O instrumento musical mais antigo é, sem dúvida, a voz Humana, mas ocupamos dela ao falar das vozes e cingir-nos-emos neste epígrafe a todos os restantes, ideados definições propostas pelos teóricos, talvez seja a do compositor francês Héctor Berlioz, autor de um famoso "Tratado de orquestração" a que conserva toda a sua vigência: "Qualquer corpo sonoro utilizado pelo compositor é um instrumento musical". E partindo deste princípio, encontramos duas classificações genéricas em função do resultado sonoro: instrumentos de afinação determinada e os de afinação indeterminada, que constituem, de forma geral, o que se conhece, embora não seja rigidamente exatos, como percussão. Outras classificações aludem aos meios da produção do som, nas quais aparecem os "aerofônes" ( vibração numa coluna de ar ), "idiofones" ( produzem o som pela vibração do próprio instrumento ). Por isso, partimos, como ponto de referência, dos grandes grupos que derivam da sua presença na orquestra sinfônica, integrados pelos instrumentos de corda ( exemplo a escutar: Romance para violino, Op. 50, de Ludwig Van Beethoven ), instrumentos de sopro e instrumentos de percussão, que descrevem por sua vez, a origem da produção do som.
Instrumentos de Corda
Esta parte inclui todos os instrumentos que produzem o som por meio da vibração de cordas. E dentro desse elemento comum, sub-classificam-se, por sua vez, conforme o modo pelo qual se produzem essa vibração, em três grupos clássicos: Os de cordas friccionadas, os de cordas dedilhadas e os de corda percutidas. No primeiro caso, a corda entra em vibração ao ser roçada com um arco, uma vareta de madeira flexível, provida de um feixe de cerdas de um extremo a outro, que se conhecem como ponta e tacão. Nos de corda pulsadas, obtém-se a vibração ao pressionar a corda, quer seja com a ponta dos dedos ou com as unhas ou com um plectro ou pua, peça de madeira, marfim, tartaruga ou plástico, de pequeno tamanho, que o intérprete segura com os dedos da mão direita. E, por último, os de cordas percutidas, nos quais as cordas são batidas por uma série de martelos, acionados por um mecanismo.
Instrumentos de cordas friccionadas
Os representantes mais importantes deste grupo são quatros: violino, viola, violoncelo e contrabaixo. Os quatro contam com seções amplas e proporcionadas na orquestra sinfônica, e os três primeiros, com dois violinos, formam o que se conhece como quartetos de corda. Reúnem uma série de características comuns, entre as quais figuram alguns efeitos que modificam a básica produção do som por meio do arco. Assim, para o pizzicato, belisca-se a corda com os dedos, sem usar o arco. A indicação com a madeira, supõe que se roçam as cordas com a barra do arco, em vez de fazer com as cerdas.
Violino
Embora a primeira referência ao violino apareça num inventário de instrumentos da coroa francesa em 1529, a sua forma e tamanho atual consolidam-se nos séculos XVII e XVIII, com os fabricados por várias famílias de especialistas italianos, as dos Amati, Stradivari e Guarneri, todas radicadas na cidade italiana de Cremona.
O violino é um instrumento complexo, com um total de 83 ou 85 peças, que exige um elevado grau de aperfeiçoamento na sua construção. No seu exterior destaca o consola de cravelhas, onde vai fixo um extremo das cordas, cujas cravelhas servem para as tensas e conseguir a afinação. O diapasão, por onde se estende as cordas. A ponte, pela qual passam antes de chegar ao outro extremo do instrumento. E os ouvidos, duas perfurações da tampa superior ou tabela de ressonância, que estabelecem comunicação entre o ar exterior e o interior para os efeitos das vibrações. O complemento indispensável é o arco, a vareta de madeira à qual se fixam as cerdas para não roçar as cordas.
As quatro cordas do violino estão afinadas em Sol, Ré, Lá e Mi. A música para o violino é escrita em clave de Sol na segunda linha.
Viola
Segundo instrumento da família dos instrumentos de cordas friccionadas, cujas características básicas são similares às do violino, embora o seu tamanho seja ligeiramente superior. Deriva da chamada viola de braço que a distinguia da viola de gambá, à qual corresponde o violoncelo atual. O termo foi utilizado durante muito tempo para designar toda uma família integrada por cinco instrumentos de diferentes tamanhos.
Sua função, como em todos os casos de famílias instrumentais, é cobrir outro âmbito sonoro a baixo do violino, para o grave, embora a sua sonoridade resulte mais ténua. As suas quatro cordas estão afinadas em Do, Sol, Ré e La. A música para viola é escrita em clave de Do na terceira linha.
Violoncelo
Terceiro membro desta família de cordas friccionadas, com grande diferença de tamanho com respeito aos dois anteriores, pelo que se deve apoiar no solo, por meio de uma haste de metal. O intérprete está sentado e coloca o instrumento entre os joelhos. Com freqüência, alude-se ao mesmo com a abreviatura "cello". A primeira referência sobre este instrumento apareceu em 1665, numa coleção de sonatas italianas anônimas, mas o seu antecedente a viola de gamba ou "viola de perna".
As suas quatro cordas estão afinadas em Do, Sol, Ré e Lá, como na viola, mas uma oitava mais grave. a música para violoncelo é escrita fundamentalmente em clave de Do na quarta linha ( exemplo a escutar: Concerto para violoncelo em Ré maior, de Franz Haynd ).
Contrabaixo
Instrumento mais grave da família de cordas friccionadas, o contrabaixo completa o âmbito da mesma. Embora o seu aspecto formal o relacione com a família à qual pertence, as suas dimensões apresentam algumas diferenças. Obriga o intérprete a permanecer em pé ou a sentar-se num banco especial e apoiasse no solo, como o violoncelo, por meio de uma haste de metal.
Na prática, apresentam-se dois tamanhos diferentes de contrabaixos, um para formar parte da orquestra, outro para intervenções de solistas. Estes últimos são um pouco mais pequenos a apareceram no século XVII. Conforme os casos, pode ter quatro ou cinco cordas, afinadas a distâncias de quartas e não de quintas como os outros instrumentos da família. Essa afinação corresponde às notas Mi, Lá, Ré, Sol, as quais se junta o Do superior, quando têm cinco cordas.
Instrumentos de cordas dedilhadas
À exceção da harpa, os instrumentos de cordas dedilhadas não tem uma presença fixa na orquestra sinfônica, mas alguns deles intervêm com freqüência como solistas ou como parte de um conjunto instrumental.
Harpa
A harpa é uma dos instrumentos mais antigos que se conhecem e que com maior constância formou parte da música de muito diversos tempos e estilos. Na sua versão externa moderna, conserva a forma triangular original, embora se tenham aperfeiçoado os seus mecanismos e as suas possibilidades. Está formado pelo corpo sonoro, a tabela e caixa de ressonância; a consola, com o mecanismo e as cravelhas de afinação; a coluna, que une o corpo sonoro à consola, por cujo interior passam as hastes dos pedais do mecanismo; e o pedestal, ao qual se unem o corpo sonoro e a coluna.
As cordas entram em vibração ao serem premidas com os dedos de ambas as mãos. Na harpa moderna, a afinação fundamenta-se na escala diatônica de Do bemol maior, mas podem alterar-se cromaticamente todas as notas graças aos sete pedais que o intérprete aciona com os pés. Para os harmônicos, apoiasse a palma de uma mão no centro de uma corda e aperta-se ao mesmo tempo a parte superior da mesma com a outra mão.
A música para harpa é escrita em dois pentagramas, como o piano. No superior com a clave de Sol em segunda linha e no inferior com a clave de Fá em quarta linha.
Cravo
O cravo também pertence a esta família. Trata-se de um instrumento de teclas cujas cordas são premidas por duas mediante um mecanismo que é acionado no teclado pelo intérprete. Cada tecla está unida a uma peça de madeira, chamada martinete, na qual há fixa uma outra, que oprime a corda correspondente ao ser acionada pela tecla.
O cravo italiano apareceu no final do século XV e estende-se por toda a Europa, com ligeiras variantes. A sua presença habitual na música prolonga-se até depois de entrado o século XVIII, quando é pouco a pouco substituído pelo piano. Com tendência nascida há já alguns anos para recuperar os instrumentos originais, voltou a ocupar o seu posto de solista nos concertos com orquestras e, desde o princípio de século XX, mereceu a atenção dos compositores para obras concretas.
Instrumentos de cordas percutidas
Piano
O piano é o único representante destas características atualmente presente em intervenções de solo, em colaboração com outros instrumentos e formando parte da orquestra, ou como solista. É um instrumento de teclas, cujas cordas são percutidas por martelos forrados de feltro. As teclas, por meio de um complexo mecanismo, acionam os martelos que batem nas cordas.
O antecedente do piano é o clavicórdio que não se deve confundir com o cravo, já comentado, que aparece no século XV, mas a primeira referência sobre o piano foi publicada em 1711 no Giornale dei Litterati d'Italia, por motivo da sua apresentação em Florença pelo seu inventor Signor Cristofali, cujo verdadeiro nome era Bartolomeo Cristofali. A partir desse momento sucedem-se uma série de aperfeiçoamentos até chegar ao piano atual. Mas a essência do invento residia no seu nome original, piano-forte, do qual piano é abreviatura, que definia a possibilidade de "matizes" de intensidade, que acabam por orientar as preferências dos compositores face ao clavicêmbalo. Esses matizes vêm definidos pelos apagadores, peças de feltro que impedem a vibração das cordas ao deixarem de tocar a tecla, e pelos dois pedais, um pedal forte, que deixa todas as cordas em liberdade para vibrar, e o pedal "piano", que atua sobre o mecanismo desviando os martelos das cordas, de modo que são percutidas parcialmente, com o que o som resulta mais apagado.
A extensão dos pianos varia um pouco em relação ao seu tamanho ( grande cauda ou de concerto, de cauda, meia cauda e vertical ), e nos maiores alcançam quase oito oitavas. A música para piano é escrita em dois pentagramas, o superior em clave de Sol na segunda linha, que corresponde basicamente à mão direita, e o inferior, em clave de Fa na quarta linha, destinado, em um modo geral, à mão esquerda ( exemplo a escutar: Noturno, Op. 9/2, de Frederico Chopin ).
INSTRUMENTOS DE SOPRO
Incluem-se neste grupo os instrumentos cujo som se produz pela vibração em uma coluna de ar em um tubo. Esta vibração pode ser produzida pelo intérprete ou por mecanismos intermediários, como são os foles no caso do órgão. A maior ou menor altura dos sons está em relação direta com a coluna de ar que vibra dentro do tubo sonoro, e em proporção inversa: maior comprimento, menos agudo o som, e vice-versa.
Os instrumentos de sopro, nos quais o ar se põe em movimento pela ação direta do intérprete, dividem-se em dois grandes grupos: madeira e metal. Estas qualificações não respondem de modo rigoroso aos materiais utilizados na sua construção, que foram variando com o tempo. Alguns que eram tradicionalmente de madeira, há muito tempo que se fabricam em metal, mas conservaram ambas as denominações por causa do modo em que produzem o som e, muito especialmente, pela sua variedade ou qualidade de timbre ( exemplo a escutar: G. Sammartini, Concerto para flauta e orquestra de corda ).
Instrumentos de sopro-madeira
Flauta transversal
A flauta transversal é a mais conhecida do grupo das flautas. Está formada por um corpo cilíndrico, num de cujos extremos se encontra a boquilha, em forma de chanfra, na qual se aplicam os lábios para sobrar o ar para dentro do tubo. Conta, além disso, com uma série de chaves que servem para abrir ou fechar os buracos do cilindro. As chaves servem para alongar ou encurtar a coluna de ar do tubo, com o que se produzem as distintas alturas do som.
A flauta é conhecida, através de diferentes documentos, desde o século III A.C., mas a sua configuração atual responde a um longo processo de aperfeiçoamento. Construída na passado em madeira, desde há muito tempo são construídas em metal, freqüentemente de prata. Toca-se na posição horizontal e a música é escrita na clave de Sol na segunda linha ( exemplo a escutar: Concerto para duas flautas, arcos e cêmbalo em Do maior, de Antonio Vivaldi ).
Outras flautas transversais
Para as notas mais agudas, utiliza-se o flautim, também chamado piccolo. O comprimento do tubo é aproximadamente metade do da flauta e a altura dos seus sons está uma oitava mais alta. Para escrever a música para o flautim utiliza-se igualmente a clave de Sol, mas é escrita mais baixa que o seu som real.
Para as notas mais graves do que a da flauta transversal normal fabricaram-se as flautas baixas, alguns casos prolongando o comprimento do tubo num só braço e noutro por meio de um cotovelo pelo que o tubo se aproxima no outro extremo à posição da boquilha. O seu uso na orquestra sinfônica é ocasional, dependendo de obras concretas de compositores atuais, e também em conjunto de música de câmara, igualmente do nosso tempo.
Flauta de bico
A flauta de bico, tradução direta do seu nome em francês, Flût a bèc, não forma faz da orquestra sinfônica atual, mas a recuperação da música do passado, em especial do período barroco, e as orquestras que utilizam os chamados instrumentos "originais", mantêm a sua vigência. Continuam a construir-se em madeira, como no passado, com a sua forma ligeiramente cônica e a sua parte mais estreita para o final. No extremo superior têm um corte chanfrado reto pelo qual o intérprete sopra através da boquilha, com o instrumento colocado na posição vertical, ao contrário da horizontal da flauta transversal. O corpo sonoro tem uma série de buracos que o intérprete deve tampar ou deixar abertos para alongar ou encurtar o comprimento da coluna de ar.
As flautas de bico são formadas por uma ampla família, conforme o seu tamanho, isto é, conforme o comprimento do tubo sonoro, que vai desde o sopraninos até à grave ou baixa, com que se cobre uma tessitura muito ampla. A sua intervenção na orquestra, como instrumento concertante ou solista, é ocasional e limita-se às orquestras de câmara ( exemplo a escutar: Concerto para flauta de bico, de Tommaso Albinoni ).
Instrumento de sopro-madeira com palheta
A característica comum deste grupo de instrumentos reside no uso de uma palheta simples ou dupla, que atua como meio gerador do som. A, ou as, palhetas são lâminas de cana ou lâminas de plástico, colocadas na boquilha do instrumento, que produzem as vibrações na coluna de ar do tubo. No caso de uma palheta simples, é esta a que produz o efeito; nas duplas, produzem a vibração uma contra a outra. Devido a estas palhetas, o seu som é mais penetrante que o das flautas e na combinação orquestral distinguem-se claramente da corda.
Oboé
O oboé é um instrumento de palheta dupla. São fabricados em madeira, em forma de tubo cônico. O seu antecedente imediato é o "caramillo", e no século XVI e XVII utilizavam-se indistintamente ambos os termos para o denominar. Lá para 1660, os construtores reduziram o pavilhão do que seria o oboé, diminuindo a dureza do seu som. Com o passar do tempo sofreu sucessivas melhorias, especialmente no que se refere ao número de chaves que abrem ou fecham os buracos para alongar ou encurtar o comprimento do tubo, mas mantêm-se dois modelos um pouco diferentes, não tanto no resultado sonoro como nos elementos técnicos. Os fabricantes alemães permaneceram mais fiéis à tradição, ao passo que os franceses, modelo mais amplamente imposto, estiveram sempre abertos a algumas melhorias técnicas.
Como no caso da flauta, há algumas variedades que atingem fins algo mais amplos. O mais normal é o oboé soprano, que cobre uma extensão de duas oitavas e uma sexta ( exemplo a ouvir: Concerto para oboé, de Tommaso Albinoni ).
Fagote
Ainda que a sua tessitura seja mais grave do que a de outros instrumentos da orquestra sinfônica, dos quais nos ocuparemos mais tarde, colocando-o junto ao oboé, posto que também pertence ao grupo dos de sopro-madeira com palheta, não transpositores. O fagote consta de um tubo cônico e serve-se de uma palheta dupla para provocar a vibração da coluna de ar.
Pela sua rica e grave sonoridade, é associado ao violoncelo dentro do grupo de instrumentos de sopro-madeira. Mas essa sonoridade permite-lhe exprimir, tanto tinhas melódicas, ágeis e ridículas como manifestações tristes e trágicas. A sua extensão atinge com a mesma agilidade, nas mãos de um bom intérprete, três oitavas e meia. A música para fagote escreve-se em clave de Fá na quarta linha, para as oitavas graves, e em clave de Do na quarta linha para as agudas. Esta utilização de duas claves é conseqüência obrigatória da sua grande extensão ( ver tessitura ) e da conveniência de evitar um número excessivo de linhas adicionais no pentagrama ( Exemplo a escutar: Concerto para fagote e orquestra, de Wolfgang Amadeus Mozart ).
Em tempos passados, a família dos fagotes era bastante ampla, sobretudo no Renascimento, mas atualmente, apenas se conservam o fagote normal, ao qual nos referíamos, e o contrafagote, equivalente ao contrabaixo dos instrumentos de corda, afinado uma oitava mais baixa do que o corrente. Normalmente, a música para contrafagote escreve-se como a do fagote, mas tem o som uma oitava mais grave.
Instrumentos de sopro-madeira transpositores
A diferença fundamental deste grupo relativamente ao anterior reside num aspecto técnico de grande importância. Trata-se de instrumentos transpositores, ou seja, em que a anotação da altura do som na partitura é diferente da que é produzida ao interpretá-la. As razões desta diferença têm caráter prático e de facilidade para o intérprete. Na realização prática, isto significa que a música escrita para estes instrumentos aparece com uma tonalidade distintas da da obra, embora ao fazer-se esta transposição tenha a mesma tonalidade do resto da orquestra e, para comodidade do regente, se mantenha a de todos os outros instrumentos.
Corno Inglês
O corno inglês é o instrumento mais agudo dos transpositores e a sua tessitura equivale à de um oboé contralto, ou seja, que se move uma quinta abaixo deste último, razão pela qual se diz que está afinado em Fá. O seu nome desperta a curiosidade por saber a razão do mesmo, mas, ainda que os musicólogos mantenham diversas teorias, desconhece-se a sua origem. As versões em outras línguas correspondem à tradução literal: Corn Anglais, em francês; English Horn Horn, em inglês; Corno Ingles, em italiano; ou Englishc Horn, em alemão. As primeiras referências que a mencionam surgiram na Alemanha, perto de 1720, como corne d´Anglois.
Coincide com o oboé em ter dupla palheta, mas diferencia-se no extremo inferior, que tem forma de pêra.
Clarinete
As características do clarinete dentro da família dos instrumentos de sopro-madeira transpositores concretizam-se em que tem apenas uma palheta e em que a seção do tubo é cilíndrica, o que influi definitivamente na variedade do som. Construída em madeira ou ebonite e esta provido de uma série de chaves para encurtar ou alongar a seção da coluna de ar. É considerado um instrumento moderno, embora as primeiras referências sejam anteriores à sua inclusão nas orquestras em 1749 pelo compositor francês Philippe Rameau. No seu aspecto de instrumento transpositor, as afinações mais comuns são em Si bemol e em Lá. A primeira, com um som uma segunda mais baixa do que a notação em Do, e a segunda, com uma terceira. Apesar da sua sonoridade ser muito diferente do violino, é equivalente a ele dentro do seu grupo instrumental ( Exemplo a escutar: Concerto para clarinete e orquestra em Lá maior, de Wolfgang Amadeus Mozart ).
A ampla família do clarinete ficou praticamente reduzida, nas atuais orquestras sinfônicas, às duas variedades mencionadas: em Si bemol e em La, e ao dado em chamar clarinete baixo, afinado em Si bemol, que tem um som uma nona mais grave do que na sua notação normal.
Saxofone
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Instrumentos de metal
Tal como acontece em outras famílias de instrumentos , a do metal coincide na sua essência como o fato de todos os que a compõem estarem providos de embocadura, que se adapta aos lábios do intérprete. O seu tamanho e configuração influem decisivamente no som e, por outro lado, o seu número, embora com pequenas variações, presta-se a confusão, tal como os nomes que lhes foram aplicados através dos tempos. Por esse motivo, veremos apenas em consideração os que fazem parte, num maior número de obras, da orquestra sinfônica. Outra coincidência a ter em conta é a de que, praticamente todos eles, são instrumentos transpositores.
Trompa
A trompa é um instrumento de metal de tubo cônico de grande extensão que se enrola e que termina em uma campana aberta. No outro extremo está a embocadura cônica sobre a qual atuam os lábios do intérprete, exercendo pressão sobre ela. Graças a um sistema de rotores ou válvulas, pode-se variar a longitude da coluna de ar dentro do tubo, um sistema equivalente ao das chaves nos instrumentos de sopro-madeira. São três as válvulas que abrem ou fecham três tubos adicionais e permitem a emissão da escala cromática quase na sua totalidade. O seu som, especialmente no registro médio, tem um grande colorido na tessitura do barítono e engrena extraordinariamente bem com o resto da orquestra.
Um dos efeitos mais utilizados na trompa é o de surdina, que se consegue quando o intérprete coloca a mão direita na campana do instrumento. Obtem-se assim um apagamento do som. Também é possível utilizar uma peça de metal em forma de pêra, que é igualmente introduzida na campana, obtendo-se também o resultado do apagamento do som, o que contrasta com o efeito que se consegue com os lábios ao apertá-los com maior força contra a embocadura, tendo como resultado um som duro e metálico.
A afinação mais freqüente da trompa é em Fá e a música escreve-se em clave de Fa na quarta linha ( exemplo a escutar: Concerto para trompa, de Tommaso Albinoni ).
Trompete
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Trombone
O trombone se tem notícias desde 1468. É composto por uma embocadura côncava e por um tubo cilíndrico que termina na campana e que contem uma vara, uma espécie de tubo móvel suplementar que desliza dentro do principal para tornar mais longo ou curto o seu comprimento.
Os trombones comuns afinam-se em Si bemol e, para o registro baixo, em Sol. Também se podem utilizar em Si bemol com uma válvula que abre a passagem do ar ao ser manipulado com o dedo polegar, com o que o instrumento baixa até Fá e pode produzir notas mais graves. O elemento fundamental é a vara, razão pelo qual o intérprete deve dominar as posições exatas que produzem cada uma das notas, tal como sucede nos instrumentos de cordas friccionadas relativamente à posição da mão esquerda no comprimento da corda. A música para trombone escreve-se em clave de Fá na quarta linha.
Além do trombone de vara, perto de 1825 apresentou-se em Viena o chamado trombone de válvulas, cuja ação serve para tornar mais curto ou mais longo o tubo. Construíram-se, em princípio, para variar tessitura e ocupam um posto nas bandas musicais, embora se prefira o de vara, devido à sua melhor sonoridade e à superior qualidade do timbre.
Tuba
A tuba é a representante dos sons mais graves dos instrumentos de metal. Consta de uma embocadura côncava, de um tubo cônico e de um mecanismo de válvulas para tornar mais curto ou alongar o comprimento do tubo. Conforme o tamanho, tem quatro ou cinco válvulas, o que permite a emissão completa da escala cromática. Na orquestra sinfônica costuma utilizar-se a tuba baixa ou contrabaixo, que apóia a sonoridade do grupo de instrumentos de metal. A música para tuba escreve-se em clave de Fá na quarta linha, com uso ocasional da de Sol na segunda linha para as notas mais agudas.
Em obras muito concretas, tais como a Tetralogia de Richard Wagner, aconselham-se as tubas "tenor", que são conhecidas como tubas wagnerianas.
Instrumentos de percussão
Dentro da sua extraordinária variedade de tamanho, forma e procedimento, o dado comum deste grupo de instrumentos é o som se produz ao bater, esfregar, sacudir ou percutir um objeto sonoro, com as mãos ou por meio de um elemento de madeira ou de outros materiais, tais como baquetas, escovinhas, arcos, etc. E, dependendo do resultado sonoro, as duas primeiras classificações que vamos falar correspondem aquelas que produzem notas com uma altura determinada e aos que, por dela carecem, produzem "ruídos" não afinados.
Percussão afinada
Tímpano
O tímpano é formado por uma caixa semi-esférica, regra geral de cobre ou bronze, sobre a qual se estende uma membrana de pergaminho ou pele, que se fixa com um aro de metal. A tensão da membrana determina a afinação e o intérprete pode alterá-la ajustando os parafusos que a unem ao aro ou, nos tímpanos mais modernos, por meio de pedais. O intérprete bate fora do centro da membrana, próximo ao aro de metal com as baquetas, que tem um cabo de madeira com uma cabeça forrada de feltro.
Na orquestra sinfônica costuma haver um par de tímpanos, mas muitas obras exigem quatro, cinco ou, até dezesseis, tal como acontece no Requiem de Berlioz, que necessita esse elevado número tocado por dez timpanistas no Tuba Mirum. O par de tímpanos atinge uma extensão de uma oitava e meia e a música para este instrumento escreve-se em clave de Fa na quarta linha.
Xilofone
Os antecedentes do atual xilofone, utilizado como bastante freqüência pelos compositores do fim do século XIX e do século XX, encontram-se no Extremo Oriente. Consiste numa série de lâminas, de 32 a 42 nos instrumentos atuais, feitas de madeiras, que são percutidas com baquetas de diversos tamanhos, cujo extremo pode ser coberto de feltro ou pele. A tessitura do xilofone é de 3 a 4 oitavas e a música escreve-se nas claves de Fá e de Sol como no caso do piano. Dentro destas características gerais, constroem-se de diversos tamanhos e medidas.
Percussão não afinada
Bumbo
O bumbo é um tambor de grande tamanho com sons indefinidos, que se produzem ao bater na sua membrana ou pele, com uma baqueta. É composto por uma armadura cilíndrica num de cujos extremos se coloca a membrana. Um jogo de chaves ou parafusos serve para estabelecer a tensão necessária da membrana. A música para bumbo escreve-se em clave de Fá, indicando unicamente a nota Do, com o fim de lhe dar uma configuração similar à da percussão afinada, mas com a notação necessária para o ritmo.
Caixa
Tal como o bumbo, a caixa compõem-se de uma armação cilíndrica com duas membranas, uma na parte superior e outra na inferior. A membrana entra em vibração ao ser percutida por um par de baquetas. A música escreve-se em clave de Sol. com a nota Do e as indicações do ritmo.
Pratos
Os pratos são um par de discos circulares que se utilizam fazendo-os chocas um com o outro ou percutindo-os com as baquetas do tímpano. Os discos são ligeiramente côncavos e estão perfurados no centro para poder passar uma correia de coro com a qual se segura cada um com uma das mãos para os poder fazer chocar um com o outro. A música para pratos escreve-se em clave de Fá, mas com uma única nota que serve de notação rítmica, juntamente com indicações sobre o prolongamento da vibração ou sobre as pancadas secas, amortecendo o som.