Alban Berg
Compositor austríaco, nasceu em 9 de fevereiro de 1885, em Viena, onde faleceu em 24 de dezembro de 1935. Revelou desde a infância impressionante talento musical. Aos quinze anos, sem nenhum estudo, já havia composto elevado número de canções. Ao terminar seu curso universitário, exerceu durante dois anos um cargo público em Viena, ocasião em que travou amizade com Shömberg, o qual, entusiasmado com o talento do jovem de dezenove anos, passa a lhe dar aulas que se prolongaram durante seis anos, unindo-os também profunda amizade.
Alban Berg foi uma personalidade de grande força expressiva e perfeito conhecedor da forma musical. Rompe completamente os cânones tradicionais, pois só escreve no estilo atonal, sistema original de composição com que fora orientado por seu mestre.
Alexandre Porfirevitch Borodin
Compositor, físico e químico russo. Nasceu em 1833, e faleceu em 1887. Professor de Química em São Petersburgo. Um dos grandes músicos de seu tempo e um dos meus preferidos, deixou vários concertos e duas sinfonias. Sua mais famosa ópera (O Príncipe Igor) foi representada pela primeira vez em 1890, mas possuem maior valor: Sinfonia nº 2; Quarteto de Cordas nº 1, ambas caracteristicamente russas (Exemplo a escutar: Borodin - O Príncipe Igor "Polovtian Dances").
Anton Dvorak
Dvorak nasceu em 8 de setembro de 1841, em Nelahozeves, Boêmia, e faleceu em 1 de maio de 1904, em Praga. Começou a estudar violino muito cedo, e em virtude dos progressos que demonstrara, seu pai resolveu mandá-lo estudar em Praga.
De temperamento modesto, aos poucos se impunha como compositor. Consciente da importância da música popular do seu país, passa a estudá-la e, inspirando-se nela, produz obras que chamam a atenção do mundo sobre sua pessoa. Em Londres, em 1891, é diplomado Doutor em Música pela Universidade de Cambridge. Em 1892 é nomeado Diretor do Conservatório de Nova York, onde permaneceu três anos. Regressando a Praga reassume o cargo de Diretor do Conservatório, onde permanece até a morte (Exemplo a escutar: Dvorak - Danças Eslavas).
Antonio Carlos Gomes
Campinas - 1836 a 1896
Compositor Brasileiro de descendência portuguesa, Carlos Gomes iniciou seus estudos com seu pai, chefe de banda em Campinas, onde aprendeu a tocar vários instrumentos, começando a compor aos 15 anos de idade. Em 1859, fez uma excursão artística a São Paulo com seu irmão, onde obteve grande êxito com seu "Hino Acadêmico".
De regresso a Campinas, onde ficou durante pouco tempo, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde imgressou no Conservatório. Neste, estudou com Joaquim Gianini e, em 1861, apresentou sua primeira ópera, A Noite do Castelo, seguida de Joana Flandres, dois anos depois. Foi nomeado cavaleiro e, posteriormente, oficial da Ordem da Rosa por D. Pedro II, que já havia nomeado seu pai para a capela real. Logo depois, este mesmo concedeu-lhe uma pensão para aperfeiçoamento na Europa.
Em 1864, partiu para a Itália e matriculou-se no Conservatório de Milão, onde trabalhou sob tutela de Lauro Rossi. Em 1866, obteve o título de Maestro Compositor. Começou a se tornar conhecido em Milão com duas comédias musicais, Se sa Minga e Nella Luna, até que em 1870 obteve um clamoroso êxito com a Ópera IL Guarany (O Guarani), levada à cena no Teatro La Scala, que conquistou fama internacional. A ópera foi encenada no Rio de Janeiro, durante o mesmo ano e, em seguida, em quase todas as capitais européias, além de Gênova e Florença. Na Itália, foi considerada brilhante exemplo de 'Verdianismo'. A abertura desta obra traz uma síntese de suas principais melodias, chegando a ser uma obra verdadeiramente popular, tratando-se de um drama da época colonial lusitana, cujo enredo se desenvolve entre portugueses e índios da tribo guarani.
A Ópera Fosca, representada em 1873, foi acusada de Waguerismo e mal recebida pelo público e crítica. Em compensação, Salvador Rosa, em 1874, foi um êxito. Em 1879, apresentava em Milão a Ópera Maria Tudor e realizava longa temporada no Rio de Janeiro. Voltou para a Itália e compôs O Escravo, cantando no Rio em 1889. Fixou-se em Campinas, esperando ser nomeado Diretor do Conservatório. Com a queda de D. Pedro II e a proclamação da República, Carlos Gomes, que não era republicano, recusou-se a escrever o Hino do Novo Regime, perdendo assim o favor oficial que gozava. Em 1895, foi condecorado pelo Rei de Portugal com a comenda da Ordem de Sant'Lago. Neste mesmo ano, foi nomeado Diretor do Conservatório de Belém, morrendo alguns meses depois.
Além das Óperas, é autor da ode IL Saluto del Basile, cantada na Filadélfia, em 1876, e da cantata Colombo, escrita para o festival Columbus de 1892.
Como compositor, Carlos Gomes, achava-se completamente dominado pela influência italiana, fazendo dela uma melodia apreciável. Não pode deixar de ser considerado uma figura de grande relevo da arte brasileira, embora não propriamente como representante das tendências musicais nacionais. Para nós, é de imenso prazer poder ver a sua Ópera Guarani novamente encenada depois de longos anos.
Antonio Vivaldi
Nasceu em Veneza em 1678, e faleceu em Viena, em 1741. Ordenou-se sacerdote em 1703, sendo dispensado de celebrar missas por motivos de saúde, dedicando-se assim a música, como violinista e compositor. Seu nome permaneceu no esquecimento cerca de duzentos anos.
Atribuí-se papel relevante na evolução do concerto e também do seu instrumento: o violino. Suas obras eram lembradas apenas como um fato histórico e nada mais. Há pouco foi que sua música começou a ser redescoberta, pois há uma procura incessante da música Vivaldiana. É estranho, pois em vida gozou de grande reputação e respeito.
Entre seus admiradores incluía-se Bach, que transcreveu para cravo e para órgão muitos dos seus concertos. Basta lembrar, aqui seu valor, que estas transcrições foram feitas para estudos do próprio Bach, a ponto de muita obra de Vivaldi ser confundida como sendo do genial músico alemão. Além de concertos, escreveu óperas e oratórios (Exemplo a escutar: Vivaldi - As Quatro Estações).
Claude Achille Debussy
Nasceu de 22 de agosto de 1862, em Saint-Germain-en-Laye, e faleceu em 25 de março de 1918, em Paris. O mais destacado e influente músico da sua geração e fundador de impressionismo musical. Ingressou no Conservatório de Paris, onde estudou onze anos. A música de Debussy revela beleza melódica e harmonia refinada, qualidades que se aliam a uma sonoridade delicada com efeitos surpreendentes (Exemplo a escutar: Debussy - "O mar").
Félix Mendelssohn
Mendelssohn nasceu em Hamburgo, em 3 de fevereiro de 1809 e faleceu em 4 de novembro de 1847, em Lipsia. Desde a infância revelou talento musical impressionante. Seus pais, percebendo esta inclinação, encaminharam-no para uma cuidadosa educação musical. Uma série de viagens de estudos à França, Inglaterra e Itália contribuiu para completar sua educação geral. Em poucos anos consegue prestígio, e a Universidade de Berlim ofereceu-lhe uma cátedra. Mendelssohn não aceitou o convite. Mais tarde, aos 24 anos, passou a ser diretor de música e maestro na cidade de Dusseldorí. Em seguida, dirige famosos concertos em toda a Alemanha.
Pode ser considerado o primeiro diretor de orquestra de grande estilo. Foi grande sua atividade como regente, compositor e organizador de concertos. Fundou também um conservatório em Lipsia. Faleceu muito moço, em meio de uma vida intensa de trabalho, cercado de amizades e simpatias (Exemplo a escutar: Mendelssohn - Sinfonia nº 4, op. 90 "Sinfonia Italiana").
Francisco Braga
Nasceu no Rio de Janeiro em 15 de abril de 1868 e aí faleceu em 14 de março de 1945. De origem humilde, ficou órfão aos oito anos. Recolhido e educado no Asilo de "Menores Desvalidos", desde criança apresentou grande pendor para a música. Entrou para o conservatório, onde se dedicou seriamente aos estudos teóricos e ao seu instrumento predileto: o clarinete. Vindo a República, concorreu no concurso aberto para o Hino da Proclamação. Entre trinta e seis concorrentes, quatro apenas foram classificados. Um deles foi Francisco Braga. O Hino escolhido foi o de Leopoldo Miguez. Teve ele, assim como Alberto Nepomuceno, um prêmio de viagem à Europa. Escolheu Paris e lá chegando, em 1890, prestou concurso de admissão, entre vinte e seis candidatos ao conservatório, conseguindo o primeiro lugar. Em 1895 dirige-se à Alemanha a fim de conhecer a obra de Richard Wagner. Permaneceu também algum tempo na Itália. Regressando ao Brasil, desenvolveu grande atividade artística como regente, compositor e professor. Em colaboração com o poeta Olavo Bilac, compôs o Hino à Bandeira Nacional, verdadeira obra-prima, conhecido e cantado em todo o Brasil.
Franz Joseph Haydn
Nasceu em 31 de março de 1732, em Rohrau, e faleceu em 31 de maio de 1809, em Viena. Haydn foi um músico feliz, como um sábio que se acomodou a uma vida muito simples, limitando-se ao mundo em que vivia, que o rodeava e o encantava. Seu pai era um simples carroceiro.
Como Haydn possuía voz bonita, foi enviado a Viena para cantar na catedral. Estudou muito, tornando-se um trabalhador infatigável, pois desejava atingir seu ideal: tornar-se músico compositor. Um príncipe apaixonado por música o chama para sua orquestra na Hungria. É admitido como segundo diretor, logo passa a primeira e se torna chefe da melhor orquestra européia da época com cerca de trinta músicos às suas ordens. Permanece nesta atividade durante trinta anos. Com a morte do príncipe, a orquestra dissolve-se e Haydn recebe uma pensão que lhe garante uma vida despreocupada.
Na Universidade de Oxford, recebe o título de Doutor em Música. Viajou por toda a Europa. É o autor do Hino Nacional Austríaco, que mais tarde, com outro texto, passou a ser também o Hino Alemão. Suas obras começaram a ser editadas em 1908 e o plano total compreende uns oitenta volumes (Exemplo a escutar: Haydn - Sinfonia nº 101 "O relógio").
Franz Liszt
Liszt nasceu em Raiding, Hungria, em 22 de outubro de 1811, e faleceu em Bayreuth em 31 de julho de 1886. Como compositor, criou uma nova forma: o poema sinfônico. As suas obras revelam uma fina cultura musical e literária.
Como pianista, transformou toda a técnica do instrumento. Dono de habilidade impressionante, criou novos efeitos sonoros e de execução. Como tinha a facilidade de tocar tudo o que se imaginava impossível, exercia um domínio extraordinário sobre o público, que permanecia impressionado quando de suas apresentações. Foi, talvez, o músico que mais recebeu condecorações e honrarias, além dos três monumentos que lhe dedicaram, em Oedemburg, Weimar e Stuttgart, respectivamente (Exemplo a escutar: Liszt - Rapsódia Húngara nº 5).
Franz Schubert
Nasceu em 31 de janeiro de 1797, em Viena, onde faleceu em 19 de novembro de 1828. Compositor que deu ao mundo 1250 obras, o que parece irreal considerando-se tão curta existência. Schubert teve uma vida pobre mas alegre, rica de melodias. Recebeu as primeiras lições de seu pai e de um irmão. Quando mais tarde, ao receber aulas de outros maestros, estes, surpresos, declaravam que depois de algumas explicações já não tinham mais o que ensinar ao menino. Haveria nestas afirmações algum exagêro é evidente, mas comprovam a grande precocidade musical de que era dotado.
Nos anos de 1818 e 1824 esteve na Hungria por alguns meses, como professor particular de música. Foi uma das poucas vezes em que se ausentou da sua terra. Vivia só de suas obras, coisa que não sabia valorizar devidamente. Apenas uma vez organizou um concerto a fim de apresentar os seus trabalhos, e isto quase no fim da sua vida. Suas composições, realizadas dentro de um tempo tão curto, são impressionantes, tanto por sua quantidade quanto pela sua qualidade.
Ao falecer foi sepultado ao lado de Beethoven, o que, segundo consta, teria sido o seu desejo. Bem mais tarde, a casa onde nasceu foi transformada em museu e um monumento em sua memória foi construído em Viena (Exemplo a escutar: Schubert - Sinfonia nº 8, D 759 "Inacabada").
Frédéric-François Chopin
Chopin nasceu em 1810 e faleceu em 1849. Era polonês e seu pai era francês. Estudou música na Polônia, sendo suas obras executadas desde cedo.
Como tivesse viajado para o estrangeiro e a Polônia perdido a revolução de 1831, passou a viver na França, pois não podia mais voltar à sua Pátria. Chopin teve um caso amoroso com a romancista George Sand, e os salões aristocráticos eram sempre animados ao som de seu piano. Logo cedo manifestou-se a tuberculose que o mataria aos 39 anos. Chopin sempre dedicou-se às formas pequenas. Seus dois concertos para piano e orquestra não foram muito felizes. A Sonata em si bemol, a qual contém a Marcha Fúnebre, foi a que lhe deu glória universal. Depois de Beethoven, o compositor mais executado para piano foi Chopin. Ele representa, para a música um inventor de novas harmonias e da extraordinária arte da modulação.
Chopin compôs vários estilos, tais como: Noturnos; Prelúdios; Scherzoz; Baladas; Improvisos; Polonesas; Valsa; Mazurcas e Estudos (Exemplo a escutar: Chopin - Noturno, opus 9, nº 2).
George Friedrich Handel
Handel nasceu em 23 de novembro de 1685, em Halle, e faleceu em 14 de abril de 1759, em Londres. Começou os estudos de órgão quando criança, aprendendo também violino, oboé e matérias teórico-musicais. Após falecimento de seu pai, e para atender a seu pedido, matriculou-se na Universidade de Direito de Halle. Transferindo-se para Hamburgo, caminhou-se definitivamente para a música. Dirige-se mais tarde para a Itália, em seguida até sua morte. Foi sepultado na Abadia de Westminster, na qual um monumento assinala o seu jazigo. Posteriormente foi feita edição completa de suas obras num total de 94 volumes. A coleção de 94 volumes com seus autógrafos encontra-se no Palácio de Buckingham. Apesar de alemão, é considerado pelos ingleses como seu maior músico (Exemplo a escutar: Handel - O Messias).
Giuseppe Verdi
Nasceu em 10 de outubro de 1813, em Roncole, e faleceu em 27 de janeiro de 1901, em Milão. Verdi representa uma das mais ilustres figuras do teatro musicado de todos os tempos, e com Wagner, o maior compositor de óperas do século XIX. De origem modesta, recebeu as primeiras lições de música de um organista da matriz de sua terra natal.
Aos dezoito anos de idade é enviado, graças à proteção de amigos, a Milão, a fim de continuar seus estudos. Não pode, porém, entrar no Conservatório por ter passado da idade exigida. Começa a ter aula particulares, e assim o fez durante três anos. Volta à sua terra, onde passou a trabalhar como maestro e diretor de escolas de música. Estréia como compositor de óperas praticamente em 1839.
Sua música passou a despertar o ardor patriótico dos seus conterrâneos, na ocasião dominados pelos austríacos. Suas melodias assemelhavam-se a verdadeiros hinos, cantados pelo povo na luta pela sua independência. Á medida em que passavam os anos, Verdi foi realizando um progresso, em aperfeiçoamento constante dos seus meios de expressão, um afinamento do seu ofício. Conservando a forma que herdou dos seus antepassados, Verdi renovou a ópera italiana, conservando através da sua longa existência de trabalhos e de glórias as características de sua pátria, dos seus concidadãos (Exemplo a escutar: Verdi - A Força do Destino).
Heitor Villa Lobos
Nasceu em 5 de março de 1887, no Rio de Janeiro, onde faleceu em 17 de novembro de 1959. Seu pai adorava música e chegou a estudar violoncelo, instrumento que mais tarde colocou na mão do seu filho para que o estudasse. Faleceu cedo, deixando o encargo da família à viúva, mulher enérgica a quem não faltava coragem e decisão para lutar. Teve a alegria de ver a ascensão do filho, pois ao falecer em 13 de março de 1946, deixou-o em plena glória nacional e internacional, coisa que nenhum compositor brasileiro havia atingido antes dele.
Sua primeira composição data de 1900. Dentro em pouco torna-se somente músico e não se completa a grande aspiração materna: fazê-lo médico. Só da música passou a viver e nunca parou de escrever. Sua produção musical tornou-se vertiginosa.Quando jovem, levou vida errante, percorrendo o Brasil, tocando, estudando, familiarizando-se com a música popular e recolhendo impressões que mais tarde iriam servir de fundamento para muitas das suas obras.
Em 1913 abandona sua viagens pelo interior do país, fixando-se no Rio de Janeiro, já de posse de avultada obra que no ano de 1915 apresenta ao público. Por ser um inovador, naquela ocasião não foi bem compreendido por uma parte do público e da crítica. Em 1923 parte para a Europa, e em Paris escreve e observa. Ao regressar, dá concertos de obras suas em São Paulo, Rio e Buenos Aires. Retorna à Europa em 1927, onde permanece três anos. Nesta segunda viagem convive com grandes compositores e artistas famosos em todo o mundo. Ao regressar, empolga-o uma idéia: promover a educação musical do povo; despertar em todo o Brasil o interesse pela arte. A partir do ano de 1930,é colocado na direção da Superintendência da Educação Musical Artística e cria o Orfeão dos Professores.
Igor Stravinsky
Compositor russo, naturalizado francês e, mais tarde, norte-americano. Nasceu em 1882, e faleceu em 1971. Tornou-se célebre com o balé o Pássaro de Fogo, que estreou em Paris em 1913. Renovou a estética e a técnica musical, exercendo grande influência nos autores modernos.
Desde os sete anos, Stravinsky já estudava piano. Seus estudos musicais quase foram feitos, durante algum tempo, didaticamente, enquanto realizava o curso de Direito na Universidade de São Petersburgo. Durante os anos de 1906 a 1908 estudou com Rimsky-Korsakov, datando desta época algumas de suas composições. A partir de 1910, suas obras e seu nome se projetam além de seu país. Durante a Primeira Guerra Mundial viveu na Suíça. A partir de 1920 residiu em várias cidades francesas, inclusive Paris, e em 1941 veio viver em Beverly Hills, Califórnia.
Suas composições, marcadas pelo selo inconfundível gênio, colocam-no na posição de um dos maiores criadores musicais de todos os tempos. Dono de grande poder intelectual, cada nova obra sua se apresenta como se fosse a única, pela utilização de técnicas diversas, assim como pela colocação de novos problemas de forma e realização. Outras obras: Petruchka; A Consagração da Primavera; Polca para Elefante de Circo; Ebony Concerto (para jazz); Sinfonia de Salmos; Cântico Sacro em Honra ao Nome de São Marcos; As Núpcias; Pulcinella; O Beijo da Fada; Jogo de Cartas; Histórias do Soldado; Rouxinol; Mavra; A Jornada do Libertino; O Dilúvio; etc (Exemplo a escutar: Stravinsky - A Consagração da Primavera).
Jean Sibelius
Sibelius nasceu em 8 de dezembro de 1865, em Tavastehus, Finlândia, e faleceu em 20 de setembro de 1957, em Helsinki. Foi professor de violino e teoria musical do conservatório de Helsinki. Considerando o chefe da escola musical finlandesa, Sibelius inspirava-se principalmente em temas nacionais, não obstante sua música conter mensagem universal. Entre suas obras destacam-se a ópera A Donzela da Torre; músicas de cena como Kuolema, que inclui a Valsa Triste; os poemas sinfônicos: Finlândia e Tapiola; canções; música de câmara: Voces Intimae, etc (Exemplo a escutar: Sibelius - Finlândia, op. 26).
Johann Baptist Strauss Jr
Johann Baptist Strauss Jr. nasceu em Viena, a 25 de outubro de 1825, trazendo no sangue um talento musical fora do comum, que certamente herdou de seu pai Johann Strauss. "O velho", como era chamado o respeitado violinista e compositor, foi um dos precursores, ao lado de Lanner, da valsa genuinamente vienense.
Logo cedo, tornou-se evidente a inclinação do menino Johann para a música. Mas seu pai, que ao longo da vida havia experimentado tantos triunfos como decepções, não queria que os três filhos, Johann, Joseph e Eduard, enveredassem pelos caminhos da música. Com o sonho de uma carreira estável, um futuro mais tranqüilo e seguro, ele proibiu terminalmente o violino a seus filhos, embora lhes permitisse lições de piano.
Mesmo assim, certo dia, o velho Strauss ouviu uma de suas músicas ao som de um violino. Intrigado, saiu à procura do misterioso solista, deparando-se com seu filho Johann em frente ao espelho, garbosamente empunhando um violino e extraindo dele notas melodiosas e precisas. Furioso, tomou-lhe o instrumento das mãos e no dia seguinte matriculou-o em uma escola de comércio. Johann, porém, tinha na mãe, Ana Streim, uma aliada em suas pretensões artísticas. Logo ela arranjou-lhe outro violino e procurou Franz Amon, músico da orquestra paterna, para que ele, em segredo, desse aulas particulares ao menino.
Em 1842, o pai abandonou a família para um novo casamento, e assim, o caminho de Strauss ficou totalmente livre para que prosseguisse em seus estudos de violino com Amon, e se aprofundasse em teoria com o regente do coral da Catedral de St. Stephen, Joseph Drexter. Dois anos depois, contratou 24 músicos e aos 19 anos de idade fez sua estréia como regente. Naquele dia, 15 de outubro de 1844, começava a brilhante carreira de um dos mais admirados compositores de todos os tempos, Johann Strauss, cognominado "O rei da valsa".
Com a morte do pai, em 1849, Strauss juntou a orquestra de ambos e prosseguiu em sua gloriosa trajetória, alcançando com sua música magnética e atraente figura grande popularidade. Sempre regia as orquestras com o seu violino em uma das mãos, juntando-se aos demais músicos, em alguns trechos, quando tornava-se parte integrante da seção de cordas. Essa cena logo virou lenda por toda a parte e Strauss idolatrado por sua gente. Diziam até que o Império Austro-húngaro contava com dois soberanos: Francisco José, "o progressista imperador" e Johann Strauss, "o rei da valsa". Porém, enquanto o primeiro governava apenas o seu império, Strauss dominava o mundo inteiro.
O compositor casou-se três vezes, sendo sua primeira esposa a cantora Henriette (Jetty) Treftz, com quem viveu durante 16 anos. Com a morte de Jetty, uniu-se à frívola atriz Angelika Dittrich. Mas, após nove anos de conturbada convivência, divorcio-se, contraindo matrimônio com a jovem viúva de um próspero banqueiro, Adele Deutsch, cujo amor fê-lo reviver.
Além da popularidade de sua música, Strauss granjeou a admiração e o respeito de grandes músicos da época. Schuman, Mendelssohn, Liszt, Chopin, Wagner e até mesmo o vetusto e profundo sinfonista Brahms sentiram-se irresistivelmente atraídos pela alegria contagiante de suas composições.
Strauss escreveu várias valsas, tais como: Danúbio Azul, Contos dos Bosques de Viena, Rosas de Sul, Vozes da Primavera, entre outras.
Johann Strauss Jr. faleceu no dia 3 de junho de 1899, em Viena, deixando como herança aos amantes da música e da natureza, um inestimável tesouro: a inesgotável riqueza de suas melodias fluídas e cristalinas, que ecoam sublimes até os dias de hoje.
Johann Sebastian Bach
Nome de músicos alemães que através de gerações ocuparam lugar proeminente na história da música. Essa família, onde a música era cultivada desde a infância, teve seu esplendor em Johann Sebastian Bach, o qual deixou, após sua luminosa vida, seus descendentes, que até meados do século XIX, mantêm as tradições musicais da família. Bach nasceu em Eisenach em 21 de março de 1685 e faleceu em Leipzig, em 28 de julho de 1750.
Foi organista e mestre de capela em várias cortes e igrejas alemãs, por último em São Tomás de Leipzig. Em sua imensa e prodigiosa produção, culmina e se resolve toda a arte contrapontista do barroco, em manifestações, especialmente religiosas, de incomparável majestade: Paixões, Cantatas, uma Missa católica para vozes e orquestra, concertos, suítes para orquestra, Tocatas, Fantasias, Prelúdios e Fugas, suítes para órgão ou cravo e sonatas para violino. Dos seus 20 filhos músicos, ficaram célebres Wilhelm Friedmann, organista e compositor, Carl Philipp Emanuel, apelidado "Bach de Berlim", Johann Christian, organista da Catedral de Milão que foi professor de Mozart quando este era menino.
Bach foi um criador que produziu sempre e continuadamente. Costuma-se dividir sua produção em três períodos, de acordo com o tipo de suas ocupações nas três principais cidades onde residiu: período de Veimar, caracterizado pela composição de obras para órgãos; período de Cöthen, onde compôs as obras instrumentais seculares ou didáticas; período de Lipsia, época das grandes obras religiosas: as Cantatas, as Paixões, as Missas. Fora a ópera, Bach cultivou todos os gêneros musicais do seu tempo com a mesma maestria e a mesma perfeição. A maioria das suas obras vocais eram religiosas. Da enorme produção de Bach, apenas uma parte muito reduzida foi publicada durante sua vida. Uma edição completa de suas obras começou a ser publicada em 1850, por iniciativa da Sociedade Bach, fundada em Leipzig, continuando até 1900, num total de 59 a 60 volumes (Exemplo a escutar: Bach - Tocata e Fuga em Re menor).
Ludwig Van Beethoven
Compositor alemão, nascido provavelmente em 16 de dezembro de 1770 e falecido em 26 de março de 1827 em Viena. Desde criança, Beethoven mostra de grande talento musical. Seu pai, Johan (1740 - 1792) também músico, tenor na capela de eleitor de Colónia, era também filho de um músico de Malines, que se veio estabelecer em Bona em 1732. A mãe, M.M. Keverich (1746 - 1787) era filha de um cozinheiro. Teve sete filhos, de que só três sobreviveram.
Começou seus estudos em Bona. Em 1787 foi enviado a Viena a fim de estudar com Mozart, mas após algumas semanas volta à sua terra em virtude do falecimento de sua mãe. No ano de 1792 transfere-se definitivamente aquela cidade. Como Mozart havia falecido no ano anterior, Beethoven procurou Haydn, com quem também permaneceu pouco tempo. Continuando seus estudos, projetou-se como compositor e pianista na sociedade vienense.
Trabalhador incansável, à medida que se impunha como músico, ia aos poucos se afastando de tudo e de todos, vitima da surdez, sua instabilidade cresce (mudou quarenta e quatro vezes de casa, durante sua vida, regressando muitas vezes a antigos domicílios).
Em 1808, houve a primeira audição no teatro Ander Wien das Quinta e Sexta Sinfonias, da Fantasia para piano, coro e orquestra e do Quarto Concerto. Sucesso medíocre, é a última vez que Beethoven consegue tocar um concerto em público. Em 1815, agrava seu estado de saúde. surdez, infecções pulmonares, hepáticas, oculares. Durante cinco ou seis anos, quase não trabalhou. Já em 1824, houve a primeira audição da Nona Sinfonia e da Missa solemnis. Parece estranho ao seu triunfo, já que a cinco anos que não ouvia nada.
Beethoven faleceu na tarde de 26 de março de cirrose no fígado. No seu funeral estavam presentes Czerny e Schubert. De suas obras, Beethoven deixou: duas missas (dó maior e Missa solemnis); o oratório Cristo no monte das oliveiras; diversas obras corais; a ópera Fidelio; o balé as Criaturas de prometeu; aberturas e música de cena para Leonor (Fidelio); Egmont; Coriolano; As ruínas de Atenas; nove sinfonias; cinco concertos para piano; uma Fantasia para piano, coro e orquestra; trinta e duas sonatas; uma série de variações e Bagatelas para piano; dez sonatas para violino e cinco para violoncelo; dezessete quartetos de cordas; e uma infinidade de outras obras para música de câmara (Exemplo a escutar: Beethoven - Sinfonia nº 6, op. 68 "Pastoral", Allegro ma no troppo).
Maurice Ravel
Nasceu em 7 de abril de 1875, em Ciboure, e faleceu em 28 de dezembro de 1937, em Paris. É considerado como um dos melhores compositores franceses de todos os tempos. Fazia tudo caprichosamente calculado, para que houvesse uma realização perfeita. Seus trabalhos demonstram serenidade, delicadeza e equilíbrio.
Suas produções orienta-se essencialmente para o teatro e a dança. Obras: Habanera; Malagueña; e o Bolero, que escreveu sob encomenda da bailarina Ida Rubinstein (1928). É conhecido também pelo O Menino e Os Sortilégios (1925) e por numerosas composições pianísticas, vocais e instrumentais. O seu estilo impressionístico não esqueceu as formas clássicas da música (Exemplo a escutar: Ravel - Bolero).
Modest Petrovitch Mussorgsky
Mussorgsky nasceu em 21 de março de 1839, em Karevo, e faleceu em São Petersburgo em 28 de março de 1881. Pertencendo a uma abastada família de origem nobre, não foi destinado à música, muito embora desde criança revelasse disposições artísticas. Ingressou na Escola de Cadetes em São Petersburgo e, interessando-se pela antiga música religiosa russa, passa a estudá-la e tenta algumas composições.
Aos poucos vai-se distanciando cada vez mais da carreira militar para se dedicar inteiramente à música. Foi um compositor que, pelas inovações, se adiantou bastante no seu tempo. Pode ser considerado moderno, precursor de uma revolução estética, seguida mais tarde por Debussy, Ravel e Stravinsky (Exemplo a escutar: Mussorgsky - Quadros para uma Exposição).
Peter Ilytch Tchaikovsky
Nasceu em 7 de maio de 1840, e faleceu em 6 de novembro de 1893, em São Petersburgo. Quando criança não foi destinado a carreira musical, embora estivesse estudado piano desde pequeno. Seus pais encaminharam-no para o curso de Direito, tendo ingressado na Escola de Jurisprudência de São Petersburgo. Terminado o curso jurídico, passou a trabalhar como advogado, não descuidando, porém, da música, praticando-a como simples amador.
No ano de 1861, encara com mais seriedade a teoria musical, sente sua vocação e se decide, à custa de sacrifícios materiais, tornar-se compositor profissional. Terminando o curso em 1865, é convidado no ano seguinte a assumir o cargo de professos de harmonia do Conservatório de Moscou, recém fundado. Data daí em diante sua vida pontilhada de êxitos e alegrias, de lutas e de tristezas.
Suas composições são significativas. Para seu sustento, via-se obrigado a dividir seu tempo entre a composição, o magistério e a crítica musical, tarefas, as duas últimas, que o esgotavam, além de contrarias ao seu temperamento sujeito a depressões nervosas.
Sua vida envolve uma das mais estranhas e curiosas histórias da vida de um artista. Uma rica e culta senhora admiradora do músico e sabendo das suas dificuldades materiais, garante-lhe uma pensão anual de 6.000 rublos para que ele possa dedicar-se inteiramente à arte, sem outras preocupações. O mais curioso, e agora vem a estranheza da história, é que durante treze anos, tempo que durou a ajuda, protetora e protegido nunca se encontraram, havendo apenas uma troca constante de correspondência que forma um documentário de três grossos volumes. Esta proteção financeira foi de grande amparo e estímulo para o mestre, que a partir de então ofereceu os melhores frutos do seu gênio. poucos compositores terão tido tanta popularidade universal como Tchaikovsky, possuidor de uma personalidade inconfundível (Exemplo a escutar: Tchaikovsky - Quebra-nozes, Suíte op. 71a).
Richard Wagner
Nasceu em 22 de maio de 1813, em Leipzig, e faleceu em 13 de fevereiro de 1883, em Veneza. Wagner, na opinião de muitos críticos, é considerado o maior compositor dramático de todos os tempos. As qualidades de compositor, aliou também às de regente, poeta, dramaturgo, filósofo e escritor. Foi na sua época um artista revolucionário. Dominou o pensamento artístico do seu tempo, tornando-se uma espécie de sol, em torno do qual todos os músicos gravitavam. No campo da harmonia levou o cromatismo às últimas conseqüências, anunciando o atonalismo.
Com a prática que tinha de orquestra, alargou-lhe os recursos técnicos e expressivos, indicando direções para a instrumentação do século XX. Tal como só acontece aos gênios, abriu perspectivas para o futuro musical. Suas obras revelam mentalidade poderosa e criação personalíssima.
Aborrecido por verificar que suas obras eram representadas por partes e de modo deficiente, imaginou apresentá-las em festivais anuais e um teatro que fosse de sua propriedade. No ano de 1871, mudou-se para Bayreuth, cidade escolhida; começou a trabalhar, e em 13 de agosto de 1875 apresentava seu drama musical "O Anel" com tanta solenidade que quase se considerou um acontecimento nacional.
Em plena faculdade mental e intelectual, faleceu aos setenta anos, vítima de uma ataque cardíaco. Seus restos mortais acham-se sepultados em Bayreuth, Esta cidade passou a ser um centro de peregrinação, vindo para ela pessoas de todas as partes do mundo, num verdadeiro culto wagneriano (Exemplo a escutar: Wagner - Rienzi)
Robert Schumann
Nasceu em 8 de junho de 1810, em Zwickau, e faleceu em 29 de julho de 1856, em Endenich. Fez seus estudos secundários em sua terra natal e, embora já aos seis anos de idade tivesse recebido lições de piano, sua vida não se destinava à carreira musical. Revelou, porém, grande talento pianístico, como também aos doze anos começou a compor. Entusiasmando-se por Schubert, e inspirando-se nele, escreve, a partir de 1827, as suas primeiras canções. Seus estudos de direito, que haviam sido tão bem começados, são depois de certa época abandonados para dedicar-se só à música. Sua arte, ora sensível, ora sonhadora e outras vezes heróica, demonstra e sintetiza todo o caráter musical alemão (Exemplo a escutar: Schumann - Sinfonia nº 4, op. 120).
Sergey Rachmaninoff
Nasceu em 1 de abril de 1873, em Novgorod, Rússia, e faleceu em 28 de março de 1943, na Califórnia. Pianista e compositor, foi um dos melhores do seu tempo.
Em seus trabalhos procura associar a música ocidental ao folclore russo. Óperas: Aleko,Skupoy Vsadnik ( O Cavaleiro Avarento), Francesca da Rimini. Deixou mais: concertos para piano, música de câmara, canções, etc (Exemplo a escutar: Rachmaninoff - 2º Concerto para piano e orquestra, 3ºº Movimento)
Wolfang Amadeus Mozart
Mozart nasceu em 27 de janeiro de 1756, em Salzburgo, e faleceu em 5 de dezembro de 1791. Foi um gênio que quase despensa comentário, tal sua importância no cenário da música universal. Viveu apenas 35 anos e 10 meses, mas produziu aproximadamente 759 obras para a humanidade. Todas elas pertencem à perfeição do gênero, sejam óperas, sinfonias, músicas instrumentais ou religiosa.
Seu pai, hábil musicista, bem cedo percebeu os pendores artísticos de seu filho. Passou, então, a cuidar seriamente de sua educação musical. Muito criança ainda, Mozart já causava admiração e entusiasmo nas suas exibições quando tocava piano e, mais tarde, violino. Em companhia do pai e de sua irmã, começou a viajar. Em Paris, aos sete anos, publica as suas primeiras composições. Coberta de glórias, a família Mozart continua a viajar e, após uma ausência de três anos, regressa a Salzburgo para o menino continuar seus estudos.
Aos onze anos viaja à Itália e aos quatorze apresenta neste mesmo país, em Milão, sua primeira ópera, no Teatro Scala. Em pouco tempo, com os triunfos conseguidos em toda a Europa, atinge a consagração. Suas obras estão sempre vivas apesar de haverem sido escritas há muitos anos. É o prêmio que ele desejou com o mais absoluto fervore com a maior abnegação.
Encarado pela universalidade do talento, pela rapidez com que criava, pela influência duradoura que exerceu sobre a arte, pelo progresso constante do gênio detido em plena marcha e na flor da idade. Mozart é certamente único entre os músicos. Inútil procurar classificá-lo entre os maiores compositores de todos os tempos, pois as opiniões variam de acordo com o gosto e a sensibilidade de cada um. Mas a humanidade não lhe pode negar o direito às maiores honras das que se tributam aos homens ilustres. Sua obra é um monumento que brilha em toda espécie de música, desde a melodia simples de uma canção à elevada e apaixonada sinfonia ou ópera. A humanidade nunca se esquecerá de Mozart enquanto a música tiver sobre os homens o poder que tem de unir e de pacificar. Sua vida já foi lembrada em mais de cinqüenta livros biográficos, em doze de poesia, assim como no cinema (Exemplo a escutar: Mozart - Abertura de "A flauta mágica").