A fé de um cético

A crítica do filósofo Nietzsche à religião cristã


CONCLUSÃO

  No século XIX, houve o estouro do racionalismo dentro do meio filosófico, que atingiu obviamente o meio teológico. A Era da Razão se propunha a desiludir o mundo das suas crenças mais intocáveis, aquelas que eram as “Verdades” de toda a civilização ocidental.

No meio teológico surgiu o chamado liberalismo, que se propunha a fazer uma releitura da Bíblia e dos dogmas, à luz da razão e da crítica- histórica, desmitologizando o cristianismo. Vários grandes teólogos fizeram parte dessa corrente, dentre os quais: Rudolf Bultmann e Schleiermacher. Estes, por sua vez, haviam sido contemporâneos de uma corrente filosófica que também analisava os evangelhos à luz da rezão, a chamada ESQUERDA HEGELIANA.

Dentro dessa Escola haviam vários filósofos, dentre eles Bauer e Ruge, mas os principais representantes foram David Strauss  (que haveria de influenciar Bultmann), com seu clássico livro A VIDA DE CRISTO, onde expõe um Jesus diferente do da cristologia, e Ludwig Feuerbach. Este último, no famoso e polêmico livro A ESSÊNCIA DO CRISTIANISMO, argumente que o mito acerca do cristianismo se deve à origem humilde e mitológica dos cristãos primitivos, criados dentro do misticismo da sinagoga.

Feuerbach tenta, através de uma análise empírica, solucionar o enigma da religião cristã. Ele quer acabar com as ilusões teológicas e afirma: “ não digo, de forma alguma, que Deus é nada, que a Trindade é nada, que a Palavra de Deus é nada, etc. Isso seria muito fácil! Eu somente mostro que esses símbolos não são aquilo que da teologia deles fazem”. (Feurbach, 1997, 31). Mas é numa citação mais adiante que Feuerbach resume não só a tese de seu livro, mas todo o pensamento da Escola: “Reduzo a teologia à antropologia”. (Feuerbach, idem, 35). De fato, toda a esquerda hegeliana encara o cristianismo pela ótica antropológica e só por ela (esse é o seu erro)!

Dois esquerdistas radicais, Marx e Engels, vão reverenciar A ESSÊNCIA DO CRISTIANISMO como um marco, e Feuerbach como o pai do Materialismo, embora o critiquem por não ser dialético.

Mas sem dúvida, os três maiores filósofos do conturbado final do século XIX são Marx, freud e Nietzsche. Eles são conhecidos como filósofos do desencanto.

Karl Marx analisa mais o caráter econômico e político , e como mudar a sociedade em suas bases (revolução). Freud analisa a Psiquê e o inconsciente humano atrvés dos mitos e dos símbolos. Nietzsche escreve  e estuda sobre antropologia e religião, a partir de um prisma semântico e cético., altamente crítico.

Os dois últimos tem uma ligação forte entre seus pensamentos, pois Freud foi assumidamente influenciado pelas idéias nietzschianas para criar a psicanálise.

Mas há algo em comum entre esses três pensadores, apesar de suas ênfases e idéias diferentes: todos os três eram ateus e faziam coro com a afirmação nietzschiana que “Deus morreu”. Freud chegou mesmo a romper com seu mais destacado aluno, Karl Gustav Jung por este último (entre outras coisas) entender que a religião e os mitos tinham uma importante significação para o ser humano, e que a cura, muitas das vezes, era fazer o paciente reconstruir o vínculo com sua prima fé (religião). Para o doutor Freud a religião iria acabar em pouco tempo, e era inútil estudar algo que iria morrer em pouco tempo.

A história, porém, mostra que tanto Freud como Marx erraram nesse aspecto, pois há uma volta cada vez maior do homem à busca espiritual e religiosa.

Nietzsche é, portanto, apenas um fruto genial de sua época: acreditou como a maioria de seus contemporâneos acadêmicos e intelectuais, que a religião iria acabar, mas ela (assim como o capitalismo no século XX) mostrou uma enorme capacidade para sobreviver a terríveis crises, que de fato superou, e hoje está com toda a força, aumentando não só no Ocidente, mas também no Leste Europeu, onde descobriu-se que mesmo na época da repressão vermelha, a religião continuava existindo, de forma subterrânea e clandestina, de forma semelhante ao que faziam os cristãos primitivos perseguidos pelo Império Romano, que se reuniam em catacumbas à luz dos oleiros, mas apesar de tudo isso cresceu e chegou a tornar-se a religião oficial de Roma, a Igreja Católica estatal do 4º século.

A verdade é que mesmo com todas as explicações e desmitologizações propostas pelos filósofos, observa-se que para o povo, a massa, a velha crença de seus pais, um credo bi-milenar, nascido na pobre judéia através de um humilda galileu, continua a multiplicar e ascender paixões, além de despertar a fé no coração de cada vez mais pessoas.

Embora nem sempre o clero tenha correspondido à altura da mensagem evangélica, e mesmo com os intermináveis erros dos “homens de batina”, o povo nunca esquece da prima fé, a fé da cruz e da ressurreição, e contra todos os prognósticos do século XIX e XX, o cristianismo é a maior religião do mundo (católicos e protestantes). É bom sempre lembrar daquilo que o Mestre Nazareno afirmou no Evangelho: “agradeço-te ó Pai, pois o Reino de Deus foi aceito não pelos poderosos, mas pelos humildes”. Talvez isso, mais do que uma afirmação, tenha sido uma profecia. 

Apresentação O Super-Homem A Fé Jesus de Nazaré

A Igreja

Conclusão
Hosted by www.Geocities.ws

1