Tecnologias 

Por vezes as tecnologias modernas recuperam os hábitos antigos.

Com a invenção e democratização do telefone, a escrita caiu. Falou-se na altura numa revolução. Não se usava, como hoje, termos como on-line ou interactividade, mas na realidade era disso que se tratava. A comunicação entre duas pessoas distanciadas geográficamente passava a ser possível … e acessível.

Tal facto empurrou as velhas cartas para a gaveta, para o canto do pó. Hoje em dia, ao abrirmos a nossa caixa do correio, o melhor que podemos esperar é publicidade, pois normalmente o que recebemos são contas, contas e contas.

O aparecimento da internet e a sua mais recente, senão globalização, pelo menos generalização voltou a lançar o correio - o electrónico. E muitos de nós, seja em pequenos postais animados, seja em longas missivas redescobrimos o prazer da escrita. O numero de mails trocados entre amigos, sejam eles “reais” ou “virtuais” tem crescido sem parar.

Por outro lado, a net, enquanto meio de comunicação, tem permitido a divulgação de muitos textos, poemas e escritos sejam eles de autores consagrados, sejam de ilustres desconhecidos.

Hoje em dia, se é difícil conseguir publicar um livro, é pelo menos fácil conseguir divulgá-lo na net, seja por e-mail, seja colocando-o numa page. Este mesmo texto é prova disso, de que outra forma seria possível para mim, dar a conhecer estes meus pensamentos que não na net?

Navegando por este mundo cibernautico, tenho encontrado verdadeiras obras-primas, refúgios de escrita, espaços onde amadores colocam os seus trabalhos, e tal não é apenas válido na palavra escrita. De igual forma “esbarramos” com pinturas, fotografias e desenhos. É todo um mundo que aparece aos olhos de quem procura, quantos escritos escondidos durante longo tempo numa gaveta, ou debaixo do colchão não tem dado um ar da sua graça, quantas fotos não se terão desempoeiroado e abrilhantado um écran de um computador.

Penso que de igual forma, e como consequência de toda esta verdadeira revolução cultural, o numero de leitores e a apetência para as artes tem vindo a progredir favoravelmente em Portugal.

Por vezes as tecnologias modernas recuperam hábitos antigos.

Pedro Farinha

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