
A reunião de instrumentistas que agrupados em naipes formam um conjunto homogêneo chamada orquestra. Na antiga Grécia, chamava-se orquestra o local que serve hoje entre o palco e a platéia do teatro, onde se realizavam as danças e os movimentos dos coros em torno do altar de Dionísio. Com a ópera florentina, designou-se orquestra o lugar destinado aos instrumentistas, que permaneciam ocultos entre os bastidores. Inaugurando-se o primeiro teatro público em Veneza em 1637, fixou-se definitivamente aos músicos o local entre a cena e a platéia, que ainda hoje ocupam. Do lugar ocupado pelos músicos, passou a palavra a denominar seus ocupantes ( músico de orquestra ou simplesmente orquestra ). No começo, o agrupamento instrumental ( orquestra ) destinava-se apenas a reforçar as vozes e em outras ocasiões a improvisar à vontade.
Em 1700 já se observa um ligeiro equilíbrio entre os vários naipes, quando são eliminados do conjunto o cravo e o alaúde. Ainda nesta mesma época, fixaram-se os instrumentos em naipes: arcos, madeira, metais e tímpano. Na primeira metade do século XVIII, a orquestra era formada por vinte instrumentistas, sendo metade cordas e metade sopro. Aos poucos, foi-se ampliando o número de executantes e hoje quase todas elas possuem de sessenta a noventa músicos.
A orquestra romântica
A orquestra romântica tem uma história de expansão e consolidação, caracterizada pelo avanço na construção dos instrumentos de sopro ( madeiras e metais ).
Madeiras: Flautas, Oboés, Clarinetes, Fagotes. : Flautas, Oboés, Clarinetes, Fagotes. : Flautas, Oboés, Clarinetes, Fagotes. : Flautas, Oboés, Clarinetes, Fagotes. Flautas, Oboés, Clarinetes, Fagotes.
Metais: Trompetes, Trompas, Trombones, Tubas.
Os instrumentos de corda, como violino, viola, violoncelo e contrabaixo, não sofreram grandes mudanças em sua estrutura, mas a maneira de tocá-los foi aperfeiçoada para atender à execução da música tecnicamente mais complicada.
Como percebemos, os novos instrumentos exigiram que os músicos também se desenvolvessem tecnicamente. Com todo esse avanço nos instrumentos, a música tornou-se mais expressiva, exigindo do compositor maior habilidade, permitindo que ele explorasse novas possibilidades sonoras da orquestra. Trompetes, Trompas, Trombones, Tubas.
A harpa aparece, então, ocasionalmente, em músicas de natureza descritiva. Como exemplo, podemos citar os compositores Wagner e Strauss, que utilizavam a harpa nas orquestras que tocavam suas composições.
Na metade do século XVIII, a percussão começa a se expandir, incorporando instrumentos exóticos e de grande variedade, como: Tímpanos, Bumbos, Triângulos, Tamborim, Chimbal e Castanhola.
Nesse século, grandes compositores escreveram para a orquestra romântica, tais como Wagner, Strauss, Mahler, Brahms, Bizet, Tchaikovsky, Medelssohn, Schumann, etc.
Curiosidade: No início do século, as orquestras eram regidas pelo pianista ou pelo primeiro violino, com um gesto rápido, movimento geral do braço ou ainda mudando a expressão facial para indicar o andamentos da música. Só no meio do século XIX é que a figura do maestro foi aceita como parte da vida da orquestra. Ele assumiu essa posição encarando a orquestra como um instrumento tocado por ele, que interpretava corretamente as intenções do compositor.
A orquestra contemporânea
O conceito de orquestra no século XX mudou radicalmente: desde a disposição dos instrumentos até a quantidade de músicos.
Na orquestra contemporânea, o maestro torna a frente como um líder e como um verdadeiro artista. Quando ouvimos uma ópera, assistimos um concerto, ou enfim, algo que tenha a presença do maestro, precisamos saber: Quem é ele? Que tipo de característica interpretativa ele tem? É convidado ou titular da orquestra?
A figura do maestro cresceu muito: hoje em dia existe um amplo mercado discográfico e de espetáculos para quem quer ser um regente
O maestro foi alçado a uma condição parecida à de um solista. Sua importância em uma orquestra é muito grande, pois sem ele seria impossível executar algumas obras.
O aumento na dimensão da orquestra atingiu seu auge na primeira década do século com a partitura de Arnold Schöenberg para o enorme conjunto em "Gurrielider" ( 8 flautas, 7 clarinetes, 10 trompas, entre outros ), e com a introdução de saxofones, bandolim, guitarra, harmônio, etc.
O modernismo
A partir desse período, a orquestra começa a tomar rumos diferentes. A estrutura da grande orquestra sinfônica mantém-se para tocar obras de Beethoven, Brahms, e outros mais. E para tocar a nova música da época, os compositores escreviam para formações menores mas com uma interessante combinação timbrística.
A primeira sinfonia de câmara para 15 solistas, de Schöenberg ( 1906 ), tem sido considerada por alguns como marco da reação contra as tendências românticas, após a Primeira Guerra Mundial, caracterizando o início do modernismo. Desde então, a palavra orquestra tem sido usada para representar qualquer tipo de formação.
Por essa razão, alguns compositores formaram suas próprias orquestras, como exemplo o conjunto de percussão de John Cage e a orquestra contemporânea de Pierre Boulez.
Outras orquestras tentaram fazer o mesmo, adaptando-se às exigências dos compositores, embora esses conjuntos tenham sido relativamente pequenos.
Quando os compositores quiseram compor utilizando grandes recursos, tiveram de usar uma agrupamento instrumental essencialmente do século XIX, que pode variar dentre umas das 4 formas principais apresentadas a seguir:
1 - Omissão: Exemplos das "Sinfonias para Sopros" e a "Sinfonia dos Salmos" ( sem violino e viola ) de Stravinsky.
2 - Expansão da percussão: O conjunto de percussão melódica tem destaque as orquestras de Messiaen, Boulez e Davies.
3 - Novas disposições das estantes: O padrão habitual pode ser modificado para facilitar a mistura dos intérpretes com a platéia, como em "Terretektorh", ou dividir os músicos em grupos separados, como em "Gruppen" de Stockhausen e "Uma Sinfonia de Três Orquestras", de Carter.
4 - Acréscimos eletrônicos: A orquestra com fitas magnéticas, hoje com sintetizadores e computadores, são combinações de grande valia para o nosso tempo. "Desert", de Varèse, e "Mixtur", de Stockhausen são grandes exemplos.