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O que existe? Quem
existe? A
resposta está contida na metafísica realista, no
realismo. Quem
é que existe? Pois existem as coisas, o mundo das coisas e eu
nelas.
Isto implica que o mundo é o que existe; o conjunto de todos os
seres,
de todas as substâncias; que essas substâncias, esses seres
que
existem estão também impregnados de inteligibilidade:
são,
e além disso, têm essência; são e são
inteligíveis.
A relação em que nós nos achamos com esse mundo de coisas impregnadas de inteligibilidade é uma relação de conhecimento. Nós conhecemos essas coisas. Para conhecê-las começamos por formar conceitos delas; noções, que reproduzam as essências das coisas. Quando já temos formado um conceito de uma coisa, então já estamos preparados para seguir em frente, e cada vez que encontramos essa coisa, temos claro na nossa mente o conceito que lhe corresponde e então aí formulamos juízos de conhecimento onde se diga: isto é Y. Nada, pois, surpreende o sábio cuja mente está cheia de conceitos. Saber, para o realista, consiste em ter na mente uma colecção, o mais variada possível, ampla e rica, de conceitos que lhe permitam deambular pelo mundo entre as realidades, sem nunca se sentir surpreendido, pois cada vez que encontra algo, se é verdadeiramente sábio, terá na sua mente o conceito correspondente. Se encontra algo que não conhece, aproximar-se-á mais e, então com uma maior proximidade, chegará a encontrar o conceito que lhe corresponde, ou então, formará dessa coisa nova, dessa substância nova que tem diante de si, um novo conceito e aumentará com isso o caudal do seu saber. O conhecimento reflecte na mente a própria realidade. O conhecimento para o realista é isto: reflexo. Desta maneira, entre o pensamento de quem conhece e a realidade não existe discrepância alguma O pensamento é verdadeiro e isto quer dizer que entre ele e a coisa- objecto do pensamento- existe uma perfeita adequação. A verdade define-se, no realismo, pela adequação entre o pensamento e a coisa. Essa adequação como se consegue? Consegue-se mediante a correcta formação dos conceitos. O trato contínuo na nossa vida com as coisas faz com que a mente forme conceitos. Se esses conceitos estão bem formados, então reflectem exactamente a realidade, são perfeitamente adequados a ela. Se não estão bem formados, há que corrigi-los. A evolução, o próprio processo do pensamento realista, é uma correcção contínua dos conceitos que formaram a metafísica de Parménides. Parménides lança uma primeira tentativa de formação de conceitos capazes de reflectir a realidade. Esta primeira tentativa é logo aperfeiçoada por Platão. Por sua vez o sistema de conceitos platónico é, em terceiro lugar, aperfeiçoado por Aristóteles que chega já a uma ramificação, individualização dos conceitos capazes, pela sua flexibilidade, de reproduzir de maneira mais exacta a própria realidade. No fundo de todo este procedimento encontramos sempre a mesma hipótese, ou melhor dizendo, o mesmo postulado fundamental, a saber: as coisas são inteligíveis. Com Aristóteles, o realismo adopta a sua forma mais perfeita que se conheceu na História. A partir deste momento o realismo apodera-se completamente dos espíritos de modo tanto mais fácil quanto maior é a propensão natural do homem para aderir à hipótese fundamental do realismo. (...) Assim, pois, o homem espontâneo e natural é aristotélico (...) e assim, durante séculos e séculos, a filosofia baseou-se no realismo. Traduzido de MORENTE, M. G., BENGOECHEA, J. Z., Fundamentos de Filosofia, 8ª ed., Espasa-Calpe, S.A., Madrid, 1979, pp.112-114. |