| Tocandira
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Realismo e Nominalismo
A posição realista é aquela que afirma que os
universais são as próprias coisas. As palavras retém
essa universalidade das coisas, pois exprimem tudo aquilo
que a coisa é. É como se na palavra pedra, por exemplo,
estivesse contida a própria essência de pedra. E mais,
para o realismo, essa essência pode ser encontrada tanto
numa pedra aqui, quanto noutra na China.
Os realistas aplicam a definição de universal às
coisas individuais, considerando-se a "forma" e
a "matéria". Assim denominam as coisas
singulares (individuais) pela sua essência material que
é sempre a mesma, seja qual for sua forma. Por exemplo,
a essência material do universal "animal" é a
mesma tanto em "Sócrates" quanto em
"asno", por isso podemos dizer de Sócrates e
do asno que são a mesma coisa, mas somente em relação
ao gênero, ou seja, que são "animais".
Os nominalistas refutam essa posição argumentando que
os universais não fazem parte das coisas, pois são
apenas as palavras.
Como podemos dizer que uma coisa constituída de mármore
e outra constituída de argila e além disso que possuam
formas diferentes, sejam pedras?
De nada adiantaria segurar um punhado de areia numa das
mãos e noutra uma pedra e dizer que as duas coisas por
serem constituídas da mesma matéria são pedras, ainda
que aquele punhado de areia tenha sido pedra num passado
remoto. Assim também ocorre com a forma, pois se temos
uma pedra e um pedaço de madeira com a mesma forma não
podemos dizer de ambos que sejam pedras. Não é,
portanto, nem pela forma, nem pela matéria da qual a
coisa é constituída que a chamamos de pedra. Porque
coisas contrárias não subsistem nos universais. Então,
perguntam os nominalistas, como coisas diferentes, tanto
pela matéria quanto pela forma, podem ser chamadas de
universais?
O nominalismo, ao contrário da posição realista,
afirma que os universais são apenas as palavras, isto
é, que não há nada de universal nas coisas e que sendo
cada coisa diferente uma da outra, tanto pela matéria
quanto pela forma, apenas por convenção, impomos nomes
a essas coisas. Portanto, existem palavras, que para
nossa melhor compreensão, designam várias coisas ao
mesmo tempo. A essas palavras é que chamamos de
universais. Pois as coisas são infinitas e não poderíamos
alcançar nenhuma compreensão delas, se as chamássemos
cada uma por um nome diferente. Mas,
mesmo que somente a palavra seja universal não podemos
encontrar seu significado apenas por força dela mesma.
Pois, ao dizermos árvore,
por exemplo, não podemos compreender a que coisa tal
palavra remete. Se, porém, tentarmos uma definição
mais pormenorizada, como: árvore é um
vegetal, constituído de tronco, ramos e folhas,
poderemos se bem que muito confusamente, ter alguma
idéia do que tal palavra esteja querendo significar.
Contudo, não é também somente por força das coisas
que podemos encontrar seu significado. Mesmo que tenhamos
"percebido" determinado objeto não podemos
encontrar seu significado antes de o denominarmos. Assim,
por exemplo, é comum passarmos por certo lugar e mesmo
que percebamos a presença de uma coisa qualquer, essa
coisa nada irá significar para nós pois, por ela mesma,
nada consegue significar a não ser após termos lhe
imposto um nome e consequentemente um conceito. |