NOVIDADES NAS EDIÇÕES

DA CÂMARA MUNICIPAL DE VILA DO CONDE

(Distribuidor Exclusivo: Brasília Editora)

Boletim do Centro de Estudos Regianos Nº 4/5 2.600$00
Nova História de Vila do Conde - António do Carmo Reis 3.360$00
Vila do Conde - Azurara - Eugénio da Cunha e Freitas 3.675$00
A Poesia na Actualidade - Antero de Quental - Centro de Est. Anterianos 4.990$00
Estudos Anterianos Nºs 3 e 4  (Preço de cada exemplar) 1.050$00
Os Expostos da Roda de Vila do Conde 1835/1854 - M Adelina Piloto 3.360$00
S. Gonçalo de Mosteiró - Subsídios Monográficos - Adelina Piloto e A. Monteiro dos Santos 3.675$00
As Fadas - Antero de Quental - encadernado     (brochado - 1.260$00) 1.890$00
a Noite Intacta - (I)recuperável Antero - Eduardo Lourenço  2.750$00
Boletim do Centro de Estudos Regianos Nº 6/7 2.600$00
Vila do Conde - História e Patrimonio - Eugénio da Cunha e Freitas 3.675$00

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S. GONÇALO DE MOSTEIRÓ

   Subsídios Monográficos —

  Adelina Piloto e A. Monteiro dos Santos

 

 

            Revivescer o passado é construir, pedra a pedra, o multissecular edifício da História. O tempo é o corrosivo mais violento que se conhece. Nada lhe escapa. Tudo gasta, tudo destrói, tudo pulveriza, tudo aniquila, tudo transforma em pó que se desvanece no infinito.

            Com uma persistência extraordinária, metódica e progressiva, vai carcomindo o granito, desgastando o bronze, verminando o mármore, tornando obsoletos os códigos, inadequados os processos e arcaicos os sistemas. Templos, monumentos, altares, epopeias, costumes, hábitos, tradições, objectos de arte, utensílios caseiros, apetrechos de pesca e amanho das terras, trajes, adornos — tudo quanto estabelece união entre o presente e o passado vai sendo inexorável e progressivamente demolido pelo rodar dos anos, dos séculos e dos milénios.

            Reconstruir o passado, a nossa memória colectiva, é feito meritório e digno da admiração de todos, porque é uma espécie de relativa imortalização.

            O passado é para cada um de nós um sacrário de recordações, alegres umas e tristes outras, ungidas pelo agridoce de milhentas saudades. O passado histórico é composto de pedaços dispersos do que foi belo, grandioso, nobre, talvez até sublime, ou odioso e amaldiçoado, ao longo dos milénios de vida neste nosso planeta azul. Compete ao historiador,  investigar,  compilar, organizar e ordenar com sentido crítico, objectividade e imparcialidade, de modo que a relação entre esses retalhos do passado humano torne acessível o mais pleno conhecimento.

            Com a obra "S. Gonçalo de Mosteiró — Subsídios Monográficos" pretendem os seus promotores contribuir com objectividade e rigor para o conhecimento da História da freguesia de Mosteiró, terra ancestral, linda e hospitaleira, localizada no extremo sul do concelho de Vila do Conde, em ampla colina, povoada de campinas férteis e verdejantes, onde sobressaem abastadas Casa de Lavoura. Desta forma é pretensão dos entusiastas mentores deste projecto, subtrair à acção devastadora do tempo vivências e factos, que garantam a identidade dos Mosteiroenses, que ajudem a entender o presente e a preparar melhor o futuro de Mosteiró.

 

            Reunir documentos dispersos e de antemão condenados a desaparecer inglóriamente, foi o objectivo primacial. O documento manuscrito e original, foi a base fundamental do nosso trabalho de investigação. Neste particular, o realce vai para as Memórias Manuscritas do Padre Joaquim Antunes de Azevedo (o Padre Joaquim Antunes de Azevedo, legou à posteridade umas Memórias Manuscritas, sem data, mas pela análise do seu conteúdo devem ter sido redigidas na década de oitenta do século XIX), investigador probo e honesto, amantíssimo do passado. Trata-se de uma fonte elaborada com clareza, realismo, pormenor e minúcia. Para além disso, o recurso a outras fontes subsidiárias manuscritas e impressas, foi uma constante ao longo de todo o processo de investigação. Na imprensa local, regional e nacional fomos também beber, rico e diverso néctar informativo, que nos permitiu a clarificação de muitas situações e o enriquecimento global.

            Os importantes e dispersos artigos do Padre Agostinho Antunes de Azevedo, vieram em muitos aspectos corroborar as informações do seu tio, o Padre Joaquim, e noutros, espraiar os nossos horizontes, e saciar a nossa sempre crescente curiosidade.

            O facto de a freguesia ter raízes muito entranhadas no tempo, levou-nos ao estudo das suas origens onomásticas, enquadramento geográfico-administrativo e a um apontamento de carácter demográfico. O desenvolvimento das estruturas económicas, sociais, políticas, culturais, religiosas e desportivas conduziu-nos do Mosteiró do passado à vivência do Mosteiró do presente. A Igreja, local de culto por excelência, com os seus equipamentos anexos mereceu um atenção especial.

            Debruçámo-nos também, sobre os primórdios da feira da Lameira, a sua ampliação, especificidade e dinamismo ao longo do tempo.

            A Botica da Lameira, a mais antiga do país na posse da mesma família, foi alvo igualmente de um tratamento detalhado.

            Detivemo-nos a tecer com rigor a biografia de duas personagens ilustres de Mosteiró: a do Dr. Domingos de Azevedo, médico, lavrador progressista e inovador por paixão e vocação natural, a quem foi atribuído com merecida justiça o título de "Apóstolo da Lavoura". E a do padre Agostinho Antunes de Azevedo, sacerdote distinto, lavrador revolucionário, e acima de tudo, consciencioso e paciente investigador do passado.

            Para término do presente trabalho espraiamos o nosso olhar atento sobre o Mosteiró da actualidade, com o seu dinamismo associativo, facho da juventude e do progresso.

 

            Esperamos, confiados, que os filhos de Mosteiró leiam e apreciem os Subsídios Monográficos, que agora vêm a público. Essa será a nossa maior recompensa, certos que a partir de hoje, Mosteiró tem uma herança mais rica para legar às gerações vindouras, uma obra que consubstancia os factos fundamentais das suas Gentes, do seu Património, da sua História. Obra que pretende expressar às gerações futuras: esta é a nossa terra muito amada, por cujo nome honrado e digno sofremos, trabalhamos, com um interesse tão portentoso e um amor tão sincero, que vo-la legamos nobre e altiva, linda e fagueira, acolhedora e livre! (de: Preâmbulo)

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AS FADAS  

Antero de Quental  

 

            Criar o gosto pela leitura e incentivar, principalmente, junto dos mais novos, o hábito de corresponder às iniciativas culturais, são objectivos que sempre têm norteado os nossos passos. E, existindo uma forte ligação de Antero de Quental a Vila do Conde, O Centro de Estudos Anterianos e a Câmara Municipal estão empenhados em dar a conhecer a figura e a obra de um dos maiores nomes da literatura portuguesa. Por isso, pensamos num projecto que envolvesse os alunos das escolas E.B. 2/3 do concelho, propondo-lhes, a leitura do poema "As Fadas", que Antero escreveu para o "Tesouro Poético da Infância", solicitando-lhes que expressassem, através do desenho, as impressões que colheram na sua leitura.

 

            Deste projecto, que representa uma frutuosa interacção entre a Escola e as Instituições, resultou a edição deste livro, produto final de uma acção que, dada a conhecer a todas as escolas do país, do mesmo grau de ensino, poderá servir de inspiração a futuras iniciativas de divulgação da obra de escritores portugueses.

 

            Esperamos, assim, que a leitura das "Fadas" desperte, entre os mais novos o interesse pela figura de Antero de Quental, um dos nomes mais importantes da cultura portuguesa de todos os tempos e que viveu em Vila do Conde durante dez anos. Lembramos que o seu primeiro ensaio, A Pátria, foi escrito quando tinha 15 anos, e as primeiras poesias ainda antes — afinal a idade daqueles a quem este projecto é dirigido. (Câmara Municipal de Vila do Conde)                          

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«A NOITE INTACTA»

(I)recuperável Antero

Por: Eduardo Lourenço

Centro de Estudos Anterianos

Vila do Conde

17cm por 24,5 — 179 páginas

(Encadernado a pano azul e letras a branco)

 

         Não há na nossa literatura, nem mesmo Camões, poeta tão naturalmente universal como Antero de Quental, dada a natureza ideal e intemporal da sua inspiração e o conflito que a alimenta, pura interpretação do espírito por si mesmo no meio de um mundo incompreensível. Nenhum objecto empírico, natural ou histórico, é, ao menos nos Sonetos, matéria determinante da sua poesia. Os Açores como qualquer outro. É como se estivesse só no Universo, ilha pura, sem qualquer arquipélago.

         Palavras de Eduardo Lourenço num dos ensaios sobre Antero de Quental reunidos neste volume que o Centro de Estudos Anterianos se orgulha de poder apresentar. Publicados ao longo de cerca de trinta anos, estes textos constituem uma das mais brilhantes e significativas reflexões sobre a herança espiritual, literária e histórica do autor dos Sonetos e das Causas da Decadência dos Povos Peninsulares. (Vila do Conde, Novembro de 2000)

 

    N

ão sei que contemporâneo de Antero, creio que o mesmo Eça, notou no autor dos Sonetos qualquer coisa de «antiquado». Mais expeditivo, Oliveira Martins imaginou-o perfeitamente bem no século VI, na companhia de S. Bento, ou no século XIII, na de S. Francisco. Com uns pós de exotismo, o mesmo amigo e prefaciador dos Sonetos comparou-o a um monge budista. Em suma, o herói juvenil e turbulento da sua geração, o agitador memorável das «Conferências do Casino», o utopista do socialismo nascente, era visto, mesmo pelos seus mais próximos, como uma espécie de personagem deslocado, em trânsito ou sem lugar apropriado, alguém de um outro tempo ou de um outro mundo.

         Esta espécie de visão espectral de Antero, da sua figura e da sua maneira de ser íntima, que o retrato de Columbano captou, não exemplifica a banal incompreensão dos que nos cercam e, por isso, mais dolorosa parece. Esse «desajustamento» irradiava do próprio Antero e mais que reflexo da inquietude vital para a qual bem cedo não imaginou outro lugar de repouso que o da morte consoladora, correspondia ao que não podemos deixar de referir, como é de tradição, de «inquietude metafísica». Quer dizer, ao menos em termos de banal caracteriologia espiritual, a um sentimento de radical perplexidade, estranheza, dúvida, não a este ou àquele aspecto do universo, da História ou da sociedade, mas da existência no seu todo. Em imagem que não é apenas da ordem da metáfora, mas pura transposição do obscurecimento e da absoluta perdição ontológica que é a sua, de náufrago num mar amargo, só o símile da Noite, por ele tão dolorosamente evocada, configura a exacta inscrição do seu destino.

         O seu fascínio pela Noite não foi apenas herança romântica exacerbada, filha ambígua do titanismo e da sua decepção como em Musset, e muito menos a porta iluminada para um mundo mágico, o único real, aquém e além da Morte, como em Novalis, mas consubstanciação, ao mesmo tempo intelectual e erótica com a Morte. Ele a exprimiu no mais negro e inexpugnável verso da nossa língua:

Morte, irmã coeterna da minha alma.

         E é desta visão intolerável para o coração e impensável para o entendimento, que já por si anunciava ou pedia o gesto sem regresso com que a fez vida no horizonte da morte, e morte como enigma puro, que data a ruptura, não apenas da sua alma, mas da nossa antiga alma lusitana durante séculos acolhida «na mão de Deus». ...,...  (de: A Passos de Pomba Capítulo I)

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«BOLETIM DO CENTRO DE ESTUDOS REGIANOS»

Junho-Dezembro 2000 — Nº 6-7

Câmara Municipal de Vila do Conde

 

SUMÁRIO

                ACTAS DO ENCONTRO INTERNACIONAL: JOSÉ RÉGIO, TRINTA ANOS DEPOIS. Apresentação — Giulia Lanciani; José Régio e os seus leitores. Encontros e Desencontros – A Ficção Eugénio Lisboa; Memória e Toada de Portalegre – Fernando J. B. Martinho; Pessoa e Régio: Uma apaixonada relação difícil – Teresa Rita Lopes; O outro Cancioneiro ou a hipotética presença de João Bensaúde no último livro de poesia de José Régio» - Letizia Grandi; Mário ou Eu próprio — o Outro – Piero Ceccucci; Régio e Deus – Helder Godinho; O duplo obscuro, ou seja, a tensão entre o ser e o parecer no Teatro de José Régio – Manuel Simões; José Régio e a paixão das antiguidades – a sensibilidade de um artista e de um místico – João Marques; A presença de José Régio e o modernismo português – Sílvio Castro; José Régio hóspede da Biblioteca Nacional – Fátima Lopes; Os escritos de José Régio – uma memória preservada – Isabel Cadete; Le tracce recondite di un percorso poetico: i versi dispersi di José Régio – Enrico Martines; José Régio. Autobiografismo e modernidade literária – Giampaolo Tonini; Fado: a resposta de José Régio à crítica neorealista – Giorgio de Marchis.

            Documentos: Colaboração de José Régio em publicações periódicas - «Cartas do nosso tempo» publicadas na Seara Nova (cont.); Eça visto por Régio (Homenagem do Centro de Estudos Regianos no Primeiro Centenário da Morte de Eça de Queirós) — Camilo e Eça; — Sobre a Profundeza Humana; — Os Heróis de Eça; — Um «Retrato de Eça de Queirós»

                Não me espanta que se hajam espantado vários leitores com certas observações que, num artigo há pouco publicado, me arrojei a expor sobre Eça de Queiróz. Incidia uma delas sobre o que tenho por deficiência de vida interior na obra do Mestre.

                Será preciso declarar que me não proponho desvalorizar essa obra? Denegrir esse mestre? Dado reduzir-se grande parte da crítica literária actual a um ataque ou um louvor demasiado interessados e dirigidos, — talvez convenha a declaração. Procurar quais os reais valores próprios de Eça de Queirós, eis o que me interessa. Mas temos de ir devagar. Porventura teremos também de, para a ver melhor, afastar alguns lugares-comuns sobre essa obra acumulados. Por exemplo: Dizer-se que Eça de Queirós não é relevantemente psicólogo, poderá parecer absurdo a muita gente. Porém a verdade é que o não é. Com isto não quero afirmar que não possua certa forma de imaginação psicológica necessária quer à efabulação dos seus conflitos, quer à construção das suas caricaturas. Simplesmente, os seus conflitos ou não são dos que exigem excepcional penetração psicológica, fundamental riqueza de vida interior, ou não aparecem desenvolvidos no sentido de as exigir. Quanto ao talento de caricaturista — notabilíssimo no Eça — julgo poder entender toda a gente que não pressupõe nenhuma visão particularmente penetrante das subtilezas e minudências da coisa caricaturada. Pressupõe, sim, apreensão dos seus traços e feições marcantes.

                Vários dos personagens do mestre são caricaturas; — e admiráveis como tais! Perfeitamente justificável é a voga que atingiram. Admirável é, no Eça, tudo quanto, na descrição animada dos seus personagens, releva dos dons próprios ao caricaturista ou humorista. Mas os personagens que não são caricaturados como que se nos esfumam continuamente na memória, neutros e vagos à conta da sua pobreza de interioridade ou personalidade. Vivem, realmente, Luísa e Amélia? Quem são? Quase meros suportes de dois ou três instintos rudimentares, os seus amantes Basílio e Amaro vivem de vida mais intensa e real? Mais humana? O Carlos da Maia, o Ega, O Jacinto, o Ramires, — indivíduos sem dúvida superiores, não obstante os defeitos que lhes atribui, no juízo do autor — acusarão, com efeito, uma íntima, pessoal, viva superioridade que verdadeiramente se nos imponha? Haverá neles, de facto, uma vida interior que os anime daquela poderosa humanidade das grandes criações romanescas? Poderemos, ao menos, conviver com eles como tão imediatamente convivemos com os personagens de Júlio Dinis? Julgo fácil poder afirmar que não; — mau grado os pormenores destacantes com que o autor os anima, a justeza na descrição que da sua gesticulação exterior empreende, o poder comunicativo da linguagem que, autêntico mestre do diálogo, lhes empresta. Sombras, pobres sombras que nos divertem quando provisoriamente em contacto connosco, — mas de que nenhuma impressão poderosa nos fica! antes uma lembrança de cabotinismo, falência, mundanismo, vacuidade ornamentada, que nos não permite ligarmo-nos a eles por nenhuns laços profundos.

                Onde, pois, no Eça, aqueles personagens que verdadeiramente possamos amar, odiar, admirar? Aqueles com quem intimamente possamos conviver ao longo da obra, (convivência que é um dos prazeres da leitura de romances) e de quem nunca mais nos possamos apartar de todo? Talvez com a única excepção de Juliana, — que, porém, sou tentado a considerar mais uma caricatura, embora dramática — todos os personagens principais do nosso romancista sofrem de anemia e linfatismo psicológicos. Onde, aí, um ser humano a valer? Quando, em «A Capital», pretende Eça de Queirós dar uma figura que nos inclinaríamos a crer inspirada na personalidade de Antero, — que pobre coisa sai! E como logo nos esforçamos por desacreditar tal hipótese, receosos de caluniar ou Antero ou Eça. Quando, no mito de Fradique Mendes, supõe concretizar o que, de certo modo, seria para ele um ideal de superior indivíduo masculino, que resulta senão esse papelão recortado e colorido — figurino de snobes — que nada é à custa de querer ser tudo, e em quem já hoje dificilmente acreditamos que o mesmo Eça haja crido. E quando, escrevendo vidas de santos, teve oportunidade de nos apresentar verdadeiras almas, e ir um pouco mais fundo, mais longe, na penetração das consciências, quem não vê que tanto a verdadeira religiosidade como a autêntica compreensão duma personalidade religiosa quase estão de todo ausentes desses admiráveis exercícios literários, — admiráveis de colorido, pitoresco, gesticulação. Chega a gente a crer não se ter inclinado o autor para tais heróis senão porque, por um lado, lhe possibilitavam suas vidas certos efeitos de tais exercícios literários, e, por outro, remediavam certa sua — dele, autor — confessada pobreza inventiva.

                Restam-nos, pois, os personagens de segundo plano, se quisermos procurar indivíduos ao menos mais simpaticamente humanos; ou, até simplesmente mais humanos. Talvez, por exemplo, o Sebastião, o Cruges, o Afonso da Maia, etc., nos forneçam modelos não de complexidade psicológica, (riqueza decididamente pouco própria a um autor tão rico doutros dons) mas, digamos, de estrutura moral ou até simplesmente romanesca. E talvez indo às novelas — especialmente a «Singularidades duma rapariga loira», «José Matias» ou «Alves & Companhia» — achemos um tratamento de sentimentos, estados de alma e casos que dificilmente acharemos nos grandes romances. Um estudo, pois, destas novelas nos poderá dar elementos que, juntos a outros, nos permitirão chegar a quaisquer conclusões sobre as formas que reveste em Eça de Queirós a imaginação psicológica.  (de: José Régio)

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«VILA DO CONDE»

2. História e Património

Por: Dr. Eugénio de Andrea da Cunha e Freitas

         Encontrava-se este volume em fase de revisão de provas, quando chegou a notícia do falecimento do Dr, Eugénio de Andrea da Cunha e Freitas. Homem que fez do estudo dos documentos com que se compõe a História uma enorme paixão, envolvendo nesse seu afecto Vila do Conde — os seus monumentos, os seus lugares, as suas gentes, os seus acontecimentos — encontrou informações preciosas sobre esta «sua» Vila nas pesquisas em arquivos e bibliotecas de todo o país.

         Há algum tempo, propusemos ao Dr. Cunha e Freitas reunir em volume todos os seus trabalhos sobre esta nossa terra. Pela sua imensa quantidade, não era possível fazê-lo num único tomo, decidindo-se que os seus estudos seriam distribuídos por 4 livros. O primeiro, inteiramente dedicado a Azurara, já saiu em Julho de 1999, e este, respeitante a Vila do Conde, está agora disponível. Seguir-se-à o terceiro volume, com pesquisas ainda não publicadas, e um último contendo trabalhos sobre freguesias do concelho.

         A morte do Dr. Cunha e Freitas constitui para Vila do Conde uma perda irreparável. Pela sua erudição, pelo seu profundo conhecimento da história deste concelho, pela sua disponibilidade para com outros estudiosos ou para servir associações e instituições vilacondenses. E ainda pela sua sempre pronta, frutuosa e insubstituível cooperação com a Autarquia.

         Perda irreparável, também, porque todos perdemos um amigo. (Por: Mário de Almeida – Presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde)

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SUMÁRIO

1- SOBRE AS ORIGENS DE VILA DO CONDE; VILA DO CONDE. AS ORIGENS DO TOPÓNIMO. TENTATIVA DE IDENTIFICAÇÃO; VILA DO CONDE SUA ORIGEM E EVOLUÇÃO HISTÓRICA; GUIMARÃES E VILA DO CONDE; A CERTIDÃO DE NASCIMENTO DE VILA DO CONDE; VILA DO CONDE MILENÁRIA.

2- PERSONALIDADES; D.JOÃO RIBEIRO GAIO — BISPO DE MALACA; O DESEMBARGADOR JOÃO CARLOS LEITÃO; O SARGENTO-MOR JOSÉ BENTO LEITÃO; FR. JOÃO DE VILA DO CONDE; O PINTOR MANUEL ARNAO; UM VILACONDENSE NA ILHA DE S. JORGE; O DR. CARLOS DE CASTRO FARIA; RANGEIS BARBOSA CARNEIRO DA CASA DE S. SEBASTIÃO; O QUE HÁ DE VERDADE E DE FANTASIA NUM ROMANCE DE CAMILO; O ABADE SOUSA MAIA; BREVES NOTAS SOBRE DOIS RETRATOS DE ANTERO DE QUENTAL; DR. JOAQUIM MARIA PACHECO NEVES;

3- PATRIMÓNIO ARTÍSTICO VILACONDENSE; ARTES E ARTISTAS EM VILA DO CONDE; OS MESTRES BISCAÍNHOS NA MATRIZ DE VILA DO CONDE; ARTISTAS DE BRAGA NA MATRIZ DE VILA DO CONDE (SÉC. XVI); JOÃO DE CASTILHO E A SUA OBRA NO ALÉM DOURO; UMA OBRA DE NASONI DESCONHECIDA?; A CAPELA DE S. BARTOLOMEU E A IGREJA DE NOSSA SENHORA DA LAPA; A IGREJA DE NOSSA SENHORA DA LAPA E S. BARTOLOMEU; CASTELO DE S. JOÃO BAPTISTA; O AQUEDUTO DE SANTA CLARA DE VILA DO CONDE; MOSTEIRO DE SANTA CLARA; O CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA ENCARNAÇÃO EM VILA DO CONDE; CAPELAS: CAPELA DE SANTO AMARO, CAPELA DE SANTA CATARINA, CAPELA DE SANTIAGO, CAPELA DO SENHOR DA AGONIA;

4- VILA DO CONDE NAS MEMÓRIAS PAROQUIAIS E VISITAÇÕES; A MEMORIA PAROQUIAL DE 1721; MEMÓRIAS PAROQUIAIS DE 1758; O LIVRO 2º DE VISITAÇÕES DE VILA DO CONDE;

5- ESTRADAS; ESTRADAS VELHAS ENTRE LEÇA E AVE; VIA VETERA; ESTRADA VELHA DE AVELEDA A VILA DO CONDE; ESTRADA VELHA DE MATOSINHOS;

6- PONTES; A BARCA DA PASSAGEM NO AVE; AS PONTES SOBRE O AVE, ENTRE AZURARA E VILA DO CONDE;

7- O ARQUIVO MUNICIPAL DE VILA DO CONDE; APONTAMENTOS SOBRE O ARQUIVO MUNICIPAL DE VILA DO CONDE; CARTAS DE REIS E PRÍNCIPES NO ARQUIVO MUNICIPAL;

8- VILA DO CONDE E AS INVASÕES FRANCESAS; NOTAS DE HISTÓRIA E DE ARTE NO TEMPO DOS FRANCESES; LIVRO DOS ROUBOS QUE OS FRANCESES E VASALOS DEL REY DE FRANÇA FEZERAM; NO TEMPO DOS FRANCESES;

9- NOTAS E COMENTÁRIOS ACERCA DE ALGUMAS INSCRIÇÕES DO DOURO LITORAL;

10- ROTEIRO ARQUEOLÓGICO ENTRE DOURO E CÁVADO;

11- CASAS ANTIGAS DE VILA DO CONDE; A CASA DO SUBMOSTEIRO;

12- VÁRIA; NOS INÍCIOS DA GUERRA CIVIL: VILA DO CONDE 1832; PARA A HISTORIA DA ASSISTÊNCIA EM VILA DO CONDE; A FONTE DE S. JOÃO.

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