ORDEM TEMPLÁRIA
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Cavaleiros Templários

      

CONTEÚDO:   

      

       Conquistada pelos cristãos na Primeira Cruzada, em 1098, Jerusalém estava de novo cercada pelos árabes em 1116, que mesmo derrotados não saíram da região, atacando e roubando os peregrinos.

       Foi quando os nobres franceses Hugo de Payen e Geoffroide Saint-Omer juraram, na Igreja do Santo Sepulcro (o templo dos cristãos), viver em perpétua pobreza e defender os peregrinos que vinham à terra Santa. Assim, em 12 de junho de 1118 nascia a Ordem dos Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de Salomão, renomeada, em 1119, como "Ordem dos Cavaleiros do Templo" (algumas vezes chamados de: Cavaleiros de Cristo, Cavaleiros do Templo, Pobres Cavaleiros, Ordem do Templo, O Templo, etc. Mas ficaram conhecidos na história como "Ordem dos Templários") - que nasceu, assim, da idéia de Cruzada, a qual veio a justificar e legitimar uma instituição ao mesmo tempo religiosa e militar, votada à "guerra santa".

       Foi com gratidão que a Igreja Católica recebeu os serviços de Payen e seus pios cavaleiros. Nove Cavaleiros então, liderados por Hugo de Payen, todos veteranos da Primeira Cruzada, estabeleciam a Ordem. O seu objetivo era vigiar as estradas e escoltar os peregrinos, garantindo uma passagem segura entre o porto de Jaffa (na atual Israel) e a cidade de Jerusalém.

       Mesmo servindo às necessidades da cristandade, uma ordem religiosa marcial estava em franco conflito com a política tradicional da Igreja, que proibia os membros do clero de portarem armas. Os cavaleiros eram uma classe guerreira, e a Igreja tendia a vê-los como ímpios e licenciosos.
 

      
 

       Bernardo de Clairvaux - Em 1095, Bernardo de Clairvaux (fundador da Ordem Cistercense - ou monges-brancos uma dissidência dos monges beneditinos) descreveu-os como "velhacos descrentes, saqueadores, sacrílegos, homicidas, perjuros, adúlteros". Apesar da opinião que tinha dos guerreiros em geral, Bernardo era um grande admirador da ordem e seu patrono oficioso. Chamando-os de "executores legais de Cristo", absolveu os templários do pecado de matar, contanto que suas vítimas fossem inimigos da Igreja.

       No Outono de 1127 - Payens, então já conhecido pelo título de grão-mestre dos templários, e mais 5 cavaleiros, vão a Roma pedir o reconhecimento do papa e a busca de novos cavaleiros. Lá entraram em contato com Bernard de Clairveaux que se interessa pela ordem. Conseguiu atrair para o seu lado o monge francês Bernard de Clairvaux, abade do monastério cistercience de Clairvaux (canonizado como São Bernardo). O monge era provavelmente o intelectual mais influente da Europa, capaz de convencer papas e imperadores, e também um místico apaixonado. Bernard era sobrinho de André Montbard (um dos nove cavaleiros originais) e com 28 anos tinha se tornado um cruzado, mas por problemas gástricos trocou a espada pela cruz.

      
        São Bernardo

       Quando se une a Ordem, foi imbuído com os ideais e convicções do Cavaleiros da Borgonha. Ele era contra os cavaleiros que usavam cabelos longos, jóias, sedas e plumas.

       Bernard reconhece o significado de canalizar a energia da nobreza. Redigiu uma carta manifesto chamada "Em prece de uma nova cavalaria" onde exortava a todos para se alistarem nas fileiras cruzadas e lutar a batalha do Senhor e ser soldados de Cristo para a salvação da Terra-Santa das garras dos infiés. (muçulmanos e judeus). Também escreve uma carta a Hugues de Payens pedindo a cooperação da Ordem para reabilitar e converter "Criminosos sem Deus, ladrões, assassinos e adúlteros", porém que estivessem dispostos a se alistar nas fileiras das cruzadas pela libertação da Terra Santa. Ele exortou a reis e nobres a doar terras, dinheiro, tempo pessoal aos Templários, sendo ele o agraciado pelas terras de Champanhe por Payens, onde montou o seu pequeno império. Bernard foi chamado pelo Conselho de Troyes, França, realizado em 13 de janeiro de 1128. Os bispos de Troyes e de Auxetrre, muitos ábades, entre eles o abade de Citeaux, e Bernard, decidiram reconhecer oficialmente os "Cavaleiros Templários", tal como vieram a ser conhecidos, como uma nova ordem religiosa. O Papa Honório II sancionada e aprova a "Ordem Templária", dando a eles uma vestimenta especial, um hábito e um manto brancos e uma constituição, que dizia que: Os cavaleiros do nobre origem lutavam; Os sargentos ajudavam os Cavaleiros, Os padres eram encarregados das coisas religiosas e os servos ou ajudantes faziam os trabalhos menos nobres. Criando assim uma hierarquia, já não dava para Hughes comandar sozinho. Além de se tornar uma organização altamente organizada, disciplinada e habilidosa.

       Diz-se que a Bernard coube a tarefa de criar as regras da Ordem (que foi discutida e um pouco modificada com o passar dos anos), vindo a se tornar o patrocinador e patrono oficial da Ordem. Também elaborou para ela um conjunto de normas de conduta diária, indispensável para qualquer comunidade religiosa da época. Ainda havia gente dentro da Igreja que não era exatamente fã da idéia de monges matando em nome da fé. O futuro santo escreveu então uma carta que justificava, com toda a elegância teológica, a guerra em defesa de Jesus. "O soldado de Cristo (...) é o instrumento de Deus para a punição dos malfeitores e para a defesa dos justos. Na verdade, quando ele mata malfeitores, não se trata de homicídio, mas de malicídio", afirmou Bernardo no Livro para os Soldados do Templo - Do Louvor do Novo Exército. Durante toda sua vida monástica escreveu numerosos sermões e ensaios externando o seu espiritualismo contemplativo. Sua obra mais conhecida foi Adversus Abaelardum. Nela combateu as teorias do teólogo e filósofo Pedro Abelardo, por não aceitar as interpretações racionalistas que, segundo Bernardo, desvirtuavam a fé exigida pelos mistérios de Deus. Bernardo de Claraval fundou 163 mosteiros em vários países da Europa. Foi canonizado em 1174 pelo papa Alexandre III com o nome de São Bernardo.

       De 1120 até 1140 tudo é especulativo; pouco se ouve falar das atividades dos Templários, coisa que, na verdade, dificulta bastante quem tenta estudar a evolução da Ordem. Os documentos sobre essa fase de sua história são escassos. Durante cerca de 9 anos, Hugo de Payen viveu com os oito companheiros em Jerusalém sob a proteção do rei Balduíno I (irmão mais velho de Godofredo de Bouillon) sem, no entanto, fazer nenhuma aparição em público. Especula-se que seus membros tenham dedicado-se somente a trabalhos sobre o plano metafísico, sem participar nos combates e na política.

       Seria infantil crer que a Ordem do Templo surgiu para defender Jerusalém, ou para guardar o Santo Sepulcro, ou para proteger os peregrinos (9 cavaleiros querendo brigar com todos os salteadores da Palestina!). Os historiadores mesmo não acreditam nessa versão, mas são obrigados a se contentarem com as conjecturas, pois não puderam descobrir nenhum documento sobre a Missão Esotérica da Ordem. Para a maioria dos historiadores, porém, o motivo do silêncio sobre a ordem nesses primeiros anos se dá porque ela ainda não despertava interesse. Porém, outras milícias militares prosperavam,,, e pouco a pouco, começou também, lentamente, a aumentar o poder templário. O que se sabe é que durante esse período fizeram diversas escavações na região do Templo. Não se sabe o que eles encontraram sob o templo; mas a lenda de que teriam encontrado um grande tesouro persiste até hoje [os mitos se propagaram: uns diziam que teriam achado o Santo Graal, outros que acharam a cabeça de João Batista, ou um livro com o registro dos descendentes de Jesus Cristo]. Alguns autores sugerem que o contato com a tradição esotérica oriental e com o misticismo judeu modificou os fundamentos internos da Ordem, que fechou seus segredos em um círculo interno reservado. Convém ressaltar que o Templo de Salomão era o local mais santo dos Judeus e era riquíssimo. Antes do segundo templo ser destruídos pelos romanos em represália a um levante judeu contra o poder de Roma, os sacerdotes teriam enterrado grande parte da riqueza como forma de evitar que fossem tomadas pelas legiões.

      

Representação do Graal - cujo primeiro proprietário teria sido José de Arimatéia, que teria cedido sua residência para a reunião dos apóstolos por ocasião da Páscoa (Santa Seia).

       Após a construção de um imenso exército, os Templários se voltaram para seu propósito inicial, a proteção dos peregrinos. Ajudaram as tropas nas batalhas cristãs de expansão e defesa contra os ataques muçulmanos.

       Embora tenha sido criada supostamente para a defesa da Terra Santa, é na Península Ibérica que os Templários em 1128 fazem os seus primeiros combates, quando D. Teresa, viúva do Conde D. Henrique - mãe de D. Afonso Henriques - lhes confiou a tarefa de conter o avanço do Islã e guardar as fronteiras do Sul do Condado Portucalense. Supõe-se que foi em 1126 que apareceu um núcleo de cavaleiros da milícia em Portugal. É durante o governo de D. Teresa que os Templários fundam a sua sede no castelo de Soures no rio Mondego, construindo o castelo de Tomar no reinado de D. Afonso Henriques, para onde se haviam de instalar, posteriormente, de forma definitiva com a sua sede, distinguindo-se nas conquistas dos castelos a norte e a sul do Tejo.

      
Castelo de Tomar - sede dos Templários na Penísula Ibérica

       Na Terra Santa, Balduíno II, rei de Jerusalém (que era na verdade, um descendente da nobreza francesa, da casa D'anjou), cedeu-lhes o estábulo ao lado do que ele julgava ser o Templo de Salomão - na verdade, era a Cúpula da Rocha (ou a mesquita Al-Aqsa, construídas pelos muçulmanos no lugar onde o templo havia existido na época de Jesus) - como residência e quartel, origem do nome da ordem. Foi o primeiro de inúmeros donativos recebidos pelos templários. O lugar ficou tão identificado com a ordem que muitos se referiam à ela como "o Templo".

      
Mesquita Al-Aqsa (mesquita da rocha), contruída, supostamente,
sobre os escombros do Templo de Salomão.

       Inocêncio II - Papa entre 1130 a 1143 - publicou a bula Omne Datum Optmun (Todas as maiores dádivas) que concedia privilégios à Ordem, tornando-a isenta de pagar "dízimos" ou taxas e fazendo-os somente ter obediência a ninguém senão o próprio papa, podendo ter até mesmo seus próprios padres e capelães, não dependendo do bispo local. Podiam construir oratórios e cemitérios, onde podiam ser enterrados. Foram autorizados a receber donativos começando a fortuna templária [diante de poderes quase ilimitados, alguns autores supõem que os Templários teriam feito chantagens com a Igreja devido à posse de um suposto documento que teriam descoberto nas escavações que empreenderam e que poderia representar o fim da Igreja!]. A Ordem se tornou uma força autônoma. Estavam diretamente sob a autoridade papal, e, portanto, sem responsabilidade para com qualquer rei ou nação.

       Bernardo (com sua influência) Clama por uma nova cruzada. Posteriormente, o Papa Eugênio III chama mais uma Cruzada (a Segunda que foi de 1147 a 1149), que por sua vez pede apoio então aos "Pobres Cavaleiros".

       Em 1145 o Papa Eugênio III, lhes concede como distintivo, a cruz vermelha (símbolo do martírio) de oito pontas acima do coração que foi inicialmente usada do lado esquerdo do manto branco e mais tarde, também no peito. Em 1163, o Papa Alexandre III outorgou a carta constitutiva da Ordem, que na verdade parecia com as regras da Ordem Cistercense. Mas a carta constitutiva da Ordem, que a estabeleceu definitivamente, só lhe foi outorgada em 1163 pelo Papa Alexandre III. A idéia era que com aquela cruz, não temeriam nenhum inimigo infiel (essa foi a mesma cruz usada por Ricardo Coração de Leão.

      

       Inocêncio III - Papa entre 1198 e 1216. Publicou um aviso ao clericato, de não interferir com os Templários e o direito de recolher donativos.

       Normas dos Templários - Na época, várias organizações católicas congregavam devotos sob regimento próprio. A dos Templários, entretanto, era diferente: seus membros eram monges-guerreiros. As normas da Ordem eram secretas e só conhecidas na sua totalidade, pelo comandante-chefe (o grão-mestre) e pelo papa. Ao entrar na companhia, o novato conhecia só uma parte das regras que a guiavam e, à medida em que era promovido, sempre em batalha, tinha acesso a mais conhecimentos, reservados aos graus hierárquicos superiores. Ritos de iniciação marcavam as promoções. Praticamente desde o início os templários foram desobrigados de obedecer aos reis; podiam, assim, ter interesses próprios.

       As regras da Ordem os obrigavam a combater mesmo quando estivessem em minoria. Toda a sua carreira era um treinamento para lutar em condições desvantajosas. Em batalha, os templários eram sempre os primeiros a avançar e os últimos a recuar, e a ordem normalmente não pagava resgates caso um de seus homens fosse capturado.

       O dia-a-dia dos templários, a julgar pela regra da ordem, não era muito diferente do de qualquer outro monge. Tal como outras ordens religiosas, os templários faziam votos de pobreza, castidade e obediência e, exceto pelo porte de armas, viviam em tudo como monges. A Regra do Templo, que governava suas vidas cotidianas, foi provavelmente sugerida por São Bernardo. As normas eram duras: havia dezenas de orações diárias (só na hora do almoço eram 28 "Pais-nossos"), ela incluía o silêncio estrito nas refeições, períodos de abstinência de carne ou jejum total. Era proibido fazer a barba. Os templários estavam proibidos de caçar qualquer coisa menos nobre que um leão - o que, para todos os propósitos práticos, correspondia a linces do deserto, não podiam possuir mais de 3 cavalos (o grão-mestre podia ter 4), e, principalmente, ter qualquer contato com mulheres - Não tinham permissão para beijar nem mesmo suas mães. Além disso, estavam proibidos de participar de qualquer reunião que pudesse evocar-lhes sentimentos de saudades da vida familiar. Os dormitórios tinham de ficar sempre iluminados de dia ou de noite e era preciso dormir de calças e botas - supostamente para que os cavaleiros estivessem sempre prontos para atacar (mas historiadores dizem que isso também evitava o homossexualismo). As punições eram pesadas: ser açoitado, posto a ferros ou obrigado a comer comida do chão, feito cachorro. Os membros eram punidos com severidade por infringir mesmo a regra aparentemente mais trivial.

       O exército dos Templários era bem treinado física e espiritualmente.

      

       Sinete - Um dos símbolos da ordem é o emblema de dois homens no mesmo cavalo, para mostrar que a pobreza não permitia uma montaria para cada um (o que na verdade era apenas uma ideologia, que em nada correspondia à realidade) é também símbolo de companheirismo. Foi usado depois para acusar a ordem de homossexualismo. A sua divisa era: Non nobis, Domine, non nobis, sed nomini Tuo da gloriam, o que significa "Não a nós, Senhor, não a nós, dai a glória ao Vosso nome".

       Os templários eram vistos raramente lavados, com suas barbas desgrenhadas, suarentos e cobertos de poeira, manchados pelos arreios e pelo calor. Vestiam um manto branco com uma cruz vermelha como brasão e cavalgavam para a batalha atrás de um estandarte branco e preto chamado de Beauseant, em homenagem aos cavalos malhados, favoritos dos fundadores da ordem. A mesma palavra tornou-se seu grito de batalha.

       Os cavaleiros eram iniciados no templo em uma cerimônia secreta celebrada à noite, na casa do capítulo, sob guarda. O grão-prior perguntava diversas vezes aos cavaleiros reunidos se tinham qualquer objeção ao ingresso do noviço para a ordem. Não havendo, ele repetia as regras da ordem e perguntava ao noviço se este tinha esposa ou família, dívidas ou doenças e se devia vassalagem a qualquer outro senhor. Tendo respondido negativamente, o noviço ajoelhava-se, pedindo para tornar-se um "serviçal e escravo" do templo e jurando obediência em nome de Deus e da Virgem Maria. Finalmente, o manto branco era posto sobre seus ombros e o iniciando era recebido nas excelsas fileiras dos Cavaleiros Templários. Então, o grão-prior pronunciava: "Eu te nomeio cavaleiro templário, eu te nomeio guerreiro de Deus". Homens casados também eram aceitos, mas deixavam metades de seus bens a ordem. E serviam por tempo limitado, trajando um manto negro ou marrom.

       O segredo que rodeava a investidura e outras cerimônias templárias conferia um caráter misterioso à ordem e alimentava os rumores sobre as atividades em seus claustros; os adversários murmuravam a respeito de perversão sexual e ocultismo. Com o tempo, tais acusações passaram a ser feitas em público e no início do século XIV, após duzentos anos de serviços, a lenda dos Cavaleiros Templários teve um final abrupto e triste.

       A ordem podia receber donativos, e gratificações por méritos.
 

      
 

       Hierarquia da Ordem - A Ordem do Templo era constituída de vários graus; a mistura da hierarquia monástica e militar atraiu muitos filhos de nobres, em geral aqueles que não receberiam qualquer herança em razão da regra da primogenia, para suas fileiras. A hierarquia administrativa da Ordem era formada pelo Grão-Mestre (o chefe da ordem), abaixo dele, um grão-prior chefiava cada um dos muitos capítulos regionais encontrados por toda a cristandade, o Senescal do Templo, o Marechal como autoridade suprema em assuntos militares, e os Comendadores sob cuja direção estavam as Províncias. Depois vinha um corpo de Clérigos, incluindo Bispos, Padres e Diáconos, sujeitos aos mesmos votos dos Cavaleiros, e que por especial dispensação não rendiam obediência a nenhum superior eclesiástico ou civil, a não ser o Grão-Mestre do Templo e ao Papa. As confissões também eram ouvidas pelo corpo-clerical do Capítulo (como era chamado os "monastérios-quatéis-generais") - instituiu-se que as confissões dos irmãos da Ordem deviam ser ouvidas somente por clérigos especiais, e assim permaneciam invioláveis os seus segredos; e por causa da bula "Omne datum optimum", também só prestavam obediência ao Mestre da Ordem e ao Papa. Mas só podia se tornar um cavaleiro propriamente dito os filhos de nobres, em geral eram de famílias abastadas. Os cavaleiros tinham o direito de usar (não possuir) 3 cavalos, um escudeiro e duas tendas. Os cavaleiros de manto branco eram recrutados entre as famílias nobres e formavam o corpo de oficiais da ordem; além destes, uma classe secundária de sargentos, ou irmãos servidores, vinha de famílias sem títulos de nobreza e usava mantos castanhos ou negros. Abaixo dessas duas classes combatentes estavam os escalões inferiores de escudeiros, ou atendentes e demais serviçais e trabalhadores que cuidavam das propriedades e castelos dos templários. Dificilmente correspondiam a mais de 10% dos membros, era o membro da ordem por excelência.

       Os templários também recrutavam soldados leigos, que não eram monges e, na Terra Santa, podiam ser até cristãos de origem Síria. Não eram obrigados a seguir os votos.

       Os membros combatentes da ordem, apesar de sua formação de monge, eram quase sempre analfabetos e com pouco conhecimento de teologia ou das escrituras. Por isso, as missas, confissões e outras cerimônias religiosas eram presididas por padres que viviam nos estabelecimentos templários.

       Também havia duas classes de Irmãos Servidores, os criados e os artífices. Sendo assim uma Ordem extremamente organizada, com uma Hierarquia bem definida.
 

      
 

       Riqueza e Poder - Sustentar um exército em pé de guerra em uma série de fortificações a milhares de quilômetros de casa exigia recursos consideráveis. Com o tempo, os templários acumularam grandes quantias de dinheiro, originário de doações e das rendas de suas propriedades, as quais, por serem propriedades religiosas, estavam isentas de impostos.

       Nobres e príncipes enviaram seus filhos para serem Cavaleiros Templários, e isso fez com que a Ordem passasse a ser muito rica e popular em toda a Europa. Como as ordens religiosas medievais recebiam habitualmente doações em dinheiro, os templários receberam milhares de propriedades por doação ou herança e acumularam riquezas que lhes permitiram manter imensas propriedades. Nobres europeus de vários países fizeram doações de terras e rendas para os templários.

       Nos séculos XII e XIII, a Ordem dos Cavaleiros Templários ajudou os portugueses nas batalhas contra os mouros "infiéis". Em troca recebeu extensas terras e poder político. Os castelos, igrejas e povoados prosperam sob a sua proteção. A Ordem do Templo era uma força que gozava de uma invejável posição, com dezenas de castelos construídos na Inglaterra, França, Alemanha, Portugal e Espanha, além daqueles espalhados pelo Oriente Médio.

       Nos seus feudos, introduziram métodos racionais de produção e foram os primeiros a criar linhagens de cavalos em estábulos limpos.

       Seu papel preponderante na Igreja se pode avaliar pelo fato de os membros da Ordem serem convocados para participar dos Grandes Concílios da Igreja, tal como o de Latrão em 1215 e o de Lyon em 1274.

       A Ordem passou a ser indispensável ao governo pontifício e recebia total apoio dos Papas, e foi gradualmente adquirindo importância econômica e, indiretamente, política.

      

       Os templários aprenderam a administrar suas rendas com grande habilidade e, no processo, tornaram-se "criadores" do sistema bancário, que se tornou um elemento essencial na prosperidade e desenvolvimento social, numa época em que o poder estatal mal era capaz de proteger o comércio. Reis e príncipes confiavam seu ouro à ordem, cujos templos eram as estruturas mais robustas e mais fortemente defendidas de toda a Europa.

       Uma rede de postos bancários logo se espalhou por vários países. Peregrinos a caminho da Terra Santa depositavam seus bens no ponto de partida e ganhavam uma carta de crédito com o direito de retirar o equivalente em moeda local em qualquer estabelecimento templário, seja lá onde for no mundo usando as partes de um documento firmado com inscritas com códigos intricados - os precursores do cheque e do sistema bancário que nós nos usamos hoje. Muito da riqueza Templária advém disto, pois boa parte dos bens conferidos à sua guarda, quer por um motivo ou outro, jamais retornaria às mãos de seu dono original.

       Os empréstimos eram feitos a juros de até 10% - prática condenada oficialmente pela Igreja da época (que era considerado semonia e usura). Muitos reis europeus entregavam aos templários a guarda de seus tesouros e riquezas, e por vezes viam-se obrigados a pedir empréstimos à ordem.

       Os templários franceses eram os mais poderosos da Europa. Controlavam feudos e construções no interior e em Paris. Entre eles, o Templo, um conjunto de igrejas e oficinas que, reformado em 1319, virou o presídio da Bastilha, mais tarde destruído durante a Revolução Francesa. A ordem virou uma instituição realmente internacional, e a única autoridade que realmente estava acima do grão-mestre era o papa. Era tamanha a fortuna dos Templários, que chegaram ao ponto de fazer empréstimos a reinos (cristãos e muçulmanos sendo assim a ordem cristã mais tolerante da Idade-Média). Daí para gerirem as finanças de reis como o da França foi um passo.

       De apenas 9 cavaleiros cruzando a Palestina, em menos de 200 anos eles se tornaram uma ordem poderosa com mais de 9 mil propriedades - e a inveja dos maiores reis da Europa. O que começou a atrair críticas. Os soberanos de Jerusalém, depois de perceberem que precisavam negociar com os muçulmanos se quisessem permanecer na região, reclamavam da desobediência e teimosia dos templários. A prosperidade da ordem fez os templários se afastar da missão inicial: proteger os peregrinos. Ao lado dos Hospitalários, os cavaleiros do Templo se tornaram a espinha dorsal do Exército do Reino de Jerusalém. Com todos essas vantagens e privilégios, os Templários construíram o alicerce que seria uma estrutura internacional. Construíram exércitos e esquadras para o comércio. Para alimentação e equipamentos, recebiam doações de fazendas e pequenas industrias.

       Os Templários tinham em sua posse o corpo da mártir Santa Eufémia de Chalcedon (julgava-se ter poderes de cura divinos), e uma coleção apreciável de outras relíquias. O escritor popular Ian Wilson, no seu livro best-seller O Santo Sudário, levanta a questão que eles (os Templários) gurdavam também o Santo Sudário.
 

      

    Santo Sundário, manto que supostamente teria coberto o corpo morto de Jesus, e que guarda uma imagem em negativo, cuja natureza está coberta de mistérios, e será tema de um de nossos próximos artigos (Enigmas & Mistérios).

       Eles retornaram à Europa plenos de glória e mistérios e seu retorno coincidiu com a construção das primeiras catedrais góticas.

      

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