| Tocandira
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Platão: Somente as idéias são verdadeiras
Platão admitia a existência de dois mundos: o mundo
sensível e o mundo inteligível. O mundo acessível aos
sentidos é ilusório. Os corpos percebidos por nós,
através dos sentidos, são por exemplo, grandes ou
pequenos. O pequeno se torna grande e o grande se torna
pequeno: não passam de aparências. Todas as coisas
percebidas pelos sentidos não passam de aparências.
Mas se há grandezas e pequenezas percebidas pelos
sentidos e estas são aparências é porque existe no
mundo inteligível a idéia do Grande em-si e do Pequeno
em-si. Isto é, no mundo sensível, o que é pequeno pode
vir-a-ser grande e o que é grande pode vir-a-ser
pequeno. Mas, na verdade, a idéia do Grande e a idéia
do Pequeno permanecem sempre as mesmas. A idéia é uma
só e por isso não muda; a idéia é única, é a
verdadeira realidade.
A descoberta platônica da idéia é o resultado da busca
do filósofo em conhecer a realidade "como tal"
(como ela é) e não de conhecer a realidade enquanto ela
é esta ou aquela aparência. A aparência, propriamente
dita, não é coisa alguma. Se considerarmos, por
exemplo, uma folha de papel branca, resulta que em rigor,
não é branca. Não é de todo branca, pois tem algo de
cinza, sendo então quase branca. Além disso, essa folha
de papel não existiu sempre, mas só há algum tempo e
dentro de algum outro tempo também deixará de existir.
Portanto, é branca e não é branca; existe atualmente,
mas não existiu no passado, nem existirá no futuro;
logo, não é verdadeira. Por outro lado, a folha de papel quase branca, pois coisa alguma é totalmente branca, necessita remeter-se a existência do verdadeiro branco, que não é coisa alguma, já que está fora das coisas. É este ser verdadeiro, distinto das coisas, que Platão denomina de idéia.
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