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Universais

Michel Foucault

Paul Ricoeur

"Filosofar é reaprender a ver o mundo"

   
Realismo e Nominalismo

 

              A posição realista é aquela que afirma que os universais são as próprias coisas. As palavras retém essa universalidade das coisas, pois exprimem tudo aquilo que a coisa é. É como se na palavra pedra, por exemplo, estivesse contida a própria essência de pedra. E mais, para o realismo, essa essência pode ser encontrada tanto numa pedra aqui, quanto noutra na China.

              Os realistas aplicam a definição de universal às coisas individuais, considerando-se a "forma" e a "matéria". Assim denominam as coisas singulares (individuais) pela sua essência material que é sempre a mesma, seja qual for sua forma. Por exemplo, a essência material do universal "animal" é a mesma tanto em "Sócrates" quanto em "asno", por isso podemos dizer de Sócrates e do asno que são a mesma coisa, mas somente em relação ao gênero, ou seja, que são "animais".

              Os nominalistas refutam essa posição argumentando que os universais não fazem parte das coisas, pois são apenas as palavras.

              Como podemos dizer que uma coisa constituída de mármore e outra constituída de argila e além disso que possuam formas diferentes, sejam pedras?

              De nada adiantaria segurar um punhado de areia numa das mãos e noutra uma pedra e dizer que as duas coisas por serem constituídas da mesma matéria são pedras, ainda que aquele punhado de areia tenha sido pedra num passado remoto. Assim também ocorre com a forma, pois se temos uma pedra e um pedaço de madeira com a mesma forma não podemos dizer de ambos que sejam pedras. Não é, portanto, nem pela forma, nem pela matéria da qual a coisa é constituída que a chamamos de pedra. Porque coisas contrárias não subsistem nos universais. Então, perguntam os nominalistas, como coisas diferentes, tanto pela matéria quanto pela forma, podem ser chamadas de universais?

              O nominalismo, ao contrário da posição realista, afirma que os universais são apenas as palavras, isto é, que não há nada de universal nas coisas e que sendo cada coisa diferente uma da outra, tanto pela matéria quanto pela forma, apenas por convenção, impomos nomes a essas coisas. Portanto, existem palavras, que para nossa melhor compreensão, designam várias coisas ao mesmo tempo. A essas palavras é que chamamos de universais. Pois as coisas são infinitas e não  poderíamos alcançar nenhuma compreensão delas, se as chamássemos cada uma por um nome diferente.

              Mas, mesmo que somente a palavra seja universal não podemos encontrar seu significado apenas por força dela mesma. Pois, ao dizermos    “árvore”, por exemplo, não podemos compreender a que coisa tal palavra remete. Se, porém, tentarmos uma definição mais pormenorizada, como:  “árvore é um vegetal, constituído de tronco, ramos e folhas”, poderemos se bem que muito confusamente, ter alguma idéia do que tal palavra esteja querendo significar.

              Contudo, não é também somente por força das coisas que podemos encontrar seu significado. Mesmo que tenhamos "percebido" determinado objeto não podemos encontrar seu significado antes de o denominarmos. Assim, por exemplo, é comum passarmos por certo lugar e mesmo que percebamos a presença de uma coisa qualquer, essa coisa nada irá significar para nós pois, por ela mesma, nada consegue significar a não ser após termos lhe imposto um nome e consequentemente um conceito.

 
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