Nós e Pâmela com um mês de vida.

Cazuza Cardoso era o apelido de José Eloi de Paiva, meu avó, dono de mercearia e padaria em Marcelino Vieira (Rn). Possuía uma pequena propriedade na Várzea do Canto, que o povo chamava de "Varge do Canto". Cazuza era um homem inteligente, espirituoso, amigo de todos. Uma pessoa legal. Era meu avô. Gostava tanto dele, que em sua homenagem dei como nome a meu único filho varão, o seu apelido: Cazuza Cardoso, só que grafado com K, por conta do nome de minhas filhas, (Kadidja e Katarina), mesmo assim, teve a aprovação de meu Pai e de meus tios. Mas vamos a um "causo" de vovô.

Passando a Perna no Cigano

Cazuza tinha um cavalo que na frente da padaria, onde tinha uma areia fina, o animal andava bem, brailhava que era uma beleza. Porém se pegasse um terreno duro não sai do canto, pois tinha os cascos moles. Um dia apareceu um comprador para o cavalo, um senhor de nome Zé Joana, cigano.- Os ciganos têm fama de espertos nos negócios -.Zé Joana quando viu o cavalo de Cazuza, um animal vistoso, interessou-se logo pelo animal e, fez de tudo para conseguir o belo cavalo. Fazendo-se de desinteressado, Cazuza relutou bastante em aceitar a proposta do cigano. Depois de muita relutância por parte de Cazuza, este aceitou o negócio e trocou seu cavalo pelo burro que o cigano vinha montado, por sinal um animal grande e de pelo lustroso, baixeiro que era uma beleza. Na hora da troca, Cazuza, muito esperto, pediu ao velho uma camisa de volta no negócio, alegando que o velho tinha se saído muito bem, o que de imediato foi aceito pelo velho cigano. O velho saiu muito contente no cavalo e dirigiu-se à saída da cidade. Logo próximo, em terras de Roseno de Fontes, havia um terreno pedregoso e, com certeza, ali o cigano iria descobrir que havia comprado gato por lebre. Não deu outra, o animal começou a mancar, a sangrar os cascos e empacou de vez. Como estava próximo da casa da Fazenda, o Cigano para lá se dirigiu e pediu um animal emprestado a Roseno e voltou imediatamente à  Marcelino Vieira. Cazuza, que continuava na calçada da  Bodega, com os amigos que haviam presenciado a troca, avistou o cavaleiro se aproximando e, munindo-se com um ar de inocente, esperou Zé Joana aproximar-se e soltou: "Seu Zé Joana o senhor já veio deixar a minha camisa"? Indignado o cigano respondeu: "Marvado tu ainda vem falar em camisa infeliz, o cavalo só botou ali em Roseno é aleijado, é aleijado."

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