Crónicas da Net

 

Recordamos algumas das melhores Crónicas da Net já aqui publicadas, sendo que algumas delas foram igualmente publicadas noutros sites. 

 

Pedro Farinha

Tecnologias ( Dezembro 2000)

Por vezes as tecnologias modernas recuperam os hábitos antigos.

Com a invenção e democratização do telefone, a escrita caiu. Falou-se na altura numa revolução. Não se usava, como hoje, termos como on-line ou interactividade, mas na realidade era disso que se tratava.   VER

Operário fabril, poeta do IRC ( Setembro 2001)

Na fábrica ninguém sabia o seu nome, e era apenas mais um que enrolava bobines na comprida linha de montagem. Passava por apático ou indiferente e poucos lhe tinham ouvido a voz timida em mais que um "bom dia" ou um "até amanhã". VER

O encontro ( Janeiro 2002)

Deram-se as mãos mas acima de tudo deram-se os olhos.

Olharam-se, elas que nunca se tinham visto, mas que se conheciam como se muitas fossem as vezes que tivessem vagueado juntas, falando do tudo e do nada. Nunca se tinham visto mas sabiam muito uma da outra, sabiam as coisas importantes e as coisas menos importantes. VER

As solteironas da net ( Maio 2002)

Elas vagueiam pelas ruas com as suas bolsas a tiracolo. Trazem os lábios fechados e as mãos nos bolsos. Vêem nas montras os vestidos que nunca vestirão, e sob um céu cinzento prosseguem a sua marcha.

Sentadas nos autocarros lêem as revistas da moda e é nas vidas dos outros que esquecem a sua própria ausência de vida.  VER

As palavras que eu escrevo ( Dezembro 2002)

Tu lês as palavras que eu escrevo e bebe-las. Devora-las. Saltas da cama e é ainda, apenas, com a tua camisa de dormir de cambraia pois gostas de dormir sem elásticos a apertar-te, que ligas o computador e perscrutas se te mandei algum mail depois de o teres desligado na noite anterior.    VER

 

Praça de Londres, onze da manhã ( Setembro 2003)

Olhei-me ao espelho e desviei os olhos rapidamente. Não queria ver a minha careca mal disfarçada nem a proeminência da barriga. Parecia-me que se eu próprio pensasses em mim como alguém mais jovem e atraente, era assim que agiria, era assim que ela me veria.  VER

 

 

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