Desde os primórdios da humanidade, as doenças sexualmente transmissíveis (DST), também conhecidas por doenças venéreas ¾ atingem as pessoas sem distinção entre sexos, classes sociais, etnias e religiões.
As DST são atualmente um dos maiores problemas da saúde pública do país, principalmente, por facilitar a disseminação do Human Immunodeficiency Vírus (HIV), o vírus da AIDS. Além disso, podem causar disfunções sexuais, aborto, esterilidade, nascimento de bebês prematuros com problemas de saúde, deficiência física e mental, alguns tipos de câncer e até a morte.
Para que haja uma mudança significativa nos números de infectados, é importante ressaltar a necessidade de um diagnóstico precoce e de um tratamento adequado.
A receptividade da informação
Segundo o dentista José Marmo da Silva, coordenador do Odô - Yá, projeto de prevenção da AIDS dirigido à população negra, existem os problemas da temporização das campanhas educativas e a falta da utilização de uma comunicação direta à população para que a conscientização e o aprendizado prevaleçam. "Nem todo mundo decodifica essas informações. O Ministério da Saúde não faz campanhas contínuas. No caso da AIDS, geralmente só são feitas na época do Carnaval e no Dia Mundial da luta
contra a AIDS. Mesmo assim, nem sempre falam a linguagem do povo", disse Marmo.
O maior índice dessas doenças é detectado nos bolsões de miséria e pobreza, onde o assunto sexualidade é um tabu muito grande, existe uma certa rejeição verbal entre as pessoas desses locais. "O necessário é fazer uma abordagem direcionada. A maioria das pessoas de baixa renda são negras. Então, as campanhas devem ser voltadas para o perfil dessa população, utilizando os seus códigos e símbolos; caso contrário, não se conseguirá seduzi-los para o cuidado que devem ter em relação a sua
saúde sexual", explica o coordenador.
Prevenção e tratamento-As armas contra as DST
As doenças infecto-contagiosas são provocadas por vários tipos de micróbios que se transmitem de um indivíduo a outro, principalmente nas relações sexuais.
As DST podem ser transmitidas nos atos sexuais: anal, vaginal e oral; ao compartilhar agulhas e seringas, no uso de drogas injetáveis; através de transfusão de sangue contaminado; e da mãe para o filho, durante a gravidez, o parto e a amamentação.
De acordo com a ginecologista Ângela Império Meyrelles, as mais importantes doenças venéreas são: sífilis, gonorréia, condiloma acuminado (HPV) e AIDS; sendo a gonorréia e a sífilis mais comuns, principalmente na faixa etária dos jovens.
A gonorréia, mais popularmente conhecida como "esquentamento" ou "corredeira", tem como agente a bactéria Neisseria gonorrhoeae. Os principais sintomas são pus saindo do pênis e ardência ao urinar; nas mulheres, pode ocorrer corrimento amarelado com mau cheiro. Se não tratada, a doença pode evoluir para a infertilidade, aborto espontâneo, meningite, doença inflamatória pélvica, entre outros males. O período de incubação varia de dois a dez dias. O tratamento é feito com
antibióticos e inclui também os parceiros.O uso de camisinha e a higiene pós-coito são eficazes métodos preventivos.
No caso da sífilis ou "cancro duro" é a bactéria Treponema pallidum quem causa a infecção, sendo capaz de afetar vários órgãos e ter períodos de latência, ou seja, os sintomas desaparecem sozinhos, fazendo com que a pessoa pense estar curada, mas na verdade, a doença está evoluindo para fases mais perigosas. Pode ser dividida em sífilis primária, secundária, terciária, latente e congênita, quando passada da mãe para o feto. Ocorrem feridas no pênis, vagina, boca e ânus. Caso não
cuidada, pode causar aborto, natimorto, parto prematuro, Neurossífilis e Sífilis Cardiovascular. O tratamento é medicamentoso, quando detectada no início, e o período de incubação pode ser de uma semana a três meses. Para evitá-la é necessário o uso de camisinhas em todas as relações sexuais.
O condiloma acuminado (HPV), infecção causada pelo vírus Human Papilloma Viruses, é também denominado de "crista de galo" ou "verruga genital" e está associado a doenças cancerígenas. O principal sintoma é o aparecimento de pequenas verrugas, parecidas com couve-flor, no pênis, vagina e reto, mas também surge no colo do útero, o que dificulta seu diagnóstico. O tratamento é local, com uso da cauterização, quimioterapia e produtos cáusticos. O parceiro deve ser submetido a
exame e o uso do preservativo.
Já a AIDS é uma síndrome causada pela infecção crônica do organismo pelo vírus HIV, que compromete o funcionamento do sistema imunológico humano, impedindo-o de executar a tarefa de proteção contra infecções e tumores. Essas doenças são conhecidas como oportunistas, podendo ocasionar a morte dos doentes. A transmissão pode ser através de sangue e líquidos contaminados, secreções vaginais, sêmem e leite materno. O período de incubação é de três a dez anos entre a contaminação e o
desenvolvimento de sintomas.
Existem medicamentos, como o coquetel anti-retroviral, que auxiliam na melhoria de qualidade de vida dos infectados. Porém, é importante o acompanhamento medico para que se avalie a eficiência do tratamento. E isso só é possível através da realização de exames específicos, como: o CD4, que irá determinar o nível de células de defesa do organismo; o de carga viral, responsável pela medição da quantidade de HIV no sangue; e o exame de genotipagem, encarregado de detectar as mutações do HIV.
Recomenda-se também o sexo seguro através de camisinhas e cuidado no manejo de sangue com o uso de luvas.
No Brasil, conforme a Coordenação Nacional de DST e AIDS, constam 222 mil 356 casos de AIDS notificados, dentre os quais 115 mil vêm sendo atendidos pelo programa de combate à AIDS do governo.