CULTURA E M�SICA POPULAR DO BRASIL


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QUANDO A PRIORIDADE � A PAZ

OS terr�veis atentados nos Estados Unidos marcam uma nova etapa na luta pelos direitos humanos, por justi�a e igualdade. Esses ataques resultaram no fortalecimento dos setores mais autorit�rios, tanto nos EUA como no Oriente M�dio. Ap�s o dia 11 de setembro de 2001, movimentos sociais em todo o mundo passam a enfrentar um novo desafio em sua defesa da cidadania e da paz.
Antes dos atentados, o presidente George W. Bush estava enfraquecido, principalmente por ser incapaz de conter a recess�o econ�mica em seu pa�s. Atualmente, esse governo conta com o apoio de grande parte da sociedade e pode justificar um crescente processo de militariza��o. Os atentados serviram tamb�m de pretexto para restringir os direitos civis e justificar a discrimina��o contra a popula��o de origem �rabe e contra outros imigrantes.
No Oriente M�dio, os atentados favoreceram principalmente o governo de Israel, que se utiliza dessa discrimina��o para justificar sua pol�tica repressiya contra o povo palestino. J� a retalia��o do governo norte-americano parece beneficiar os setores mais autorit�rios nos pa�ses �rabes, que se utilizam do sentimento de revolta de sua popula��o contra os EUA. Um ataque dos Estados Unidos contra civis em outros pa�ses alimentaria essa revolta e poderia gerar um ciclo de viol�ncia, colocando tamb�m em risco a popula��o norte-americana.
A amea�a de guerra tem mobilizado movimentos sociais em todo o mundo. Em Washington, mesmo antes do cancelamento da reuni�o do Banco Mundial e do FMI, programadas para o final de setembro, as mobiliza��es contra as pol�ticas neoliberais foram substitu�das por atos pela paz e contra a pol�tica externa dos Estados Unidos. Nesse sentido, o golpe no Chile, em 11 de setembro de 1973, que causou a morte e a persegui��o de milhares de pessoas, tem sido lembrado com frequ�ncia, como afirma o escritor norte-americano Edward S. Herman: "Muitas pessoas t�m sofrido por causa das pol�ticas dos Estados Unidos, de apoio a regimes de direita e ao terrorismo de Estado".
Em uma vasta pesquisa sobre o apoio dos Estados Unidos � organiza��o de Osama bin Laden, Michael Chossudovsky, professor de economia da Universidade de Ottawa, revela que: "A assist�ncia secreta dos Estados Unidos come�ou com um grande aumento no fornecimento de armas -um crescimento de 65.000 toneladas por ano em 1987". Em rela��o ao apoio log�stico da CIA a essa organiza��o, o professor lembra que, entre "militares e oficiais de intelig�ncia, burocratas, agentes secretos e informantes, estima-se a participa��o de 150.000 pessoas".
Como era de esperar, esse tipo de informa��o tem sido exclu�do da maioria dos meios de comunica��o nos EUA. Por�m, uma extensa gama de vozes em oposi��o � guerra, que inclui intelectuais, organiza��es religiosas, feministas e de direitos humanos, circula pela Internet e pela chamada m�dia "alternativa" . Poucas horas ap�s o atentado, a organiza��o Direct Action Network reuniu mais de 250 pessoas em Nova York, para apoiar as v�timas do ataque ao World Trade Center e para iniciar um movimento pacifista. Na mesma semana do atentado, diversas organiza��es come�aram a organizar protestos contra a guerra em v�rias partes do pa�s.
Um dos principais desafios desses movimentos � lutar contra a forte propaganda da m�dia norte-americana, que estimula a guerra. Al�m de os conflitos aumentarem os �ndices de audi�ncia, algumas redes de televis�o t�m um interesse particular em uma corrida armamentista. Um exemplo claro � a NBC, controlada pela General Electric, que, al�m de l�mpadas, produz muito material b�lico. Outras redes de televis�o, como a ABC, possuem comentaristas ligados � CIA, como lembra o escritor Norman Solomon: "Vincent Cannistraro foi o oficial da CIA respons�vel pela coopera��o com os Contras na Nicar�gua, nos anos 80. Depois de ser transferido para o Conselho de Seguran�a dos EUA em 1984, ele se tornou supervisor do servi�o de assist�ncia secreta aos guerrilheiros mujahedin do Afeganist�o".
Os ataques nos EUA ofuscaram tamb�m quest�es importantes discutidas recentemente na Confer�ncia contra o Racismo, na �frica do Sul, al�m de exacerbar a discrimina��o e a xenofobia. O quadro atual pode justificar at� as posturas mais intransigentes como a dos Estados Unidos e de Israel, que se recusaram a discutir a quest�o palestina no �mbito da confer�ncia. Portanto, um importante desafio para as entidades da sociedade civil que lutam contra o racismo � manter a visibilidade de suas propostas, diante desse cen�rio.
Outro tema evitado pelos Estados Unidos durante a confer�ncia, com o apoio da Uni�o Europ�ia, foi a discuss�o sobre as origens do racismo e as repara��es pelo tr�fIco de escravos e pela escravid�o. Ao final, os governos s� foram capazes de concordar com uma declara��o vaga sobre o colonialismo. A palavra "repara��es" foi substitu�da por "medidas compensat�rias" {remedial measures) e a proposta do cancelamento da d�vida externa, apresentada pelos pa�ses africanos, foi substitu�da por "al�vio da d�vida" (debt relief). Essa declara��o � radicalmente diferente do documento preparado pelas ONGs, que reivindica um pedido de perd�o formal por parte dos pa�ses colonizadores e diferentes formas de repara��es.
As resolu��es dos governos sobre os direitos ind�genas tamb�m geraram grande frustra��o entre os movimentos sociais. A declara��o final da confer�ncia adota a express�o "povos ind�genas", mas determina que ela n�o seja "interpretada como tendo qualquer liga��o com o direito internacional". Blanca Chancoso, representante da Confedera��o das Nacionalidades Ind�genas do Equador (Conaie), considerou essa decis�o como uma "reafirma��o do racismo, mas agora em termos institucionais, porque isso significa que h� povos de primeira e povos de segunda categoria" .
Ap�s o tr�gico atentado de 11 de setembro, surgem novos desafios para diferentes setores sociais em todo o mundo. Para muitas organiza��es, a prioridade passa a ser a luta pela paz. Ao mesmo tempo, � preciso manter a visibilidade de outros temas importantes no cen�rio internacional que continuam determinando a vida e a morte de milh�es de pessoas, como o racismo, a d�vida externa, a desigualdade social e econ�mica.

Maria Lu�sa Mendon�a - out 2001

 

 

CAD� CAMPINAS!?

Estive fazendo parte do chamado Governo Democr�tico e Popular de Campinas. Por um per�odo de quase 12 meses, estive por volta das quest�es culturais, lidando com uma das regi�es mais carentes da cidade. Minha cidade natal. Sou de Campinas e sempre achei que se n�o conseguisse realizar o meu sonho de ter uma vida decente na minha pr�pria cidade, eu n�o conseguiria t�-la em nenhum outro lugar. Hoje eu j� penso bem diferente, principalmente quando esta mesma cidade matou o seu prefeito e quase um ano depois da morte do Toninho, tamb�m mataram o meu filho mais velho que completaria 24 anos de vida, 21 dias ap�s o seu falecimento.
Meu filho querido, Dersu Matheus, foi assassinado cruelmente bem perto da sua casa. Bom menino, estava estudando Direito, e trabalhava como seguran�a na Unicamp para poder continuar estudando e ter a sua vida independente, j� que se tornara um homem muito respons�vel por suas a��es.
Decep��o eu tenho com alguns companheiros l� da Secretaria de Cultura. Tivemos que come�ar praticamente do zero, tudo o que hoje est� l� configurado como sendo o trabalho de quem se vangloria de t�-lo executado. L� na regi�o que trabalhei, as discuss�es estavam em andamento. Duas Oficinas, Dan�a e Teatro, estavam acontecendo, as rela��es com as Associa��es de Moradores, h� muito distantes da Administra��o P�blica, estavam sendo retomadas com muito sucesso. Fui exonerado por ter-me ausentado das reuni�es de Planejamento com o Secret�rio. Este deixou tudo nas m�os do Coordenador, que teria a fun��o de coordenar-me na Coordenadoria de A��o Cultural, e n�o fez o seu trabalho direito. O Coordenador e uma sua assistente tamb�m perderam as suas fun��es na Secretaria. Tenho quase que uma absoluta certeza de que o meu afastamento do cargo de Assessor T�cnico Departamental N�vel VI, partira diretamente do pr�prio Secret�rio, Valter Pomar.
A vida continua e eu n�o vou ficar aqui chorando as minhas m�goas. Espero poder estar esclarecendo tudo. Tudo aqui neste espa�o alternativo, na Internet. Salve a Cultura e a M�sica Popular do Brasil.

Jorge Luis Aparecido Matheus - 27 fev 2003

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