
ORDEM TEMPLÁRIA:
O Início da Queda
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O INÍCIO DA QUEDA DA ORDEM TEMPÁRIA
- A queda dos templários pode ser atribuída a diversos fatores.
Após a tomada de Jerusalém, em 1244, pelos sarracenos (muçulmanos que negociavam, no período de trégua, com os templários, pois acreditavam ser prudente ter algum dinheiro investido com os cristãos para o caso de que os avatares da guerra pudessem terminar em alguma espécie de pacto com os europeus), adveio a queda do reino latino com a expulsão das tropas cristãs da Palestina, em 1291. Restaram somente os "Cavaleiros Templários" e os "Hospitalários" para confrontarem-se com os sarracenos. Os templários não puderam evitar o curso dos acontecimentos, e talvez nem mesmo quisessem fazê-lo! A essa altura eles já exerciam suas atividades por toda a Europa. Como a proteção dos caminhos para a Cidade Santa havia sido mais ou menos destruída, os templários voltaram-se exotericamente para tarefas ligadas ao "serviço de assistência social". Eles fundaram e mantiveram um serviço de atendimento médico muito eficiente que estava a serviço da comunidade.
O quartel general da Ordem foi transferida da Cidade Santa para Chipre, e Paris passou à categoria de seu principal centro na Europa.
O ano de 1305 encontra a Ordem dos Cavaleiros do Templo, com apenas uma sombra de seu poder anterior, e a Ordem dos Hospitalários sediados na ilha de Chipre, na esperança de uma nova Cruzada. Porém, as esperanças de obterem auxílio da Europa foram em vão pois, após 200 anos, o espírito das Cruzadas havia-se extinguido; os líderes templários eram respeitados por príncipes e temidos pelo povo, porém não havia nenhuma ajuda popular para eles em seus planos de guerra. Enquanto houve cruzadas, os templários exibiram orgulhosamente o manto branco com a cruz vermelha. Mas a sua exuberância gerou inveja; a mística se dissipou e a oposição monárquica da Ordem tornou-se explícita.
A perda das Terras Santas, as rivalidades entre as ordens (Templária e Hosptalária) e a falta de obediência foram duramente criticadas, e muitos intelectuais e religiosos propunham que elas fossem fundidas para que se criasse uma nova ordem. Os templários, liderados por um novo grão-mestre, Jacques DeMolay, resistiram a essas medidas. E, por algum tempo, o papado ficou do lado deles, ajudando mesmo a arrecadar novos fundos para combates no Oriente.
As derrotas no Oriente Médio alimentaram uma onda de calúnias segundo as quais os cavaleiros teriam feito acordos com os muçulmanos, fugindo de campos de batalha e traído os cristãos. O fato é que as falhas de caráter dos templários não foram tão importantes enquanto o Reino de Jerusalém estava nas mãos dos cristãos. Também não eram bem vistos pois aceitavam em seu seio, cavaleiros excomungados, em conseqüência, podiam receber um sepultamento em solo sagrado, o que é inadmissível perante a Igreja. Os templários eram conhecidos também pelas suas desobediência aos legados papais. Seus abusos de poder já haviam sido criticadas pelo Papa Inocêncio III, acusando-os de excessos e apostasia na bula Insolentia Templariorum. Nessa época, a expressão: "Beber como um templário" era comum para designar algum indivíduo que extrapolara no álcool. Mas uma das coisas que mais afligiam a Igreja, era a sua tolerância para com não-cristãos, principalmente como muçulmanos e judeus. Durante a Cruzada Albingense (na qual houve o genocídio dos seguidores da "seita herética" dos Cátaros), os templários se mantiveram neutros ao invés de atacá-los. Posteriormente, deram refúgio em sua Ordem a um grande número de cátaros conhecidos.
O fim da ordem estava se desenhando, e o golpe final foi dado pelo rei de França, Felipe IV.
O REI DA FRANÇA, FELIPE IV
- O rei de França Felipe de Valois (Felipe IV), conhecido como "Felipe o Belo" (Fointainebleu 1268 - 1314), da dinastia Capetíngea, filho de Isabel de Aragão e Felipe III, "o ousado"; casado com Joana de Navarra com quem teve vários filhos; foi excomungado por Bonifácio VIII, excomunhão que foi levantada pelo papa Clemente V. Criou os Estados Gerais. Formou uma burocracia especializada em leis além de anexar tarritórios.
O papa Bonifácio VIII (Benedetto Caetani) - que liderou os cristãos de 1294 a 1303 - , entrou em choque com Filipe, quando promulgou a bula Clericis Laicos, proibindo o clero de pagar impostos sem autorização papal. Depois de 1300, cresceram as dificuldades entre Bonifácio VIII e Filipe; que falsificou bulas e pôs os franceses contra o Papa, o qual acabou permanecendo prisioneiro por dois dias, até que a população o socorreu. Regressando à Roma, enlouqueceu devido ao golpe e morreu blasfemando depois de quatro meses (11 de outubro). Diz-se que morreu envenenado, fato que se atribui a Guilherme de Nogaret (Guarda-Selos do Reino de França).
A guerra de França com a Inglaterra levaram o rei Felipe à falência. Ele, transformara-se em uma espécie de semideus, conduzindo seu reinado com mão de ferro. Em 1291, ordenara a prisão de todos os comerciantes e banqueiros italianos na França, cujas propriedades expropriara. Em 1306, expulsara os judeus de seu reino e confiscou suas propriedades. Mesmo com todos esses confiscos, ainda precisava de mais, a França ainda devia muito dinheiro. Um de seus maiores credores, (e mais poderosos) era a Ordem dos Cavaleiros Templários.
Em 1305, Filipe atento ao imenso poder que teria se ele pudesse unir as Ordens dos Templários e Hospitalários, com seu filho como Grão-Mestre, conseguindo um titular controle, e assim liderar uma nova Cruzada para retomar Jerusalém. Como parte de um maquiavélico plano, tentara fazer parte da Ordem do Templo; mas, para sua ira, seu pedido de ingresso lhe fora negado. Ele resolveu, então, que deveria destruir as Ordens, a fim de impedir qualquer aumento de poder do Sumo Pontificado, pois as Ordens eram ligadas apenas à Igreja.
Filipe não se sentia bem em saber que em seu reino havia um exército que só obedecia ao Papa (e quando bem entendiam). Eram tolerantes com não-cristãos e recebia em seu seios "hereges", estavam de olho em fundar um principado independente no Lanquedoc e além de tudo, como muita audácia, negaram-lhe o ingresso. Além disso, num levante de seus súditos, o rei francês foi obrigado a se refugiar dentro de uma fortaleza templária até que a situação fosse controlada. No intuito de elaborar um plano de ação contra os Templários, fez-se infiltrar na Ordem através de vários agentes. O fim da Ordem do Templo estava se desencadeando...
A história, repleta de exemplos de Reis dominados pela Igreja e por Papas, teve em Felipe justamente o oposto. E a lenda nos conta como ocorreu o secreto encontro entre Felipe e um certo inexpressivo arcebispo, nas ruínas de um mosteiro em plena floresta. Felipe então propunha fazer o arcebispo papa, em troca de seis favores, dos quais um só lhe seria revelado após a eleição. Na época, a França era o reino mais poderoso da Europa, e seu soberano, tinha seus próprios planos para o papado e os templários.
Após a morte do Papa Benedito XI, no verão do ano seguinte Filipe IV, através de forma nada ortodoxa, impôs ao trono de São Pedro seu candidato: Bertrand de Goth, Arcebispo de Bordeaux, que tomou o nome de Clemente V (Papa de 1305 a 1314).
O Papa Clemente V, em 1309, acedendo às instâncias de Filipe, transferiu a sede tradicional da Cristandade para Avignon cidade ao sul de França, alegando ser essa localização mais adequada do que Roma para administrar a Igreja, pois a França era politicamente mais importante. Isto é: a Igreja estava inteiramente nas mãos de Filipe IV. Assim, sob sua influência, um sujeito fraco e ganancioso subia ao Trono de São Pedro. Logo ficou claro que Felipe exercia pressão para garantir seus interesses.
A sede do papado manteve-se em Avignon por 70 anos (1307- 1377), episódio que ficou conhecido como Cativeiro de Avignon.
O favor oculto devido a Felipe por Clemente V, era a dissolução da Ordem dos Templários: só um papa poderia fazê-lo, pois os Templários não estavam submissos a mais ninguém, e Clemente V seria o instrumento de Felipe, o Belo.
Mas Filipe tinha o poder da Igreja, mas para seu poder ficar consolidado, precisava de dinheiro. Mas como destruir uma ordem que só deve obrigações aos Papa? Só um crime poderia condená-los e no caso dos Pobres Cavaleiros, seria a heresia. A resposta veio através da Inquisição - O departamento da Igreja que investigava os crimes de heresia.
Felipe teve ajuda de um ex-cavaleiro templário Esquieu de Floryan, que pessoalmente queria a desmoralização da Ordem. E um perito em criar heresias chamado Guillaume de Nogaret.
Guilherme de Nogaret (Guarda-Selos do Reino) um juiz real fanático, descendente de cátaros, era o oficial chefe de Filipe IV e principal conselheiro, arquitetou as acusações contra os Templários. Nogaret já havia cometido ações contra Bonifácio VIII: (seqüestro e espancamento). Aliado a dois cardeais da família Collona, recruta na Itália um exército, e assalta o Palácio Anagni. Lá o Papa em seus 86 anos, dentro de seus aposentos sacerdotais, intimado a renunciar o papado teria dito: ''Aqui está meu pescoço, aqui está minha cabeça: morrerei, mas morrerei papa!''. Foi esbofeteado por um dos cardeais Collona e excomungou Guilherme de Nogaret.
Aproveitando-se da decadência militar dos templários, no começo do século XIV, Felipe IV mandou cartas para toda a França contendo ordens expressas que só deveriam ser abertas na data citada. As cartas foram mantidas em segredo absoluto. Nestas cartas, clamava que era o defensor da fé, que iria purificar a França e o mundo daquela blasfêmia. Nelas haviam regulamentos para aprisionar todos os Templários.
Felipe IV decidiu tomar medidas drásticas: conseguiu do papa - seu protegido - autorização para, no dia 12 de Outubro de 1307, prender, de surpresa, Jacques Demolay, de quem era amigo (um de seus filhos - Delfim Carlos, que mais tarde se chamaria Carlos IV e seria rei da França - era afilhado de DeMolay,).
DeMolay e centenas de outros Templários foram presos e atirados em calabouços. Foi o começo de sete anos de celas úmidas e frias e torturas desumanas e cruéis para o grão-mestre dos templários e seus cavaleiros.
No dia seguinte, sexta-feira 13 de outubro de 1307 (daí a crença que sextas-feiras 13 dão azar), continuaram as invasões de surpresa às sedes templárias, perseguindo e prendendo cerca de 15 mil templários em toda a França. Só em Paris foram detidos 500 cavaleiros, muitos sendo degolados.
No entanto, segundo a lenda, na noite anterior, um número desconhecido de Cavaleiros teria partido da França com dezoito navios carregados com o lendário tesouro da Ordem. Uma parte desses navios aportou na Escócia e os Templários teriam se associado com os Guardas Escoceses, com os Rosa-Cruzes, o Colégio Invisível, e a Sociedade Real (todos grupos ocultistas) e juntos teriam formado o Rito Escocês da Maçonaria.
É provável que o golpe contra os templários tivesse três objetivos: as enormes riquezas das ordens deviam passar para a posse do rei com os menores danos possíveis; visava-se também obter à força o acesso aos segredos esotéricos das ordens, além da ambição por documentos contendo informações sobre tecnologia naval (que seria posteriormente usada por Colombo, Pedro Álvares Cabral e Vasco da Gama). Nenhum dos objetivos foi alcançado. Pode-se ter como certo que os templários já estavam informados há tempos sobre o que se planejava. Diante dessa ameaça, mostraram um comportamento exemplarmente heróico. Em vez de salvar a vida renegando pertencer à ordem, escolheram o caminho oposto. Diante da ameaça de morte, continuaram a viver como se não soubessem de nada e, em segredo, tomaram as providências visando salvar tudo para que não caísse nas mãos dos inimigos. Fizeram isso com tanta perfeição que até hoje nada foi encontrado.
Um mês depois, por insistência de Filipe, o papa Clemente V deu a todos os soberanos carta branca para prender os templários e tomar posse de suas propriedades, e Felipe pedia aos reis dos países cristãos que prendessem os membros residentes nos seus Estados. Pouco eco teve esse apelo nos reinos de Aragão, Castela, Portugal, Inglaterra e Alemanha onde, no máximo, alguns membros foram presos, interrogados e depois soltos.
Dois processos foram abertos: um dirigido pelo rei contra os presos e o outro conduzido pelo papa Clemente V contra a Ordem. O papa era francês, morava em Avignon e era aliado do rei. A investigação papal em toda a Europa achou pouquíssimas provas de heresia. Mas a pressão de Felipe continuava, e Clemente V cede às pressões, deixando mesmo a autoridade eclesiástica ser ultrapassada.
Felipe forçou o Papa a apoiar a condenação da Ordem. O Papa convocou um concílio em Viena, em 1311, com esse fim, mas os Bispos se recusaram a condená-la à revelia; conseqüentemente, o Papa convocou um consistório privado em 22 de novembro de 1312, e aboliu a Ordem, conquanto admitindo a falta de provas das acusações. De forma clandestina, o rei consegui alguns bens templários, pois a decisão do papa foi legá-los aos hospitalários.
O Rei forçou DeMolay a trair os outros líderes da Ordem. Apesar das torturas, DeMolay recusou-se. Na França, somente 12 Templários escaparam, dentre eles Gérard de Villiers, preceptor da França. De fato, Filipe IV prendeu em sua maioria apenas velhos cavaleiros, doentes, servos, clérigos e membros de menor importância. Vale a pena lembrar que muitos dos Templários que foram presos eram homens rurais, que nunca viram um muçulmano na vida, ou tivesem lutado contra um. A maneira que foram torturados foi de puro desespero e terror. Assim Filipe - o belo conseguiu várias confissões.
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