Eu praticando esquibunda, na Lagoa de Jacumã.

CHICO FUBA era um velho vaqueiro, alto e magro, de bigode, e que vivia com um cigarro na boca. Durante  muito tempo trabalhou, com Cazuza Cardoso, meu avô. Era uma pessoa espirituosa e amigo de todos. Pobre e sem muitas ambições, sempre viveu como vaqueiro e, como todo bom vaqueiro, encabrestava animais. Mas, como quase todo vieirense, tinha suas tiradas, vejamos algumas:

O Enterro da Égua

Certa vez Chico Fuba, que como já dissemos, além de vaqueiro, fazia biscates encabrestando animais. Um belo dia foi encabrestar uma égua de um loiçeiro, um senho que fazia potes de barro, no interior, conhecido como loiceiro   e, quando puxou o cabresto, ela quebrou o pescoço e morreu. O dono virou-se para ele e disse: "Seu Chiquinho o senhor sabe que vai pagar minha bestinha". No que Chico respondeu:  Não. Pois vai pagar. Chico Fuba disse: "pois você não abra a mão a cavar barro para fazer pote e comprar outra não, viu  fio de uma égua e espere que eu pague sua besta." Indignado, o dono disse a Chico que este se encarregasse de dar um fim ao corpo da égua. Como ele não tinha onde enterra-la, vez que não possuía uma propriedade, por menor que fosse, mesmo assim não esquentou, pois como era amigo de todos, Chico Fuba deixou a "finada" em terras de Osmundo Alvarenga - Seu  Osmundo -, que não concordou, devido a égua já está fedendo muito, denunciou o fato a Seu Laurindo de Geracina,  que era o fiscal da Prefeitura. Sabendo Chico Fuba que Osmundo havia denunciado o fato a Laurindo, antes que este viesse lhe procurar, retirou a velha égua do terreno de Osmundo e colocou-a no terreno de Isidoro, que, também, a exemplo de Osmundo, levou o fato ao conhecimento do nosso já  conhecido fiscal Laurindo, que, desta feita, foi procurar Chico Fuba a fim de que o mesmo retirasse sua égua do terreno alheio, pois a mesma estava fedendo e incomodando a todos. Mais uma vez o velho Fuba sai a arrastar sua égua para outras terras depositando-a, desta feita, para que tivesse o merecido descanso em terras de Tarcísio Marcelino. Ocorre, porém, que Tarcísio, também, não gostou da idéia, e , como os outros,  queixou-se ao fiscal. Desta vez o nosso Chico Fuba estava almoçando quando chegou Laurindo chegou e disse: "E, e Chico Fuba e você vá tirar a égua de lá qui os proprietário num quer qui você bote a égua em terra alheia". Ao que Chico Fuba respondeu: "espere aí um pouco Laurindo, deixe eu terminar de comer, que eu vou botar a égua na cabeça até os urubus acabarem de comer, pois é o que todos estão querendo, você mesmo sabe que eu não tenho terra".

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