Tocandira

Filosofia

Razão

Conhecimento

Linguagem

Política


Universais

Realismo e Nominalismo

Michel Foucault

"Filosofar é reaprender a ver o mundo"

   

Paul Ricoeur

 

Função geral da linguagem

 

         A linguagem não aparece como uma função específica para definir a existência humana, assim como aparece a função da racionalidade ou da sociabilidade. A linguagem está entre todas essas funções.

         O que confirma isso é o fato dos objetos que vemos, que tocamos, enfim, tudo o que passa pelos nossos sentidos “já terem sido sulcados por nossa linguagem” anteriormente. Isto é, quando na infância começamos a perceber as coisas é porque já desenvolvemos alguma forma de linguagem. O mesmo acontece com os gestos. Como os antropólogos já constataram, também os homens primitivos quando começaram a talhar pedras já possuíam um encadeamento de gestos. “Esse encadeamento de gestos é como o encadeamento de uma frase.”

         A função da linguagem encontra-se, portanto, intrincada na percepção, na ação, nos gestos e também na reflexão. A linguagem não se manifesta somente quando conversamos com outras pessoas. A reflexão sobre nós mesmos também passa por um processo de linguagem. A reflexão é uma espécie de discurso que se faz a si mesmo. Assim, os sentimentos que vivemos poderão ser expressos através da linguagem.

 

Signo

 

         Só é possível perceber, refletir e agir quando temos signos. Porque o signo substitui a realidade para poder expressar essa mesma realidade. Ou melhor, o signo é posto no lugar da realidade e vale por essa realidade. Assim o signo nunca é o que é, mas é sempre outra coisa. Por exemplo: um traço para a geometria é um segmento de reta; para os gramáticos é um grifo; para os físicos é um vetor. Essa substituição das coisas pelos signos é, conforme Paul Ricoeur, “o enigma da linguagem”.

 

A frase

 

Nas frases a significação aparece ao nível da relação. Não vamos mais conhecer a significação de cada palavra, mas do seu conjunto. Ou seja, da combinação, no mínimo, entre um nome e um verbo. Não iremos mais buscar a significação da palavra Sócrates, por exemplo, mas sim de uma frase, como “Sócrates está sentado”. A significação não se encontra nem em Sócrates nem em sentado, mas na relação de Sócrates e de sentado.

A significação não corresponderá mais “a portadores que se podem nomear”, mas às relações “a um estado de coisas”.  Ao contrário das palavras temos, agora,  “um estado de coisas que faz com que minha frase seja verdadeira ou falsa.” Isto é, a frase, a combinação de um nome e de um verbo, deve ter necessariamente um significado verdadeiro ou falso, enquanto na palavra não há essa possibilidade.

Por outro lado essa significação depende da referência à experiência de cada um. Porque quando falamos já trazemos a tona a significação. Temos uma “capacidade original de significar”. A linguagem se articula em cima dessa capacidade. Por exemplo; uma pessoa ao ouvir outra falando sobre alguma coisa vai ter um entendimento parecido com o que a outra quis significar, mas nunca um entendimento idêntico, justamente, porque a linguagem, esse falar sobre alguma coisa, tem uma significação que traz em si a experiência anterior de cada um.

 
Hosted by www.Geocities.ws

1