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Evoé Momo, ou atrás da Verde-e-Rosa O carnaval e o futebol são os eventos mais populares do Brasil. Tanto um quanto o outro provocam as mesmas paixões. Torcemos por uma ou por outra escola, como por um ou outro time de futebol. Eu, por exemplo, tenho uma enorme queda pela Beija-Flor de Nilópolis, e cá tenho os meus motivos. Aguardo ansiosamente o momento de vê-la na avenida e torço pela sua vitória, achando sempre que é a mais bela. Mas, concordo com os que
dizem que uma das escolas que melhor transformam o carnaval de avenida em uma verdadeira expressão de arte e beleza é a Estação Primeira de Mangueira. A Mangueira é uma escola hours concours, ela é o berço do samba. Não é a toa que dos seus quadros saíram Cartola, Carlos Cachaça, Jorge Zagaia, Delegado (o Hélio Laurindo da Silva), Leci Brandão, Dona Zica, Dona Neuma, Enéas Silva, Aluísio Costa, esses dois, autores do hino da Verde-e-Rosa, entre tantos outros. Quando Chico Buarque e Caetano Veloso
deram voz e harmonia ao samba "atrás da verde-e-rosa só não vai quem já morreu", enredo composto por Fernando de Lima, Dênis Correa, Carlos Serra e Paulinho de Carvalho, queriam dizer um pouco disso. A Mangueira tem magia, emociona e faz o povo delirar. Mas as escolas de samba conseguiram um lugar central no carnaval há pouco tempo. Foi a partir de 1963 que elas se popularizaram, quando o Salgueiro se consagrou na avenida com o enredo Chica da Silva, estrelado pela querida e saudosa Isabel Valença. Até
então, os grandes bailes do Teatro Municipal, o baile do Havaí no Iate Clube e o baile do Copa, no Hotel Copacabana Palace e os concursos de fantasias (com destaque para os do Hotel Glória e do Clube Monte Líbano) eram as atrações principais. Hoje, o carnaval de salão não tem mais a importância dos anos 40 e 50. A avenida conquistou o espaço e democratizou de certa forma o acesso ao carnaval. O povo tem lugar nessa festa. Não a da Sapucaí, que é feita para turistas e para as grandes empresas. E sim, as das
avenidas, das ruas e dos becos, na maioria das cidades do Brasil. Quando se fala em carnaval, é normal pensar que tudo é festa, tempo de cair na gandaia e não pensar nas conse-qüências. Para que o evento tenha adquirido este sentido, muita coisa aconteceu. Há cerca de dez mil anos antes de Cristo, as pessoas já se reuniam durante o verão, com os rostos mascarados e os corpos pintados, para espantar os demônios da má colheita. As origens do carnaval têm sido buscadas nas mais antigas celebrações da
humanidade, tais como as festas egípcias que homenageavam a deusa Isis e ao touro Apis. Os gregos festejavam a celebração da volta da primavera, que simbolizava o renascer da Natureza. O carnaval se caracteriza por festas, divertimentos públicos, bailes de máscaras e manifestações folclóricas. Na Europa, os mais famosos carnavais são os de Paris, Veneza, Munique e Roma. Para os moralistas, é uma festa de desregramentos e excessos. Assaltos nas ruas e arrombamento de casas; pessoas bebendo e usando drogas ;
jovens imaturos praticando sexo irresponsável, contraindo doenças ou gravidez indesejável; os pobres que vivem a reclamar dos salários, comprando abadás, fantasias de blocos que custam 100, 150, 200 reais. Um pedaço de pano pintado com o distintivo do bloco ou do trio elétrico, por preço igual ou maior que uma cesta básica. Parece um absurdo? Mas as manifestações culturais populares tem dessas coisas. São sensíveis, simples, comunitárias, instintivas, naturais. Não há código moral que estanque essas
manifestações. O povo, sofrido e machucado pela árdua tarefa da sobrevivência, vê nessas festas populares um momento de paz e alegria. E atrás da verde-e-rosa só não vai quem já morreu...
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