BOLETIM
DO CENTRO
DE
ESTUDOS REGIANOS
Nº
4/5
Na
madrugada do dia 22 de Dezembro de 1969, isto é, há trinta anos, José Régio,
após prolongada e sofrida doença, deixava finalmente este mundo. Mas não o
deixava como encontrara: acrescentara-lhe, entretanto, uma obra literária de
vulto, que fazia dele uma das maiores figuras da literatura portuguesa, não só
do século XX, mas também de toda a nossa história literária. Na poesia, na
ficção (de vária dimensão), no teatro, no ensaio, na crítica, na crónica,
na polémica, na autobiografia, no diário, Régio recortava então e recorta
hoje, indiscutivelmente — embora, discutidamente... — , uma imponente,
perturbante e complexa figura de escritor.
Assinalando o trigésimo aniversário da sua morte, quis o Boletim
de Estudos Regianos dedicar a essa efeméride este número duplo, que
contém, ousamos esperá-lo, material de inegável interesse, entre o qual
queremos sublinhar um conjunto de depoimentos sobre a «situação» do
escritor, perante a crítica e os leitores de hoje, bem como alguma correspondência
com o crítico de cinema, Roberto Nobre, e com o compositor e musicólogo,
Fernando Lopes Graça.
Quisemos também associar a esta comemoração o nome de uma admirável
investigadora e ensaísta, Maria Aliete Galhoz, que a José Régio dedicou tanto
da sua atenção amorosa, minuciosa, inteligente e escrupulosa. Às suas
excelsas qualidades de «scholar» nem sequer falta aquela que tão indispensável
se torna a uma investigação séria, embora não seja das mais cartesianamente
bem distribuídas: a humildade. Este número duplo do Boletim é-lhe merecida e
gostosamente dedicado. Que ela se vai ressentir deste nosso gesto — é quase
certo. Mas vai ter que sofrê-lo.