| Os cães ladram e a caravana passa | |
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Conversando sobre Artes
Sonia Trindade Soube que iria assistir a uma peça no Teatro Odylo Costa Filho – localizado na UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro; o texto era: "A Mão e a Luva", fiquei contente, pois há algum tempo não pude assistir porque o trabalho tomou todo o tempo. O texto é bonito, a montagem simples, mas buscando a imaginação do público, jogando com luzes, coreografia e marcas cênicas; atores seguros e talentosos e sonoplastia correta. Não pude obter maiores detalhes porque estava com a responsabilidade de acompanhar quarenta alunos – no ônibus em que estava – a bem da verdade totalizavam noventa jovens e adolescentes, moradores de Santa Cruz e que jamais haviam assistido a um espetáculo de teatro e muitos deles pouca oportunidade têm de visitar o centro da cidade. Boa parte por falta de vontade, maior que a carência de poder aquisitivo. Preferem mesmo o que é mais imediato, a mão, que não requeira grandes reflexões ou esforços físicos de deslocamento, exceto que o "passeio" seja pago pela escola e saindo a custo zero para eles que poderão exercer um exibicionismo desnecessário e que somente ratifica o preconceito e a discriminação a um todo, mas que, a bem da verdade, é fruto de um pequeno grupo e apoiado por aqueles que não têm a menor vontade de crescer, evoluir. No Teatro da UERJ, havia mais de dez escolas públicas das redes Municipal e Estadual do Rio de Janeiro e claro, quando o espetáculo apresentou cenas que insinuavam sexualidade, malícia, esperteza o resultado era ótimo, os jovens deliram com tudo que lhes parece espúrio, pena que o sexo esteja sendo visto e praticado por essa juventude, sem o menor compromisso com o afeto. O que na realidade deveria ter acontecido era o enfoque da vida de Joaquim Maria Machado de Assis, nascido em 1839, aqui no Rio de Janeiro, filho de pai mulato e mãe lavadeira açoriana, criado pela madrasta – Maria Inês – em extrema miséria, após a morte do pai. Exerceu várias profissões: vendedor de balas, sacristão da Igreja da Lampadosa, aprendiz de tipógrafo, empregado da Imprensa Nacional e do Diário do Rio, redator do Diário Oficial, jornalista e funcionário público, sendo nomeado pela Secretaria de Agricultura. Foi aluno, no primário, de Escola Pública e estudou francês e latim com o Padre Silveira Sarmento, depois seguiu como autodidata . Entregou-se à leituras variadas publicando, aos 18 anos de idade, na revista "A Marmota", seus primeiros versos. Machado de Assis tinha saúde frágil era epilético, gago e míope, por isso reservado e tímido. Aos trinta anos, casou-se com Dona Carolina Xavier de Novais, irmã do poeta português Faustino Xavier de Novais. Não tiveram filhos, mas Dona Carolina inspirou-lhe a personagem Dona Carmo no livro "Memorial de Ayres"(1908). Foi o fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Acredito que são estes os brasileiros a serem seguidos e tomados como exemplo pelos jovens em particular e todos os brasileiros no geral, porque não é a pobreza, a falta de recursos financeiros, até mesmo a saúde frágil que tenham o poder de impedir o bom caráter, a honestidade e bom uso da inteligência. Nada é motivo para escolhas tristes, sem perspectivas e prejudiciais a todos.
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Este site foi atualizado em 01/02/07
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