Prosa

 

 

O quarto do lençol branco - Pedro Farinha - Abril 2001

Anda, entra nesse quarto.

Fecha a porta trás de ti, devagar, sem fazeres barulho. Põe uma música se quiseres, mas baixinho, para que não abafe as palavras, mesmo aquelas que sejam ditas num sussurro.   (ler mais)

 

Sabor a ser... - Clara do Vale - Junho 2001

A cómoda antiga contava histórias de várias gerações, testemunha  viva de tantos segredos de mil vidas vividas que, ciosamente, escondera na alma que não tinha.

Dentro de si, nas suas entranhas, guardava relíquias esquecidas, abandonadas displicentemente nas gavetas cor do ébano e de noites de céus sem estrelas.  (ler mais)

 

 11 de Setembro - Pedro Farinha - Outubro 2001

Olho nos teus olhos marejados de lágrimas secas e escuto os ecos de uma explosão permanente. Para ti não morreram cinco mil pessoas, ninguém atacou a América e o mundo não está em guerra, mas sim, eles têm razão numa coisa, nunca nada mais será como dantes. (ler mais)

 

 

Silêncio - Pedro Farinha - Fevereiro 2002

Por  vezes o silêncio é insuportável.

É mais ensurdecedor que quaisquer gritos. Olho-te e vejo a tua boca cerrada, o teu olhar preso na estrada. Fico sempre com vontade de te pedir desculpa mesmo que não saiba bem de quê. Eu sou assim. Tu és assim. (ler mais)

 

 

O dia escureceu... - Cristina Augusto - Junho 2002

Pois, hoje quando acordei o quarto estava escuro e quando cambaleando me levantei e corri a cortina do quarto, o dia estava cinzento. De imediato levei as mãos aos olhos, a claridade do dia feriu-me o olhar...pensei então, que dia será hoje? Que horas serão? E lentamente, quase a medo, rodo o meu corpo sobre os meus pés frios, num chão de pedra gelado, e olho para a cama...e então caio em mim, neste presente escurecido, olho para a cama, e vejo que estou sozinha...na mesa de cabeceira, uma foto, TU, sorris-me como a dizer habitualmente “Bom dia Princesa”... (ler mais)

 

 

Uma janela para o mar - Pedro Abrantes - Abril 2003

10 e 17 e ele teima em não chegar. Apesar de uns longos 30 metros separarem os nossos departamentos, ele trabalha numa nesga precisamente acima da fotografia do meu cão, entre o ecrã do computador e as pilhas de trabalho que me esperam impacientemente. Só neste momento, com a sua ausência, tenho a plena consciência de que esse pequeno cubículo de campo livre na minha atafulhada e exígua secretária se tornou, nas últimas semanas, uma janela para um sonho distante. Talvez seja a última e, por isso, eu a tenha guardado religiosamente, mesmo quando os computadores, os manuais, os relatórios e os dossiers ameaçavam devorar todo o espaço disponível.  (ler mais)

    

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