AS CRUZADAS
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CONTEÚDO:    

 

 
    No século VII, após a morte de Maomé, seu sucessor, Omar, iniciou a expansão árabe, conquistando territórios do Império Persa e do Império Bizantino. Os árabes, que haviam ocupado a Palestina no decorrer de suas conquistas (tomaram Jerusalém em 638), permitiam que os cristãos realizassem peregrinações ao Santo Sepulcro. As peregrinações, naquela época, eram costumeiras entre os europeus, principalmente entre os cristãos, sendo uma atividade abençoada e encorajada pela Igreja e pelo Papa. Mas, na segunda metade do século XI, a região foi ocupada pelos turcos, da tribo dos seldjúcidas, um povo de origem asiática que se convertera ao islamismo, em 1076, os turcos ocuparam Jerusalém. Os cristãos europeus costumavam realizar peregrinações até a Palestina para visitar os locais onde Cristo vivera, mas eles proibiram as peregrinações.

  Em cinqüenta anos, os turcos sarracenos tinham feito severas investidas no Reino de Outremer - O nome francês para "Terras do ultramar ou além-mar" - Havia ataques contínuos e assaltos a habitações cristãs. Os desavisados peregrinos viajando por terra desde a costa de Jerusalém até Jafá eram presas fáceis. Num único incidente, um grupo de peregrinos foram cercados por bandidos sarracenos e 300 foram mortos.

  Aleixo Comneno, imperador bizantino, temendo que os turcos, em sua marcha expansionista, invadissem o Império Cristão do Oriente, pediu ajuda ao papa Urbano II. Este reuniu um concílio na cidade francesa de Clermont, em 1095, e lançou uma campanha para defender os lugares santos. Para incentivar ainda mais os fiéis, ele prometeu a quem participasse da luta contra os turcos o perdão de todos os pecados, a concessão de privilégios e a garantia de suas propriedades. O movimento obteve grande sucesso, aparecendo gente de toda a Europa para combater. Animava-os a crença de que essa era uma guerra inspirada por Deus.

  O novo Sumo Pontífice a ocupar o Trono de São Pedro, Urbano II, eleito papa em 1088, revelou-se, muito além daquelas qualidades e funções cabíveis ao suposto representante de Deus na terra, um notável político e excelente articulador. Um dos sonhos da Igreja da época, e também de Urbano II, era retomar a cidade de Jerusalém, cuja posse estava nas mãos dos "infiéis" do islã havia mais de quatro séculos, desde o ano 638 d.C., quando fora tomada pelo exército muçulmano. Os tesouros ali encerrados, além do histórico valor para o cristianismo da própria cidade em si, sendo o sonho de todo a alta hierarquia do clero, poder "unificar" cristãos ocidentais e orientais sob o jugo único do pontificado Papal, eram motivos mais que suficientes para justificar uma empreitada à Terra Santa, fosse qual fosse o preço a ser pago.

  Ao propor as cruzadas, pregando a união contra os muçulmanos, é provável que o papa Urbano II desejasse, também, desviar a violência dos barões feudais para longe da Europa. Os cruzados, realmente, pareciam loucos. Tinham a audácia de lunáticos. Estavam quase sempre em inferioridade numérica e desconheciam o terreno. Mas possuíam uma arma decisiva: a carga de cavalaria dos lanceiros de armadura. Além disso, eram muito mais disciplinados do que os exércitos árabes, submetidos a soberanos que guerreavam entre si e se atraiçoavam sem parar.

 
Mapa da rota dos cruzados

  Mas havia outros motivos para essas expedições, pois a sociedade feudal européia estava passando por inúmeros problemas:

  • Como a população aumentara rapidamente, um número maior de nobres disputava territórios feudais. Pelo costume, apenas o filho primogênito dos senhores feudais era seu herdeiro. O segundo geralmente se tornava padre, e os mais novos tinham que se colocar a serviço de outro nobre para conseguirem seu próprio feudo. Mas isso se tornava cada vez mais difícil, porque as terras já estavam subdivididas ao extremo. Nos feudos, uma população cada vez mais numerosa não encontrava meios de produzir alimentos suficientes para todos. Portanto, a nobreza tinha interesse em conquistar terras no Oriente, embora isso se ocultasse sob a justificativa religiosa.

     

  • A Igreja, principal instituição da Europa Ocidental, enfrentava problemas com a corrupção de muitos de seus bispos e abades, que levavam uma vida luxuosa e abandonavam suas obrigações religiosas. Quando Urbano II tornou-se papa, em 1088, a Igreja já estava corrompida pela compra e venda de cargos eclesiásticos e encontrava-se dividida pelas disputas internas.

     

  • Havia também desordens e as mais cruéis hostilidades, com banditismo cometidos em todos os lugares, assaltos nos caminhos...

 
    As Cruzadas era tanto uma alternativa religiosa para fortalecimento do poder do papa, quanto uma alternativa econômica e social.

  A idéia das Cruzadas foi em parte lançada para canalizar as energias irrequietas dos cavaleiros. A criação dos Cavaleiros Cruzados foi vista como um modo de redimir uma classe sem lei, e, com efeito, muitos dos recrutados haviam sido antes excomungados.

  Numa Terça-feira, 27 de Novembro, 1095, no concílio de Clermont, O Papa Urbano II exorta a multidão a libertar a Terra Santa e a colocar Jerusalém de novo sob soberania cristã, apresentando a expedição militar que propõe como uma forma de penitência. O apelo foi feito a todos sem distinção, pobres ou ricos. E foi de fato o que sucedeu. Mas os ricos e pobres rapidamente formaram cruzadas separadas.

  A multidão presente aceita entusiasticamente o desafio e logo parte em direção ao Oriente, com o grito "Deus lo volt! " ("Deus assim o deseja!"), o mesmo lema no qual Normandos usaram quando invadira a Inglaterra. Os primeiros voluntários adotam como símbolo uma cruz vermelha sobre as suas roupas (daí terem recebido o nome de "cruzados"). Assim começavam as cruzadas.

    Os ricos e poderosos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém (Hospitalários) e dos Cavaleiros Templários foram criados pelas Cruzadas.

  Tradicionalmente se fala em oito Cruzadas num período de cerca de 200 anos (entre 1095 e 1291) mas, na realidade, elas foram um movimento quase permanente. A mais bem sucedida foi exatamente a Primeira (1096-1099) que recuperou Jerusalém. Mas os turcos logo retomariam a cidade, havendo a necessidade da formação de novas cruzadas.

 

 
  GUERRA SANTA - Fazer a "guerra santa" encontra a sua legitimidade num dos maiores Doutores da Igreja, Santo Agostinho (345-430), o qual distingue a "guerra injusta", que condena, da "guerra justa" que é lícita e na qual qualquer cristão deve participar. A "guerra santa" não é um fim em si, mas o meio legítimo e necessário conferido por Deus e o seu vigário, o Papa, aos crentes para alargarem o reino da religião. Empresa de salvação e redenção, a "guerra santa" implica um valor específico do combate contra os infiéis acompanhada de diversas recompensas espirituais.

 

 
  Cruzada Popular ou dos Mendigos (1096) - Inicialmente, realizou-se uma Cruzada Popular, formada por uma imensa multidão, que se dirigiu para o leste, caminhando a pé, que foi totalmente massacrada ao chegar à Ásia Menor. Enquanto isso, a nobreza se preparava para a sua primeira Cruzada, que ocupou a Síria e a Palestina e conquistou Jerusalém (em 1099).

  A Cruzada Popular foi um movimento extra-oficial que consistiu em um movimento popular que bem caracteriza o misticismo da época e começou antes da Primeira Cruzada oficial. O monge Pedro, o Eremita, graças a suas pregações comoventes, conseguiu reunir uma multidão. Entre os guerreiros, havia uma multidão de mulheres, velhos e crianças. Auxiliado por um Cavaleiro, Gautier Sans Avoir (Galtério Sem Bens), os peregrinos atravessaram a Alemanha, Hungria e Bulgária, causando desordens e desacatos, sendo em parte aniquilados pelos búlgaros. Ainda no caminho, seus seguidores tinham criado tumultos, massacrando comunidades judaicas em cidades como Trier e Colônia, na atual Alemanha. Chegaram em péssimas condições a Constantinopla. Mal equipada e mal alimentada, essa Cruzada massacrou judeus pelo caminho, pilhou e destruiu. Ainda assim, o imperador bizantino Aleixo Commeno recebeu os seguidores do Eremita em Constantinopla.

  Prudentemente, o imperador bizantino Aleixo Commeno Aleixo aconselhou o grupo a aguardar a chegada de tropas mais bem equipadas. Mas a turba começou a saquear a cidade. Desejando afastar esse "bando turbulento" de sua capital, Aleixo obrigou-os a se alojar fora de Constantinopla, perto da fronteira muçulmana, e procurou incentivá-los a atacar os infiéis. Foi um desastre, pois a Cruzada dos Mendigos chegou muito enfraquecida à Ásia Menor, onde foi arrasada pelos turcos. Somente um reduzido grupo de integrantes conseguiu juntar-se à cruzada dos cavaleiros.

  Durante um mês, mais ou menos, tudo o que os cavaleiros turcos fizeram foi observar a movimentação dos invasores, que se ocupavam apenas de saquear as regiões próximas do acampamento onde foram alojados. Até que, em agosto de 1096, o bando inquieto cansou-se de esperar e partiu para a ofensiva.

  Quando parte dos europeus resolveu partir em direção às muralhas de Nicéia, cidade dominada pelos muçulmanos, uma primeira patrulha de soldados do sultão turco Kilij Arslan foi enviada, sem sucesso, para barrá-los. Animado pela primeira vitória, o exército do Eremita continuou o ataque a Nicéia, tomou uma fortaleza da região e comemorou se embriagando, sem saber que estava caindo numa emboscada. O sultão mandou seus cavaleiros cercarem a fortaleza e cortarem os canais que levavam água aos invasores. Foi só esperar que a sede se encarregasse de aniquilá-los e derrotá-los, o que levou cerca de uma semana.

  Quanto ao restante dos cruzados maltrapilhos, foi ainda mais fácil exterminá-los. Tão logo os francos tentaram uma ofensiva, marchando lentamente e levantando uma nuvem de poeira, foram recebidos por um ataque de flechas. A maioria morreu ali mesmo, já que não dispunha de nenhuma proteção. Os que sobreviveram fugiram em pânico.

  O sultão, que havia ouvido histórias temíveis sobre os francos, respirou aliviado. Mal imaginava ele que aquela era apenas a primeira invasão e que cavaleiros bem mais preparados ainda estavam por vir.

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  Primeira Cruzada (1096-1099) - Foi chamada também de Cruzada dos Nobres ou dos Cavaleiros, possuindo recursos, embora progredindo devagar - levam quase 3 anos para chegar. Liderada por grandes senhores, levava quer proprietários, quer filhos segundos da nobreza. As cruzadas, com um exército de 30 mil homens, dentre eles muitos peregrinos, cruzaram a Ásia Menor, partindo de Constantinopla, mas apenas 40 mil chegaram à Palestina; os demais morreram no caminho, em combate ou vítimas de doenças, fome, sede e calor; outros voltaram à Europa. Da parte dos turcos, as perdas também foram imensas: cerca de 10 mil acabaram massacrados em Jerusalém. Os muçulmanos na época não estavam preparados e sucumbiram a ferocidade da Cruzada.

  Os cruzados fizeram um acordo com o imperador de Bizâncio de lhe devolver os territórios conquistados aos turcos. Esse acordo seria desrespeitado, à medida que o mal-entendido entre as duas partes cresceria. Mas eles não estavam dispostos, depois de tantos sacrifícios a entregar o que obtinham. Apesar da animosidade entre os líderes e das promessas quebradas entre os cruzados e os bizantinos que os ajudavam, a Cruzada prosseguiu. Os turcos estavam simplesmente desorganizados.

  Antioquia, a primeira cidade conquistada, foi capturada por traição em 1098, depois de um longo cerco e um saque terrível. Então, no ano 1099, numa boa ofensiva liderada por Godofredo de Bulhão, atacando uma guarnição fraca após longo cerco, conquistou Jerusalém, e as principais cidades em volta da Terra-Santa. Eram os Reinos Cristãos que se estabeleciam. Godofredo de Bulhão ficou só com o título de protetor e, à sua morte, Balduíno, seu irmão, proclamou-se rei.

  A repressão foi violenta. Segundo o arcebispo Guilerme de Tiro, a cidade oferecia tal espetáculo, tal carnificina de inimigos, tal derramamento de sangue que os próprios vencedores ficaram impressionados de horror e descontentamento. O massacre realizado pelos cruzados em Jerusalém está desde há muito colocado no número dos grandes crimes da História. Durante os dias 15 e 16 de julho, os "soldados de Cristo" percorriam as ruas e as ruelas, arrombando as portas das casas e mesquitas, e matando todos aqueles que lhes caía nas mãos - não mais os solados, os primeiros a serem mortos, mas civis, homens, mulheres, crianças e velhos. Enquanto o massacre alastrava-se pela cidade, os barões consideravam sua tarefa terminada. Encaminharam-se todos à Igreja do Santo Sepulcro dar graças a Deus e a Jesus Cristo. E a 200 metros do local continuava-se a matar selvagemente. A ordem era "matem a todos, Deus saberá quem é culpado!". Os cruzados impressionavam pelo ardor e coragem e eram temidos como animais violentos.

  Na Palestina, conviviam cristãos de várias seitas, gregos, armênios, judeus, georgianos, muçulmanos sírios, egípcios e turcos. A cultura árabe era mais próxima da grega, mais cosmopolita e mais humanista do que a cultura da Europa medieval. Mas os árabes eram desunidos e guerreavam entre si, sem parar. Os cruzados encontraram povos independentes e souberam aliar-se com alguns. O luxo e o refinamento do oriente embasbacaram os cruzados. Eles não imaginavam a sofisticação árabe. Quando os cruzados chegaram, do árabes tinham hospitais, bancos, correio, água canalizada, esgotos e um sistema judiciário acessível nas cidadeds, com processos e juízes. Já usavam papel de palha de trigo, em vez de pergaminho dos europeus. Sua medicina era muito mais avançada do que as brutais amputações e cauterizações medievais. Apreciavam os demorados rituais de limpeza dos banhos turcos, enquanto os franceses desprezavam a higiene - apesar do calor.

  "Invasores", "Atrasados", "Desconhecedores das regras elementares de ética social"... Era assim que os mulçumanos viam os cruzados. Afinal, naquela época, quem eram os verdadeiros bárbaros?

  Muitos dos combatentes retiraram-se uma vez conquistada Jerusalém (incluindo os grandes senhores), mas um núcleo ficou (cálculos chegam a falar de algumas centenas de cavaleiros e um milhar de homens a pé). As cidades principais (como Antioquia, e Edessa) tornarem-se capitais de principados e reinos (embora Jerusalém fosse de certo modo o centro político e religioso). O sistema feudal foi transplantado para oriente com algumas alterações: muitas vezes, em vez de receber feudos, os cavaleiros eram pagos com direitos ou rendas (modalidade que existia também na Europa). As cidades mercantis italianas vão-se tornar fundamentais para a sobrevivência desses estados: permitiram a chegada de reforços e interceptar os movimentos das esquadras muçulmanas, tornando o Mediterrâneo novamente um mar navegável pelos ocidentais. Mas rapidamente os muçulmanos iriam reagir.

  Os governantes cruzados encontravam-se em grande desvantagem numérica em relação às populações muçulmanas que eles tentavam controlar. Assim, construíram castelos e contrataram tropas mercenárias para mantê-los sob controle. Por aproximadamente um século, os dois lados mantiveram um clássico conflito de guerrilha. Os reinos cruzados localizavam-se, em sua maioria, no litoral, pelo qual eles podiam receber suprimentos e reforços.

  De qualquer modo, nos anos seguintes, com a euforia da vitória, mais voluntários seguiram para oriente. Os contingentes seguiam por nacionalidades, continuando pouco organizados. As motivações eram variáveis: se alguns pretendiam obter novos feudos, ou redimir-se das suas faltas, havia também aqueles que "apenas" pretendiam ganhar batalhas, cobrir-se de glória, bênçãos espirituais, e voltar para a sua terra.

  Os reinos cruzados sobreviveram por um tempo, em parte porque aprenderam a negociar, conciliar e jogar os diferentes grupos árabes uns contra os outros.

  Por volta do ano 1100, uma nova expedição parte. Chegados a Constantinopla levantam-se discussões com os bizantinos que estavam fartos de ter aqueles vizinhos incômodos que pilhavam a terra, portavam-se de uma forma muito mais brutal em guerra, e ficavam com o que conquistavam (para além das diferenças culturais e religiosas). Entretanto, os turcos estavam a unificar-se para tentar fazer face a estas ameaça. Evitando combates diretos até ao último momento contra a cavalaria pesada cristã, usaram tácticas de emboscadas.

  Por alguns anos, não foram pregadas mais cruzadas, e os territórios cristãos no oriente tiveram de se agüentar por conta própria. Assumem como padroeiro São Jorge da Capadócia, exemplo de cavaleiro cristão, e seu brasão de armas, a cruz vermelha num escudo branco.

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   Segunda Cruzada (1147-1149) - Em 1145 é pregada uma nova Cruzada por Eugénio III e São Bernardo. A perda do Condado de Edessa provocou a organização dessa cruzada. Desta vez foram reis que responderam ao apelo: Luís VII da França e Conrado III do Sacro Império, para nomear os mais importantes.

  Na Segunda Cruzada, os cambatentes, que vinham de diversas regiões da Europa, formaram grupos isolados e foram facilmente derrotados pelos turcos.

  O ataque da segunda cruzada à Damasco, em 1148, uniu os árabes.

  Depois de meses de cerco debaixo de um sol de rachar na Palestina, em 1153, os cruzados tentavam tomar a cidade de Ascalon. O fogo ateado pelos próprios muçulmanos que defendiam a cidade tinha se voltado contra eles e começava a rachar as pedras da muralha, abrindo uma enorme brecha. 40 cavaleiros Templários avançaram para tomar a cidade, enquanto outros membros da ordem barravam a passagem do restante do exército cristão - a glória, pensaram, seria só deles. Os islâmicos deram-se conta de que lutariam apenas com um punhado de cavaleiros, cercando-os e massacrando a todos. Os corpos dos templários foram pendurados sobre a brecha consertada da muralha e Ascalon só passou para as mãos dos cruzados meses depois, por meio de um acordo.

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  Terceira Cruzada (1189-1192) - Nenhuma nova cruzada foi lançada até a um novo acontecimento: a conquista de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187.

  O estopim para a guerra total veio quando uma força liderada pelo filho de Saladino pediu permissão para atravessar pacificamente a Galiléia e o senhor da região, Raimundo de Trípoli, a concedeu. Mas o grão-mestre templário de então, Gerard de Reidefort, ao saber do fato, resolveu emboscar os islâmicos. Tanto o chefe dos hospitalários quanto o vice de Ridefort, marechal Jacques DeMoley, tentaram fazer com que ele desistisse, porque o Exército muçulmano era grande. Ridefort acusou a dupla de covardia, e partiu para o ataque com só 90 cavaleiros. Fugiu da batalha; enquanto o furioso Saladino reunia sua força total para atacar o reino. A batalha decisiva varreu do mapa as forças cristãs. Saladino poupou o rei e o grão-mestre dos templários, mas não os demais monges-caveleiros. Ao amanhecer, 230 cavaleiros do Templo foram decapitados. Em 2 de outubro de 1187, Saladino entrou triunfante em Jerusalém. Os cristãos ainda mantiveram algumas possessões no litoral da Palestina.

  A Terceira Cruzada, pregada pelo Papa Gregório VIII após a tomada de Jerusalém pelo sultão Saladino, foi denominada Cruzada dos Reis, sendo considerada a mais importante delas, da qual participaram alguns dos cavaleiros mais famosos da Idade Média, como Filipe Augusto (França), Ricardo Coração-de-Leão, rei da Inglaterra, e Frederico Barbarruiva, do Santo Império Romano-Germânico (que viria a se constituir na Alemanha).

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  Os cristãos enfrentavam um adversário decidido, Saladino, um dos maiores líderes muçulmanos na história dos Cruzados. Reunificou todos os povos árabes contra os Cruzados.

  O imperador Frederico Barbaruiva, atendendo os apelos do papa, partiu com um contingente alemão de Ratisbona e tomou o itinerário danubiano atravessando com sucesso a Ásia Menor, porém afogou-se na Cilícia ao atravessar o Sélef (hoje Goksu). A sua morte representou o fim prático desse núcleo. Os reis de França e Inglaterra passaram o tempo todo a querelar-se, até que aquele se retirou. Em 1189, a Terceira Cruzada enviou contra Saladino um soberano à altura: Ricardo Coração de Leão. Na batalha de Jafa, quando Ricardo perdeu seu cavalo, Saladino enviou-lhe uma montaria, com cumprimentos. Quiando, mais tarde, Ricardo ficou doente, Saladino mandou gelo para refrescar-lhe a testa. Quando o impasse paralisou a guerra, Ricardo ofereceu sua irmã em casamento a o irmão de Saladino, para reinar sobre a Palestina cristã e muçulmana. Teria sido um final feliz, mas a moça não topou. Em 27 de outubro de 1187, Saladino recebeu as chaves de Jerusalém do rei Guy de Lusignam e acabou com um século de domínio latino. Se Ricardo Coração-de-Leão conseguiu alguns atos notáveis (a conquista de Chipre, Acre, Jaffa e uma série de vitórias contra efetivos superiores) também não teve piedade ao massacrar prisioneiros (incluindo mulheres e crianças). Com Saladino, teve um adversário à altura, combatendo e travando uma sutil tática. Em 1192 acabou-se por chegar a um acordo: os cristãos mantinham o que tinham conquistado e obtinham o direito de peregrinação a Jerusalém (que ficava em mãos muçulmanas), desde que desarmados.

  Saladino, (em árabe, Salah al-Din Yusuf) foi o sultão do Egito, Síria e Palestina e chefe militar que liderou os muçulmanos contra os cristãos durante as últimas Cruzadas, e acabou reconquistando os territórios perdidos pelo Islã, tendo-se tornado uma lenda tanto entre os muçulmanos como no ocidente. Doutrinou zelosamente seu povo a encarar a luta contra a cristandade como uma guerra santa e fundou colégios para o ensino da religião islâmica. Mandou reconstruir a mesquita de Al-Aksa [onde supostamente teria sido construído o "Templo de Salomão] na cidade de Jerusalém, e ordenou também a construção da cidadela do Cairo e outros monumentos de interesse. Considerado o campeão da guerra santa, Saladino se tornou o herói de um ciclo de lendas, que percorreu todo o Oriente Médio e a Europa, e seus feitos são lembrados e admirados até os dias de hoje pelos povos muçulmanos.

  A esta altura as cruzadas se tornam caras.

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  Quarta Cruzada (1202-1204) - Uma Cruzada de Saques; foi denominada também de Cruzada Comercial.

  O Papa Inocêncio III apelou a uma cruzada em 1198 para conquistar Jerusalém (o objetivo falhado da Terceira Cruzada), mas os preparativos começariam 2 anos depois. Porém, a Quarta Cruzada acabou abandonando os propósitos religiosos e transformando-se numa expedição puramente comercial e de saque contra os próprios territórios cristãos.

  Vários grandes senhores trouxeram exércitos e estipularam um acordo com Veneza que transportaria essas tropas na sua frota levando-os até o Egito, em troca de uma quantia. O problema é que muitos dos senhores acabaram por não ir, e os que foram não tinham condições para pagar o valor estipulado (que era fixo). Foi criado um novo acordo então: os cruzados conquistariam Zara, uma cidade veneziana na Dalmácia que se revoltara (além de ser grande concorrente comercial dos venezianos) em troca de um adiamento do pagamento. Entretanto chegaram notícias de Bizâncio. O Imperador Isaac II fora derrubado pelo seu irmão Alexius III e fora cegado. Ora o filho de Isaac II, de nome Alexius IV conseguira fugir e apelara aos cruzados para o ajudarem: em troca de o colocarem no trono prometia-lhes dinheiro e os recursos do império para a conquista de Jerusalém. Ainda hoje os historiadores discutem se as coisas se passaram assim ou se foi uma justificação para o que se iria suceder.

  O Papa considerou que se atacassem território cristão (nomeadamente Zara) ficariam excomungados, mas a ordem chegou tarde, os cruzados atacaram a cidade...

  Em vez de se dirigirem ao Egito, rumaram para Constantinopla. A cidade resistiu, mas o imperador Alexius III acabou por fugir com o tesouro da cidade.

  Com novos impostos a ser lançados para pagar as promessas feitas aos cruzados, rapidamente a população ficou à beira da revolta. Alexius V, um parente afastado fez um golpe matando Alexius IV e colocando novamente na prisão Isaac II que fora libertado pelos cruzados e governara com o filho.

  Os cruzados decidiram então conquistar em proveito próprio o império, nomear um imperador latino e dividir os territórios conquistando e dominando o Império Bizantino por meio século, onde foi fundado o Reino Latino de Constantinopla, fazendo com que o abismo entre as igrejas Ocidental e Oriental se estabelecesse definitivamente. Alexius V fugiu com algum tesouro e a cidade foi saqueada pelos latinos durante 3 dias. Estátuas, mosaicos, relíquias, riquezas acumuladas durante quase um milênio foram pilhadas ou destruídas durante os incêndios. A cidade sofreu um golpe tão terrível que nunca mais conseguiu se recompor, mesmo depois de voltar a ser grega em 1261. E assim terminou a IVa cruzada, pois ninguém pensou mais em dirigir-se para Jerusalém: a maioria regressou com o que roubara, alguns ficaram com feudos no oriente.

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  Cruzada das Crianças (1212) - ou Cruzada Albigense [não contabilizada] - É um misto de fantasia e fatos. Esta cruzada teria ocorrido entre a Quarta e a Quinta Cruzada e seria um movimento extra-oficial, baseado na crença que apenas as almas puras (no caso as crianças) poderiam libertar Jerusalém. Contava com cerca de 20 mil crianças Porém, tiveram um destino trágico: pois a maioria das crianças morreu de fome ou de frio ou a captura por piratas turcos no Norte da África, que as venderam no Egito, como escravos.

  De acordo com a narrativa ortodoxa, durante a Cruzada Albigense, os Templários não só acolheram muitos refugiados cátaros, como conviveram com eles, inclusive receberam vários deles em suas fileiras. Interessante é saber que os altos dignitários da Ordem do Templo provinham de famílias cátaras. Um exemplo é Bertrand de Blanchefort, sexto grão-mestre da Ordem Templária e que veio exatamente de uma família Cátara. A verdade é que os Templários tiveram ligações claras com os cátaros, o que é desprezado por parte dos historiadores.

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  Quinta Cruzada (1217-1221) - Também pregada por Inocêncio III, partiu em 1217 e foi liderada por André II, rei da Hungria, e por Leopoldo VI, duque da Áustria. Decidiu-se que para se conquistar Jerusalém era necessário conquistar o Egito primeiro, uma vez que este controlava esse território. Desembarcados em São João D'Acre, decidiram atacar Damietta, cidade que servia de acesso ao Cairo, a capital.

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  Sexta Cruzada (1228-1229) - Foi liderada pelo imperador do Sacro Império Frederico II, que tinha sido excomungado pelo Papa. Ele partiu com um exército que foi diminuindo com as deserções, e uma semi-hostilidade das forças cristãs locais devido à sua excomunhão pelo Papa. Aproveitando-se das discórdias entre os muçulmanos, Frederico II conseguiu, por intermédio da diplomacia, um tratado com os turcos que lhe concedia a posse de Jerusalém, Belém e Nazaré por dez anos. Mas a derrota dos cristãos em Gaza fê-los perder os Santos Lugares em 1244.

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  Sétima Cruzada (1248-1250) - A Sétima e a Oitava Cruzada foram comandadas pelo rei de França, Luiz IX, que seria canonizado mais tarde.

  Luís IX liderando os cruzados no ataque à Damietta, no Egito.

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  Oitava Cruzada (1270) - Também foi liderada pelo rei francês Luís IX. Ele atacou Túnis, mas acabou morrendo devido a uma forte disenteria.

  Alguns meses depois, o príncipe Eduardo da Inglaterra, depois Eduardo I, comandou os seus seguidores até Acre embora sem resultados.

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  O Fim das Cruzadas - A queda de Ptolomeu, em 1291, marcou o fim das Cruzadas. Rapidamente os poucos territórios que restavam seriam reconquistados pelos muçulmanos. Diversas razões contribuíram para o fracasso das Cruzadas, entre elas: os europeus eram minoria, em meio a uma população geralmente hostil; a opressão à população nativa fez com que o domínio fosse cada vez mais difícil; as diversas lutas entre os próprios cristãos contribuíram para enfraquecê-los enormemente. Todas, exceto a pacífica Sexta Cruzada (1228-1229), foram prejudicadas pela cobiça e brutalidade; judeus e cristãos na Europa foram massacrados por turbas armadas em seu caminho para a Terra Santa. O papado era incapaz de controlar as imensas forças à sua disposição.

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   O Legado das Cruzadas - A cruzada era vista como um exercício de penitência tão severo que absolvia os participantes de todos os pecados. Poucos cruzados voltaram das expedições. Muitos morriam de fome já no caminho de ida. Embora aventureiros tenham se enriquecido, um número maior de nobres abandonou tudo e morreu na Palestina. As cruzadas difundiram o código de honra da cavalaria medieval e revelaram tipos e personagens que inspiraram a literatura romântica e religiosa.

  As cruzadas expulsaram os muçulmanos da Europa, expandiram a influência européia e criaram países latinos na Palestina que duraram 200 anos, mas falharam no essencial: não conquistaram a terra Santa. Pior: embora fossem convocadas para defender os peregrinos cristãos, perseguidos pelos árabes em Jerusalém, e os cristãos do oriente contra a expansão muçulmana, iniciada no século VIII, uma das cruzadas (a quarta) invadiu Constantinopla, a Roma grega do oriente (também conhecida como Bizâncio, hoje Istambul), saqueou-a e repartiu o Império Bizantino entre barões europeus. Os cristãos gregos nunca mais perdoaram os ocidentais e consumou-se o cisma entre a Igreja Cristã Ortodoxa Grega e a Igreja Católica Apostólica Romana, que perdura até hoje. Embora a guerra fosse contra os árabes, no caminho até Jerusalém, os cruzados também atacaram os judeus.

  O movimento cruzadista não alcançou os objetivos propostos, pois os trucos recuperaram quase todos os territórios conquistados pelos cristãos. Entretanto conseguiram acabar com o controle que eles exerciam sobre a navegação no Mediterrâneo. Com isso, intensificaram-se os contatos comerciais com o Oriente (principalmente Constantinopla); e o comércio, que já vinha se desenvolvendo no interior da Europa e sobretudo nas cidades italianas, recebeu um novo impulso.

  Os embarques dos exércitos e o abastecimento fizeram a fortuna de cidades portuárias italianas como Veneza, Pisa e Gênova.

  Os cruzados introduziram na Europa os conhecimentos matemáticos e astronômicos que os turcos haviam aprendido com os chineses e os árabes, a fabricação de papel e tinta, novas técnicas e novos instrumentos, e a Europa conheceu novos produtos, em especial, o açúcar e o algodão. Os contatos culturais que se estabeleceram entre a Europa e o Oriente tiveram um efeito estimulante no conhecimento ocidental e, até certo ponto, prepararam o caminho para o Renascimento.

  As marcas das cruzadas duram até hoje. O turco Mehmet Ali Agca, que atirou no papa, em 1981, declarou: "Decidi matar João Paulo II, comandante supremo dos cruzados"...

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