:Capítulo2:

 

MAIO / 2000

Vamos lá mais uma vez gente... Estive pensando sobre o que escrever para vocês curiosos que visitam o meu quarto. Lembrei-me de um acontecimento da minha vida gerado pela Rede Mundial de Computadores (a Internet). Certa vez no ano passado, estava em uma festa do nosso saudoso IBILCE quando meu amigo Alexandre (residente nato da FDP) lá pelas tantas me disse: "Tô indo para Londrina - PR amanhã." Eu pensei e falei: "O quê?" Todos sabemos o quão longe essa cidade fica de Rio Preto; levamos cinco horas e meia daqui até lá. Sem titubear eu disse que também iria. Naturalmente, a curiosidade logo veio e perguntei o que ele ia fazer lá. Adivinhem! Conhecer em carne e osso uma menina que ele conhecera anteriormente na Internet. Lá fomos nós. Eu de co-piloto com um guia rodoviário em mãos, o Alexandre como o condutor responsável. Ambos ao som de Matrix (é óbvio!), Mercedes Sosa, Radiohead, entre outras bandas que não me lembro agora. Correu tudo bem, fora, a certa altura da viagem, os 20km que eu demorei em perceber quando estávamos indo em direção oposta a de Londrina... Uma vez lá, perguntamos a um taxista onde que era a rua da casa da menina e ele nos informou corretamente. Agora uma das melhores partes: eu presenciando o primeiro encontro dos dois. Imaginem como é duas pessoas que conversaram tanto tempo via monitor e telefone se vendo cara a cara! Ficaram se medindo, olhando os detalhes um do outro de cima a baixo. Até que a londrinense retrucou: "Pára de ficar me olhando"!, típica frase feminina... (me desculpem as mulheres, mas é verdade). Em seguida, fomos procurar um hotelzinho "meia-boca" para dormir; foi quando percebi a tatuagem tribal que ela tinha no braço direito. Nos hospedamos no Hotel Montreal que, de fato, tinha poucas estrelas mas em matéria de atendimento eu daria cinco. Estou me referindo ao "Portuga", o camareiro que levou nossas malas até o quarto (gente finíssima!). Foi ele quem contribuiu para eu adicionar mais uma variação da palavra "rotatória" ao meu vocabulário. Eles dizem "redondo". "Olha, o senhor segue reto na avenida, passa o redondo, ..." Na hora pensei que fosse o nome de algum bar. Outro detalhe engraçado: no dia seguinte, no café da manhã percebi que a decoração de quadros do refeitório era das Casas Bahia! Bom, aconteceu que conhecemos a cidade, (maravilhosa, por sinal. Se tiverem a oportunidade de conhecer, vão!), o Alexandre acabou ficando com a menina e viemos embora para Rio Preto porque tínhamos aula no dia seguinte, do contrário ficaríamos mais um pouquinho. Uma semana depois, a londrinense veio para cá! É, ela era uma menina decidida. Eu perguntei porque ela estava vindo e ela respondeu prontamente (disso eu não vou me esquecer): "Porque eu quero ver como é ficar mais tempo com o Alexandre e quero ver como ele se comporta na casa dele. Quero ver o que sinto e ver se esta relação vale a pena." Pouco depois eles não conversaram mais.. Não vou entrar neste mérito, pois comentar sobre relações alheias não é do meu feitio.
QUE LIÇÃO EU TIRO DISSO TUDO?
Primeiro, a facilidade e a responsabilidade da vida adulta. Foi só ter o carro e o dinheiro na mão e fizemos tudo isso que relatei a vocês. E segundo, a revolução que tivemos e estamos tendo o privilégio de viver: a nossa vida antes e depois dos WWWs.COMs.BRs. Será que você também vai em algum dia da tua vida viver algo inusitado em função da Internet?
Abraços e até o mês que vem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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