entretanto, não suprimiram a idéia de que a essência precede a existência. Sartre salienta tal observação dizendo que se os filósofos da época admitiam que “o homem possui uma natureza humana”, então todos os homens devem ter um conceito em comum e logo, tais filósofos deveriam admitir que o homem antes de ser o que é, já era um conceito (receita). “Assim, pois, ainda aí, a essência do homem precede essa existência histórica que encontramos na natureza.”

              O existencialismo ateu afirma que “se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito, e que este ser é o homem ou, como diz Heidegger, a realidade humana. Que significará aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo e que só depois se define.”

              “O homem é o que ele próprio se faz”

              O homem percebe sua existência e subjetivamente projeta ser algo no futuro. Portanto, ele será o que tiver projetado ser. Nada existe anteriormente a esse projeto. Sartre ilustra sua filosofia dizendo ser esse o princípio básico do existencialismo. Diz mais ainda sobre a existência humana, como vemos a seguir: Um homem é a soma de uma série de empreendimentos. Todas suas realizações, tudo o que ele fez e faz, toda sua vida , isso é o homem. Ele está sempre por fazer e só será homem depois de o ter feito. O homem nada é enquanto não se descobre e não se define. Somente após isso e somente após ter feito o que ele é, poder-se-á dizer-se homem. “O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele faz.”

              O homem, inventor do mundo

              As coisas só têm sentido depois que o homem as descobre. “O homem está condenado a dar sentido às coisas.” Como o próprio Sartre diz: as coisas primeiro existem depois o homem as define. Para tentar explicar melhor, peguemos um exemplo que seja um objeto da natureza.

              Uma árvore, por exemplo, sabemos que não foi o homem quem a construiu. Mas o que comumente se pensa é que a árvore já era árvore antes que o homem a descobrisse. Sabemos que a árvore "existe" mesmo sem a existência do homem ( apesar de que somente ele a coloca no tempo e no espaço), entretanto, não podemos dizer que sem a existência do homem a árvore seria o que é. Não podemos dizer que a árvore já possuía essência antes de nossa existência. Temos que concluir com Sartre que foi necessário, pelo menos o homem para definí-la como tal. O homem descobriu a árvore e deu sentido a ela. Assim como descobriu-se a si próprio, inventou um conceito e se definiu.

              Portanto, se tudo o que existe no mundo não foi pensado antes, ou seja, não foi idealizado antes de sua existência e se, por conseguinte, tudo foi definido pelo homem, até mesmo o próprio homem, podemos dizer que o homem "inventou o mundo".

              No livro “O Existencialismo é um Humanismo” Sartre refuta a idéia de que o existencialista ateu procura provar a não existência de Deus, pois não é esse o problema. “O existencialista, pelo contrário, pensa que é muito incomodativo que Deus não exista, porque desaparece com ele toda a possibilidade de achar valores num céu inteligível.” Mais adiante, no final do livro, conclui: “...mas se suprimi o Deus Pai, é bem necessário que alguém invente os valores. É necessário encarar as coisas como são. Além de que, dizer que inventamos os valores não significa senão isto: a vida não tem sentido a priori. Antes de viverdes, a vida não é nada; mas de vós depende dar-lhe um sentido, e o valor não é outra coisa senão esse sentido que escolherdes.”

              Liberdade e responsabilidade

              Se Deus não existe, não podemos justificar, nem desculpar nossos atos por desejos de Deus. Somos responsáveis pelo que fazemos e portanto, pelo que somos, O homem é livre, visto que não há determinismo, e isso acarreta grande responsabilidade. Acarreta ainda, sentimento de abandono e angústia. Se Deus não existe, estamos sós e devemos arcar com toda responsabilidade sob nossos atos. Deus não mais justifica nossos atos errados ou certos. Se não existe Deus para perdoar nossos “pecados” e se tais “pecados” são prejudiciais, seremos nós mesmos responsáveis e teremos que assumí-los. Isso, se entendermos nossa ação como sendo um “pecado", pois somos livres para julgar nossos atos como quisermos.

              Conforme as próprias palavras de Sartre: “Mas se verdadeiramente a existência precede a essência, o homem e responsável por aquilo que é. Esclarece-nos que, quando o existencialista afirma que o homem é responsável por si próprio não quer dizer que ele seja responsável unicamente pela sua individualidade mas, sobretudo, por todos os homems. Somos responsáveis por nós e por todos os homens. “Tal é o primeiro princípio do existencialismo” que se chama subjetividade que, quer dizer, “impossibilidade para o homem de superar a subjetividade humana”, ou seja, que ao se escolher o homem escolhe todos os homens.Tentando explicar melhor, se escolhermos ser algo julgamos que isso seja um bem para todos os homens, pois não se pode admitir que iríamos escolher um mal para nós mesmos e consequentemente para todos homens. Assim, somos responsáveis não somente por nós mesmos mas por toda a humanidade, na medida em que “escolhendo-me escolho o homem.”

              Deve-se esclarecer ainda, que isso não se deve a chamada natureza humana, pois, como já dissemos o homem não possui um destino pré-determinado. Muito pelo contrário, isso quer dizer que o homem é livre. Livre para escolher o seu próprio destino. Livre para agir e entender seus atos como convier.

              Tendo em vista o que foi exposto há de se dizer por último que quando queremos nossa liberdade, queremos também a liberdade dos outros e a liberdade dos outros depende da nossa liberdade assim como a nossa depende da deles.

 
Hosted by www.Geocities.ws

1