| Tocandira
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Enquanto para Platão as coisas sensíveis eram apenas
aparências, ilusões, reflexos das idéias, para
Aristóteles as coisas são os sujeitos (aquele sobre o
qual se diz algo). Para Aristóteles quando afirmamos
algo ou pensamos, estamos pensando algo que se refere à
coisa real ou verdadeira (concreta). Para Platão, ao
contrário, quando pensamos estamos pensando com idéias
que são completamente separadas das coisas. Portanto,
Platão considera que uma vez que as idéias são
separadas das coisas e uma vez que somente podemos
constatar a verdade no mundo inteligível, também
somente as idéias são verdadeiras.
Para Aristóteles, porém, a verdade encontra-se nas
coisas. Então, como ele irá basear todo o conhecimento
em coisas que estão constantemente mudando? Conhecemos
uma árvore ontem e hoje ela já deixou de ser árvore
para ser outra coisa. Além disso, uma árvore
nunca é igual a outra, mas quando pensamos, pensamos
apenas em uma árvore.
Aristóteles irá procurar responder a essas questões
introduzindo as noções de Ato/Potência e
Essência/Existência.
Por que a argila é uma estátua em potência ou por que
a madeira é uma cadeira em potência? Porque tanto a
argila, quanto a madeira estão dispostas a ser em ato
uma estátua e uma cadeira respectivamente. A matéria
quer ser essas coisas. De nada adiantará você querer
fazer uma cadeira com um amontoado de papel, porque este
não tem propensão para vir-a-ser uma cadeira. Se não
existisse a madeira provavelmente nunca poderíamos ter a
idéia de construir um móvel. Por isso dissemos acima
que as coisas são os sujeitos do pensamento. Ora, como
pode as coisas serem sujeitos do pensamento se estão
dele separadas? Aristóteles considera que todas as
coisas têm uma existência separada da nossa, contudo,
todas as coisas têm uma essência em comum que pode por
nós ser abstraída. As ávores, por mais
diferentes que sejam têm uma essência comum a todas
elas. É a partir dessas essências que nós formamos
nossas idéias. Portanto, podemos dizer com toda
segurança que quando pensamos ou conhecemos algo estamos
pensando ou conhecendo a própria realidade, pois estamos
pensando ou conhecendo a própria essência das coisas. |