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Conta-nos, Chico Vaqueiro, que um dia Chico Fuba matou um porco muito grande, que há tempos vinha cevando. Na segunda-feira, levou o porco ao açougue para vender, pois é o dia oficial da feira de Marcelino Vieira, dia em que o Povo aproveita para sair, passear na cidade e rever os amigos, principalmente os que moram no sítio. Nessa Segunda, a feira foi muito fraca, metade da carne do porco sobrou. Temendo perder a carne que sobrara, Chico resolveu salga-la para vender o restante na outra feira. Lá estava Chico no mister da salga, quando se aproxima, devagarinho, como quem não quer nada, um rapaz, conhecido na cidade por Zé de Pedro Raimundo - em cidade pequena os filho são conhecidos pelo primeiro nome acrescido do nome do Pai -, tido por todos na cidade como um velhaco de primeira. De mansinho, olhou para o velho Fuba, maquinou o bote e soltou: "Feira fraca, né seu Chico." Ao que Chico, cuspindo a gosma do tabaco de lado, laconicamente, respondeu: "É." Fazendo-se de desentendido, o rapaz soltou: "Seu Chico me venda 02 kg dessa carne para eu pagar na próxima feira?". Olhando para ele, com cara de poucos amigos, Chico cuspiu a gosma de fumo, de lado e respondeu: "Ó seu gota se fosse prá perder eu num tava salgando."
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