ORDEM TEMPLÁRIA:
Inquisição, Acusações e Torturas
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    INQUISIÇÃO: ACUSAÇÕES E TORTURAS - Muitas das acusações feitas contra a Ordem Templária diziam respeito à cerimônia de iniciação do grupo. O sigilo da Ordem foi usado contra ela e as etapas dos rituais de iniciação foram convertidas em monstruosidades.

    Os Inquisidores possuíam uma forma precisa de perguntas maliciosas. Forçando ao réu dizer o que eles queriam ouvir. Confundiam a vítima com frases muito bem articuladas.

    Cada templário, ouviria a leitura formal das acusações contra ele; e a cada um se prometeria perdão se confessasse culpado das acusações e retornasse ao seio da Igreja. Em caso de recusa a confessar, seria enviado o mais prontamente ao rei, que por sua vez o lançaria nos calabouços, onde se submeteria a torturas. A inquisição não precisou trabalhar tão duro, pois muitos dos Templários presos eram homens rurais e clérigos. não habituados a dor.

    O fato é que a Ordem havia sido "dissolvida". E eles pegaram prisão perpétua, que na concepção da época, não era um castigo, mas uma penitência (sendo assim, deveriam ficar felizes). Muitos templários confessaram sua culpa induzidos por tortura e depois voltaram atrás diante dos enviados de Clemente, o que resultou na morte de 54 membros da ordem, pois segundo as regras da Inquisição, hereges confessos que voltassem atrás e negassem suas confissões era considerado uma reincidência da heresia (aliás quase tudo era considerado heresia!), e deveriam ser imediatamente executados. Os confessores diziam que cometeram o crime ore et non corde - Na boca mas não no coração - em vão para se salvarem do suplício das torturas. Posteriormente muitos se arriscarão para defender a Ordem.

    O papa Clemente V - insatisfeito com a sujeição à Felipe - criticou as prisões arbitrárias. O processo papal foi instalado para averiguar as acusações.

    As acusações deixam claro que tudo não passava de perseguição política. Tanto é assim que as acusações aparecem, com poucas mudanças, em todos os outros processos contra heréticos da época. Elas mostravam heresias as mais diversas. Apesar de que, com certeza, depois de 200 anos vivendo no Oriente Médio os templários haviam absorvido grande parte da cultura do inimigo. Muitos cavaleiros falavam árabe e, ao contrário da maioria dos europeus, seguiam a moda árabe de usar barba. Os críticos dos templários salientaram as semelhanças de vestimenta e organização dos dois grupos (tanto Templários como Hospitalários). Sabe-se que pelo menos um templário, o cavaleiro inglês Robert de St. Albans, converteu-se ao islamismo e comandou um exército muçulmano.

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    Aos santos guerreiros foram feitas 127 acusações (Normalmente, uma simples acusação, se tornava em um processo com dezenas de outras acusações), entre elas:

  • Entregar-se a atividades de sodomia e homossexualismo;
  • Não praticar sacramentos;
  • Práticas blasfemas como pisar, negar, cuspir ou urinar sobre a cruz;
  • Adoração ao diabo, às vezes sob a forma de um gato negro que eles beijavam atrás do rabo e outras vezes como um ícone conhecido como Baphomet - um misterioso ídolo de 3 cabeças ou com forma de gato ou bode (idolatria). Alegava-se que os cavaleiros usavam óleo extraído de bebês assassinados para massagear Baphomet, descrito como uma cabeça humana empalhada ou como um crânio cheio de jóias montado sobre um falo de madeira;
  • Cultuar Maomé;
  • São acusados de orgulho, independência em relação ao papado e de querer dominar o poder temporal pelo dinheiro;
  • Simonia [tráfico criminoso (ou venda ilícita) de coisas santas ou espirituais, como sejam os sacramentos, dignidades, benefícios eclesiásticos, etc.];
  • Conspiração, em conluio com os infiéis do islã;
  • Praticar sodomia ritual.


    Como a função inicial da ordem era proteger os peregrinos que se dirigiam a Terra Santa, a ordem passou a manter relações diplomáticas com vários infiéis. Para evitar conflitos, tolerava os ritos e as crenças dos muçulmanos e judeus e muitos de seus membros aprenderam o idioma dos inimigos da cruz para evitar a negociação por meio de intérpretes.


    As formas de torturas mais usadas foram:

  • Uma saraivada de perguntas maliciosas por várias pessoas ao mesmo tempo;
  • Forçados a noites sem dormir;
  • Dieta a base de pão e água;
  • Severa humilhação;
  • A vítima era amarrada em um quadro triangular com as mãos para trás. Eram suspensos pelas mãos, depois os deixavam cair para depois repentinamente, parar poucos metros do chão. O golpe violento resultavam e extrema dor nas juntas;
  • Dentes eram extraídos um à um nos espaços de cada pergunta. Após isso, enfiavam sondas no espaço onde ficavam o dente, para provocar mais dor;
  • Palitos debaixo da unha ou estas eram extraídas;
  • O ferro quente era um dos mais usados, pois além de fácil de usar, podia ser usado em várias partes do corpo de uma vez só. Geralmente, faziam a pergunta com o ferro em brasa, centímetros da carne. (que já queimava) E se a resposta demorasse ou não agradasse os inquisidores, era comprimido junto a pele;
  • Mas era a máquina extensora a forma mais usada para obter a confissão.

    Vários documentos afirmam que muitos firam loucos com esses métodos.

    Centenas de templários confessaram inclusive que adoravam a cabeça de João Batista.

    Dias depois da captura, 36 cavaleiros morreram em virtude das torturas recebidas nas masmorras do rei. Três anos depois, no dia 10 de maio de 1310, próximo a Paris, 54 templários foram queimados vivos (alguns autores chegam afirmar 75).

    As paredes de antigas celas francesas trazem rabiscos de símbolos secretos e desenhos, como se, no seu desespero, seus ocupantes tivessem tentado deixar às gerações posteriores algo compreensível da mensagem esotérica da "Ordem do Templo de Salomão". Esses símbolos e desenhos até hoje, pelo que se sabe, não foram decifrados.

    A perseguição continuou, a despeito da admissão, feita pelo papa Clemente V no dia 2 de abril 1312, na sua bula Vox in Excelso de que a igreja não tinha provas da heresia. O ponto crucial da bula, dizia que a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo do Rei Salomão foi dissolvida e não condenada. Por essa escolha de palavra o Papa Clemente indica a evidência da inocência da Ordem. Felipe IV não gostou da sentença do Conselho de Viena. O destino das propriedades da Ordem, tiveram seus caminhos traçados pelo Papa Clemente, que transferiu todas as propriedades aos Hospitalários com a bula Ad providam em 2 de maio de 1312.

    Filipe IV não pôs as mãos no lendário "Tesouro templário". Na verdade, talvez este nem mais existia; com a perda de Acre e a ida subseqüente para Chipre deve ter provocado rombos enormes nas reservas do Templo. Há também fortes indícios de que uma esquadra templária zarpou da Europa levando consigo o tesouro do Templo.

    Mas o que fazer com os Templários ainda sob custódia nos calabouços? A solução veio no dia 6 de maio pela bula Considerantes dudum. Os líderes deveriam ser julgados pelas autoridades do Papa. E os outros irmãos estariam nas mãos das autoridades locais. Os templários que não morreram sob os tormentos do rei tiveram permissão de juntar-se a outra ordem ou voltar à vida secular.

    A ação contra os templários era mais freqüente, onde a lei da Inquisição tinha mais eficácia - na França, Itália, em algumas partes da Áustria e da Alemanha. Em outras partes, o processo de inquisição era pró-forma.

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    Na Alemanha - Os Templários desafiaram a todos para provar sua inocência. Recorreram às armas. Intimidados, os juizes os declararam inocentes. Os templários da Alemanha gradualmente foram se aglutinando em ordens como os Hospitalários e os Cavaleiros Teutônicos. Vale a pena ressaltar que, em 1522 a progênie dos templários prussianos, os Cavaleiros Teutônicos se secularizou, repudiou a sua lealdade a Roma e lançou seu apoio a um novo rebelde com novas idéias chamado Martinho Luthero. Lutando a favor do protestantismo contra a mesma Igreja que havia destruído os templários.

    Na Inglaterra - Alguns dos templários conseguiram fugir para a Inglaterra, onde a Ordem conseguiu viver secretamente por mais alguns séculos.

    Torturas eram proibidas pelas leis Inglesas, a primeira execução por inquisição em solo Inglês foi de um Cavaleiro do Templo. Nenhum deles confessaram. Aliás, Filipe IV, o Belo, exortou o seu recém coroado sobrinho, o Rei Eduardo II, a ir de contra os templários. Eduardo II por sua vez ficou tão indignado com o pedido de seu tio, que mandou uma carta aos monarcas de Aragão, Portugal, Castela e Sicília, encorajando-os a ignorar as idéias de Filipe IV.

    Sendo implacável a importunação de Filipe, Eduardo acabou cedendo e, em janeiro de 1308, simbolicamente prendeu 10 templários. Não se fez nenhum esforço sério para mantê-los sob guarda, ao contrário, deixaram-nos andar a solta, em trajes seculares, entrando e saindo a bel-prazer dos castelos onde deviam estar presos.

    Em 1309, 2 anos após as prisões na França, A Inquisição pôs pela primeira vez os pés na Inglaterra, com objetivo específico de processar os templários. Sendo que o Rei Eduardo os proibiu de usar a tortura. Os Inquisidores não gostaram de tal acolhida, e foram se queixar ao Papa e a Filipe. Sob pressão desses dois lados, Eduardo, em dezembro, concordou em sancionar "limitada" tortura.

    Com essas relutância de Eduardo, a Inquisição prepôs alternativas; minar a comida, até subsistirem apenas com água. Depois sugeriram levá-los a França, onde poderiam fazer o que bem quisessem. Somente em meados de 1310, contra sua vontade, sob pressão renovada do Papa, as torturas aos moldes da França foram aplicadas.

    No fim, menos de cem templários foram presos na Inglaterra, e só obtiveram 3 confissões. Esses 3 réus-confessos não foram queimados. No máximo, tiveram que confessar em praça pública suas "heresias". Os outros templários, viveram os restos de seus dias em outros mosteiros, recebendo pensões.

    Em Portugal - Talvez, seguindo os conselhos do Rei Eduardo II, a Ordem continuou ativa na guerra contra os muçulmanos. Adotam outro nome: Ordem de Cristo, fundada por D. Dinis de Portugal, que era a mesma coisa. Posteriormente já no século XV Infante D. Henrique se torna grão-mestre da Ordem de Cristo e inicia as Grandes Navegações Portuguesas. Essa Ordem funcionou até o século XVI (inclusive no Brasil, no período colonial).

    Na Espanha - O Concílio de Salamanca, declara unanimemente que os acusados são inocentes e funda a "Ordem de Montesa".

    Na Escócia - Esse país estava sobre intervenção papal, e seu rei, o grande Robert the de Bruce, fora excomungado, em conseqüência, a lei papal lá não valia. A Escócia foi o refúgio de muitos templários. A experiência e destreza dos cavaleiros templários foi importante nas batalhas que culminaram com a libertação do país da dominação inglesa. Posteriormente, os ex-templários escoceses, iriam lutar ao lado de Robert the Bruce, na batalha de Bannockburn, em 1314, libertando a Escócia da Inglaterra.

    Com o restabelecimento da Igreja na Escócia, Robert the Bruce pede aos templários para que caíssem na clandestinidade. Provas mostram que os templários se manteriam coesos secretamente na Escócia por quase quatro séculos. Mantendo fortes laços com as corporações de ofícios de pedreiros (futura Maçonaria); as mesmas que eles deram as regras. E não esquecendo que os Templários foram os precursores do estilo gótico. A tradição da Geometria Sagrada iria se fortalecer ainda mais na união entre os Templários e Pedreiros-livres. Uma vez a Escócia católica, as propriedades templárias foram divididas. Parte iria para os Hospitalários, e outra para os donos originais.

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    Baphomet - A origem da palavra ficou perdida, e muitas especulações podem ser feitas, desde a improvável derivação de Mahomet (o nome do profeta do Islã), até Baph+Metis do grego "Batismo de Sabedoria", a qual é a mais provável. Segundo alguns estudiosos seria um anagrama hebraico: Beth-Pe-Vav-Mem-Taf. Aplicando-se a cifra Atbash (método de codificação usado pelos Cabalistas judeus), obtém-se Shin-Vav-Pe-Yod-Aleph, que soletra-se Sophia, palavra grega para "Sabedoria" (deusa grega), adorada pelos gnósticos, para os quais seria uma figura maior até do que Jesus. Evangelhos gnósticos dizem que Sophia veio no corpo de Maria. Documentos templários dizem que eles adoravam Maria, mas não diz se era Maria Madalena ou a mãe de Jesus.

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