Relação
Ciência/ Filosofia
Podemos considerar que um
dos aspectos mais característicos do conhecimento
científico
é ser baseado em factos que têm de ser elucidados de forma
a que se possam resolver problemas. Um conhecimento será tanto
maiscientífico
quanto mais progredir nas explicações parciaise nas
previsões.
As normas exactas que presidem à elaboraçãodo
conhecimento
científico, fixado em determinado sistema de sinais,não
são
de facto da mesma ordem dos princípios filosóficos,onde
não
há consenso unânime. E embora o exame
críticonão
seja apenas característico da Filosofia, visto que
épróprio
de toda a discussão racional e, neste sentido tambémdas
ciências,
o certo é que a crítica filosóficapõe em
jogo
a totalidade do ser e interessa ao homem como tal, atingeo homem
profundamente,
o que não acontece com o conhecimento científico que,
dizendo
respeito a objectos particulares não se dirige a cada sujeito.
Para a ciência torna-se essencial
delimitar os problemas dentro de um determinado campo de
investigação
e procurar um consenso ou um acordo entre os cientistas que por esta
mesma
investigação se interessam; este acordo residirá
na
vontade comum de verificação.
Ora a delimitação
dos problemas torna-se mais difícil em Filosofia, onde a
questão
da totalidade se põe a cada passo e, quanto a possibilidades de
verificação, sabemos que tal não pode
acontecer
em Filosofia.
Embora haja diferenças essenciais
a considerar entre conhecimento científico e filosófico,
não hádúvida que devemos também ter em
conta
a articulaçãodos dois tipos de conhecimentos. No entanto,
as relaçõesque aFilosofia estabelece com a
Ciência,
são interpretadasde mododiferentede acordo com o conceito que se
tenha de filosofia.
a) Há autores
que defendem
que fora do âmbitoda ciência não haverá
Filosofia,
que a elaboração filosófica só tem sentido
à luz de uma prática científica e que o
único
conhecimento válido é o conhecimento científico.
Assim,
nesta perspectiva, a actividadefilosófica resultará
sempre
do tratamento das questõesepistemológicas. É o
caso
de Althusser que
afirma que " Para que a filosofia nasça
, ou renasça é preciso que as ciênciassejam (...) a
filosofia tem sempre um atraso de um longo dia que pode duraranos ou um
século. (...) Os grandes acontecimentosfilosóficos que
conhecemos
(a filosofia antiga presa a Platão,a filosofia moderna presa a
Descartes)
remetem para a abertura provocantede dois continentes
científicos,
a matemática grega e a físicade Galileu".
a) A filosofia possui um modo distinto de
conhecer relativamente à ciência. Há autores que
alegam
que a Filosofia tem um modo de conhecer perfeitamente distinto da
ciência;
modo de conhecer esse alimentado pelas contradições
humanas,
pela intuição original, pela experiência de cada
vida.
É o caso de Berdiaeff
que afirma que " A filosofia só
é possível quando possui asua maneira própria de
conhecer
distinta do modo como se processao conhecimento científico.
(...)
A filosofia não é aciência, não é
mesmo
ciência das essências;pela filosofia o espírito toma
consciência criadora do sentidoda existência humana (...).
Não pode haver filosofia sem a presençada
intuição
filosófica. Qualquer filósofo imanente,qualquer
filósofo
digno desse nome possui uma intuiçãooriginal. (...) O
conhecimento
filosófico depende da amplitude daexperiência vivida,
supõe
a existência essencialmenteestratégica de todas as
contradições
da existênciahumana. Na origem da filosofia está a
experiência
humana nasua plenitude".
c) O campo da Filosofia não
esgota a reflexão filosófica. Outros autores consideram
que
sendo a ciência fundamental para que o discurso filosófico
se constitua isso não impede, no entanto, que a reflexão
filosófica tenha domínios específicos onde se
exerce:
a praxis, a história, a experiência quotidiana do
indivíduo.
É o caso de Piaget que
afirma que " A busca da verdade
científica
não esgota em nada a natureza do homem. Para além disso ,
o homem vive, toma partido, crê numa multiplicidade de valores".
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