“Os seres são múltiplos e diversos. Ora,como explicar a diversidade e a unidade que os seres revelam? Em resposta a tal questão, Aristóteles julgou como indispensáveis dois princípios do ser: a essência e a existência. Se
compararmos dois seres, por exemplo, um animal e um livro, verificamos que
entre eles há alguma coisa de comum, ambos existem; contudo, distinguem-se
perfeitamente visto que um é um animal e outro é um livro.
O que permite fazer esta distinção é a essência.
A essência é o que é uma coisa, aquilo que a caracteriza e distingue de qualquer outra.
A existência é, na perspectiva aristotélica,o que põe em acto (actualiza) a essência e a realiza efectivamente.
Podemos então dizer que a essência e a existência são
princípios necessários à constituição dos seres, de tal maneira que um ser sem essência ou um ser sem existência não são concebíveis. A essência não é
nada sem a existência. Mas a existência também nada será sem a essência, porque a existência é sempre realização de qualquer coisa.
O existencialismo contemporâneo parece, no entanto, admitir
uma existência sem essência, pelo menos no que se refere ao homem.
Como escreve Sartre,’o homem deve criar a sua própria essência’.
A prioridade da existência sobre a essência significa
que a existência não tem essência distinta dela mesma,
isto é, que esta essência não é mais do que a manifestação das possibilidades da existência desenvolvidas através do tempo. A essência surge portanto da existência. Só o homem é capaz desta “existência”. Por
isso, o existencialismo é uma filosofia do homem, um humanismo.”
A Antunes e A. Estanqueiro, Filosofia
11º ano
“Em termos filosóficos, todo o objecto tem uma
essência e uma existência. Uma essência quer dizer um conjunto
constante de propriedades; uma existência quer dizer uma certa presença
efectiva no mundo. Muitas pessoas acreditam que a essência vem primeiro
e a existência vem depois. Esta ideia tem a sua origem no pensamento
religioso: de facto, aquele que quer construir uma casa tem de saber ao certo
que género de objecto vai criar- a essência precede a existência;
e, para todos os que acreditam que Deus criou os homens, é preciso
que Ele o tenha feito referindo-se à ideia que tinha deles. Mas mesmo
aqueles que não têm fé conservam esta opinião tradicional de que o objecto nunca existia senão em conformidade com a sua essência, e todo o século XVIII pensou que havia uma essência comum a todos os homens, que se denomina ‘natureza humana’. O existencialismo sustenta, ao contrário, que no homem- e apenas no homem- a existência precede a essência.
Isto significa muito simplesmente que o homem é primeiro
e que em seguida existe isto ou aquilo.
Se, com efeito, a existência precede a essência,não será nunca possível referir uma explicação a uma natureza humana dada e imutável; por outras palavras, não há determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade.”
J. Paul Sartre