A fé de um cético

A crítica do filósofo Nietzsche à religião cristã


APRESENTAÇÃO

Este é um trabalho de cunho acadêmico destinado a atender às exigências do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), habilitação jornalismo, tendo como orientador o professor Marcelo Gomes Bolshaw.

É um projeto de pesquisa que será sobre a crítica do filósofo alemão Friedrich Nietzsche à religião cristã e sua filosofia judaica. A idéia é elaborar um site na internet, onde serão mostradas a crítica do filósofo e a refutação das instituições cristãs (igrejas) sobre os assuntos polemizados.

Trata-se da perspectiva do trabalho que será desenvolvido a partir do primeiro semestre letivo de 2000 até o mês de dezembro, conforme o cronograma apresentado. Não irá analisar profundamente o tema proposto, mas será baseado em boa parte da literatura nietzschiana e sobre o filósofo, além dos catecismos cristãos, fazendo citações significativas sobre o assunto. É uma divulgação científica.

É comum se ouvir comentários do tipo: “Nietzsche foi o maior anti-cristão que o mundo já conheceu”, ou então: “sou nietzschiano pois não creio em Deus nem em Cristo”. Esse tipo de comentário é observado até em ambiente acadêmico. Numa Era em que as utopias parecem estar em baixa e o ceticismo aparece como uma grande verdade pragmática, as idéias do filósofo e filólogo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche parecem ser novamente debatidas e refletidas pela sociedade.

Além do interesse natural, provocado por eventos históricos tais quais a Queda do Muro de Berlim, o crescente “esfriamento” da religião cristã na Europa (secularismo), a crise e/ou o fim das chamadas ideologias ( fascismo, maoísmo, hitlerismo) com todo o seu sistema de crenças filosófico-políticas, apontados por vários especialistas como um sintomas da crise da chamada Modernidade, há a constatação de uma crise maior, em toda a Civilização Ocidental, que tem como seu alicerce o cristianismo bi-milenar.

Nisso tudo, há um resgate do interesse pelas idéias e teses do filósofo alemão, que demoliu ( ou pelo menos anunciou o fim eminente) o edifício que se chama Civilização Ocidental. Há cada vez mais resenhas e livros ou livretes que se propõe a interpretar Nietzsche e toda a complexidade do seu pensamento. Faz-se mister refletir acerca do pensamento desse irracionalista (segundo os soviéticos) romântico, que buscou na antropologia e na filologia o embasamento para sua crítica à religião.

Também é notável que muitos comentários acerca do filósofo e sua crítica à religião não correspondem à verdade. Nada melhor do que citar o próprio autor dO Anticristo, para que se visualize, através de seus escritos e comentários, quais eram de fato as suas teses sobre  o assunto. Isso tudo deverá esclarecer qual era de fato a fé deste, que apesar de extremamente cético em relação a algumas coisas ( como à Igreja, enquanto instituição), mas absolutamente crédulo em relação à outras ( como à ascensão do Super- Homem, superando as mediocridades e a decadência do “bom burgês” civilizado).

Também é necessário mostrar quais são as refutações às conclusões e críticas de Nietzsche à religião cristã, como as do reverendo anglicano Frederick Copleston., que se propôs a estuda-lo, acentuando as idéias “aproveitáveis”  e combatendo e criticando, através de refutações, aquilo que ele achou inverídico, dentro dos escritos do filólogo. Também serão citados trechos do Catecismo da Igreja Católica e da Confissão de Augsburgo ( catecismo luterano), pois as instituições mais atingidas pela crítica de Fritz são ainda o referencial para quase metade da população do mundo, o “rebanho” tão criticado e satirizado por ele.

Serão mostradosa os dois lados da moeda: o demolidor da civilização ocidental, através de máximas suas contidas nO Anticristo e os dogmas e doutrinas das igrejas cristãs, através de seus respectivos catecismos, com partes citadas ao longo da monografia.

O principal desta monografia, o que ela pretende fazer, é mostrar uma divulgação científica acerca de todo o pensamento do filósofo Friedrich Wilhellm Nietzsche acerca da religião cristã, e também reflexões e refutação ao seu pensamento, apartir de pessoas e instituições que o estudaram, refletiram e refutaram, por se sentirem atraídas ou atingidas pelas idéias do “enfant Terrible” alemão, que certa vez, em pleno fim do século dezenove, atacou vigorosamente a cristandade, afirmando que “Deus está morto”.

PREFÁCIO

No livro O ANTICRISTO, lançado em 1895, o filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche, lança uma das mais fortes críticas à religião cristã e à sociedade ocidental ( que é filha do cristianismo), apartir de sua filosofia escrita, isto é, seus livro.

Nietzsche lança vários argumentos contra o cristianismo, chamando-o de decadente, e o acusando de Ter sido falsificado pelos apóstolos e por toda a Igreja (que para ele, é essencialmente anti-evangélica), até os dias modernos.

O propósito dessa monografia , é fazer o inverso do que Nietzsche fez com o cristianismo. O filósofo aqui será analisado pela teologia católica e protestante (especialmente luterana), e seus argumentos (também mostrados), serão refletidos e “rebatidos” pelos catecismos e pela Escritura Cristã.

Não é objetivo julgar Nietzsche e seus conceitos (e até pre-conceitos) em relação ao cristianismo , mas sim êxpor a contra-argumentação e a explicação que as instituições religiosas cristãs dão para as controvertidas e polêmicas idéias do filósofo alemão em relação à religião cristã.

Paul Tillich, eminente teólogo luterano alemão, escreveu em sua TEOLOGIA SISTEMÁTICA, que Nietzsche foi o homem que de forma mais vigorosa tentou acabar com a teologia através da filosofia. Mas a conclusão a que Tillich chega é a de que Nietzsche fracassou em sua missão por Ter confundido o LOGOS ( o Verbo Encarnado de Deus, Jesus Cristo) com o logos filosófico grego.

A proposta dessa monografia é analisar as idéias do filósofo alemão sobre o cristianismo apartir ( e simultaneamente com) das doutrinas e dogmas das igrejas (católicas e protestantes) e de comentaristas eminentes de seus escritos. A conclusão desta divulgação científica será feita pelo leitor.

Gustavo Henrique Brito de Medeiros, 7-10-2000.

INTRODUÇÃO

“ A Igreja é Apostólica: está construída sobre os fundamentos duradouros dos Doze Apóstolos do Cordeiro (Apocalipse 21:14); Ela é indestrutível”.

Catecismo da Igreja Católica, página 250

Esta crença, defendida pelo catecismo católico, é aceita também pelos protestantes, e é vista como um dos pilares da crença cristã. Mas, o filósofo Nietzsche vai colocar as duas coisas aí em cheque: A Igreja e o testemunho dos Apóstolos. A partir disso, vai tentar destruir as instituições eclesiásticas, como um Enfant Terrible que se acha incumbido de destruir aquilo que é ultrapassado ( ou como ele costumava dizer: decadente).

Na sua obra O ANTICRISTO, ele analisará através da filosofia e antropologia, os alicerces da Igreja Cristã, e começará um trabalho de demolição, talvez a mais vigorosa tentativa disso, até os dias de hoje.

Agora começa, para o leitor dessa monografia, a exposição da análise, e também a visão do “outro lado” (da teologia eclesiástica) sobre as polêmicas teses do filósofo alemão Friedrich Nietzsche.

BIBLIOGRAFIA

Nietzsche, Friedrich, O Anticristo, Rio de Janeiro, Ediouro (coleção clássicos de bolso), 1985.

Strathern,Paul, Nietzsche-90 minutos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1997.

Keegan, John, Waffen SS – Soldados da Morte ( coleção história da 2º Guerra Mundial), Rio de Janeiro, Renês, 1973.

Catecismo da Igreja Católica (traduzido da versão italiana), Petrópolis, Vozes, 1993.

Iudin e Rosental, Pequeno Dicionário Filosófico, São Paulo, Livraria Exposição do Livro, 1959.

Giacoia, Oswwaldo, Folha Explica- Nietzsche, São Paulo, PubliFolha, 2000.

Copleston, Frederick, Nietzsche- Filósofo da Cultura, Porto, Livraria Martins Tavares, 1979.

 

Apresentação O Super-Homem A Fé Jesus de Nazaré

A Igreja

Conclusão
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