Kazuza, Eu e Papai - Natal/RN, 13/3/2000.

A CAÇADA

Conta-nos Pai Tonho que, certo dia, voltando de uma caçada, mal sucedida, vem caminhando cabisbaixo, aborrecido por não matar sequer um preá, quando tropeça e levantando a vista eis que vê em sua frente, dormitando em um tronco de oiticica caído, um belo Gato. Mais que depressa nosso herói procura carregar seu bacamarte "boca de sino". Acontece, porém, que junto com o chumbo havia algumas tachas e um pedaço de gilete, o que prontamente desceu de cano abaixo. Depois da espingarda carregada, mirou, cuidadosamente, apertou o gatilho e foi conferir. Qual não foi sua surpresa ao notar que o pedaço de gilete havia cortado o Gato e as tachas pregaram o couro na madeira, deixando este já espichado, tendo ele o trabalho apenas de, com seu facão amolado, cortar o pedaço, levando-o para secar, após o que venderia, na feira seguinte, a Seu Alberto Turrião.

A CHEGADA DO HOMEM NA LUA

Certa feita, o nosso já conhecido,  PAI TONHO saiu para mais uma de suas famosas caçadas. Desta vez resolveu explorar a Serra de Seu Roseno", que, segundo afirmava, tinha caças variadas, desde a rolinha até o gostoso e saboroso Peba. Que era a caça predileta de nosso "herói" e o motivo de sua ida à serra durante a noite. Acontece, porém, que nessa referida noite, estava programada a chegada do homem à lua. Acontecimento este que seria presenciado por todos que quisessem, no televisor de Tarcísio Marcelino, em preto e branco, um dos poucos televisores existentes na cidade, à época. Nosso "herói" entretido com sua caçada, esqueceu-se de tal fato. No dia seguinte, logo que saiu à rua ouviu os comentários sobre o grande acontecimento da época, a chegada do homem à lua. Alguns comentando que aquilo era mentira, que era impossível o homem pisar o solo lunar; outros dizendo que nada era impossível ao homem de ciência, etc. Pai Tonho, inconformado, quiçá, por não ter presenciado, mesmo através de um televisor, em preto e branco e com imagem péssima, não se deu por achado quando indagado sobre o fato, saiu-se com esta: "é verdade, o homem pisou na lua. Eu estava lá na serra de Seu Roseno, naquela pedra mais alta que vocês conhecem, era noite de lua cheia e ou vi, com esses olhos que a terra há de comer, quando um homem com uma roupa estranha desceu na lua".

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