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Textos do 11ºAno

 
 
aaaRelação Ciência/ Filosofia-Althusser/ Berdiaeff/ Piaget
aaaPosições epistemológicas face ao problema do conhecimento
aaaEssência e existência
aaaDiferentes posições filosóficas sobre o problema do sentido da existência
aaaO projecto cartesiano

aaaO discurso filosófico e o discurso científico: sua articulação e historicidade
aaaO conhecimento e a verdade no realismo
aaa O desmoronamento da física aristotélica- o princípio da Idade Moderna
 Trânsito do "eu" às coisas
aaaA necessidade de uma descrição fenomenológica do conhecimento


Relação Ciência/ Filosofia
    Podemos considerar que um dos aspectos mais característicos do conhecimento científico é ser baseado em factos que têm de ser elucidados de forma a que se possam resolver problemas. Um conhecimento será tanto maiscientífico quanto mais progredir nas explicações parciaise nas previsões. As normas exactas que presidem à elaboraçãodo conhecimento científico, fixado em determinado sistema de sinais,não são de facto da mesma ordem dos princípios filosóficos,onde não há consenso unânime. E embora o exame críticonão seja apenas característico da Filosofia, visto que épróprio de toda a discussão racional e, neste sentido tambémdas ciências, o certo é que a crítica filosóficapõe em jogo a totalidade do ser e interessa ao homem como tal, atingeo homem profundamente, o que não acontece com o conhecimento científico que, dizendo respeito a objectos particulares não se dirige a cada sujeito.
   Para a ciência torna-se essencial delimitar os problemas dentro de um determinado campo de investigação e procurar um consenso ou um acordo entre os cientistas que por esta mesma investigação se interessam; este acordo residirá na vontade comum de verificação.
   Ora a delimitação dos problemas torna-se mais difícil em Filosofia, onde a questão da totalidade se põe a cada passo e, quanto a possibilidades de verificação, sabemos que tal  não pode acontecer em Filosofia.
   Embora haja diferenças essenciais a considerar entre conhecimento científico e filosófico, não hádúvida que devemos também ter em conta a articulaçãodos dois tipos de conhecimentos. No entanto, as  relaçõesque aFilosofia estabelece com a Ciência, são interpretadasde mododiferentede acordo com o conceito que se tenha de filosofia.

   a) Há autores que defendem que fora do âmbitoda ciência não haverá Filosofia, que a elaboração filosófica só tem sentido à luz de uma prática científica e que o único conhecimento válido é o conhecimento científico. Assim, nesta perspectiva, a actividadefilosófica resultará sempre do tratamento das questõesepistemológicas. É o caso de Althusser que afirma que " Para que a filosofia nasça , ou renasça é preciso que as ciênciassejam (...) a filosofia tem sempre um atraso de um longo dia que pode duraranos ou um século. (...) Os grandes acontecimentosfilosóficos que conhecemos (a filosofia antiga presa a Platão,a filosofia moderna presa a Descartes) remetem para a abertura provocantede dois continentes científicos, a matemática grega e a físicade Galileu".

 a) A filosofia possui um modo distinto de conhecer relativamente à ciência. Há autores que alegam que a Filosofia tem um modo de conhecer perfeitamente distinto da ciência; modo de conhecer esse alimentado pelas contradições humanas, pela intuição original, pela experiência de cada vida. É o caso de Berdiaeff que afirma que " A filosofia  só é possível quando possui asua maneira própria de conhecer distinta do modo como se processao conhecimento científico. (...) A filosofia não é aciência, não é mesmo ciência das essências;pela filosofia o espírito toma consciência criadora do sentidoda existência humana (...). Não pode haver filosofia sem a presençada intuição filosófica. Qualquer filósofo imanente,qualquer filósofo digno desse nome possui uma intuiçãooriginal. (...) O conhecimento filosófico depende da amplitude daexperiência vivida, supõe a existência essencialmenteestratégica de todas as contradições da existênciahumana. Na origem da filosofia está a experiência humana nasua plenitude".

   c) O campo da Filosofia não esgota a reflexão filosófica. Outros autores consideram que sendo a ciência fundamental para que o discurso filosófico se constitua isso não impede, no entanto, que a reflexão filosófica tenha domínios específicos onde se exerce: a praxis, a história, a experiência quotidiana do indivíduo. É o caso de Piaget que afirma que " A busca da verdade científica não esgota em nada a natureza do homem. Para além disso , o homem vive, toma partido, crê numa multiplicidade de valores".

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