A arte de ver
Com tantos problemas que a vida nos traz, muitas vezes perguntamos se o que estamos vendo é realmente o que é. São notícias difíceis de se acreditar que na verdade, de verdade, aconteceram. Ouvir então histórias de coisas que acontecem, é de se ficar de boca aberta para que as moscas façam seu “habitat”, qual condomínio de alto luxo.
No entanto, saber que a Arte está tomando a cidade inteira é uma luz que está ressurgindo no fim do túnel, pois vendo, ouvindo e muitas vezes participando de grupos amadores; jovens vêm interessando-se cada vez mais pelo fazer artístico real e de qualidade, preocupados com seu crescimento integral, ocupando-se em reconstruir a vida, todos juntos.
A Lona Cultural – Teatro Elza Orborne – tem apresentado espetáculos musicais excelentes e com grande receptividade da população de Campo Grande e bairros adjacentes, mas ainda é pouco, muito pouco mesmo. O Teatro Artur Azevedo, no mesmo bairro, da zona oeste, também foi re-inaugurado, mas sabemos que os moradores desejam que espetáculos em exibição nos teatros da rede municipal do
Centro e Zona Sul, também venham para o Artur Azevedo, existe um público inteligente e carente de espetáculos.
Outros espaços teatrais estão sendo inaugurados distantes do centro que têm o objetivo de atender uma população que vem escolarizando -se e informando-se. Empresários, produtores artísticos, voltem suas atenções para além Serra da Grota Funda; há uma efervescente vida intelectual, carecendo de apoio efetivo, carecendo trocar idéias.
Trazer espetáculos de Balé, da Orquestra Sinfônica, Exposição de Artes a preços populares, mas com a mesma qualidade que são apresentados no Centro e Zona Sul, é uma das formas de respeitar o direito à cidadania e diminuir a escalada da violência, sem querer que a escola resolva tudo, que professores com suas “varinhas-giz de condão” operem o milagre da multiplicação
dos sentimentos nobres.
Alguns burocratas até acreditam que o povo não tem sensibilidade suficiente para compreender a grandeza de por exemplo, uma Ópera, ou um Quinteto de cordas tocando Bach ou Villa-Lôbos, que oferecer somente aquilo que eles conseguem entender é que funciona. Muito se enganam e muito de seu preconceito está aí ratificado. Todas as linguagens precisam ser conhecidas por
todas as pessoas, a fim de que elas a partir dessa diversidade tenham a oportunidade de escolher a que mais lhes agradar, mas saibam que existem outros formatos tão agradáveis quanto. Não existe Arte Maior e Arte Menor. Existe Arte e linguagens artísticas diversas. E algumas pessoas sabem bem disso e dispõem-se a trabalhar com aqueles que se dispõem a conquistar os espaços amplos da vida.
Assim podemos Ter esperanças quando assistimos a Festivais Estudantis, conforme o realizado no CIEP Olímpio Marques de Souza, coordenado pelo Animador Cultural Fernando Lamour, que une alunos de várias escolas públicas da zona oeste, assim como grupos de teatro amador da região. Esta colunista participa há três anos deste festival, na condição de Animadora Cultural e Diretora do grupo de Teatro Heitor dos Prazeres ,do
CIEP Heitor dos Prazeres, na Pedra de Guaratiba; por isso dou fé ao que digo, pois acompanho, de perto o crescimento de jovens e adultos durante todo esse tempo, a transformação que a Arte opera é absoluta e irreversível. Eis a importância de participar, criar e proporcionar espaço à criação. Aceitar e crer que todos têm o direito de conhecer todas as formas e faces das Culturas que formam a Cultura Brasil.

À Flor da Pele
Que agradável o sábado, dia 24 de novembro, pois foi a data da segunda apresentação do II FESTEATRO, gênero esquete. Um evento desenvolvido no CIEP Olímpio Marques dos Santos. Tudo organizado pelo Animador Cultural Fernando Lamour, com total apoio da direção da escola, ativa participação dos alunos e da comunidade.
Pessoas de todas as idades e credos apresentaram-se sem qualquer tipo de constrangimento, com trabalhos alegres e descontraídos, dando suas casas a tapas por uma coisa que acreditam, a sensibilidade à flor da pele.
É preciso mostrar e criticar o dia a dia, reproduzir os momentos embaraçosos e mostrar que há sempre uma saída, desde que estejamos dispostos à busca, que nem sempre é fácil, nem sempre está no exato horizonte que determinamos, mas, às vezes em outro que sequer havíamos sonhado e é o que nos satisfará plenamente. Sempre será importante que apostemos em nós mesmos e dividamos, compartilhemos.
Desenvolver as linguagens artísticas nas escolas é fundamental. A responsabilidade, o respeito, a sempre prontidão a atender e ajudar são pontos básicos na formação de uma pessoa, que deseje exercer sua cidadania em caráter pleno; e um exemplo disso é Ramon Ribeiro, aluno do CIEP Heitor dos Prazeres, que não abre mão de seu direito de cidadão, conquista e mantém seu espaço com muita garra, superando o descompasso com seus pares. Outro
exemplo é o Animador Cultural Edgar, que desenvolve um trabalho muito bonito e sério de manutenção e discussão das Culturas Negras em um CIEP em Santa Cruz, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro.
Mostrar o que a juventude faz de bom, valorizar e reconhecer talentos, reverenciar o conhecimento, o saber acadêmico, sem desprezar o saber popular, promover essa integração, é buscar e certamente conquistar a paz. Por isso é importante promover a troca, a discussão saudável, útil e esta coluna está aberta a ouvir e apresentar as experiências que buscam o crescimento de todos, de todas as idades.
Feliz Ano Novo com toda a criatividade do mundo.

Construir
O povo gosta de teatro, gosta de ópera. O que é o Carnaval? É um espetáculo teatral a céu aberto. O povo gosta de dança. O povo gosta do que é bom e sabe reconhecer, basta ser oferecido.
A Zona Oeste, sempre vista com grande interesse pelos políticos, principalmente a cada quatro anos. Está se organizando para reativar uma emissora de TV independente, conforme já existe em Nova Iguaçu e Duque de Caxias, com uma programação local apresentando os talentos e as carências da localidade.
Também é preciso que todos tomem conhecimento do que as escolas da rede pública, tanto municipal, quanto estadual estão realizando. Juntos, professores, animadores culturais, alunos, comunidade, pais.
Na Pedra de Guaratiba o Ginásio Público Heitor dos Prazeres abre para os alunos e à comunidade a Oficina de Jardinagem com Valéria Bahia, Oficina de Teatro com Sonia Trindade, dentre outras atividades.
As diretoras – Professoras Minervina e Celina- toda a equipe tem a preocupação de integrar a escola com a vida desenvolvendo a sensibilidade. O Teatro, a Dança, a Poesia, a Pintura, o Esporte; o GP Heitor dos Prazeres mostra que tudo é possível havendo união, talento e disposição.
O CIEP Herivelto Martins que pertence à rede Municipal também tem um trabalho muito especial, principalmente com os alunos do PEJ – Projeto Educação de Jovens e Adultos-. As professoras desse CIEP montaram com os alunos dois projetos. O primeiro chamado Bate Papo Musical, no qual integraram os adultos do PEJ com as crianças da Educação Infantil e apresentaram na Escola
Lamartine Babo.
O outro trabalho foi para festejar o aniversário da escola. Fizeram um espetáculo, podemos assim qualificar, chamado “Navegar é Preciso. Viver não é Preciso – Um Sarau para Herivelto”. Trabalho este com música e poesia homenageando Herivelto Martins, inclusive contando com a presença de seus filhos- Hélio Martins e Yaçanã Martins (atriz e cantora).
A diretora do Herivelto Martins – Profª Rosângela – apóia em tudo as professoras do PEJ – Ana Cláudia, Ana Lúcia, Eleane, Jarila, Kátia, Lucileide, Lygia, Rosângela e Vera-.
Muito mais está acontecendo nas escolas públicas, por isso, Sr. Governador, não esqueça a Animação Cultural, estes profissionais empenhados na educação de qualidade devem e precisam ter respeitado e assegurado seu trabalho, a estabilidade há tanto prometida e engavetada. A animação cultural é um auxílio luxuoso e precioso à educação, e o povo, as classes populares
sabe o que é bom, mas precisa aprender a reconhecer e impedir é no mínimo cruel.
Feliz Natal, Povo Brasileiro!

Cantar, dançar, viver...
Somente saindo da toca podemos ver que a cultura, a informação fazem bem à alma. Tamanha visibilidade está bem aqui afagando-nos com projetos excelentes desenvolvidos no Teatro de Arena Elza Osborne, em Campo Grande. Música, teatro, artes plásticas, artesanato, escultura... uma efervescência cultural de peso e qualidade técnica e artística, com o apoio da Prefeitura do Rio, dos
Professores das escolas da rede municipal e da 9ª Coordenadoria Regional de Educação, destacando-se o Professor Geber.
Tive a oportunidade de assistir à apresentação do Violinista Leo Ortiz, para alunos do PEJA – Programa de Educação de Jovens e Adultos - , e percebi que o empenho dos professores é mais que louvável, apesar de todas as dificuldades que enfrentam em seu cotidiano pedagógico, conforme constatei em conversa com professoras do Ciep Herivelto Martins, localizado em Senador
Vasconcelos. Por exemplo, as professoras Rosângela, Lucileide e Jarila fizeram questão de ressaltar que projetos como esse devem acontecer mais vezes, e que sempre que ocorrem fazem questão de trazer o maior número de alunos possível, pois somente assim a educação de qualidade acontece. As professoras Beatriz e Nice do Ciep Doutel de Andrade, também em Campo Grande, não escondiam sua satisfação quando viram seus alunos responderem de forma positiva ao espetáculo.
No entanto, o melhor foi ouvir a voz dos alunos. A aluna Patrícia e o aluno Alexandre Nani , do Ciep Herivelto Martins estavam deslumbrados e agradecidos, pois sendo pessoas residentes em comunidades carentes, onde a oportunidade de assistir espetáculos de qualidade esbarra no valor do ingresso, além do deslocamento até o espaço, sempre os impediu, porém com esses
projetos voltados aos estudantes, principalmente àqueles que retomam os estudos na fase adulta, por razões várias; são de grande valor, pois têm direito a exercerem a cidadania plena.
Léo Ortiz e sua banda formada por músicos do primeiro time como o maestro Nélson Merlin, que já haviam se apresentado para os adolescentes das Escolas Municipais da Zona Oeste, estavam em especial estado de graça, pois tudo o que tocavam era acompanhado em coro pela platéia adolescente. No entanto, no Concerto para Jovens e Adultos a emoção rolou solta, principalmente
nas canções “Carinhoso” e “Asa Branca”. Eram músicos profissionais de gabarito tocando para acompanhar uma platéia emocionada e vibrante, um verdadeiro hino à Pátria Brasil.
Há muito mais acontecendo na Zona Oeste, por exemplo a Show da Blues Womem Rosa Marya Collins, mesmo embaixo de chuva torrencial teve público expressivo, mais de meia casa sob temporal e noite fria é para fazer muito empresário pensar duas vezes antes de dizer não a Campo Grande, Pedra de Guaratiba, Sepetiba e Santa Cruz. Há vida inteligente, interessante, ávida e
interessada por bons trabalhos por aqui.
A cantora Joanna e sua banda também foram de grande expressidade, assim como há tempos a cantora Lenny Andrade arrastou muita gente à Lona Cultural Gilberto Gil, em Realengo.
Assim sendo e fazendo poderemos começar a dizer um não rotundo à violência, tomando todos os espaços com arte, educação e cultura.

Diminuindo a distância
O teatro, como todas as outras linguagens artísticas, abre visões do mundo, desde há muito tempo fazendo com que o vejamos emocional e racionalmente.
Muitos gostariam de estar sempre indo ao teatro, assistindo todas as peças da temporada, mas isso é impossível - falta transporte para chegar e voltar das salas de espetáculos, dinheiro pouco para o ingresso, será que a roupa é adequada? ... Nossa! Quem sabe essas pessoas um dia, possam um dia, assistir a um espetáculo?!
Nas escolas, igrejas, praças, pessoas praticam teatro, fazem arte sem nunca terem freqüentado um curso convencional, mas investem com seu espontâneo talento, numa tentativa heróica e indispensável.
Parabéns ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro que abriu suas portas a alunos da rede pública. É o projeto TRÊS VEZES AMÉRICA - BALÉ CONTEMPORÂNEO. Monitores passeiam os estudantes pelo teatro contando sua história, distribuem farto material informativo que facilita o trabalho dos profissionais de educação. Formação de platéia também passa pela escola.
Museus, Casas de Arte, abram suas portas, divulguem, insistam, diminuam a distância. É preciso haver um jeito de baixar os custos de produção dos espetáculos, incentivar os grupos amadores, facilitar o acesso das camadas populares aos bons espetáculos - sem qualquer tipo de preconceito, importando a qualidade plástica aliada à informação, proporcionando o pensamento crítico.
Que tal pensar na revitalização dos teatros de Marechal Hermes, Campo Grande, buscar espaço nas escolas estaduais e municipais, possibilitando a campanha das Kombis, durante todo o ano? Que tal ?
Senhores e senhoras que têm o Poder, acordem o Fazer.

E Vamos Cair no Dia a Dia?
No Carnaval, muitas vezes, cria-se uma personagem e fantasia-se dela para tudo de ruim esquecer, brincar com o sofrimento, tensão ou depressão que fizeram quase deixar cair uma existência por esta ou aquela situação. Festa onde vive-se e revive-se comportamentos. Folclore? Não tão somente. Catarse.
Quando nas Escolas de Samba deparamos com “peladinhas” e “peladinhos”, pensamos logo – Que coisa! Por que tão pouca ou nenhuma roupa? – Provavelmente, aquelas pessoas estejam protestando. As roupas que durante o ano tiveram que carregar, a personagem que viveram, vivem, durante no ano; nesses dias de folia têm folga e se revela o ser total, liberado.
Nos desfiles de fantasias, homens e mulheres vestem roupas pesadíssimas e revelam imperadores, imperatrizes, reis, rainhas, um selvagem dourado ou um demônio simpático. Às vezes, brincamos com o sério e cruel comentam o cotidiano com hilária vestimenta, sem brilhos aparentes, mas despertando com o brilho do que estão querendo dizer.
Nos Blocos e Escolas de Samba os enredos contam, choram ou prevêem o que passou ou virá. Um apanhado do “muito-tudo”que possa nos abalar.
Passou o Carnaval, vamos ver o que virá, o que vamos sofrer e viver para compor a fantasia do Carnaval que vai chegar. Não nos esqueçamos de ir ao Teatro para relaxar exercitando o cérebro e assim melhor captar a realidade. Cada personagem, cada texto há conteúdos que nos ajudarão a perceber a realidade e nela interferir em busca do brilho da PAZ.

meus agradecimentos aos deuses das artes
Uma grata surpresa. Leio sobre apoios culturais às Artes, um público ávido pode comprar ingressos a preços acessíveis.
O Teatro e o Cinema são os primeiros a serem prestigiados, porém Centros Culturais também serão beneficiados com bibliotecas, pequenas galerias de artes plásticas e cafeterias.
A revitalização da Lapa, este centro de tantas histórias alegres e tristes, mas que os jovens precisam conhecer, acontecimentos importantes da história do Rio ali ocorreram.
A satisfação de artistas e funcionários das Artes estarem podendo desenvolver o que sabem é imensa. Espero que haja lembrança do Teatro de Campo Grande - Artur Azevedo-, Marechal Hermes- Armando Gonzaga-, dos Centros Culturais, Museus e Lonas que também reinvindicam apoio, não deixem também de demonstrar interesses pela Zona Oeste, pois os operários das artes destas localidades agradecerão
emocionados, porque existe vida inteligente em Sepetiba, Guaratiba, Santa Cruz, Campo Grande, ... A Zona Oeste merece Arte, Cultura e Lazer o ano inteiro.

O porquê da arte e educação
Esta é a questão que sempre estamos nos deparando e nos deprime as soluções, as respostas. Nos dias de hoje, a vida por um fio a cada instante, nossas terras espoliadas, nossos tesouros extraídos e repatriados beneficiados e extremamente caros - privilégio de uns poucos seu acesso, principalmente em se tratando de produtos farmacológicos. E é exatamente por isso que
necessitamos de um vigoroso trabalho na área da Arte em auxílio à Educação - Arte-Educação.
Os profissionais dessa área, sentem-se num tapete voador, sem rota muito certa, não que sejam maus pilotos, sim porque todos os planos de vôo apresentam rotas truncadas e os controladores das torres alucinaram. Por isso não percebem que a ignorância toma conta do destino de todos.
Sobreviventes do “Titanic”, em busca das luzes dos barcos salva-vidas, navegam os arte-educadores no mar bravo. Todos lutamos por espaço e respeito, pois temos consciência de que somente o despertar da sensibilidade embotada, será capaz de vencer o monstro que já não mais se esconde nas sombras, mas espalha-se à luz do dia faminto e sedento. Basta que abramos os jornais, liguemos o rádio,
assistamos televisão ou simplesmente saiamos de casa para nossa lida cotidiana.
E em se pensando nas classes desfavorecidas financeiramente, a Escola, como instituição, não pode se furtar a um trabalho sério, ético e estético, que promova a revolução, o resgate da Cultura Brasileira para os Brasileiros e pelos Brasileiros. Oferecer oficinas artísticas de todas as tendências e linguagens, coordenadas por profissionais hábeis em seus ofícios e devidamente inscritos nas
práticas pedagógicas, as quais requerem um trato especial, visto que a Educação é por demais exigente, pois são pessoas em formação, em busca de informações que auxiliarão suas práticas existenciais.
Valorizar o Ser Humano como aquele agente reformulador da história e construtor de uma nova prática é fundamental, e para que isso ocorra é preciso que ele seja detentor de ferramental próprio, ou seja, seja capaz de criar e recriar. Ter senso crítico é imprescindível, nos tempos de hoje, porque percebemos que a tendência que se nos é imposta é a da velocidade, atropelando sentimentos e
emoções.
Animadores Culturais, arte-educadores, produtores Artísticos em geral carecem de um novo olhar do poder Público, porque se a Educação é prioridade, conforme todos discursam, incansavelmente, é necessário que as ações efetivas tomem seu lugar de fato e de direito. Construir grandes presídios tem lá sua importância, porém, paralelamente há que se oportunizar as classes desfavorecidas com
acesso real aos bens de consumo através de seus recursos intelectuais e morais. Reservar vagas no ensino superior é uma medida paliativa e por que não dizer paternalista, porém necessária, quando observamos a situação. Pior seria se não houvesse, assim como pior é existindo, porque fica sempre o gosto da incompetência amargando na boca. Proponho uma Educação inclusiva desde os níveis elementares. Proponho a proliferação de Centros Culturais em toda a cidade, estado, país. Especialmente na cidade do Rio de
Janeiro, na Zona Oeste, onde por incrível que pareça, temos Teatros como o Artur Azevedo e o Armando Gonzaga, totalmente relegados ao desprezo. Penso que se espetáculos, de qualidade artística e técnica, que são apresentados em longas temporadas no centro e zona sul, fossem também apresentados nesses espaços seria um imenso passo em direção à paz.
Acredito que, agora, com o grande número de Universidades particulares que resolveram estabelecer-se na zona oeste - Campo Grande, Santa Cruz, Bangu, Realengo, talvez a feição mude. Quem sabe o Poder Público comece a pensar que os profissionais da arte que militam na educação devam ter sua situação funcional regularizada, porque se houve interesse do setor privado é porque os moradores dessa região estão com seu perfil
modificado, visto que muitos dos que nessas universidades estudam são, em minoria ainda, egressos de escolas da rede pública estadual e municipal e acreditarem ser capazes porque desenvolveram seu potencial criativo e sensível nas oficinas de arte ministradas pelo Animadores Culturais.

O Povo na Arte e na Fé
Vinte de Janeiro, Dia de São Sebastião, o Padroeiro da cidade do Rio de Janeiro. Nas religiões Afro-Brasileiras é Oxóssi, o caçador, o destemido guerreiro. As pessoas em ato de fé, agradecem ou pedem ou as duas coisas ao mesmo tempo – todos somos assim – mas a vontade de estar lá e ver aquela imagem que nos momentos de apuro toma posse do corpo e da alma e a todos alivia e dá esperanças
de uma vida menos conturbada. Estar ali acompanhando e reverenciando o padroeiro é importante é importante e imperdível.
Vendo aquelas pessoas caminhando, velas acesas entre as mãos, entoando cânticos de louvor, nos faz pensar na força que o povo tem, na fé que o povo tem. Sebastião é o guerreiro dos desvalidos, homem que viveu pela força de sua fé cristã, vencendo a opressão de Dioclessiano, confortando seus irmãos, sem trair o seu soberano, mas reafirmando sua fé mesmo ante torturas e
dores terríveis.
O Grupo Católico El Shalon da comunidade de Botafogo, mostrou através de dança e teatralização a saga sebastiana. Na praça do Russel, no bairro da Glória, nenhum ruído se ouvia, somente os pássaros ao fundo, sonorizavam a representação. Uma multidão emocionada ao término explodiu em palmas e vivas. Um ato de fé, arte e educação que demonstra ser possível a paz, a união
e que preconceitos não levam a nada, visto que observava-se pessoas ostentando suas “guias de santo” e terços católicos.
A diretora do Grupo da Comunidade Católica El Shalon, Nilza Nascimento da Gama, que é bailarina, já desenvolvia este trabalho de evangelização através da arte em Fortaleza, Ceará; e a convite de Dom Eugênio Salles, transferiu-se para o Rio de Janeiro, pesquisou a vida do santo e montou um trabalho que em nada ficou a dever artisticamente falando, aos grupos com
profissionais conhecidos na mídia carioca e brasileira que antes desenvolviam o trabalho. A diretora e atriz do espetáculo, faz questão de elogiar e reverenciar os trabalhos anteriores. E ressalta que a sua responsabilidade é ainda maior, até mesmo por ser o primeiro ano que se apresenta.
Uma produção de R$1.500,00 e a preocupação em fazer-se compreender pelo carioca e pelo novo cardeal – Dom Eusébio – o grupo foi à cena. A Comunidade El Shalon desenvolve trabalhos comunitários em Vigário Geral, onde tem uma casa de apoio a idosos desvalidos e trabalha com crianças carentes ministrando cursos de Teatro, Música, Artesanato, além da necessária
evangelização, pois sabem que assim a cultura da violência poderá ser transformada em cultura da paz. Também mantêm convênios com quartéis do exército Brasileiro e até já gravaram um CD com esses jovens participantes do projeto.
O grupo também presta o devido apoio à saúde física e mental através de voluntários – médicos, psicólogos, terapeutas. Trabalho registrado como o nome projeto criança e cidadão, que iniciou há vinte anos ainda sem nome e tomou corpo no ano passado a partir da representação da Paixão de Cristo na Catedral do Rio de Janeiro.
Nilza Nascimento da Gama faz Curso Superior de Dança na UniverCidade, sua personagem na montagem foi Irene; Fernando, o Imperador Diocleciano, é formado em Artes Plásticas pela PUC e Eduardo(DUDU), São Sebastião é fotógrafo profissional e Luciana Salles, Irene, é uma moradora da comunidade de Botafogo. São 24 pessoas em cena entre profissionais, amadores e pessoas da
comunidade católica, todos com o objetivo de levar o evangelho através da arte, sem a preocupação de impor, mas de levar à reflexão.
Nós, os operários das Artes, agradecemos e incentivamos o Grupo El Shalon, pois todos necessitamos de mãos amigas para vencermos o mau e tenhamos cada vez mais possibilidades de produzirmos o pão de cada dia.
São Sebastião, olhai por nós. Oxóssi, olhai por nós. Autoridades Municipais, Estaduais, Federais, trabalhai por nós. Povo Carioca, Povo Brasileiro, unamo-nos por nós.

Pé no chão, Cabeça no lugar, Pensando.
Outubro, vamos festejar as Crianças, tantas preocupações e proteção com os futuros comandantes do giro do mundo, em futuro nem tão distante. Vamos guiá-los para dizer não à guerra, sabendo evitá-la conscientes de que briga é falta de assunto, de raciocínio.
Mas pensemos positivamente e senhores pais, aproveitando a economia de energia elétrica, que tal assistirmos a bons espetáculos de teatro infantil. Não há só bichinhos pulando desvairados – nada contra eles que fique bem claro – porém vários outros assuntos, temas que interessam aos pais também, muitas coisas que o nosso país criou, cria e criará. As tradições, o
folclore, os combustíveis, a saúde, educação. Papais e mamães, aprendem ou relembram fatos perdidos na lembrança, junto com seus filhos. Poderão, depois, conversar sobre o espetáculo, e a troca é importante para o crescimento de todos nós, adultos e crianças.
Não é tão caro assim, muitos grupos teatrais distribuem filipetas (panfletos de divulgação do espetáculo) com excelentes descontos. Esses grupos, com artistas bons e abnegados, querendo mostrar um excelente trabalho de qualidade, pouco ou quase nunca são falados pela mídia, não se ouve falar de seus nomes, principalmente se não estiverem em alguma novela de sucesso, da
mais vista por 12 entre 10 telespectadores.
Profissionais amadores ou amadores profissionais que gostam e querem fazer Teatro – um bom Teatro -, na lonas, nos clubes, em lugares que cobram um ingresso quase simbólico, em função do custo da produção. Vendem seu trabalho apostando, crendo na vontade de fazer Teatro de Verdade,
formar e informar platéia.
Mamãe, papai, lembrem-se que computador, jogo eletrônico, tudo tem seu atributo e eficácia, mas manter seus filhos no mundo do sonho, da fantasia, para desenvolver pessoas sensíveis e críticas, seres humanos presentes; somente entregando-se e integrando-se às Artes.
Por outro lado, a companhia, a cumplicidade levam ao encontro da criança que você tem aí guardada a sete chaves, resgata-a, e em estando todos juntos, possibilitarão a segurança e felicidade de seus filhos.
Lembrem-se de que este mundo será desses jovens, dessas crianças daqui a algum tempo, muito pouco tempo, pois ele não pára, e também, será sua culpa se seus filhos ajudarem a incendiar o mundo.
Viva eu! Viva tu! Viva a paz e a segurança em todo o universo. E isso tudo de geração a geração com muito gosto e satisfação.

Precisamos Saber
Estamos em novembro, lembramos Zumbi dos Palmares, Chico Rei, Dandara e outros heróis, precisamos conhecer a história do negro do Brasil, precisamos mostrar que há uma história.
Conhecemos atores importantes como Ruth de Souza, Zezé Motta, Chica Xavier, Milton Gonçalves, Neuza Borges; mas ainda é pouco, muito pouco. É preciso um espaço maior nos meios de comunicação. Produções onde o negro se reconheça, e possa informar ao Brasil que este é um país negro e não pode esquecer.
Nas escolas, procura-se trabalhar as culturas negras, mas não chegam publicações, material de pesquisa suficiente para que possamos desenvolver um trabalho melhor.
Queremos os poetas, os teatrólogos, os romancistas, os cineastas; queremos os afro -descendentes que somos todos nós em conjunto nos ensinando.

Que sobrevivam as flores
Chegou a grande festa, onde todo o mundo só pensa e deseja o Brasil.
Rio de Janeiro: Blocos, Bandas, Mulatas, Escolas de Samba. Bahia: Blocos, Afoxês e as Micaretas que arrastarão pelas cidades do interior o povo atrás dos Trios. São Paulo, quem diria, despertou para o sambar nacional, principalmente agora que comemora seus 450 anos, a séria senhora caiu na roda mostrando que também sabe ser bamba. Pernambuco, com aquele ritmo louco que é o Frevo. São tantos artistas
envolvidos, tantos anônimos artistas que nos faz pensar – Que País é esse? Que povo é esse tão alegre e feliz que nem mesmo a falta de dinheiro, trabalho, precária saúde, escolaridade que sobe e desce, guarda e espalha tanta esperança e raça. O brasileiro, somos, antes de tudo, uma forte e brava gente. O povo brasileiro é capaz de brincar uma noite inteirinha, emendar com o trabalho, trabalhar brincando, remendar seus sonhos, transformando-os na mais bela e original colcha de retalhos, esta que todos
querem um pedaço.
Pense bem, é mesmo a festa de todas as raças, de todos os estados. Histórias e tradições. A festa boa em todos os lugares, não há um melhor que o outro; sim, um diferente e mais inesquecível que o outro. Sempre muita emoção, alegria na alma, coração às gargalhadas.
Brincar, aprender, apreender e generosamente doar, afinal foi a que viemos. Isso aí, iluminar mentes e espíritos. Porém não pensem os mal-humorados, que estamos o tempo todo na filosofia do “tô nem aí, tô nem aí!”. O brasileiro é sério, muito sério mesmo; a sisudez é que não faz parte de nosso cardápio. Carranca só as das barcas do Rio São Francisco.
Por isso, que vençam aqueles que melhor souberam tocar corações e mentes, seja lá qual for a manifestação popular, onde quer que seja o desfile. Não esquecendo a ética, a paz e a harmonia.
Fazendo pensamento positivo para que o uso dos preservativos seja o campeão das avenidas da vida. Sem abusar de menores ou maiores, respeito ao ser humano. Sem preconceito racial, discriminação sexual, financeira, sem qualquer tipo de retaliação mesquinha e podre.
Viva o Carnaval do Brasil!
Viva o Povo Brasileiro!

Teatro, o grande encontro
Teatro, realmente, é a solução para vários encontros, desde a mais remota idade. Nos cursos, faculdades e grupos que começam a praticá-lo, as pessoas envolvidas redescobrem-se. O grande encontro entre os seres humanos, seus medos, bondades e maldades, têm espaço amplo de
expressão e questionamento.
Nas escolas, o teatro tem o objetivo de desenvolver a sensibilidade, proporcionar que um ao outro perceba, como a si mesmo. Tenham a certeza da importância da união por uma vida melhor,tanto no setor pessoal quanto profissional.
O Teatro na Educação, pode desenvolver-se através de oficinas, aulas teóricas, práticas aliadas a todas as disciplinas, pois somente vivenciando situações apresentadas teoricamente, as pessoas, os alunos, terão a possibilidade de incorporar os conhecimentos científicos à prática do dia a dia.
Questões como depressões, angústias, timidez, egoísmos, medos; são expostas e discutidas através das personagens. Quando se constrói uma personagem, estamos discutindo e observando tudo isso e utilizando de nosso corpo e emoção para dar vida ao texto e despertarmos a reflexão de quem está a assistir.
O Teatro não resolverá qualquer problema, mas, com certeza revelará questões ocultas que necessitam ser trabalhadas e revistas, com o auxílio de profissionais da área de Psicologia, quando for o caso. A nós, os profissionais de Teatro na Educação, cabe sensibilizar fundamente, para que nos tornemos cidadãos críticos e preocupados uns com os outros.