AS CRUZADAS
CONTEÚDO:

Como a população aumentara rapidamente, um número maior de nobres disputava territórios feudais. Pelo costume, apenas o filho primogênito dos senhores feudais era seu herdeiro. O segundo geralmente se tornava padre, e os mais novos tinham que se colocar a serviço de outro nobre para conseguirem seu próprio feudo. Mas isso se tornava cada vez mais difícil, porque as terras já estavam subdivididas ao extremo. Nos feudos, uma população cada vez mais numerosa não encontrava meios de produzir alimentos suficientes para todos. Portanto, a nobreza tinha interesse em conquistar terras no Oriente, embora isso se ocultasse sob a justificativa religiosa.
A Igreja, principal instituição da Europa Ocidental, enfrentava problemas com a corrupção de muitos de seus bispos e abades, que levavam uma vida luxuosa e abandonavam suas obrigações religiosas. Quando Urbano II tornou-se papa, em 1088, a Igreja já estava corrompida pela compra e venda de cargos eclesiásticos e encontrava-se dividida pelas disputas internas.
Havia também desordens e as mais cruéis hostilidades, com banditismo cometidos em todos os lugares, assaltos nos caminhos...
Os cristãos enfrentavam um adversário decidido, Saladino, um dos maiores líderes muçulmanos na história dos Cruzados. Reunificou todos os povos árabes contra os Cruzados.
O imperador Frederico Barbaruiva, atendendo os apelos do papa, partiu com um contingente alemão de Ratisbona e tomou o itinerário danubiano atravessando com sucesso a Ásia Menor, porém afogou-se na Cilícia ao atravessar o Sélef (hoje Goksu). A sua morte representou o fim prático desse núcleo. Os reis de França e Inglaterra passaram o tempo todo a querelar-se, até que aquele se retirou.
Em 1189, a Terceira Cruzada enviou contra Saladino um soberano à altura: Ricardo Coração de Leão. Na batalha de Jafa, quando Ricardo perdeu seu cavalo, Saladino enviou-lhe uma montaria, com cumprimentos. Quiando, mais tarde, Ricardo ficou doente, Saladino mandou gelo para refrescar-lhe a testa. Quando o impasse paralisou a guerra, Ricardo ofereceu sua irmã em casamento a o irmão de Saladino, para reinar sobre a Palestina cristã e muçulmana. Teria sido um final feliz, mas a moça não topou. Em 27 de outubro de 1187, Saladino recebeu as chaves de Jerusalém do rei Guy de Lusignam e acabou com um século de domínio latino.
Se Ricardo Coração-de-Leão conseguiu alguns atos notáveis (a conquista de Chipre, Acre, Jaffa e uma série de vitórias contra efetivos superiores) também não teve piedade ao massacrar prisioneiros (incluindo mulheres e crianças). Com Saladino, teve um adversário à altura, combatendo e travando uma sutil tática. Em 1192 acabou-se por chegar a um acordo: os cristãos mantinham o que tinham conquistado e obtinham o direito de peregrinação a Jerusalém (que ficava em mãos muçulmanas), desde que desarmados.
Saladino, (em árabe, Salah al-Din Yusuf) foi o sultão do Egito, Síria e Palestina e chefe militar que liderou os muçulmanos contra os cristãos durante as últimas Cruzadas, e acabou reconquistando os territórios perdidos pelo Islã, tendo-se tornado uma lenda tanto entre os muçulmanos como no ocidente. Doutrinou zelosamente seu povo a encarar a luta contra a cristandade como uma guerra santa e fundou colégios para o ensino da religião islâmica. Mandou reconstruir a mesquita de Al-Aksa [onde supostamente teria sido construído o "Templo de Salomão] na cidade de Jerusalém, e ordenou também a construção da cidadela do Cairo e outros monumentos de interesse. Considerado o campeão da guerra santa, Saladino se tornou o herói de um ciclo de lendas, que percorreu todo o Oriente Médio e a Europa, e seus feitos são lembrados e admirados até os dias de hoje pelos povos muçulmanos.
A esta altura as cruzadas se tornam caras.
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O Legado das Cruzadas
- A cruzada era vista como um exercício de penitência tão severo que absolvia os participantes de todos os pecados. Poucos cruzados voltaram das expedições. Muitos morriam de fome já no caminho de ida. Embora aventureiros tenham se enriquecido, um número maior de nobres abandonou tudo e morreu na Palestina. As cruzadas difundiram o código de honra da cavalaria medieval e revelaram tipos e personagens que inspiraram a literatura romântica e religiosa.
As cruzadas expulsaram os muçulmanos da Europa, expandiram a influência européia e criaram países latinos na Palestina que duraram 200 anos, mas falharam no essencial: não conquistaram a terra Santa. Pior: embora fossem convocadas para defender os peregrinos cristãos, perseguidos pelos árabes em Jerusalém, e os cristãos do oriente contra a expansão muçulmana, iniciada no século VIII, uma das cruzadas (a quarta) invadiu Constantinopla, a Roma grega do oriente (também conhecida como Bizâncio, hoje Istambul), saqueou-a e repartiu o Império Bizantino entre barões europeus. Os cristãos gregos nunca mais perdoaram os ocidentais e consumou-se o cisma entre a Igreja Cristã Ortodoxa Grega e a Igreja Católica Apostólica Romana, que perdura até hoje. Embora a guerra fosse contra os árabes, no caminho até Jerusalém, os cruzados também atacaram os judeus.
O movimento cruzadista não alcançou os objetivos propostos, pois os trucos recuperaram quase todos os territórios conquistados pelos cristãos. Entretanto conseguiram acabar com o controle que eles exerciam sobre a navegação no Mediterrâneo. Com isso, intensificaram-se os contatos comerciais com o Oriente (principalmente Constantinopla); e o comércio, que já vinha se desenvolvendo no interior da Europa e sobretudo nas cidades italianas, recebeu um novo impulso.
Os embarques dos exércitos e o abastecimento fizeram a fortuna de cidades portuárias italianas como Veneza, Pisa e Gênova.
Os cruzados introduziram na Europa os conhecimentos matemáticos e astronômicos que os turcos haviam aprendido com os chineses e os árabes, a fabricação de papel e tinta, novas técnicas e novos instrumentos, e a Europa conheceu novos produtos, em especial, o açúcar e o algodão. Os contatos culturais que se estabeleceram entre a Europa e o Oriente tiveram um efeito estimulante no conhecimento ocidental e, até certo ponto, prepararam o caminho para o Renascimento.
As marcas das cruzadas duram até hoje. O turco Mehmet Ali Agca, que atirou no papa, em 1981, declarou: "Decidi matar João Paulo II, comandante supremo dos cruzados"...
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