Musicalidade - Estréia show Zélia Duncan

Bob Dylan, um mito cultural americano

RAUL FERNANDES

ReproduçãoRobert Allen Zimmerman, Bob Dylan, chega aos 60 anos e ao século XXI, neste 24 de maio, acima do bem e do mal na história da música moderna. Sua importância no desenvolvimento do rock só é rivalizada pelos Beatles. Eles mesmos deram novo rumo a seu trabalho, após entrarem no mundo das drogas alucinógenas, através de Dylan, que lhes ofereceu o primeiro cigarro de marijuana, em 1964.

Neste ano, ele ainda recebeu uma consagração de Hollywood, com o Oscar de melhor canção pela música "Things Were Changed", da trilha sonora do filme "Wonder Boys", de Curtis Hanson.

O cantor e compositor americano Bruce Springsteen disse recentemente: "Todos devem algo a Bob Dylan. Os cantores de hip-hop, passando por Marvin Gaye, até o "Anarchy in the UK" têm algo de suas raízes em Dylan". Para Lou Reed, o punk eterno de Nova Iorque, "Dylan é o primeiro punk".

Afinal, como e quem é o homem que compôs 453 canções, algumas delas gravadas eternamente na memória do mundo desde os anos 60 - como "Blowin’in the Wind", "The Times they Are A-changin", "A Hard Rain’s A-Gonna Fall", "Like a Rolling Stone", "Mr. Tambourine Man"? Uma década que sacudiu os costumes do século XX, e da qual Dylan foi um dos principais arquitetos de sua legenda.

Um ícone dos anos 60

Nascido em Duluth, no estado do Minnesota, em 24 de maio de 1941, desde os 10 anos Bob ensaiou fugas da casa dos pais, judeus, até o abandono da Universidade de Minnesota, em 1960. Foi na universidade que ele adotou o sobrenome Dylan, em homenagem ao seu poeta favorito de então, Dylan Thomas. Em janeiro de 61, ele ia definitivamente para Nova Iorque.

Na megalópole, Bob Dylan entremeou ligeiras aparições em bares "folk" do Greenwich Village, bairro de que ele ajudaria a construir a fama , com visitas constantes a um hospital para ver seu herói musical, o menestrel das pradarias americanas, Woody Guthrie. Em meados de 61, Bob já abria shows para John Lee Hooker no "Gerde’s Folk Club", no Village.

Nesse mesmo ano, depois de tocar gaita em disco de Harry Belafonte, Bob conheceu o empresário Albert Grossman, que iria mudar sua vida profissional. No final de 61, Dylan assinou com a CBS (atual Sony Music) e gravou, com "blues" tradicionais, seu primeiro disco, chamado simplesmente "Bob Dylan", lançado em março de 62. O disco não acontece muito, mas um vento soprado por Nova Iorque, sussurrava que os tempos começavam a mudar a partir do Greenwhich Village.

Os tempos mudam

Pois o segundo disco, "The Freewheelin Bob Dylan", já catapultava Dylan para a fama. Canções como "A Hard Rain’s A-Gonna Fall", "Blowin’in the Wind" e "Masters of War" tornavam-se logo clássicos e o colocavam na linha de frente do movimento de protesto que surgia entre a juventude da época.

"The Times They Are A-Changin’", o disco seguinte, provocou ainda mais reações políticas, por canções que abordavam o drama dos negros na América de então, o pacifismo e a posição antiguerra. A profética música título do LP transforma-se, desde o lançamento, na antena das rebeliões de jovens que começavam a sacudir o mundo.

Sua produção seguinte, os álbuns "Another Side of Bob Dylan" e "Bringing it All Back Home", demonstra seu envolvimento pessoal, com as drogas, e poético, com o surrealismo, através das canções "Mr. Tambourine Man", "Gates of Eden" e "Subterreanean Homesick Blues". Pouco depois, Bob iniciou um envolvimento amoroso com a engajada cantora Joan Baez, após ter sido abandonado pela sua primeira grande paixão de adulto, Suze Rutolo.

Com Baez, Dylan parte para um tour na Europa, que gera um documentário, "Don’t Look Back", de Don Pennebaker. Joan Baez também o abandona no meio do giro.



 
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