| Tocandira
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Existencialismo
A existência precede a essência
Há duas escolas existencialistas: os cristãos e os
ateus. O que há de comum entre as duas escolas é o fato
de admitirem que a existência precede a essência.
Tentaremos expor aqui, o existencialismo ateu, conforme o
livro O Existencialismo é Um
Humanismo de Jean Paul Sartre.
Conforme Sartre os filósofos ateus do século XVIII
suprimiram a noção de Deus, entretanto, não suprimiram
a idéia de que a essência precede a existência. Sartre
salienta tal observação dizendo que se os filósofos da
época admitiam que o homem possui uma natureza
humana, então todos os homens devem ter um
conceito em comum e logo, tais filósofos deveriam
admitir que o homem antes de ser o que é, já era um
conceito (receita). Assim, pois, ainda aí, a
essência do homem precede essa existência histórica
que encontramos na natureza.
O existencialismo ateu afirma que se Deus não
existe, há pelo menos um ser no qual a existência
precede a essência, um ser que existe antes de poder ser
definido por qualquer conceito, e que este ser é o homem
ou, como diz Heidegger, a realidade humana. Que
significará aqui o dizer-se que a existência precede a
essência? Significa que o homem primeiramente existe, se
descobre, surge no mundo e que só depois se
define.
O homem é o que ele próprio se faz
O homem percebe sua existência e subjetivamente projeta
ser algo no futuro. Portanto, ele será o que tiver
projetado ser. Nada existe anteriormente a esse projeto.
Sartre ilustra sua filosofia dizendo ser esse o
princípio básico do existencialismo. Diz mais ainda
sobre a existência humana, como vemos a seguir:
O homem, inventor do mundo
As coisas só têm sentido depois que o homem as
descobre. O homem está condenado a dar sentido às
coisas. Como o próprio Sartre diz: as coisas
primeiro existem depois o homem as define. Para tentar
explicar melhor, peguemos um exemplo que seja um objeto
da natureza.
Uma árvore, por exemplo, sabemos que não foi o homem
quem a construiu. Mas o que comumente se pensa é que a
árvore já era árvore antes que o homem a descobrisse.
Sabemos que a árvore "existe" mesmo sem a
existência do homem ( apesar de que somente ele a coloca
no tempo e no espaço), entretanto, não podemos dizer
que sem a existência do homem a árvore seria o que é.
Não podemos dizer que a árvore já possuía essência
antes de nossa existência. Temos que concluir com Sartre
que foi necessário, pelo menos o homem para definí-la
como tal. O homem descobriu a árvore e deu sentido a
ela. Assim como descobriu-se a si próprio, inventou um
conceito e se definiu.
Portanto, se tudo o que existe no mundo não foi pensado
antes, ou seja, não foi idealizado antes de sua
existência e se, por conseguinte, tudo foi definido pelo
homem, até mesmo o próprio homem, podemos dizer que o
homem "inventou o mundo".
No livro O Existencialismo é um
Humanismo Sartre refuta a idéia de
que o existencialista ateu procura provar a não
existência de Deus, pois não é esse o problema.
O existencialista, pelo contrário, pensa que é
muito incomodativo que Deus não exista, porque
desaparece com ele toda a possibilidade de achar valores
num céu inteligível. Mais adiante, no final do
livro, conclui: ...mas se suprimi o Deus Pai, é
bem necessário que alguém invente os valores. É
necessário encarar as coisas como são. Além de que,
dizer que inventamos os valores não significa senão
isto: a vida não tem sentido a priori. Antes de
viverdes, a vida não é nada; mas de vós depende
dar-lhe um sentido, e o valor não é outra coisa senão
esse sentido que escolherdes.
Liberdade e responsabilidade
Se Deus não existe, não podemos justificar, nem
desculpar nossos atos por desejos de Deus. Somos
responsáveis pelo que fazemos e portanto, pelo que
somos, O homem é livre, visto que não há determinismo,
e isso acarreta grande responsabilidade. Acarreta ainda,
sentimento de abandono e angústia. Se Deus não existe,
estamos sós e devemos arcar com toda responsabilidade
sob nossos atos. Deus não mais justifica nossos atos
errados ou certos. Se não existe Deus para perdoar
nossos pecados e se tais pecados
são prejudiciais, seremos nós mesmos responsáveis e
teremos que assumí-los. Isso, se entendermos nossa
ação como sendo um pecado", pois somos
livres para julgar nossos atos como quisermos.
Conforme as próprias palavras de Sartre: Mas se
verdadeiramente a existência precede a essência, o
homem e responsável por aquilo que é. Esclarece-nos
que, quando o existencialista afirma que o homem é
responsável por si próprio não quer dizer que ele seja
responsável unicamente pela sua individualidade mas,
sobretudo, por todos os homems. Somos responsáveis por
nós e por todos os homens. Tal é o primeiro
princípio do existencialismo que se chama
subjetividade que, quer dizer, impossibilidade para
o homem de superar a subjetividade humana, ou seja,
que ao se escolher o homem escolhe todos os
homens.Tentando explicar melhor, se escolhermos ser algo
julgamos que isso seja um bem para todos os homens, pois
não se pode admitir que iríamos escolher um mal para
nós mesmos e consequentemente para todos homens. Assim,
somos responsáveis não somente por nós mesmos mas por
toda a humanidade, na medida em que escolhendo-me
escolho o homem.
Deve-se esclarecer ainda, que isso não se deve a chamada
natureza humana, pois, como já dissemos o homem não
possui um destino pré-determinado. Muito pelo
contrário, isso quer dizer que o homem é livre. Livre
para escolher o seu próprio destino. Livre para agir e
entender seus atos como convier.
Tendo em vista o que foi exposto há de se dizer por
último que quando queremos nossa liberdade, queremos
também a liberdade dos outros e a liberdade dos outros
depende da nossa liberdade assim como a nossa depende da
deles. |