CULTURA E M�SICA POPULAR DO BRASIL

1 2 3 4 5 6 7 8 9

10

JO�O GILBERTO

João Gilberto

Jo�o Gilberto, o ca�ador da MPB

Ele � o rei dessa arte: dizer um poema que n�o esconde a frase musical, mas que a real�a

Tur�bio Santos

Uma das experi�ncias mais curiosas que j� fiz com o viol�o foi tentar acompanhar Jo�o Gilberto. N�o. N�o foi com ele ao vivo. Na realidade foi acompanhar uma grava��o do cantor. Do tipo passo a passo.

Vamos imaginar voc� seguindo as pegadas de algu�m na areia e colocando seus passos exatamente em cima dos passos da pessoa seguida. Assim, descobri primeiro a harmonia do Jo�o. Precisa, impec�vel, com solu��es indiscut�veis. Trabalho de ourives.

Depois desvendei (ou tentei) o ritmo. Os problemas foram se complicando. A inven��o do Jo�o � imbat�vel e o pior: sua execu��o � de uma perfei��o que beira as raias do imposs�vel. Maior surpresa ainda: ele extrai mensagens polif�nicas (v�rias vozes, para os que n�o sabem) do seu viol�o, como se cada corda fosse tocada por um instrumentista diferente.

� isso mesmo. Aquele blem-blem que as pessoas utilizam para tentar ridicularizar a bossa nova, no caso dele, � a soma de conhecimentos musicais oriundos de uma pr�tica, uma aplica��o, um treinamento intenso. Coisa de Jo�o Gilberto.

Eu fiquei t�o espantado com o resultado dessa experi�ncia, a princ�pio singela e mais tarde diabolicamente complicada, que passei a entender melhor a aura de magia que envolve o cantor. Ele cerca suas can��es com o instinto de um ca�ador. Ele as captura, se apaixona, enche de mimos, protege-as, e, finalmente, quando libera-as do cativeiro, elas t�m a sua marca. Todos n�s, int�rpretes, fazemos isso de alguma maneira. No caso presente, o que interessa � a intensidade dessa devo��o pela obra a ser interpretada. Quando ou�o um Jacques Brel, uma Edith Piaf, um Sinatra ou Louis Armstrong morro de inveja da possibilidade de dizer poemas ao mesmo tempo de uma frase musical.

Jo�o Gilberto � rei dessa arte: dizer um poema que n�o esconde a frase musical, que a real�a, que a justifica. A c�pia � uma das maneiras de se aprender nas artes. Copiar Jo�o Gilberto � dif�cil, ali�s, dific�limo. Mas quem tiver a paci�ncia e a disciplina do exerc�cio vai receber um banho de aprendizagem, uma cachoeira musical. E os que n�o tiverem, pelo menos fiquem atentos � concis�o, � economia e objetividade desse ca�ador incans�vel da nossa m�sica popular.

 

A grande s�ntese

A evolu��o de um artista � um cont�nuo auto-sacrif�cio, uma cont�nua extin��o da personalidade.
t.s. elliot - Tradi��o e talento individual

EDINHA DINIZ

O criador da bossa nova, o cantor e compositor Jo�o Gilberto, faz setenta anos de idade consagrado pelo alcance planet�rio da sua cria��o. Em plena atividade, acaba de ganhar mais um pr�mio Grammy por seu �ltimo �lbum e prepara-se para apresenta��es no pr�ximo m�s nos festivais de jazz de Montreal (Canad�) e de Montreux (Sui�a).

A cria��o original de Jo�o Gilberto para o samba, que se internacionalizou com o nome de bossa nova, e que �, at� hoje, a contribui��o brasileira mais importante � cultura mundial, corre na veia de boa parte da m�sica popular que se faz no mundo. Esse trabalho de transforma��o do samba e sua consolida��o, � obra de uma personalidade art�stica genial, dessas que surgem de tempos em tempos com uma miss�o civilizadora her�ica. N�o � � toa que � qualificado de Mito. Sua trajet�ria repete a do her�i m�tico, no combate � banalidade e procura da pureza.

Na sua ascese - estranha ao universo dessa produ��o industrial que se convencionou chamar de m�sica popular, onde um artista do seu porte parece deslocado - Jo�o Gilberto evolui artisticamente no sentido da pureza expressiva. � in�til procurar na sua pessoa a decifra��o da sua personalidade, em dilui��o cont�nua. Jo�o Gilberto se d� a conhecer atrav�s de sua cria��o: forte, sutil, surpreendente, despojada e requintada. Os qualificativos da bossa nova s�o os mesmos do esp�rito de seu criador, e n�o poderia ser de outro jeito. � o seu esp�rito que circula na corrente sangu�nea e respirat�ria de grande parte da m�sica que h� quatro d�cadas se vem fazendo.

A luta de Jo�o Gilberto para criar uma sa�da para a m�sica brasileira popular, que se encontrava atolada no samba-can��o, a luta para ter uma oportunidade de gravar, a luta para defender suas id�ias est�ticas e fazer valer sua vontade entre arranjadores, m�sicos e t�cnicos de som nas primeiras grava��es, a luta para defender sua cria��o do modismo comercial aqui e nos Estados Unidos, a luta para impor sua cria��o como som e n�o como dan�a, quando ela apareceu no cen�rio internacional, a luta para reapresentar seu trabalho depois das imita��es empobrecedoras, a luta para evitar as dilui��es e a f�rmula em s�rie, a luta para colocar o Brasil no cen�rio musical internacional, enfim, a luta para fazer pulsar no mundo o 2/4 do samba brasileiro na sua forma requintada e cool, � a luta de um artista de car�ter inquebrant�vel, vontade f�rrea e convic��es profundas.

Essa luta n�o teria sido vitoriosa sem o alto n�vel de exig�ncia de Jo�o Gilberto. � vis�vel no trabalho do artista, como em todo verdadeiro artista, a luta para fazer sobreviver o que n�o pode morrer, o que vale a pena viver, o que ele n�o pode deixar morrer. O trabalho de Jo�o Gilberto em realizar aquela beleza que ele vislumbrou na m�sica brasileira ainda menino, que lutou para modernizar e salvar e que continua lutando a cada grava��o para registrar da forma mais perfeita e definitiva, � o trabalho de quem se entrega a algo que sabe ser mais valioso. Assim, ele faz a bossa nova representar, com eleg�ncia, a riqueza musical do povo brasileiro, apesar das circunst�ncias hist�ricas que fizeram o pa�s dependente e pobre.

Seu n�vel de exig�ncia, � claro, conflita muitas vezes com os interesses imediatistas do mercado, onde causa espanto a figura do artista que despreza o sucesso, � indiferente � hist�ria e se recusa a construir uma carreira convencional. Parece mesmo deslocado, no mundo do showbiz, esse artista isolado, inteiramente dedicado � pesquisa da linguagem formal, vivendo em sil�ncio, a servi�o da m�sica.

O fen�meno

O g�nio criador se revela a raros eleitos, a quem confia os mist�rios da cria��o e concede a capacidade de mudar o rumo da hist�ria e dar � arte a regra. A genialidade � dom, mas a grandeza capaz de sustent�-la � trabalho humano, esfor�o pessoal do artista devotado ao seu of�cio e consciente da tarefa de elevar os outros � altura da sua arte.

N�o podemos ver a montanha de perto, segundo frase proverbial. Ser� que esses mais de quarenta anos j� s�o suficientes para vislumbrarmos melhor a grandeza de Jo�o Gilberto? Fen�meno raro na hist�ria de uma cultura, o do artista que surge para fazer avan�ar um processo e ampliar a percep��o humana um pouco mais adiante no Caos.

Muito mais que um fen�meno vocal ou mesmo musical, Jo�o Gilberto � um fen�meno art�stico que se manifesta atrav�s da m�sica. Essas personalidades art�sticas capazes de grandes s�nteses parecem desafiar a compreens�o humana. As circunst�ncias hist�ricas que serviram de contexto para a sua cria��o podem ser interessantes e at� curiosas, mas soar�o sempre insuficientes diante da universalidade de sua obra.

Observa o fil�sofo americano Ralph W. Emerson, um estudioso da natureza dos grandes homens, que a grande for�a genial consiste menos em ser original do que em ser receptivo aos materiais j� trabalhados e amados pelo povo. Porque, assim, o artista aumenta seus recursos e compensa a brevidade de uma vida humana, j� que a tradi��o proporciona um material melhor do que qualquer inven��o individual. O maior g�nio, diz ele, resulta ser o homem mais endividado. Quando constatamos a perenidade da cria��o de Jo�o Gilberto e a corrente de onde ela emana, o samba, n�o podemos deixar de pensar a rela��o do seu trabalho com a tradi��o, modernizando-a.

Essa personalidade art�stica, considerada mundialmente das mais originais da contemporaneidade, tem uma trajet�ria relativamente simples, comparada � complexidade da sua cria��o. A exemplo de outros grandes, os tra�os da sua genialidade permanecem esse mist�rio insond�vel, como � insond�vel a cria��o. N�o adianta: uma rosa � uma rosa � uma rosa, nos ensina Gertrude Stein. Querer explicar a rosa � tentativa est�ril. Ela � um mist�rio como a beleza � um mist�rio. Ponto.

A trajet�ria de Jo�o Gilberto come�a no interior do pa�s, onde ele nasceu em uma fam�lia de v�rios m�sicos amadores. Duas bandas, a Sociedade Filarm�nica 28 de Setembro e a Sociedade Apolo Juazeirense, e o servi�o de alto-falantes da r�dio local enchiam de m�sica o ar da cidade. O menino Jo�ozinho, desde cedo, encantou-se com a m�sica; com aquela m�sica que se fazia no Brasil da �poca. Ali teve tempo para ouvir a produ��o musical popular e se familiarizou com o samba. Guardou consigo esse encanto por todo o tempo em que estudou interno, passando pelo conjunto Enamorados do Ritmo, que formou ainda em sua cidade, pela atua��o como crooner em uma r�dio de Salvador, at� chegar ao Rio de Janeiro para integrar o conjunto vocal Garotos da Lua. No ambiente musical carioca, ocupado comercialmente pelo samba-can��o e pelo jazz norte-americano como influ�ncia, aquela conviv�ncia com o samba se revelou fundamental. Amizades como a do compositor Boror�, s� refor�aram sua convic��o da beleza da m�sica brasileira que n�o era mais ouvida na capital do pa�s. A musicalidade excepcional, a conviv�ncia com o samba, o amor profundo pela tradi��o, a capacidade de s�ntese, a convic��o da beleza da m�sica brasileira, e muito, mas muito trabalho de pesquisa formal, al�m do mist�rio, � claro, tudo isso resultou na cria��o que virou de ponta-cabe�a a m�sica brasileira e impactou o mundo da m�sica.

A novidade nasceu pronta, inteira, em um disco de 78 rota��es. Seguiu-se mais um 78 rpm e os tr�s LPs da Odeon (hoje fora do mercado por determina��o judicial). E a cria��o de Jo�o Gilberto ganhou o mundo. Como a novidade era estil�stica, a b�blia pela qual rezavam os seguidores eram os discos. E o Brasil passou a exportar m�sica popular. O fato de Jo�o Gilberto trabalhar sua sonoridade a partir de can��es, confundia a ind�stria do disco. N�o percebiam (e ser� que j� percebem?) que ali estava uma linguagem sonora universal, e preveniram o consumidor na capa do primeiro �lbum lan�ado dos Estados Unidos (em fins de 1961) com um esclarecedor pops in Portuguese. A gravadora brasileira se admirava do interesse, pois achava a l�ngua uma barreira � exporta��o. Na �poca, a Odeon se limitava a exportar para as possess�es portuguesas na �frica discos manufaturados de Jos� Vasconcelos contando anedotas... de portugu�s.

A onda que atingiu o auge no Brasil em abril de 1960, quando o Rio parecia querer compensar a perda da posi��o de capital federal se autoproclamando capital da bossa, atingiu os Estados Unidos no outono americano de 1962. Dezenas de jazzistas correram aos est�dios para n�o perderem a onda da bossa nova como haviam perdido a do twist, na esteira do sucesso do LP Jazz Samba, de Stan Getz e Charles Byrd, lan�ado em abril, e na lista dos mais vendidos da revista Bilboard, onde permaneceu por 70 semanas. Um concerto foi agendado em Nova Iorque para promover a bossa nova com Jo�o Gilberto, Tom Jobim e Vin�cius de Moraes, que se apresentavam na casa carioca Au Bon Gourmet. Publica��es especializadas como Variety e Cashbox anunciaram a ida das tr�s personalidades, numa promo��o da gravadora Audio Fidelity. O interesse do produtor Sidney Frey, dono da gravadora, em ter m�sicas in�ditas para editar no mercado americano e o apoio do Itamaraty, conseguindo da Varig grande quantidade de bilhetes a�reos, terminou por incluir no concerto uma caravana de amadores. Como definiu o cronista Ant�nio Maria, tratava-se de uma viagem-CTP (com tudo pago) e, na sua opini�o, brasileiro adora viajar, com tudo pago.

Recebido com as honras concedidas aos grandes m�sicos na p�tria do jazz, Jo�o Gilberto ganhou contratos, greencard e licen�a para trabalhar nos Estados Unidos. Depois da grava��o de Getz/Gilberto, excursionou pela Europa e retornou a Nova Iorque, ali se estabelecendo. S� voltou a residir no Brasil dezessete anos depois, quando seu trabalho de difus�o da moderna m�sica brasileira j� se achava consolidado e a vit�ria da bossa nova no exterior era um fato.

Descompasso & confus�o

A� se deu o descompasso. O construtor de uma nova percep��o est�tica e sensibilidade musical voltava ao pa�s, onde a m�sica popular se envolvera na resist�ncia pol�tica ao regime militar, adotando at� sigla, a exemplo dos partidos pol�ticos. O salto qualitativo que Jo�o Gilberto deu � m�sica brasileira entrou em descompasso com o recuo do pa�s durante a longa ditadura.

O Brasil parecia n�o acompanhar o que se passava com sua pr�pria m�sica l� fora. J� t�o avan�ada como linguagem, ocupando o mercado internacional com o sucesso de Getz/Gilberto, internamente a m�sica popular servia a interesses de comunica��o, mais que de express�o. Foi desviada para a can��o, que muitas vezes faz a m�sica ser apenas mediadora de conte�dos informativos. Tornou-se discursiva e declamat�ria. A can��o afastou-se tanto da m�sica que virou literatura. Naqueles tempos da n�o-sutileza, a bossa nova foi banida sob a alega��o de ter letras alienadas (sempre letras!), sem que se atentasse para sua efic�cia como arte. Ao contr�rio da bossa nova, que traz uma forma revolucion�ria, a can��o brasileira desse per�odo trabalhou com um conte�do ''revolucion�rio'' e uma forma conservadora.

Cada vez mais afastada da m�sica, a can��o n�o est� conseguindo enfrentar os tempos atuais, de banalidade, em que tamb�m a palavra, outrora privilegiada, perdeu seu valor ou n�o tem mais o que dizer. E a ''m�sica'' popular virou coreografia. Enfim, para os que amam a m�sica brasileira, a situa��o atual � desoladora. Para onde olhar em um momento desses?

A contribui��o de Jo�o Gilberto ainda est� longe de ser avaliada. N�o se sabe nem mesmo do que se est� falando, quando se fala de bossa nova. No long�nquo ano de 1960, no auge da popularidade, a revista Radiol�ndia realizou enquete sobre o assunto e, perguntado sobre o que achava da bossa nova, o cantor Agostinho dos Santos quis saber de que bossa nova se estava falando, se de geladeira, m�sica ou lan�amento imobili�rio. Porque, naquele momento, bossa nova havia se tornado express�o coringa para designar tudo que era novo. E a publicidade fez a festa, � claro.

Agora, quarenta anos depois, geladeira e lan�amento imobili�rio j� n�o contam, mas a festa publicit�ria continua. Sobretudo da ind�striafonogr�fica. Do que � mesmo que se fala, quando se fala de bossa nova? A confus�o sobre o assunto � grande. Em geral, est�o falando, sem crit�rio, de tr�s coisas distintas: a linguagem musical criada por Jo�o Gilberto, caracterizada por uma sonoridade original; o repert�rio gravado por ele ou composto no seu estilo; a movimenta��o de jovens m�sicos da zona sul do Rio de Janeiro entre o final dos anos cinq�enta e in�cio dos sessenta, influenciados por sua cria��o (neste caso, mais comumente grafada em caixa alta, como substantivo pr�prio).

A sonoridade

O que importa, do ponto de vista est�tico, � a linguagem, devido � sua universalidade. � preciso entender a grande contribui��o de Jo�o Gilberto como a cria��o de um som, uma linguagem caracterizada por uma sonoridade original. A famosa batida, hoje considerada m�tica e sagrada, foi a primeira coisa a chamar a aten��o e, para os leigos, � ainda o que define a tal bossa nova, pois foi o elemento novo mais imitado. Mas a batida � apenas o esqueleto, digamos assim, da bossa nova. Jo�o Gilberto trouxe para a m�sica brasileira uma solu��o de sonoridade que n�o foi superada. Esse som que ele persegue incansavelmente, e onde aquele ritmo tem uma fun��o, resulta em uma composi��o sonora com profundidade, din�mica, naturalidade, s�ntese; enfim, um som com todos os elementos rimados. Uma s�ntese sonora.

Reduzir a bossa nova � batida � simplific�-la e engess�-la. � deixar de fora a sonoridade nova e original, a polirritmia voz/viol�o, os deslocamentos de acordes na sua novidade harm�nica, a sincroniza��o excepcional, o moto-cont�nuo, o pedal, o fraseado entre os acordes, a mixagem voz/viol�o, o som atuando sobre o tempo, o legato, a declina��o do swing e mais e mais e mais in�meros elementos que fazem com que ouvir o som de Jo�o Gilberto seja uma experi�ncia est�tica �nica.

� interessante observar como a arte de Jo�o Gilberto mant�m ponto de contato com a arte contempor�nea, onde a figura (nas artes visuais) - como o tema (na obra de Jo�o Gilberto) - deixa de ser o foco da arte para dar lugar � rede de rela��es est�ticas produzidas pelo artista.

O trabalho de Jo�o Gilberto com o tempo, por exemplo, � o de um artista revelador do ilimitado, para quem a m�sica n�o � espa�o para fatos epis�dicos, mas campo para realiza��o concreta de situa��es temporais oferecidas � percep��o pura e direta.

Como autor de um som, Jo�o Gilberto � muito mais que um compositor de temas musicais, embora seja tamb�m re-compositor de tudo que recria. O jazz sabe o valor do artista que tem um som pr�prio, mas o Brasil parece ter sentimento de inferioridade, pelo seu elevado �ndice de analfabetismo, e tende a superestimar o compositor, sobretudo quando este sabe escrever m�sica.

Como, de resto, em toda grande arte, na obra de Jo�o Gilberto o tema � apenas pretexto para a composi��o sonora, onde se d� de fato a cria��o. Alguns, entretanto, n�o alcan�am essa compreens�o e cobram do artista, incessantemente, can��es novas, repert�rio novo. Como se o novo estivesse na can��o, no tema, e ele fosse um mero int�rprete de can��es. Para um artista do seu porte e um performer da sua excepcionalidade, a cria��o est� no que ele faz com a can��o. Al�m do que, a recria��o cont�nua e permanente dos mesmos temas lhe permite tornar a tem�tica mais densa. Exigir repert�rio novo � insistir no conte�do em detrimento da forma, express�o mais elevada.

A can��o pode ser um constrangimento para um grande m�sico, devido � sua descritividade narrativa. Jo�o Gilberto, no entanto, submete a palavra a mais um elemento sonoro naquela sonoridade total e ainda lhe extrai ritmo. Na m�sica tratada por ele, o que se oferece � som, a can��o enfim livre das conting�ncias e dirigida � percep��o.

Esta � apenas uma das muitas abordagens sugeridas pela arte de Jo�o Gilberto. H� todo um universo est�tico ainda a descobrir na sua obra, que est� � espera de um estudo profundo e s�rio, como ela merece. Um esfor�o isolado � incapaz de dar conta do assunto.

Bem, mas essa hist�ria continua. E continua no pr�ximo m�s, no Festival International of Jazz em Montreal, Canad�, e no Montreux Jazz Festival, na Su��a, quando The Brazilian Legend estar� se apresentando.

 

Depoimentos

 

 

Aderbal Duarte, violonista, professor de m�sica da Universidade Federal da Bahia e pesquisador da obra de Jo�o Gilberto h� 20 anos:

''� dif�cil explicar o que � a arte de Jo�o. Sua obra apresenta aspectos diversos que enriquecem a m�sica popular brasileira. N�o � apenas sua interpreta��o vocal que impressiona, mas tamb�m a nova est�tica que ele emprestou ao instrumento, a riqueza harm�nica, o novo discurso musical. Jo�o tem uma percep��o agu�ada em rela��o �s notas, sabe as que devem ser ressaltadas, d� vida ao acorde valorizando seus pontos principais. Ensinou que, em se tratando de harmonia, nenhum acorde pode ser pensado isoladamente. Jo�o Gilberto tamb�m sabe sempre se renovar. Em cada m�sica que toca apresenta novos sons, novas solu��es, sempre fenomenais. Ele constr�i o som.''

Paulo Bellinati, violonista:

''Existem alguns poucos personagens na hist�ria de nossa civiliza��o que a transformam radicalmente, e, ainda que tal feito seja mais expressivo apenas com rela��o a alguns aspectos, a sua for�a � de tal ordem de grandeza que nada segue sendo a mesma coisa depois disto. S�o indiv�duos geniais que atrav�s da sua arte apontam caminhos revolucion�rios, presenteando a humanidade com sua obra magistral.

Jo�o Gilberto � um desses g�nios na hist�ria da m�sica universal. Sua voz e seu viol�o perfeitos influenciaram desde seus contempor�neos at� as gera��es atuais, e com certeza influenciar�o todas as vindouras. Sua obsess�o pela precis�o r�tmica, afina��o e sonoridade transforma sua obra em refer�ncia para os m�sicos do mundo inteiro. Assim como n�o se pode imaginar existir a pintura moderna sem Picasso, o mesmo vale dizer para a m�sica brasileira sem Jo�o Gilberto.

Venho lecionando h� mais de 30 anos e o estudo da obra de Jo�o Gilberto � sempre inclu�do em meu programa de ensino. Todos os meus alunos de m�sica brasileira aprendem com o legado de Jo�o. Cada can��o cont�m sutilezas infinitas e o aprendizado � sempre rico e fascinante. Em sua performance intimista e delicada, est�o escondidos os segredos da batida do viol�o, da voz e da interpreta��o brasileira.''

 

Jos� Paulo Becker, violonista:

''Devemos destacar a import�ncia de Jo�o Gilberto na divulga��o da m�sica brasileira pelo mundo. A independ�ncia do seu canto com a levada (batida) da m�o direita e as suas rearmoniza��es misturam a mal�cia do samba com o lado cool do soft jazz americano. Suas grava��es s�o refer�ncia obrigat�ria para quem quiser estudar viol�o de acompanhamento''.

 

Samuel Ara�jo,professor de Etnomusicologia da Escola de Musica da UFRJ:

''Um dos aspectos mais originais da obra de Jo�o Gilberto �, sem d�vida, o r�tmico. Fala-se muito na rela��o temporal entre a voz e o viol�o, mas creio que mais importante ainda � a transforma��o em estilo pessoal do cruzamento de ritmos variados, t�pico da m�sica brasileira de origem africana. Nesta polirritmia original de Jo�o Gilberto reside uma das marcas inconfund�veis da bossa nova''.

 

Hermeto Pascoal, m�sico:

''Jo�o Gilberto � intoc�vel. Criou uma id�ia profunda sobre m�sica aproveitando todas suas possibilidades. Toca um viol�o simples e ao mesmo tempo sofisticado. Jo�o tamb�m � um cantor muito afinado e instrumentista de estilo �nico. Muitas pessoas querem tocar parecido com ele e tentam, mas o som fica sempre apenas parecido. Quando desenho mentalmente Jo�o, o vejo tocando dentro de uma grande caixa de f�sforos, isso para lembrar que na sua m�sica est� o samba, o folclore, o jazz, o erudito. Jo�o � a s�ntese do viol�o brasileiro. � um pouco nervozinho, � verdade, mas a gente tem mais � que ag�entar, pois isso � coisa mesmo de g�nio''.

Um mestre desde que o samba era samba

Com ''Chega de Saudade'', Jo�o Gilberto mudou a m�sica brasileira e deu novas linhas para as gera��es seguintes

 

T�rik de Souza Aos 17 anos, quando Caetano Veloso ouviu a m�sica Chega de saudade num daqueles bolach�es de 78 rota��es na voz de Jo�o Gilberto operou-se, segundo ele, uma mudan�a em sua ''perspectiva est�tica e existencial''. Edu Lobo guardou o momento exato da mesma audi��o, que lhe deu ''um grande susto'' e estimulou-o a tornar-se m�sico. Chico Buarque pediu dinheiro ao pai, o historiador S�rgio Buarque de Hollanda, rodou a cidade atr�s do disco (morava em S�o Paulo na �poca) e ficou uma tarde inteira com um amigo tentando decifrar os acordes e a batida de viol�o do cantor. Lan�ada em agosto de 1958, a faixa entraria no ano seguinte no LP de estr�ia de Jo�o Gilberto, cuja contracapa assinada pelo respons�vel pelas orquestra��es, um certo Antonio Carlos Jobim, diagnosticava antecipadamente o fen�meno.

Depois de descrev�-lo como ''um baiano bossa nova de 27 anos'', ACJ soltava a bomba: ''em pouqu�ssimo tempo influenciou toda uma gera��o de arranjadores, guitarristas, m�sicos e cantores''. Ou seja, JG j� estreava mestre e l�der de um movimento que viraria de pernas para o ar as quest�es harm�nica, r�tmica, mel�dica e po�tica da chamada linha evolutiva da MPB. ''Quando Jo�o Gilberto se acompanha, o viol�o � ele, quando a orquestra o acompanha, a orquestra tamb�m � ele'', decupou Jobim.

Um dos segredos desse sortil�gio � dissecado no meticuloso ensaio de Walter Garcia, Bim bom, a contradi��o sem conflitos de Jo�o Gilberto (Editora Paz e Terra, 1999). O autor acredita que ''o canto falado de Jo�o Gilberto ao se equilibrar no fio entre a origem e o desaparecimento do pr�prio ato de cantar concilia o ritmo da fala e o ritmo da m�sica''. Em entrevista ao autor deste texto, o pr�prio Jo�o, em 1971, depois de criticar os cantores afogados em vibratos que prejudicavam o balan�o natural da m�sica, comparou a ''um golpe de karat�'' seu encaixe preciso de viol�o e voz.

Para Garcia, a c�lebre batida do viol�o jo�ogilbertiano organiza-se ''articulando ritmicamente a regularidade do baixo e a n�o regularidade dos acordes''. Ela seria transposta para a bateria atrav�s do c�lebre acento no tempo fraco consolidado em diferentes formatos por ases como Milton Banana, Dom Um Rom�o, Edison Machado, Jo�o Palma e Juca Stockler e achatado mundo afora por baquetas menos talentosas.

Mas a revolu��o do cantor/autor/violonista atrav�s de seu desempenho minimalista acoplado a uma postura art�stica asc�tica ainda tem outros mandamentos. Uma importante t�bua de suas leis reside na escolha escrupulosa do repert�rio e no obsessivo trabalho de recria��o de cada tema, muitas vezes sintetizado no ato de despir-lhe os adornos.

Lan�ados entre 1959 e 1961, os tr�s primeiros LPs do cantor (pela ordem, Chega de saudade, O amor, o sorriso e a flor e Jo�o Gilberto) constituem a pedra filosofal de sua obra, desenvolvida posteriormente em associa��es com o saxofonista de jazz Stan Getz e as cantoras Astrud e Mi�cha mais arranjadores como Claus Ogerman e Clare Fischer. Nos discos fundadores, Jo�o mescla o material produzido pelos autores engajados no movimento (Tom Jobim, Newton Mendon�a, Vinicius de Moraes, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo B�scoli) a composi��es de antecessores das �reas do samba (Dorival Caymmi, Bide e Mar�al, Ary Barroso, Geraldo Pereira) e outras bossas como o cearense Lauro Maia da marchinha Trem de ferro, de 1943.

H� at� uma vers�o (tamb�m em cad�ncia de marchinha) de uma m�sica americana, Trevo de quatro folhas (por Nilo S�rgio) e definidoras composi��es do pr�prio cantor, como Bim bom (''� s� isso o meu bai�o/ e n�o tem mais nada n�o/ o meu cora��o pediu assim''), o bolero H�-ba-l�-l� (''quem ouvir o h�-ba-l�-l�/ ter� feliz o cora��o'') e o tema instrumental Um abra�o no Bonf�, reprocessamento do choro O barbinha branca, parceria de Luis Bonf� e Jobim.

Tais escolhas que tamb�m confrontam o samba do Est�cio (A primeira vez), o sincopado de gafieira (Bolinha de papel), o sutil sotaque baiano de Caymmi (Samba da minha terra, Rosa morena, Doralice), a pirotecnia de Ary Barroso (� luxo s�, Morena boca de ouro) e os temas coloquiais de Lyra (Saudade fez um samba, Lobo bobo, Maria ningu�m), Jobim & Mendon�a (Desafinado, Samba de uma nota s�,, Medita��o, Discuss�o), Menescal & B�scoli (O barquinho) defendem uma tese f�cil de depreender. A de que mais que um estilo ou g�nero (ainda que esse tamb�m exista), a bossa nova erigiu uma forma de cantar/tocar/atuar a partir do molde forjado por Jo�o Gilberto.

Atento ao (contra)peso do �cone, ele at� omite a passagem ''isso � bossa nova/ isso � muito natural'' ao recantar Desafinado. Fiel � �rdua simplicidade garimpada na exaustiva depura��o, sabe que o r�tulo mais aprisiona que define. E para quem fez a cabe�a de v�rias gera��es da MPB, do jazz e at� a de roqueiros como Eric Clapton (ou�am seu disco mais recente, Reptile) n�o h� limites entre ''o tempo e o som'', como balizaria seu disc�pulo Caetano na anti-ode Saudosismo. Sua obra em progresso permanece renovadora e dissonante no universo monocultural que assola o pa�s.

 

Vit�rias no Grammy retratam longevidade

De 'Getz/Gilberto' a 'Jo�o: voz e viol�o', um caminho reconhecido

 

Nova Iorque, mar�o de 1963. Por dois dias Jo�o Gilberto e o saxofonista americano Stan Getz se re�nem nos est�dios da gravadora Verve para gravar o antol�gico disco Getz/Gilberto. A esta altura, o cantor e violonista brasileiro j� trazia na bagagem tr�s LPs - (Chega de saudade (1959), O amor, o sorriso e a flor (1960) e Jo�o Gilberto (1961)) - dois deles j� lan�ados nos Estados Unidos. Mas foi o mitol�gico registro, que contou com as participa��es de Tom Jobim ao piano, Milton Banana na bateria e Ti�o Neto no contrabaixo, o respons�vel pelo estouro mundial da m�sica popular brasileira.

Al�m das cr�ticas efusivas que reverenciavam o talento de Jo�o Gilberto, o �lbum rendeu nada menos que nove indica��es ao Grammy, o Oscar da m�sica. Arrematou quatro pr�mios, entre eles melhor �lbum e grava��o do ano. Getz/Gilberto traz oito faixas: S� dan�o samba, O grande amor, Pra machucar meu cora��o, Doralice, Desafinado, Vivo sonhando, Garota de Ipanema e Corcovado, estas duas �ltimas contando com a participa��o da ent�o estreante Astrud Gilberto.

Para o j�ri, revelava-se ali o melhor cantor e o melhor violonista do momento. Vale sublinhar que Jo�o cantava em portugu�s e concorreu na categoria melhor cantor de jazz com ningu�m menos que Louis Armstrong, o monstro sagrado do jazz americano. Jo�o n�o levou o pr�mio de cantor, mas abriu de maneira definitiva os olhos estrangeiros para a m�sica made in Brazil.

Fevereiro de 2001. Quase quatro d�cadas depois da primeira premia��o, Jo�o Gilberto novamente ganha o Grammy, agora pelo disco Jo�o: voz e viol�o, produzido por Caetano Veloso, na categoria world music, que j� havia premiado nos anos anteriores outros tr�s brasileiros: Milton Nascimento, Gilberto Gil e Caetano Veloso, respectivamente.

Entre o primeiro pr�mio e o �ltimo, Jo�o Gilberto foi indicado ao Grammy outras vezes: em 1977, ao pr�mio de melhor vocalista de jazz pela atua��o no disco Amoroso, e de melhor arranjo por Besame mucho, do mesmo disco. Na d�cada de 80 voltou a concorrer ao pr�mio com o CD Live in Montreux, novamente na categoria melhor cantor de jazz. Ao todo foram 13 indica��es e cinco pr�mios conquistados pelos discos do brasileiro.

A insistente presen�a de Jo�o Gilberto no Grammy revela o f�lego de um performer que se mant�m em sutil e permanente renova��o, que sabe ser diferente sem nunca deixar de ser Jo�o Gilberto. Revela ainda o desempenho quase atl�tico de um artista met�dica e obsessivamente rigoroso com sua arte e constantemente comprometido com a perfei��o.

 

CRONOLOGIA

 

1931 -Nasce Joao Gilberto Pereira de Oliveira, em Juazeiro, Estado da Bahia, a 10 de junho; filho de Joviniano Domingos de Oliveira e Martinha do Prado Pereira de Oliveira. Vive em Juazeiro at� os 10 anos de idade.

- Gostava de ficar horas e horas � beira do rio, ouvindo o coaxar dos sapos e vendo a luz, a claridade, os reflexos do sol na �gua. Tentava compreender aquilo tudo. Consegui sentir - compreender nao compreendi. Mas aquilo ficou em mim e ainda hoje carrego comigo um bocado de todo aquele alumbramento. (Revista do R�dio n. 517, 16/8/1959)

1942 - Passa a estudar na cidade de Aracaju, Estado de Sergipe. Ao longo de quatro anos freq�enta dois col�gios em regime de internato, sempre tocando na banda: tambor, marca�ao e caixa.

1946 - Retorna a Juazeiro, ganha do pai um violao e forma o conjunto vocal Enamorados do Ritmo.

1947 - Transfere-se para Salvador, onde prossegue o curso ginasial, interno. Termina por abandonar os estudos pela m�sica.

1949 - Em Salvador, entra para o cast da R�dio Sociedade da Bahia.

1950 - Chega ao Rio de Janeiro, com 19 anos, para integrar o conjunto vocal Garotos da Lua, que atua na R�dio Tupi no programa Viva o Samba.

1951 - Grava dois discos (78 rpm) com o conjunto para a gravadora Todam�rica.

1952 - Inicia carreira solo e grava um disco (78 rpm) para a gravadora Copacabana.

1953 - Integra o conjunto Quitandinha Serenaders no show da boate Casablanca Acontece que eu sou Baiano.

- Tem sua primeira composi�ao gravada, Voc� esteve com meu bem?

- Participa como solista do show Esta Vida � um Carnaval, ainda na boate Casablanca.

1954 - Integra o conjunto Anjos do Inferno em temporada paulista.

1955 - Reside por oito meses em Porto Alegre e segue no final do ano para Diamantina (Minas Gerais).

1957 - Retorna ao Rio depois de longa temporada com a fam�lia em Diamantina,

Juazeiro, Salvador, e novamente Diamantina. Durante o per�odo se dedica ao

estudo e ao aprimoramento t�cnico

- As saudades da minha fam�lia eram grandes. Procurei minha irma, que se casara e residia numa cidade mineira. E da� fui rever os meus pais, de quem eu estava afastado havia seis anos. (...) Meus planos eram recuperar-me dos insucessos. Quando vim novamente para o Rio, estava apto para lutar em situa�ao de igualdade com muita gente. O sofrimento havia-me dado a necess�ria experi�ncia. (Revista do R�dio n. 540, 23/1/1960)

1958 - Participa, em abril, da grava�ao de duas faixas em LP de Elizeth Cardoso.

- Em julho, grava em 78 rpm o samba-choro Chega de Saudade, de Ant�nio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, que logo se populariza; e o samba de sua autoria Bim Bom, a ess�ncia do novo estilo. Marco definitivo na hist�ria da m�sica brasileira.

1959 - Em fevereiro, � lan�ado o disco em 78 rpm contendo Desafinado (gravado em novembro do ano anterior) e H�-Ba-L�-L� (gravado em fevereiro).

- Em mar�o, � lan�ado seu primeiro �lbum, Chega De Saudade.

- Casa-se com Astrud Evangelina Weinert (Astrud Gilberto)

O assunto da moda no r�dio, discos e TV, � Joao Gilberto. Todos sao un�nimes em dizer que estamos diante de um acontecimento totalmente novo na m�sica popular. Cantor de personalidade marcante, � simples e modesto, como um artista consciente da sua arte, que se recusa a avaliar o seu valor. (Revista do R�dio n. 517, 16/8/1959)

- Grava tr�s can�oes da trilha do filme Orfeu do Carnaval (Black Orpheus)

- Faz temporada na boate Meia Noite, do Copacabana Palace.

Joao Gilberto ser� sempre, por mais que caminhe ou navegue, o violeiro manso que, tirante o amor, tem medo de tudo. Tempestade, guerra, faca de ponta, febre ter�a. De tudo ele receia. Menos do amor. E sua voz rumoreja uma por�ao de palavras que sabem os caminhos dos cora�oes sens�veis. No peito, a viola. Nao sei de quem toque de maneira tao esquisita, tao f�cil de sentir. Tinha que ser entendido, um dia... O violeiro Joao Gilberto est� no ''Meia Noite'' do Copacabana. Escrevo esta cr�nica para convidar o imenso p�blico dos seus discos. (Ant�nio Maria - Joao Gilberto Violeiro. Ultima Hora, 10/11/1959)

- Apresenta-se no Country Club.

- A maneira diferente de cantar o samba desperta a curiosidade da imprensa, que

tenta explicar seu estilo.

Esfor�a-se para que nao apare�a ele, a sua individualidade para o ouvinte, mas apenas a poesia e a m�sica, aquele sentimento que o compositor deseja transmitir. (...) Procura como diz ele, casar as palavras com o acorde. A voz faz tamb�m a vez do instrumento, caminhando junto com ele. (...) Todos j� sentem, por esta altura, a necessidade de um novo disco de Joao Gilberto. Ele mesmo acha que j� deveria ter aparecido uma nova grava�ao com o seu nome. Mas acha tamb�m que para gravar se precisa de um motivo. E � procura deste motivo, que artisticamente possa justificar um novo aparecimento seu no mundo das grava�oes, passa noites insone, preocupa-se ao extremo. Acha, no entanto, que essa espera ansiosa � menos dolorosa para ele do que seria o desgosto de lan�ar algo sem significado. (Radiol�ndia, 22/11/1959 - Joao Gilberto, nova personalidade da m�sica popular, explica que nao � f�cil vencer: ''Cantar com simplicidade exige horas de estudo!''[por Alderico Tor�bio])

As melhores pessoas e coisas de 1959 - M�sica Popular. Em disco, Joao Gilberto, a melhor de todas as revela�oes. Est� sendo seguido e, lamentavelmente, imitado, em sua escola de dizer melhor as letras das can�oes. Devia ser apenas seguido. (Ant�nio Maria, Ultima Hora, 26/12/1959)

1960 - A expressao ''bossa nova'' torna-se a expressao de maior uso comercial e publicit�rio do ano.

- � lan�ado o segundo �lbum: O Amor, O Sorriso e a Flor.

- Participa de programa na TV-Rio com seu �dolo, Orlando Silva.

- A cantora americana Lena Horne, em apresenta�ao no Copacabana Palace, inclui Bim Bom no repert�rio. Declara-se fa do artista, cujo primeiro LP ganhou de um amigo, em Nova Iorque.

- Apresenta-se no Teatro de Arena da Faculdade de Arquitetura, no show O Amor, o Sorriso e a Flor.

- A partir de julho � programado diariamente pelo disc-j�quei Felix Grant na r�dio WMAL de Washington, causando impacto nos m�sicos e aficcionados de jazz. A conexao � feita por Paulo Santos, que leva os discos do cantor para seu colega americano.

- Faz temporada na boate Arp�ge.

- Quem canta deveria ser como quem reza: o essencial � a sensibilidade. M�sica � som. E som � voz, instrumento. O cantor ter�, por isso, necessidade de saber quando e como deve alongar ou encurtar um agudo, um grave, de modo a transmitir, com perfei�ao, a mensagem emocional. (Declara�ao � revista O Cruzeiro, 10/9/1960. Reportagem de Ubiratan de Lemos e Jorge Audi - O que eles pensam dele.)

- Apresenta-se em Salvador com Vinicius de Moraes, na Associa�ao Atl�tica Banco do Brasil.

- Nasce seu filho Joao Marcelo.

A essa �poca, v�rios artistas americanos que andaram pelo Brasil ouviram bossa nova e ficaram loucos pela nova tend�ncia musical. Na volta eles gravaram v�rios compactos. Isso, mais o disco de Joao Gilberto agora lan�ado pela Capitol, abriram os ouvidos de muitos m�sicos americanos para o novo jazz brasileiro. [At that time [the end of 1960]several American artists who had been touring Brazil heard Bossa Nova, and went crazy over this new musical trend. Upon their return they recorded several singles. This plus the Joao Gilberto recording now on Capitol opened the ears of many American musicians to the new Brazilian Jazz.](programa do Concerto de Bossa Nova no Carnegie Hall, 1962, apresentado por Leonard Feather)

1961 - Apresenta-se no Cassino San Raphael de Punta del Este, no Uruguai.

- � considerado um fen�meno entre os jazzistas. O impacto crescente do seu som abre a perspectiva de exporta�ao da moderna m�sica brasileira.

- Posso afirmar que pelo menos dois ter�os dos melhores int�rpretes de ''jazz'' estao ''fazendo'' a Europa de ponta a ponta e que o nosso Joao Gilberto � considerado ''fen�meno'' vocal pelos europeus, que tiveram oportunidade de ouvir as suas interpreta�oes em discos. (...) Manifestaram-se, todos, com entusiasmo, dizendo mesmo ser o referido cantor ''o de melhor que j� ouvimos'' em mat�ria de ritmo, interpreta�ao e musicalidade. (Depoimento de Andr� Midani a Radiol�ndia n. 347, mar�o 1961)

A melhor coisa no Brasil nao � o caf�, fraco ou forte; as belas mulheres, louras ou morenas; mas sim o ritmo e Mr. Gilberto. (Sammy Davis Jr. In: Ultima Hora, 4/5/1961, coluna Zona Sul, por Mois�s Fuks - Sammy, o ''Bossa Nova'')

- Grava o terceiro �lbum: Joao Gilberto.

- � lan�ado nos Estados Unidos o �lbum Brazils Brilliant Joao Gilberto (o segundo brasileiro, O Amor, o Sorriso e a Flor)

Eis o �lbum que come�ou tudo! O disco que apresentou a bossa nova ao p�blico americano... [''Heres the album that started it all! The recording that introduced BOSSA NOVA to U.S. audiences''...](Contracapa da reedi�ao do �lbum, em 1964. Capitol, ST-2160)

Herbie Mann declara, em visita ao Rio: - Desde que foi lan�ado nos Estados Unidos um disco de Joao Gilberto, n�s, m�sicos, sentimos que o samba brasileiro apresentava novos atrativos. (Manchete n. 548, 20/10/1962)

1962 - O sucesso comercial de um disco do violonista Charlie Byrd com o saxofonista Stan Getz detona a corrida dos jazzistas �s gravadoras e a onda do ''jazz samba'' na Am�rica.

- Ao longo do ano a bossa nova ganha popularidade internacional.

- Faz temporada na boate Au Bon Gourmet no show O Encontro, ao lado de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Os Cariocas e Milton Banana.

- Em Buenos Aires, cumpre temporada na boate 676.

- A revista Life en Espa�ol d� ampla mat�ria: Nota de Actualidad BOSSA NOVA - Del Brasil llega a los EE.UU. una m�sica cantagiosa:

?Qu� prodigio es �ste? La bossa nova, la nueva m�sica popular que el Brasil, sin pretenderlo, casi sin saberlo, est� exportando a los EE.UU. y al mundo. Los norteamericanos ya lo han imitado, traducido, adaptado y, en algunos casos, falsificado; mas la bossa nova prosigue su pac�fica y despreocupada penetraci�n. (...) Lo curioso de este di�logo es que se desarolla en su mayor parte a distancia, casi podr�amos decir ''por correspondencia'': mediante el disco fonogr�fico. (...) Astros del jazz norteamericano, como Dizzy Gillespie, Charlie Byrd, Herbie Mann, van al Brasil, y vuelven entusiasmados para hacer correr la voz de que alli se toca una nueva e interesant�sima m�sica. Y tocan bossa nova a sus amigos, a sus empresarios, a otros m�sicos... pero al principio no convencen. Agotado todo otro recurso, ponem en el tocadiscos su �ltima carta: la bossa nova de Joao Gilberto, el guitarrista y cantante brasile�o que es, sin lugar a dudas, el m�ximo exponente del nuevo estilo. !C�mo han cambiato las cosas! Ahora son los ases del jazz los que coleccionan discos de bossa nova. (...) ?C�mo impartir estas cualidades de la bossa nova, tan personales, tan brasile�as, al jazz norteamericano? ?C�mo hacer bossa nova, en ingl�s, sin un Joao Gilberto? (Por Joaquin Segura, Life en Espa�ol, 29/10/1962)

- Participa de concerto no Carnegie Hall, em Nova Iorque, produzido pela Audio Fidelity Records e Show Magazine com apoio do Itamaraty para promover a bossa nova nos Estados Unidos.

- Participa de apresenta�oes no Village Gate (NY) e no Lisner Auditorium (Washington).

- Passa a residir no exterior e inicia um trabalho de difusao mundial da moderna m�sica brasileira. Voltar� a residir no Brasil dezessete anos depois.

1963 - � homenageado por jazzistas que lhe dedicam m�sicas e pelo cantor Jon Hendricks com um �lbum dedicado ao seu repert�rio; Salud! Joao Gilberto - Originator of the Bossa Nova.

Ouvir Joao Gilberto tem sido uma das maiores li�oes de canto que eu jamais tive. A maior foi ouvir Louis Armstrong durante a grava�ao do The Real Ambassadors, mas Gilberto me deu a maior li�ao de canto desde entao. [Listening to Gilberto has been one of the greatest singing lessons Ive ever had. The greatest one was listening to Louis Armstrong, during the recording of The Real Ambassadors, but Gilberto has given me the greatest singing lesson since then.](Jon Hendricks, na contracapa do �lbum, Riverside R-6089)

- � lan�ado seu segundo �lbum no mercado americano: The Boss Of The Bossa Nova (o terceiro brasileiro, Joao Gilberto).

- Grava em Nova Iorque o quarto �lbum, Getz/Gilberto, que fica um ano no dep�sito porque a ind�stria americana do disco j� saturara o mercado com as imita�oes.

- A revista brasileira Senhor discute o assunto do momento.

Joao Gilberto, com sua polirritmia, cria para a m�sica popular um ponto de refer�ncia com a erudita, sobretudo com aquela do in�cio do nosso s�culo que procura rasgar o compasso quadrado criando uma independ�ncia r�tmica entre as linhas mel�dicas sobrepostas, e conseguindo uma unidade formal atrav�s da equival�ncia. (Diogo Pacheco - Bossa nova e/� m�sica s�ria. Revista Senhor, n. 50-51, abr-mai 1963)

- Estr�ia no Brasil o filme Seara Vermelha, cuja trilha sonora � sua composi�ao, com letra de Jorge Amado, Lamento da morte de Dalva na Beira do Rio Sao Francisco, em Juazeiro (mais tarde gravada como Undi�).

- � lan�ado o terceiro �lbum nos Estados Unidos The Warm World of Joao Gilberto (o primeiro brasileiro, Chega de Saudade).

- Atinge as paradas de sucesso da It�lia e recebe, com o �lbum Desafinado, o mais importante pr�mio da cr�tica musical do pa�s, por unanimidade.

- Em Roma, apresenta-se no Foro Italiano e grava uma s�rie para TV.

- Faz temporada no boate Bussola, em Viareggio (It�lia), quando conhece a can�ao Estate, que transformar� mais tarde em um standard do jazz.

- De volta da Europa, instala-se em Nova Iorque. Sofre de espasmos musculares na mao direita, o que exige longo tratamento fisioter�pico.

1964 - Apresenta-se no Canad� com Stan Getz.

- O �lbum Getz/Gilberto � finalmente lan�ado, permanecendo em 2� lugar na parada de m�sica pop da revista Bilboard durante 96 semanas - a primeira posi�ao � virtualmente monopolizada, ao longo do ano, pelo conjunto ingl�s The Beatles.

O melhor disco de bossa nova gravado at� hoje, Getz/Gilberto acabou de fazer a sua estr�ia tardia. (...) / O piano melodioso de Jobim e o sussurante sax de Getz sao deliciosos. Mas a verdadeira beleza do �lbum reside no violao sincopado, sutilmente dissonante de Gilberto e em sua voz macia e sensual; � uma combina�ao que poderia dar in�cio a uma leg�tima onda da verdadeira bossa nova. [The best bossa nova record ever made, Getz/Gilberto, has just made its belated debut. (...) / Jobims liting piano and Getzs whispering sax are delights. But the real beauty of the album lies in Gilbertos syncopated, subtly dissonant guitar and his soft, sensual voice. Its a combination that could just start a legitimate craze for the real thing.](Chris Welles - Life Music Review: Some Real Bossa Nova, Better Late than Never. GETZ/GILBERTO, a bossa nova album by Verve. Life Magazine, May 29, 1964)

- Aclamado como a bossa nova verdadeira, o �lbum atinge vasta audi�ncia internacional, � best seller durante anos at� tornar-se um cl�ssico da discografia mundial.

- A bossa nova se firma como idioma musical brasileiro e conquista prest�gio mundial definitivo.

Miles Davis responde ao Blindfold Test de Leonard Feather, sobre o �lbum Getz/Gilberto: ... Quanto a Gilberto, ele pode ler um jornal que soa bem! Eu dou ao �lbum cinco estrelas. [As for Gilberto, he could read a newspaper and sound good! Ill give that one five stars.](Down Beat, 18/6/1964)

- Faz temporada na Calif�rnia: boate El Matador (San Francisco) e Teatro Santa Monica. O cr�tico Ralph J. Gleason comenta no The San Francisco Chronicle:

A capital mundial da bossa nova neste momento � El Matador on Broadway, onde o extraordin�rio violonista e cantor brasileiro Joao Gilberto estreou esta semana. A razao de ser a capital � que o centro de gravidade do estilo musical da bossa nova � onde Joao Gilberto esteja. (...) A bossa nova foi v�tima da monumental voracidade e da inacredit�vel crueldade do colossal music business americano. Sua sobreviv�ncia � um tributo � arte e � for�a do talento de pessoas como Joao Gilberto. [The bossa nova capital of the world, right now, is El Matador on Broadway where the extraordinary Brazilian guitarist and singer, Joao Gilberto opened this week. / The reason it is the capital is that the center of gravity of the the musical style of bossa nova is wherever Joao Gilberto happens to be. (...) Bossa nova was the victim of the monumental greed and incredible crudity of the American music business colossus. That is has survived is a tribute to the artistry and basic strength of the talents of people like Joao Gilberto.](Ralph J. Gleason - Joaos Bossa Nova Irresistible Charm. The San Francisco Chronicle,10/9/1964)

- Apresenta-se com Stan Getz no Carnegie Hall (NY) em concerto gravado ao vivo.

- Faz os primeiros concertos solo em Nova Iorque, no Town Hall e no Village Vanguard.

1965- Ganha o pr�mio Grammy (Best Album) por Getz/Gilberto. Concorre na categoria Best Male Vocal Perfomance, com Louis Armstrong, Tony Bennett, Andy Williams e Dean Martin. Com nove indica�oes, o �lbum ganha quatro, inclusive as duas primeiras categorias: Record of the Year e Album of the Year.

- Casa-se com Helo�sa Maria Buarque de Holanda (Mi�cha).

- Visita o Brasil. Apresenta-se no programa O Fino da Bossa da TV Record de Sao Paulo e aproveita para tratar-se, no Rio de Janeiro, com o Dr. Pedro Bloch, de um problema com a voz. Visita tamb�m a Bahia.

1966 - Ainda no Brasil, reclama em entrevista que os m�sicos brasileiros sao inconstantes e �vidos demais de inventar novas coisas.

- Os americanos nao t�m muita sede de m�sicas novas e estao sempre gravando e regravando os verdadeiros cl�ssicos. A m�sica nao fica velha quando o tratamento � novo. (Depoimento a Armando Aflalo, Jornal do Brasil, 24/4/1966)

- Nasce sua filha Isabel (Bebel), em Nova Iorque.

- � lan�ado nos Estados Unidos o �lbum Getz/Gilberto #2.

- A Encyclopedia of Jazz in the sixties, de Leonard Feather, dedica-lhe um verbete.

Apesar de Gilberto nao ser estritamente um artista de jazz, sua influ�ncia foi sentida profundamente nos c�rculos do jazz americano, particularmente quando ele veio para os Estados Unidos e gravou um �lbum com Stan Getz, que foi best seller por v�rios anos. [Though Gilberto is not strictly a jazz artist, his influence was very deeply felt in American jazz circles, particularly when he came to the U.S. and recorded an album with Stan Getz, which remained a best seller for several years.](Leonard Feather - The Encyclopedia of Jazz in the sixties. New York: Horizon Press, 1966, p. 124)

E foi com o seu canto cool, com o seu violao bem articulado, com suas harmonias precisas e sua ''batida'' clara e inconfund�vel, tudo feito da maneira mais despojada e sutil, que Joao Gilberto, depois de revolucionar a m�sica brasileira, p�s em xeque v�rios aspectos da m�sica popular norte-americana, chegando a critic�-la criativamente atrav�s de suas interpreta�oes - e quem o afirma � a pr�pria revista Down Beat, o mais credenciado e especializado peri�dico do jazz americano: ''h� 40 anos ningu�m influenciara a m�sica americana como hoje o faz Joao Gilberto''. (J�lio Medaglia - Balan�o da bossa nova. Suplemento Liter�rio de O Estado de S. Paulo, 17/12/1966)

1967- Participa na Alemanha, como �nico convidado nao-europeu, em programa de TV dedicado a Gilbert B�caud.

- Apresenta-se no Village Vanguard (NY) e no Hollywood Bowl (Los Angeles).

1968 - Apresenta-se em concerto no Central Park (NY) e no Birds Nest (Washington).

- A enciclop�dia italiana Il Jazz dedica-lhe um fasc�culo.

... Joao ''Joaozinho'' Gilberto, o maior art�fice da afirma�ao de uma linguagem musical julgada entre as mais originais e v�lidas destes tempos, uma das mais belas e sugestivas ''vozes'' aparecidas no �ltimo dec�nio... Joao ''Joaozinho'' Gilberto, il maggiore artefice dellafermazione di un linguaggio musicale ritenuto tra i pi� originali e validi di questi tempi, una delle pi� belle e suggestive ''voci'' apparse nellultimo decennio... (Bruno Schiozzi - Il Jazz /Joao Gilberto. Fratelli Fabbri Editori, Milano, Italia, 1968, p. 14)

- Faz temporada no Rainbow Grill (NY). Na ocasiao, declara ao cr�tico John S. Wilson, do New York Times:

- Quando eu canto, penso em um espa�o claro e aberto onde vou colocando som. � como se eu fosse escrevendo em um peda�o de papel em branco. Tem que estar muito quieto para que eu produza os sons em que estou pensando. Se houver outros sons em volta, as notas que eu quero nao t�m a mesma vibra�ao. [When I sing, I think of a clear, open space and Im going to play soound in it. It is as if Im writting on a blank piece of paper. It has to be very quiet for me to produce the sounds Im thinking of. If there are other sounds around, the notes I want wont have the same vibrations.

(John S. Wilson - Joao Gilberto, Singer, Thrives in Understatement. New York Times, 15/10/1968)

- De Nova Iorque, Glauber Rocha escreve uma Carta ao Editor da revista Status, onde comenta:

(...) Puxa, Francis, aqui com Joao Gilberto na casa do Gato [Barbieri]eu ou�o um bolero, um tango e Aquarela do Brasil com a sagrada experi�ncia de presenciar a cria�ao: Joao � um Deus, canta sem idioma, sua voz � um instrumento, os americanos deste Clube esnobe, que � o Rainbow nao sei o que, estao chupando o dedo diante do baiano cantando Luiz Gonzaga. Sabe o que Joao respondeu pros jornalistas quando lhe perguntaram porque nao trocava Nova York por Sao Francisco? ''Nova York � mais tan-tan-tan-tan'', cantarolou Joao e em seguida saiu pela rua 42 sapateando igualzinho Fred Astaire e numa liberdade de anjo, pessoa mais livre e desimpedida que j� vi na vida. (Glauber Rocha - From New York. Status, nov. 1968)

1969 - Participa de festival de jazz em Guadalajara, Guanahuapi, Cidade do M�xico e Pueblo.

- Instala-se na cidade do M�xico, onde reside por dois anos.

- Faz temporada na boate Forum e se apresenta no Museu da Cidade do M�xico, quando recebe o Trof�u Chimal.

1970 - � lan�ado o �lbum En Mexico.

1971 - Chega em abril ao Brasil e d� entrevista coletiva � imprensa.

- Grava programa na TV Tupi, tendo como convidados Caetano Veloso e Gal Costa. Passa o resto no ano no pa�s.

1972 - Volta a residir em Nova Iorque nos primeiros dias de janeiro. Faz temporada com Stan Getz no Rainbow Grill (NY).

1973 - � lan�ado o �lbum Joao Gilberto, o s�timo de carreira.

1975 - Grava The Best of Two Worlds com Stan Getz, participa�ao de Mi�cha, lan�ado no ano seguinte.

1976 - Faz temporada no Keystone Korner (San Francisco) com Stan Getz.

- Grava o �lbum Amoroso.

1977 - � lan�ado o �lbum Amoroso.

- � indicado para o Grammy na categoria Best Jazz Vocal Perfomance.

- Faz temporada no Bottom Line, Nova Iorque.

- ... Foi ali que Jacqueline, a vi�va Onassis, abandonou seu staff e veio a mim, cumprimentar-me e � m�sica brasileira, da qual se disse admiradora atenta e antiga. (Entrevista a Carlos Alberto Silva, O Globo, 31/10/1979)

- Apresenta-se no Great American Music Hall, San Francisco.

- Faz temporada na boate Roxy, Los Angeles.

1978 - Vem ao Brasil trazido pela TV Tupi. Chega diretamente da Holanda, onde gravou programa televisivo. Recebe a imprensa no aeroporto de Sao Paulo e depois d� entrevista coletiva no hotel.

- Apresenta-se em Salvador (Teatro Castro Alves) e Sao Paulo (Teatro Municipal) para a grava�ao do especial de TV.

- Apresenta-se no Carnegie Hall com Charlie Byrd e Stan Getz no Newport Festival in New York.

1979 - Chega ao Rio de Janeiro em setembro para uma temporada de apresenta�oes, depois cancelada por problemas t�cnicos com a casa de espet�culos. D� declara�oes � imprensa sobre o tempo fora do Brasil e seu trabalho no exterior:

- Tudo tem seu tempo certo, e nao h� nisso nada de m�stico. � uma coisa pr�tica. Eu estava l�, nos Estados Unidos, mas sempre estive aqui, no Brasil, em cora�ao e pensamento. No momento em que senti que estava tudo bem por l�, que a m�sica brasileira era um fato real, definitivo, entao achei que podia voltar. E aqui estou. Porque agora � a hora; antes, voltar era um luxo a que eu nao tinha direito. (...) Divulgar a m�sica brasileira foi o grande motivo. Entao, o aqui era l�. Por isso fiquei. (Entrevista a Carlos Alberto Silva - Joao Gilberto no Canecao. Chega de Saudade Brasil. O mito est� aqui, ao vivo. O Globo, 31/10/1979)

- Meu trabalho foi sempre com a m�sica brasileira. Com o samba, nossa m�sica infinita. Aquilo que as pessoas chamam de bossa nova e que eu chamo de samba, de m�sica brasileira - ampla, rica, infinita, sobre a qual o artista pode criar o seu fraseado pessoal. Fazer essa m�sica l� fora � f�cil: eles nos respeitam. V�m e vao gera�oes, e o amor e a admira�ao aumentam pela nossa m�sica. Muito mais do que aqui, no Brasil. Esta � a verdade: o respeito maior � deles e nao nosso. O Brasil ainda nao se apercebeu da import�ncia que lhe � dada l� fora, em termos de m�sica. � por isso que eu nao penso em bossa nova. Penso em samba. M�sica brasileira. E � por isso que fiquei por l�... (Idem)

- Nao devemos deixar a nossa m�sica. Ela � muito bonita, � reconhecida por todos. L�, ela teve v�rias fases, nem sempre foi bem, no in�cio nao causou uma impressao clara, mas, quando voltou, reconheceram mais. (Entrevista a Mara Caballero - Enfim, Joao Gilberto e provavelmente para ficar. Jornal do Brasil, 31/10/1979)

Sobre o sucesso da m�sica brasileira no exterior: - E nao sei como aqui nao sabem! Parece uma mod�stia do Brasil! �... voc�s nao sabem muito da m�sica l� como eu nao sei muito de mim aqui. � assim. Agora est� tudo definido. Eu nao podia vir antes. (Declara�ao a L�cia Leme - Joao Gilberto ''Nao vou embora sem cantar no Brasil'', Revista Amiga n. 500, 19/12/1979)

- Volta a residir no Brasil.

- Come�a a conceber o disco Brasil.

1980 - Grava especial para a TV Globo, transformado em disco: Joao Gilberto [Prado]Pereira de Oliveira.

- Grava uma participa�ao especial em disco de Mi�cha.

- Grava Brasil.

1981 - � lan�ado Brasil, seu d�cimo primeiro �lbum.

- Faz concertos no Teatro Municipal de Sao Paulo.

1982 - Grava uma participa�ao especial em disco de Rita Lee.

- Faz concertos no Teatro Castro Alves (Salvador).

- Grava especial para a TV Bandeirantes.

1983 - Apresenta-se no Festival de Aguas Claras (SP).

- Apresenta-se no Circo Massimo, em Roma, durante o programa Bahia de Todos os Sambas.

- Faz temporada no Palace, Sao Paulo.

1984 - Em Lisboa, faz temporada no Coliseu dos Recreios.

1985 - Faz apresenta�oes em Sao Paulo: Pal�cio das Conven�oes do Anhembi e Latitude 3001.

- Apresenta-se no 19th Montreux Jazz Festival, na Sui�a.

- Apresenta-se em Antibes (Fran�a), Madrid e Roma.

1986 - � lan�ado no Brasil o �lbum duplo Live at 19th Montreux Jazz Festival.

- Grava uma participa�ao para a trilha sonora da novela Hipertensao.

Pierre Barouh depoe: - Antes dele, o tempo existia mais ou menos. Ainda em potencialidade. S� adquiriu sua medida plena com Joao Gilberto e suas obsessoes que eu qualificaria de... vertiginosas. Quando voc� o ouve cantar, ele te transporta ao cume do Everest. Se voc� � m�sico, voc� sabe. (...) Ele influenciou a can�ao no seu todo. H� trinta anos as pessoas terminavam as m�sicas em uma nota alta. Ele ensinou-lhes a terminar, simplesmente. Avant lui, le tempo existait d�j� plus ou moins. Encore en potentialit�. Mais il na pris sa pleine mesure quavec Joao Gilberto et ses obsessions que je qualifierais, moi, de... vertigineuses. Quand tu lentends chanter, il te transporte au sommet de lEverest. Si tu es musicien, tu le sais. (...) Il a influenc� la chanson dans son ensemble. Il y a trente ans, les gens terminaient leurs chansons sur une note haute. Lui, il leur a appris � terminer simplement. (Entrevista a Jean-Paul Delphino, em 4/10/1986, publicada no livro Brasil bossa nova, �disud, Aix-en-Provence, France, 1988, pp. 87 e 88)

1987 - Lan�amento nos Estados Unidos em CD de Live in Montreux.

- Recebe do governo brasileiro a Ordem do M�rito Judici�rio do Trabalho, no grau de Comendador.

- Chega em Salvador diretamente de Nova Iorque, onde est� gravando, para apresenta�ao ao ar livre no Parque de Exposi�oes.

1988 - Apresenta-se na Concha Ac�stica do Teatro Castro Alves, Salvador.

- Apresenta-se no Town Hall, Nova Iorque.

- Cancela apresenta�oes no Teatro Municipal do Rio de Janeiro por motivos de sa�de e enfrenta a incompreensao da quase totalidade da imprensa.

Joao Gilberto levou a m�sica nova, que ele inventou, de um pa�s do Terceiro Mundo � admira�ao e rever�ncia das melhores plat�ias internacionais, fazendo mais pela ''imagem'' (sonora, ao menos) do pa�s do que v�rias gera�oes de diplomatas e burocratas pagos para isso. (...) Joao Gilberto � uma das raras reservas de integridade que ainda nos restam, sempre fiel ao seu estilo e sua arte, vivendo monasticamente,

ensinando generosamente a todas as gera�oes que vieram depois dele os caminhos da arte e da beleza... nao deve nada a ningu�m, nao recebe verbas oficiais, nao tem cr�dito subsidiado... � um g�nio que vive e sempre viveu � sua maneira, com um m�ximo de discri�ao e mod�stia, � sua custa, e prestou inestim�veis servi�os � arte brasileira; que dedicou sua vida a isso, por isso merece todo o nosso respeito e gratidao. (Nelson Motta, Folha de S. Paulo, 11/7/88)

- Faz temporada no Palace, Sao Paulo.

1989 - � indicado para o Grammy com o disco Live in Montreux, na categoria Best Male Jazz Vocal Perfomance.

- Apresenta-se no Festival de Montreux e faz turn� por cidades europ�ias: Bruxelas, Paris, Madri e v�rios festivais de jazz na Espanha e sul da Fran�a.

1990 - Grava um novo �lbum em est�dio, no Rio de Janeiro.

- Grava uma participa�ao especial em disco de Maria Beth�nia.

- � lan�ado nos Estados Unidos o CD The Legendary Joao Gilberto, colet�nea dos 38 fonogramas gravados na Odeon entre 1958 e 1961 (atualmente fora do mercado por determina�ao judicial).

1991 - � lan�ado o �lbum Joao.

- Grava um jingle de cerveja, transformando uma chanson au boire de taberna alema em samba cool.

- Apresenta-se no Palace, Sao Paulo.

Joao nunca amou o aspecto comercial da sua carreira. Ao sucesso sempre respondeu escondendo-se, (...) deixando o seu isolamento somente quando julgava ter alguma coisa a dizer. � por este seu dom raro, senao �nico, que Joao Gilberto � hoje um dos m�sicos mais admirados e respeitados que existem no mundo. Os seus colegas, independente dos g�neros, o consideram uma esp�cie de guru, sempre em grau de oferecer sugestoes iluminadas e surpreendentes... [... Joao non ha mai amato laspetto commerciale della sua carriera. Al successo ha sempre risposto nascondendosi, (...) lasciando il suo isolamento soltanto quando riteneva di avere qualcosa da dire. � per questa sua dote, rara se non unica, che Joao Gilberto � oggi uno dei musicisti pi� ammirati e rispettati che ci siano al mondo. Gli stessi suoi colleghi , al di l� dei generi, lo considerano una sorta di guru, sempre in grado di offrire suggerimenti illuminati e sorprendenti...](Marco Molendini - Joao, la voce del samba. Il Messaggero, Roma, 4/5/1991)

1992 - Apresenta-se no Parque Ibirapuera, Sao Paulo, tendo como convidados Caetano Veloso, Paulinho da Viola e Rita Lee.

- Apresenta-se no Teatro Guararapes, Recife.

- Grava especial para a TV Globo em apresenta�ao no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

- Participa como convidado de apresenta�ao de Tom Jobim, no Palace, Sao Paulo.

1993 - Apresenta-se no Teatro Castro Alves (Salvador), em noite que teve como convidadas Gal Costa e Maria Beth�nia.

- Apresenta-se no Jack Gleason Theatre, Miami.

1994 - Faz concerto no Palace, Sao Paulo, gravado em disco e especial para a TV Cultura, tendo como convidada sua filha Bebel Gilberto.

- Apresenta-se no teatro do Hotel Nacional, Rio de Janeiro, tamb�m com Bebel Gilberto como convidada.

- Faz duas apresenta�oes no Pal�cio das Artes, Belo Horizonte.

- � lan�ado o �lbum Ao vivo/ Eu sei que vou te amar, gravado na apresenta�ao do Palace.

1995 - Participa de homenagem a Tom Jobim no Avery Fisher Hall, em Nova Iorque.

- Faz temporada na casa de espet�culos Tom Brasil, em Sao Paulo, inaugurando-a.

O mais puro estilista da m�sica brasileira sai mais uma vez de seu retiro estudioso para mostrar ao p�blico a arte que criou, a �nica gerada neste pa�s que interferiu radicalmente na cultura mundial. A s�ncope da bossa nova nasceu das cordas do violao de Joao Gilberto e incorporou-se ao repert�rio r�tmico dos grandes jazzistas, dos compositores internacionais, dos maiores cantores, tem reflexos no pop at� onde o pop suinga... (Mauro Dias - Joao Gilberto � estilista da MPB. O Estado de S. Paulo, 16/08/95)

- Apresenta-se na Sala Villa-Lobos, Bras�lia e no Teatro Rio Vermelho, Goi�nia.

1996 - O enredo da escola de samba Portela, ''Essa gente bronzeada mostra o seu valor'', faz-lhe uma refer�ncia.

- Apresenta-se em Aracaju, no Espa�o EMES e na Concha Ac�stica do Teatro Castro Alves, Salvador.

- Faz temporada na casa Tom Brasil, Sao Paulo.

- Apresenta-se em Campinas, no Centro de Conviv�ncia Cultural.

- Faz tr�s apresenta�oes no Umbria Jazz Festival, em Perugia (It�lia).

Escutando-o se pode legitimamente duvidar dos limites habituais de espa�o-tempo. Certamente para Joao eles nao existem, ou sao diferentes daqueles do resto dos mortais, mesmo dos mortais m�sicos. Como Parm�nides, Joao Gilberto � imanente, existe, �, e a sua pr�pria presen�a � uma bofetada em qualquer senso de hist�ria, da evolu�ao estil�stica. (...) Joao Gilberto vive de absolutos, de regras extremas, como todos os criadores que sao respons�veis por um inteiro mundo expressivo... No seu mundo nao existe o passar do tempo nem a hist�ria. Existe a emo�ao da descoberta da m�sica como zona profunda da nossa compreensao. [Ascoltandolo si pu� legitimamente dubitare dei soliti confini spazio-tempo. Di sicuro per Joao non esistono, o comunque sono diversi da quelli dei comuni mortali, anche dei comuni mortali musicisti. Come il terribile Parmenide, Joao Gilberto � immanente, esiste, �, e la sua stessa presenza � uno schiaffo in faccia a qualsiasi senso della storia, della evoluzione stilistica. (...) Joao Gilberto vive di assoluti, de regole estremi, come tutti i creatori di un intero mondo espressivo... Nel suo mondo non c� il passare del tempo, e non c� la storia. C� lemozione della scoperta della musica come zona profonda della nostra comprensione.](Gino Castaldo - Silenzio, Joao Gilberto sussurra. La Repubblica, Roma, 16/7/96)

- Apresenta-se no Cassino, em Veneza.

- Apresenta-se em Porto Alegre, no Audit�rio Ara�jo Vianna.

- Apresenta-se no Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora.

1997 - Faz temporada no Tom Brasil, Sao Paulo. Os concertos sao gravados para especial da TV Bandeirantes.

- Apresenta-se no Teatro Amazonas, em Manaus.

- Apresenta-se em Santiago do Chile, no Centro de Eventos San Carlos de Apoquindo.

- Faz duas apresenta�oes em Buenos Aires, no Teatro Opera, recebendo da prefeitura local as chaves da cidade e o t�tulo de cidadao ilustre.

En musica, sobre todo en la popular, es el ritmo el que diferencia las expresiones de los pueblos, m�s all� del melodismo y de las armon�as. Pero m�s que el ritmo mismo, (...) son los acentos, las articulaciones, los fraseos, los que les dan entidad propria. (...) En el caso del Brasil, los que fuimos conquistados por las cadencias del samba, nunca pudimos imaginar que un d�a cualquiera alg�n m�sico le inventar�a nuevas inflexiones, distintas pulsaciones, inesperados latidos. Pero suced�o que - como aqu� se cuenta com lujo de detalles - lleg� Joao Gilberto, toc� ''Chega de Saudade'' com assombrosas articulaciones y el samba se transfigur� y cobr� forma de ''bossa nova''. Y lo assombroso de esta transmutaci�n ocurri� a contrapelo de toda especulaci�n, de todo efectismo, de todo lanzamiento de mercado. (...) La famosa ''batida'' de Joao consisti� precisamente en imaginar acentuaciones flexibles, ondulantes, inquietas, sutiles, de sus cinco dedos sobre las cuerdas de su guitarra. La sua fue una fiesta de s�ncopas que escapaban de la gravedad (de la gravedad de lo sesudo y del peso f�sico) y que volaban, ingr�vidas, para agregar belleza a un ritmo como el samba, que es, ciertamente, entre los que pasean por la tierra, uno de los m�s provocativos y sensuales. (Ren� Vargas Vera - Los m�gicos acentos. La Naci�n, Buenos Aires, 11/10/1997)

1998 - Faz duas apresenta�oes no Teatro Castro Alves, em Salvador.

- Participa, como convidado especial, do Tributo a Tom Jobim no Teatro Alfa Real, em Sao Paulo.

- Apresenta-se no Carnegie Hall, em Nova Iorque, na 26� edi�ao do JVC Festival.

Joao Gilberto may well be the coolest man alive.

(Jon Pareles - To Love and Youth, with Regret. New York Times, 21/6/1998)

- Apresenta-se no Masonic Auditorium, em San Francisco e no Teatro Jackie Gleason, em Miami Beach.

1999 - Faz apresenta�oes em Buenos Aires, no Teatro Gran Rex, com Caetano Veloso como convidado especial.

Era necess�rio um contrabaixo? Ele est� no polegar direito de Joao. Talvez um teclado para a harmonia? N�s o temos nos dedos da mao esquerda. Acaso uma bateria para marcar o ritmo? In�til. Os quatro dedos da mao esquerda encerram todas as cad�ncia imagin�veis. E se incorpor�ssemos uma flauta? Va sugestao: a voz de Joao encerra a sedu�ao dos tra�os sutis e dos fraseados irrepet�veis. D� para pedir mais? (Ren� Vargas Vera - Uma visita ao reino da delicadeza. Zero Hora, Porto Alegre, 22/3/1999, reproduzido do La Naci�n/ Buenos Aires)

- Grava novo disco em est�dio, no Rio de Janeiro.

- Apresenta-se na inaugura�ao do Credicard Hall, em Sao Paulo, com Caetano Veloso.

2000 - � lan�ado Joao Voz e Violao, seu 15� �lbum de carreira.

- Apresenta-se no Carnegie Hall, em Nova Iorque, durante o JVC Jazz Festival.

- Apresenta-se em Barcelona, no anfiteatro Grec e em Londres, no Barbican Centre.

- Faz temporada no Tom Brasil, em Sao Paulo.

- Apresenta-se em Milao.

- Apresenta-se no Teatro Santa Isabel, em Recife.

- Por ocasiao do lan�amento do novo �lbum no mercado americano (Verve 314 546 713), a revista Down Beat comenta:

Quando a voz e o violao de Joao Gilberto anunciaram a era da bossa nova, ele soava como ningu�m. Sua nova grava�ao prova que 40 anos depois sua estatura nao pode ser desafiada. [When Joao Gilbertos voice and guitar ushered in the bossa nova era, he sounded like nobody else. His new recording proves that 40 years later, his stature cannot be challenged.](Aaron Cohen. Down Beat, november 2000)

2001 - Ganha o pr�mio Grammy (Best World Music Album), por Joao Voz e Violao. Considerando que ele abriu essa porta da ind�stria fonogr�fica mundial para a m�sica popular brasileira e seus discos sempre mereceram pr�mios e indica�oes nobres, a imprensa brasileira classifica como injusta a categoria.

Joao Gilberto, claro, mereceu o Grammy. Mas a rec�proca nao � verdadeira. (T�rik de Souza - Vit�ria do Sil�ncio. Jornal do Brasil, 23/02/01)

- Faz pequena temporada em Buenos Aires.

Estar� se apresentando no dia 12 de julho no Montreux Jazz Festival, na Sui�a.

Jornal do Brasil

[email protected]

1 2 3 4 5 6 7 8 9

ENVIAR
texto cr�tica opini�o coment�rio sugest�o r�plica recado

Voltar

Hosted by www.Geocities.ws

1