CULTURA E M�SICA POPULAR DO BRASIL

1 2 3 4 6 7 8 9 10

5

TC
TC

 

CASA DE CULTURA TAIN�

� uma hist�ria de luta pela igualdade social. Uma guerra em que a fome n�o � uma quest�o exclusivamente f�sica, mas espiritual, e as armas de combate s�o a arte e as perspectivas de um futuro melhor. H� quase 12 anos driblando as dificuldades, a Casa de Cultura Tain�, entidade cultural e social sem fins lucrativos, come�a a somar vit�rias.
A primeira delas foi a aprova��o do projeto Orquestra de Tambores de A�o, formada apenas por jovens carentes, atrav�s da lei Rouanet, no ano passado. A nova conquista, talvez uma das mais importantes, � a permiss�o oficial do uso do terreno ocupado pelo espa�o cultural, na Pra�a dos Trabalhadores, da Vila Padre Manoel da N�brega, publicada no Di�rio Oficial do Munic�pio no in�cio do m�s.
O terreno, que compreende uma �rea de 8.555 metros, � utilizado pela institui��o h� seis anos. "Isso p�e fim � nossa inseguran�a, porque antes de sermos transferidos para este local ficamos quase sete anos no Espa�o Cobal, transformado em dep�sito de material escolar. Agora temos estabilidade e vamos investir, inclusive, em novos projetos como a primeira Universidade Livre do pa�s�, comemora , Antonio Carlos Santos da Silva, de 50 anos, o TC, como � mais conhecido.
O primeiro passo, ap�s a not�cia, est� sendo planejar a reforma do lugar - um antigo centro esportivo -, avaliada em R$ 150 mil e que ser� custeada atrav�s de recursos cedidos pela Prefeitura, aprovados no Or�amento Participativo. O projeto deve ter in�cio em mar�o, quando ser� feito processo de licita��o para definir a empresa respons�vel pela obra.
Segundo TC, os planos s�o transformar o local realmente numa casa de cultura. "Queremos criar salas para oficinas e um audit�rio onde realizaremos espet�culos de teatro, cinema e dan�a", antecipa. Fundada em 1989 como Associa��o de Moradores da Vila Castelo Branco, a Casa de Cultura Tain� atende mensalmente 450 crian�as e adolescentes, al�m de outras 1.350 pessoas atrav�s de atividades espec�ficas como oficinas e apresenta��es.
O espa�o desenvolve projetos como o grupo Na��o Tain� (forma��o de educadores focados na cultura popular e na mem�ria das comunidades de origem, al�m de pesquisar e produzir documenta��o desta cultura); F�brica de M�sica (aulas de m�sica e, inclusive, confec��o de instrumentos); Projeto Saci e CDI (aulas de inform�tica, incluindo o ensino do uso a internet); ou a biblioteca Lidas e Letras.
Em comum, est�o todos ligados com a democratiza��o da cultura e, principalmente, preserva��o da cultura popular. �A popula��o carente vive em desvantagem e � isso que queremos combater. Ensinamos inform�tica, por exemplo, para que tenham mais chances no mercado de trabalho. Acho importante quando as pessoas falam em combate � fome f�sica, mas n�o podemos esquecer do alimento da alma", defende TC.
Quanto ao trabalho de resgate das manifesta��es populares, como a folia de reis ou rodas de samba, a Casa de Cultura Tain� � um dos grupos envolvidos com o projeto de Maracatu (t�pico do Recife), junto com o Urucungos, Savuru, Tambor Menino e grupo Teatro Solano Trindade, que reserva uma grande apresenta��o para dia 1� de mar�o, que envolver� mais de 250 pessoas, na abertura do carnaval de rua de Campinas. O evento ser� �s 18h, na avenida Francisco Glic�rio.
Por conta disso, a casa de Cultura Tain� est� fabricando cerca de 30 tambores de alfaias, com o apoio da Secretaria de Cultura, Esportes e Turismo. �Nossos instrumentos, muitas vezes, superam a qualidade de marcas que est�o no mercado�, vangloria-se TC que, ali�s, � o �nico construtor de tambores de a�o do pa�s, instrumento conhecido por steel pan, que chega a levar at� seis meses para ficar pronto mas que tem um som �nico, muito semelhante aos instrumentos de cordas.
Foi dele a id�ia da cria��o da primeira Orquestra de Tambores de A�o do Brasil, projeto aprovado pela lei Rouanet que permite dedu��o nos impostos pagos ao governo, avaliado em R$ 585 mil, devido a necessidade de comprar instrumentos no exterior. A Sanasa � a primeira empresa a fazer uso do beneficio e vai doar cerca de 12% do total - a lei exige 20% do valor arrecadado para que a Casa de Cultura Tain� fa�a uso da verba. Segundo TC, a id�ia � trabalhar s� com adolescentes da periferia oferecendo aulas de m�sica, ritmo, harmonia, canto e execu��o dos instrumentos.

Adriana Giachini - 22 fev 2003

 

Cupinzeiro

Cupinzeiro

 

SAMBA CAMPINEIRO

Sob curadoria do antrop�logo Marcelo Manzatti, de 32 anos, o projeto in�dito pretende tornar p�blico o samba paulista, que se caracteriza pelo samba de bumbo, porque utiliza um instrumento de percuss�o pouco usual, chamado zabumba. Ao lado do jongo e do batuque de umbigada, o samba de bumbo comp�e a trilogia das manifesta��es culturais negras originadas no tempo da escravid�o ainda pratica- das em S�o Paulo. O g�nero tamb�m � conhecido por outros nomes, como samba campineiro (porque foi em Campinas que o g�nero se desenvolveu), samba antigo, samba de pirapora, samba de umbigada, samba len�o e outros.
"Atualmente, o samba � estritamente associado ao contexto carioca, tornando m�ope a vis�o sobre a sua amplitude", diz, justificando a import�ncia do projeto. Manzatti � envolvido com a pesquisa de manifesta��es art�sticas populares, principalmente o samba, desde 1988, quando ajudou a fundar a ONG (Organiza��o N�o-Governamental) Cachuera, em S�o Paulo, que acumulou extenso arquivo de audio- visual do samba paulista. "Realizamos cerca de 200 trabalhos de campo, em lugares como Santana de Parna�ba e Ol�mpia. Em Campinas, conheci o Urucungos (Pu�tas e Quinjengues) e o Cupinzeiro, importantes mantenedores da cultura popular�, diz. "Campinas � um centro muito importante de pesquisa, porque foi nela que o samba de bumbo surgiu e se desenvolveu".
De acordo com Manzatti, o surgimento, de novo, de grupos que realizam sambas de roda e novas composi��es ligadas � tradi��o do samba, se deve � industrializa��o do Carnaval. "Chegou um momento em que os compositores n�o tiveram mais como desaguar seus sambas, pois as escolas de samba est�o mais comerciais. � o caso de Geraldo Filme, Paulinho da Viola, Monarco e os jovens compositores. As rodas continuam sendo o espa�o de conviv�ncia, troca e conscientiza��o da cultura popular", conclui. O N�cleo de Sambistas e Compositores do Cupinzeiro, de Campinas, com sede no distrito de Bar�o Geraldo existe h� um ano e meio. � formado por jovens compositores que se re�nem quinzenalmente para rodas de samba, em encontros abertos ao p�blico, e se dedicam � pesquisa das origens do sam- ba paulista e a hist�ria do samba campineiro.
"O nosso objetivo � alimentar a mem�ria do samba e aproxim�-lo da comunidade, das ruas", diz a fot�grafa e compositora Anabela Leandro, uma das idealizadoras do Cupinzeiro, ao lado dos compositores Edu de Maria, �nio Bernardes e Bruno Ribeiro (rep�rter do Correio Popular). �At� a d�cada de 60, a cidade figurava como um dos principais redutos do samba paulista, vencedora em diversos concursos de blocos e composi��es", conta.
Anabela costuma registrar em fotos e v�deos os encontros dos quais o Cupinzeiro participa, a fim de formar um arquivo da hist�ria do samba campineiro, em parceria com o Centro de Mem�ria da Unicamp. 0 Cupinzeiro j� colheu depoimentos dos sambistas da velha guarda de S�o Paulo, como Toniquinho Batuqueiro e Carl�o do Peruche.
Para comemorar o Carnaval deste ano, o grupo vai lan�ar o Bloco do Cupinzeiro nos dias 1� e 3 de mar�o, a partir das 17h, pelas ruas de Bar�o Geraldo, a partir do N�cleo do Cupinzeiro (Rua Virg�lio Dalbem, 244, Bar�o Geraldo, fone: 3249-0422). 0 bloco sair� com o enredo Do terreiro para o asfal- to, de autoria de Daniel Romanetto, integrante do grupo. Outra realiza��o para 2003 ser� a grava��o do primeiro CD com suas composi��es.

Carlota Cafiero - 22 fev 2003

[email protected]

1 2 3 4 6 7 8 9 10

ENVIAR
texto cr�tica opini�o coment�rio sugest�o r�plica recado

Voltar

Hosted by www.Geocities.ws

1