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"Filosofar é reaprender a ver o mundo"

   
Empirismo

 

              O empirismo afirma ser da experiência sensível que obtemos todos os nossos conhecimentos, que são constituídos e controlados pelas experimentações sucessivas. Tem por princípio fundamental a "tese enunciada por John Locke de que todas nossas idéias vêm da experiência, da percepção sensível e da introspecção." Ou seja, é somente através dos sentidos que passamos a perceber, a apreender um objeto, a conhecê-lo. A sensação que temos do objeto já é percepção e apenas por abstração é que isolamos a sensação para estudá-la.

              Fundamentalmente o que os empiristas rejeitam no raciocínio é o inatismo. Isto é, a doutrina segundo a qual o homem seria dotado de idéias inatas e portanto anteriores a qualquer dado dos sentidos.

              A preocupação com a matemática influenciou os filósofos racionalistas e também os empiristas. Porém, enquanto os racionalistas acreditavam chegar a certezas absolutas, os empiristas nunca afirmarão esta certeza. Dirão: "pelo fato do conhecimento vir da experiência, não podemos chegar a certezas absolutas." Para eles o raciocínio procede sempre por indução.

 

             Principais filósofos empiristas

 

              Francis Bacon (1561-1626) - Considerado o primeiro empirista, insistiu na experiência da ciência e na necessidade da indução.

              Thomas Hobbes (1588-1679) - Também insiste em que o conhecimento se origina pelo sensível, mas não despreza o método matemático (dedução). Se para Descartes a razão é substância pensante, para Hobbes a razão é pura atividade, é razão operativa, é ato de raciocinar. Ou seja, é cálculo, adição de juizo a utilizar sinais convencionais, as palavras.

              John Locke (1632-1704) - Se deu ao trabalho de criticar veementemente a teoria das idéias inatas. Afirma que o conhecimento nasce da experiência, mas as idéias não estão todas ligadas às experiências sensíveis. Isto é, apenas as idéias simples estão imediatamente ligadas às experiências sensíveis, pois somente assim teremos condições de construir idéias mais complexas (substância material). O substrato material não é ele próprio perceptível.

              George Berkeley (1685-1753) - A substância material de que fala Locke é incognoscível, pois não podemos ter desta uma percepção imediata. Berkeley afirma ainda que, o que é incognoscível pela percepção não existe. O que podemos ter garantia é apenas da nossa percepção, pois as coisas que percebo, digo apenas que percebo. Nunca percebo a pluralidade das coisas, mas apenas a coisa em si. O que nós temos são fenômenos. O que nós captamos ó o modo de como a coisa nos aparece, mas não a coisa em si. Berkeley nega a substância material, porém, diz que podemos ter substância espiritual, pois estas são de outra ordem de conhecimento, que não nos é perceptível.

              David Hume (1711-1776) - Tudo o que nós conhecemos depende das impressões que estas coisas causam em nós. Então, não existe nem substância material nem substância espiritual, pois elas não nos causam quaisquer impressão. O que podemos afirmar são fatos que mostram a percepção de uma associação. Não temos impressão direta da causalidade. Não podemos estrapolar os fatos em si e usar a idéia de causalidade para afirmar impressões.

 
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